10 de fev de 2009

à guisa de explicação

voltando um pouco à nova cultural e ao fio desse trabalho aqui do nãogosto - minha perplexidade surgiu em agosto/setembro de 2007, quando saulo von randow jr. comentou que havia constatado o plágio de ivanhoé, trad. de brenno silveira, na coleção obras-primas da nc.
em novembro e dezembro de 2007, com as duas matérias da folha de s.paulo sobre mais outros plágios, minha perplexidade virou pânico e indignação, e daí vem esse trabalho de pesquisa e alerta. às vezes ele pode parecer disperso, mas tenho um quadro na cabeça razoavelmente claro, que vou tentar expor.

a martin claret até pode dar de dez na nova cultural em quantidade de títulos plagiados, embora não necessariamente no total das tiragens. mas não há a menor dúvida de que quem implantou o recurso ao plágio como prática editorial sistemática e em escala industrial foi a nova cultural. esse pioneirismo ninguém lhe tira. e ninguém lhe tira por uma razão cronológica muito simples: ela inaugurou esse recurso sistemático à fraude em 1995, na coleção "os imortais da literatura universal", e a claret começou seus plágios em 1998, na coleção "a obra-prima de cada autor".

os pequenos aventureiros posteriores, tipo sapienza, jardim dos livros, landmark, são subespécies. embora cada qual tenha suas características próprias, integram a família mais geral das editoras que não recusam o artifício do plagiato.

nas pesquisas sobre os plágios da nova cultural, eu tinha me concentrado em obras literárias, até porque foi em 2002-2003 que a editora, com o patrocínio da suzano celulose, adquiriu uma visibilidade fantástica, em edições e reedições de tiragens espantosas, com sua coleção "obras-primas" para venda em bancas de jornais. muito bem, mereceria aplausos se fosse uma coleção idônea; infelizmente, porém, sabemos que não é.

mas há uma outra coleção importante, "os pensadores", da mesma editora, e oriunda da mesma partilha da editora abril, feita em 1982 por victor civita entre os dois filhos, roberto e richard civita. na separação, os fascículos e livros da extinta abril cultural ficaram para richard civita, o qual então criou a editora nova cultural, como parte da empresa c.l.c. (comunicação, lazer e cultura). e foi assim que ele foi relançando, adulterando e plagiando obras da ex-abril cultural que lhe couberam na partilha, tanto nos "imortais" quanto nas "obras-primas" ou nos "pensadores".

estou me delongando sobre isso porque, nestes próximos dias, vou tratar de alguns títulos de "os pensadores" também vitimados por plágio, e acho interessante uma visão geral da coisa.

se alguém tiver interesse em acompanhar o fio da discussão, pode consultar:
ou mais especificamente:
- uma boa cobertura do problema, dada por o globo
- menções iniciais a "os pensadores"

imagens: são jorge em seu gabinete, codecarnival.com; thief and pig, gutenberg.org

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