27 de fev de 2009

o trabalhão de plagiar

já comentei que existem alguns procedimentos mais ou menos padronizados nas malandragens da martin claret (e das outras editoras aqui tratadas: nova cultural, jardim dos livros e landmark).

pode ser cópia literal, cópia com alterações em começo de parágrafo, cópia com troca de termos em algumas passagens ou em todo o livro, cópia montando trechos de diversas edições, cópia em qualquer uma dessas formas mudando a pontuação e as aberturas de parágrafo.

além dessas coincidências flagrantes, facilmente identificáveis, há vezes em que é feito um intenso trabalho de "tradução por sinonímia", mantendo-se intocada a estrutura gramatical adotada na tradução. outro elemento ainda consiste em eventuais erros - de impressão, de revisão, de tradução - na edição que serve de base à ishperteza, e que aparecem reproduzidos na cópia.

tenho aqui alguns casos quase cômicos. num deles, por exemplo, a tradução de base foi copidescada praticamente de cabo a rabo, trocando uma quantidade enorme de palavras por sinônimos. o curioso é que nessa tradução de base:
1. havia alguns erros de entendimento do texto na língua original, o que resultou em alguns erros de tradução;
2. como o original trazia alguns períodos longuíssimos, o tradutor inicial teve por bem repicá-los e subdividi-los em várias frases mais curtas;
3. sendo uma obra de filosofia, alguns conceitos eram constantes e se repetiam ao longo do texto.

só que o ishperto encarregado de "criar" uma nova tradução passou longe de qualquer sombra da obra original. assim:
a. os erros da tradução de base foram preservados, às vezes com sinônimos laboriosamente escolhidos;
b. toda a alteração dos períodos e frases introduzida pelo tradutor inicial foi ciosamente seguida pelo adulterador;
c. os conceitos fixos e constantes da obra ganharam ricos e variados sinônimos durante a copidescagem.

a coisa beirou o burlesco numa passagem devidamente vertida pelo tradutor inicial como "uma imaginação nítida e distinta". com "distinta", naturalmente o autor referia-se à clareza, precisão etc., das imagens criadas mentalmente. ah, pois o mercenário não se avexou: tascou-lhe um sinônimo de "distinto" e a passagem ficou com "uma imaginação clara e diferente"!

imagem: http://www.p4m.de/

3 comentários:

  1. Jesus! Duas coisas que não se devem pegar na rua: pedreiro e revisor.

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  2. Denise, não sei se você já viu, mas me parece que a landmark acaba de lançar mais dois títulos de Austen (a abadia de northanger e o parque de mansfield). A Martin Claret também, com Razão e Sensibilidade, de tradução atribuída a Roberto Leal Ferreira. O que podemos pensar desta história??? Outros trabalhos isphertos, como diria você??

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  3. ai, tatiana, espero que não!!! já basta o estrago feito.

    os da landmark ainda não vi, nem nas livrarias nem na agência do isbn. mas espero sinceramente que o sr. fábio cyrino tenha desistido da senda do crime. dois em seu currículo já estão de bom tamanho ;-)

    já a claret, eu soube que ela fez um acordo com uma das diversas editoras lesadas, e está republicando suas antigas fraudes plagiadas dessa tal editora, mas em novas traduções. já constam na agência do isbn.

    roberto leal ferreira é uma pessoa muito séria e íntegra, tradutor respeitado, de currículo invejável. não vi a tradução dele, mas é um nome que respeito muito.

    infelizmente não sei se a claret, depois de 10 anos e centenas de plágios descarados, agora vai conseguir se desavezar do bandoleirismo. em 08 de dezembro, escrevi 3 posts a respeito dessa aparente mudança de rumo da claret, "algo de novo no front?", "acaba até ficando bonito para o sr." e "ah, mas assim não vale!"

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