1. trad. líbero rangel de andrade, abril cultural, sob licença
2. "trad." mirtes coscodai ou não consta, nova cultural, "direitos exclusivos"
1. líbero rangel de andrade
p. 181:
É de crer que tanto Sócrates como aqueles de seus amigos que falaram em sua defesa dissessem ainda muitas outras coisas. Mas não me propus desfiar todos os pormenores do processo; basta-me ter feito ver que Sócrates tomara por ponto demonstrar que jamais fora ímpio para com os deuses nem injusto para com os homens, mas que longe dele pensar rebaixar-se a súplicas para escapar à morte: ao contrário, desde logo se persuadira haver chegado a hora de morrer.
p. 182:
Atos contra os quais a lei pronuncia a morte, como a profanação dos templos, o roubo com efração, a venda de homens livres, a traição à pátria, meus próprios acusadores não ousam dizer que os haja cometido. Surpreso, pois, pergunto a mim mesmo qual o crime por que me condenais à morte. Nem por morrer injustamente devo ter-me em menor estima: não sobre mim, mas sobre os que me condenam cairá a ignomínia. Demais, consolo-me com Palamedes que findou quase como eu. Até hoje ainda lhe cantam hinos mais magníficos que a Ulisses, que o fez perecer injustamente.
p. 183:
Acompanhava-o certo Apolodoro, alma simples e extremamente afeiçoada a Sócrates, que lhe disse:
— Não posso suportar, Sócrates, ver-te morrer injustamente.
Então se diz que, passando-lhe de leve a mão pela cabeça, Sócrates respondeu:
— Como! Meu caro Apolodoro então preferias ver-me morrer justamente?
E ao mesmo tempo sorria.
É voz ainda que, vendo passar Ânito, disse:
— Vejam só como vai ufano aquele homem: crê ter realizado bela façanha em me matando, por haver-lhe eu dito certo dia que, uma vez que fora levado às primeiras dignidades da República, não ficava bem elevar o filho ao mister de tanoeiro. Miserável! Parece ignorar que, de nós dois, verdadeiro vencedor é aquele que durante toda a vida não cessou de praticar ações úteis e honestas.

2. ambíguo: mirtes coscodai na página de rosto; não consta no início do texto
p. 278:
É de acreditar que tanto Sócrates como os seus amigos que falaram em sua defesa dissessem ainda muitas outras coisas. Mas não me propus alinhavar todos os pormenores do processo; basta-me ter feito ver que Sócrates tomara por ponto demonstrar que nunca havia sido ímpio para com os deuses nem injusto para com os homens, mas que longe dele pensar rebaixar-se a súplicas para escapar à morte: ao contrário, desde logo se convencera haver chegado o momento de morrer.
pp. 278-79:
Atos contra os quais a lei pronuncia a morte, como a profanação dos templos, o roubo, a venda de homens livres, a traição à pátria, meus próprios acusadores não ousam dizer que os tenha cometido. Surpreso, pois, indago a mim mesmo qual o crime por que me condenais à morte. Nem por morrer injustamente devo ter-me em menor estima: não sobre mim, mas sobre os que me condenam cairá a ignomínia. Ademais, consolo-me com Palamedes que acabou quase como eu. Até hoje ainda lhe cantam hinos mais estupendos do que a Ulisses, que o fez morrer injustamente.
p. 281:
Acompanhava-o certo Apolodoro, alma simples e extremamente afeiçoada a Sócrates, que lhe disse:
— Não posso aguentar, Sócrates, ver-te morrer injustamente.
Então dizem que, passando-lhe de leve a mão pela cabeça, Sócrates respondeu:
— Meu caro Apolodoro, então preferias ver-me morrer justamente?
E ao mesmo tempo sorria.
Dizem ainda que, vendo passar Ânito, disse:
— Vejam só como vai orgulhoso aquele homem: julga haver realizado bela façanha em me matando, por haver-lhe eu dito certo dia que, uma vez que fora levado às primeiras dignidades da República, não ficava bem elevar o filho ao ofício de tanoeiro. Miserável! Parece ignorar que, de nós dois, verdadeiro vencedor é aquele que durante toda a vida não parou de praticar ações úteis e honestas.
atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.
imagem: www.digitaldrops.com.br
A divulgação do trabalho de Denise Bottman é extremamente útil e oportuno, pois o desrespeito geral à produção intelectual no Brasil tem-se tornado um problema muito sério. É preciso combatê-lo de toda forma possível. Sou professor universitário e obervo que muitos alunos não ter o trabalho da pesquisa, da construção do conhecimento e recorrem à cópia de textos de outrem. Portanto, o combate empreendido por Denise Bottman constitui mais um tijolo no sentido de construir um Brasil mais ético, que, na verdade, todos ganharão no longo prazo.
ResponderExcluirOrlando Matos