3 de fev de 2009

essa eu não entendi


conan doyle, memórias de sherlock holmes

tradução joaquim machado (melhoramentos)*
x
cópia john green (martin claret)

*em portugal, pela bertrand
o livro tem onze histórias. pode-se pegar qualquer uma, à vontade. vou pegar a segunda, a face amarela.

ao publicar estes breves esboços, baseados em numerosos casos, de que os dotes singulares de meu companheiro me fizeram ouvinte e, eventualmente, ator em algum drama estranho, é muito natural que me demore mais nos seus êxitos do que nos seus fracassos. não é tanto por amor à sua reputação, porque na verdade era quando não sabia mais o que fazer que sua energia e vitalidade se tornavam mais admiráveis, mas porque acontecia muitas vezes que onde ele fracassava nenhum outro era bem sucedido. entretanto, quase sempre acontecia que, até errando, a verdade era ainda descoberta. tenho algumas meias dúzias de casos dessa natureza, dos quais o negócio da segunda mancha e o que agora vou narrar são os dois que apresentam os mais fortes característicos de interesse. (joaquim machado)

ao publicar estes breves esboços, baseados em numerosos casos, de que os dotes singulares de meu companheiro me fizeram ouvinte e, eventualmente, ator em algum drama estranho, é muito natural que me demore mais nos seus êxitos do que nos seus fracassos. não é tanto por amor à sua reputação, porque na verdade era quando não sabia mais o que fazer que sua energia e vitalidade se tornavam mais admiráveis, mas porque acontecia, muitas vezes, de onde ele fracassar nenhum outro ser bem sucedido. entretanto, quase sempre acontecia de, até errando, a verdade ser ainda descoberta. tenho algumas meias dúzias de casos dessa natureza, dos quais o negócio da segunda mancha e o que agora vou narrar são os dois que apresentam os mais fortes característicos de interesse. (john green)

[...] embora isto muito me aborreça, watson, eu tenho muita necessidade de um caso, e esse me parece de importância a julgar pela impaciência do homem. olá! esse cachimbo em cima da mesa não é o seu! ele o deve ter esquecido. um bonito cachimbo velho de roseira, com um cabo comprido que os tabaquistas chamam âmbar. imagino quantos bocais de âmbar verdadeiro há em londres. alguns acham que ter uma mosca é o seu sinal. ora, é perfeitamente um ramo de negócio simular moscas no âmbar simulado. deve ter sofrido um distúrbio mental para deixar o que evidentemente muito estima. (joaquim machado)

[...] embora isto muito me aborreça, watson, eu tenho muita necessidade de um caso, e esse me parece de importância a julgar pela impaciência do homem. olhe! esse cachimbo em cima da mesa não é o seu! ele o deve ter esquecido. um bonito cachimbo velho de roseira, com um cabo comprido que os tabaquistas chamam âmbar. imagino quantos bocais de âmbar verdadeiro há em londres. alguns acham que ter uma mosca é o seu sinal. ora, é perfeitamente um ramo de negócio simular moscas no âmbar simulado. deve ter sofrido um distúrbio mental para deixar o que evidentemente muito estima. (john green)

e por aí vai, de cabo a rabo.


mas o mais engraçado nessa história é que, naturalmente, entrei em contato com a melhoramentos, por telefone e e-mail, para me informar se ela havia cedido a tradução à claret. a resposta demorou uns dez dias, mas veio: sim, a melhoramentos cedeu os direitos de tradução desta obra para a claret.


aí, a pergunta que fica é: então por que a claret, se tinha autorização da melhoramentos, tirou fora o nome de joaquim machado, o tradutor original, e tascou o nome visivelmente inventado de "john green"?

bom, não me senti muito esclarecida, indaguei de novo à melhoramentos se era isso mesmo e expus minha perplexidade - pois não faz sentido na minha cabeça uma editora adquirir uma licença e mesmo assim apresentar a obra sublicenciada como plágio (pois plágio continua a ser, só que agora autorizado pela detentora dos direitos...). não tive resposta, tomei o silêncio como confirmação, mas continuo a achar que é uma bizarrice sem tamanho.

sinceramente penso que todo esse pessoal deveria ter muito mais respeito para com os leitores. é tão absurdo assim esperar que os livros sejam produtos transparentes e honestos, com dados corretos e créditos verdadeiros? não seria o normal? e as editoras lesadas não deveriam se proteger a si próprias e proteger a nós, incautos consumidores, no que estivesse ao alcance delas?

não sei... ando me desiludindo um pouco com essa gente. afinal quem compra os livros delas somos nós. não acho certo.

atualizado em 28/05/2009: ver esclarecimento e retificação dessas informações em ufa, menos mau. em vista das explicações da melhoramentos, retirei daqui uma frase que perdeu sua pertinência.

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

imagens: blackberrybooks.com; tux.crystalxp.net

6 comentários:

  1. nesse mato tem coéio...

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  2. Denise

    Acho que essa até o Sherlock Holmes teria dificuldade em desvendar.

    Será que livro com cara de "nova tradução" vande mais?

    Tudo de bom e obrigada pelo trabalho incansável,

    Paula

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  3. Deve estar tão entranhado o processo de plágio lá que até quando não foi acabou sendo! Que desastre!

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  4. Anônimo17.7.11

    Ainda tem essa outra,de hamilcar de garcia( tradutor), do circulo do livro:

    "Sobre o texto em português:
    Este texto digital reproduz a
    tradução de The Yellow Face publicado em
    As Aventuras de Sherlock Holmes, Volume III,
    editado pelo Círculo do Livro
    e com tradução de Hamílcar de Garcia."

    segue o referido texto:

    "Ao publicar estes breves esboços, baseados em numerosos casos e dramas estranhos de que as
    qualidades especiais de meu companheiro me fizeram espectador, e eventualmente ator, é muito
    natural que me detenha mais nos êxitos do que nos fracassos. Não se trata de amor à sua
    reputação, pois era precisamente quando não tinha nada em mãos que sua energia e vitalidade se
    tornavam mais admiráveis, mas sucedia muitas vezes que, onde ele fracassava, ninguém mais era
    bem sucedido. Entretanto, às vezes acontecia que, mesmo quando errava, a verdade era
    descoberta. Possuo alguns casos dessa natureza, dos quais o da segunda mancha e o que vou
    agora narrar são os que apresentam as mais fortes características de interesse."

    realmente é muito estranho... algumas palavras foram trocadas por sinônimos, mas o restante é quase o mesmo.
    queria saber quem foi o primeiro a traduzir.

    de: Vander Luiz

    ResponderExcluir
  5. Anônimo17.7.11

    Ainda tem essa outra,de hamilcar de garcia( tradutor), do circulo do livro:

    "Sobre o texto em português:
    Este texto digital reproduz a
    tradução de The Yellow Face publicado em
    As Aventuras de Sherlock Holmes, Volume III,
    editado pelo Círculo do Livro
    e com tradução de Hamílcar de Garcia."

    segue o referido texto:

    "Ao publicar estes breves esboços, baseados em numerosos casos e dramas estranhos de que as
    qualidades especiais de meu companheiro me fizeram espectador, e eventualmente ator, é muito
    natural que me detenha mais nos êxitos do que nos fracassos. Não se trata de amor à sua
    reputação, pois era precisamente quando não tinha nada em mãos que sua energia e vitalidade se
    tornavam mais admiráveis, mas sucedia muitas vezes que, onde ele fracassava, ninguém mais era
    bem sucedido. Entretanto, às vezes acontecia que, mesmo quando errava, a verdade era
    descoberta. Possuo alguns casos dessa natureza, dos quais o da segunda mancha e o que vou
    agora narrar são os que apresentam as mais fortes características de interesse."

    realmente é muito estranho... algumas palavras foram trocadas por sinônimos, mas o restante é quase o mesmo.
    queria saber quem foi o primeiro a traduzir.

    de: Vander Luiz

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  6. aiaiai,vander, que tristeza. hamilcar de garcia era grande tradutor, lexicógrafo, dicionarista junto com antenor nascentes. tem como vc verificar na página de créditos de quem o círculo do livro licenciou a tradução? costuma vir na página ao lado ou atrás da página de rosto.

    em todo caso, vou procurar com calma essa edição.

    obrigada!

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