28 de fev de 2009

a floresta dos plágios


a desobediência civil e outros escritos, de thoreau, pela martin claret, traz o ensaio "andar a pé". visivelmente a edição de base usada para o plágio de walking na claret foi a da jackson.


henry david thoreau, andar a pé
a. sarmento de beires e josé duarte (jackson)
b. alex marins (cof, cof, martin claret)*
* a edição usa chapa fria: está cadastrada na fbn/isbn com o título desobedecend [sic], e em nome de pietro nassetti como tradutor

a. sarmento de beires e josé duarte:
atualmente quase todos os pretensos progressos do homem, tais como a construção de casas, e a derribada de florestas e de todas as árvores de grande porte, deformam simplesmente outro panorama e fá-lo cada vez mais inexpressivo e vulgar. ah, um povo que iniciasse a destruição dos marcos e deixasse intatas as florestas! eu vi os marcos meio queimados, seus tocos perdidos no meio do prado e certo miserável mundano cuidando dos seus limites como administrador, enquanto que o céu havia baixado até ele, que não percebia a movimentação dos anjos em torno, mas procurava um velho buraco no meio do paraíso. encarei novamente e vi-o de pé em meio dum paul infernal cercado de demônios, e havia encontrado seus limites exatos, três pequenas pedras onde haviam fixado uma estaca. olhando melhor, vi que o príncipe das trevas era o administrador. sou capaz de andar facilmente dez, quinze, vinte, qualquer número de milhas, começando da minha porta sem parar em qualquer casa, sem atravessar uma estrada exceto nos trechos em que as próprias raposas e doninhas são obrigadas a fazê-lo: primeiro pelas margens dos rios, depois pelo campo e pelas bordas da floresta. há milhas quadradas na minha vizinhança, completamente desabitadas. no alto de muitas colinas posso ver a civilização e as casas do homem distante. os fazendeiros e suas plantações são pouco evidentes do que os instrumentos agrários e os sulcos por eles produzidos. o homem e seus negócios, a igreja, o estado, a escola, o comércio, a indústria, a agricultura, e até a política, de todos a menos abúlica - folgo em verificar a insignificância do espaço que ocupam no panorama. a política não passa de um campo estreito e aquela estrada real que se descortina ao longe dá para ela. às vezes, encaminho o viajor para lá. se quiserdes ir ter ao mundo político, segui a grande estrada - segui aquele negociante, segui-o bem de perto e lá chegareis. tal mundo também possui seu lugar e não ocupa todo o espaço. dele saio como se saísse de um faval para internar-me numa floresta, nenhuma recordação trazendo. posso, em meia hora, encaminhar-me para algum setor da superfície da terra, onde um homem não resista permanecer todo um ano, sítio esse impróprio para a política medrar, essa política tão parecida com cinza de charuto.

b. alex marins:
nos dias de hoje quase todos os pretensos progressos do ser humano, tais como a construção de casas, e a derrubada de florestas e de todas as árvores de grande porte, deformam simplesmente outro panorama e fá-lo cada vez mais inexpressivo e vulgar. ah, quem me dera conhecer um povo que iniciasse a destruição das divisas demarcatórias e deixasse intactas as florestas! eu vi os marcos meio queimados, seus tocos perdidos pelo prado e um miserável mundano cuidando dos seus limites como administrador. neste momento o céu havia baixado até ele, que não percebia a movimentação graciosa dos anjos à volta, mas procurava um velho buraco no meio do paraíso. fixei novamente minha atenção e vi-o de pé em meio dum paul infernal cercado de demônios. eis que havia encontrado seus limites exatos: três pequenas pedras onde haviam fixado uma estaca. olhando melhor, vi que o príncipe das trevas era o administrador. andar dez, quinze, vinte, qualquer número de milhas, sou capaz facilmente, começando da minha porta sem parar em qualquer casa, sem atravessar uma estrada exceto nos trechos em que as próprias raposas e doninhas são obrigadas a fazê-lo. a começar pelas margens dos rios, depois pelo campo e pelas bordas da floresta. ainda completamente ermas há milhas e milhas na minha vizinhança. do alto de muitas colinas posso vislumbrar a civilização e as casas do homem distante. percebem-se menos os fazendeiros e suas plantações do que os instrumentos agrários e os sulcos por eles produzidos. o homem e seus negócios, a igreja, o estado, a escola, o comércio, a indústria, a agricultura, e até a política, de todos a menos abúlica - folgo em verificar a insignificância do espaço que ocupam no panorama. resume-se num campo estreito a política, e aquela estrada real que se descortina ao longe é a que leva a ela. ensino o viajor a se dirigir para lá, algumas vezes. se quiserdes ir ter ao mundo político, segui a grande estrada - segui aquele negociante, segui-o bem de perto e lá chegareis. também esse mundo tem seu lugar e não ocupa todo o espaço. saio dele como se saísse de um faval para ingressar numa floresta, sem trazer nenhuma recordação. em apenas meia hora posso encaminhar-me para algum setor da superfície da terra, onde um homem não resista permanecer durante um ano, campo esse impróprio para a política vicejar, essa política tão parecida com cinza de charuto.

podemos cruzar com esse espécime passeando pelos acolhedores bosques livrários onde se refestelam os ishpertos: americanas, fnac, cultura, saraiva, travessa, curitiba...
repetindo: como dispõe o art. 104, capítulo II, título VII da lei 9.610/98, as livrarias são solidariamente responsáveis com o editor responsável pela fraude: então, donas livrarias, que tal começar a ser um pouco mais conscienciosas e tratar um pouco melhor seus clientes?

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

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