9 de fev de 2009

a ciência da esperteza e a política da trambicagem

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max weber, ciência e política: duas vocações

a. tradução original: leonidas hegenberg e octany silveira da mota (cultrix)
b. plágio com leves alterações, ou "tradução por sinonímia": jean melville (martinix claretix)

A ciência como vocação
a. [...] o "pressuposto" geral da Medicina assim se coloca: o dever do médico está na obrigação de conservar a vida pura e simplesmente e de reduzir, quanto possível, o sofrimento. Tudo isso é, porém, problemático. Graças aos meios de que dispõe, o médico mantém vivo o moribundo, mesmo que este lhe implore pôr fim a seus dias e ainda que os parentes desejem e devam desejar a morte, conscientemente ou não, porque já não tem mais valor aquela vida, porque os sofrimentos cessariam ou porque os gastos para conservar aquela vida inútil - trata-se, talvez, de um pobre demente - se fazem pesadíssimos. Só os pressupostos da Medicina e do código penal impedem o médico de se apartar da linha que foi traçada. A Medicina, contudo, não se propõe a questão de saber se aquela vida merece ser vivida e em que condições. Todas as ciências da natureza nos dão uma resposta à pergunta: que deveremos fazer, se quisermos ser tecnicamente senhores da vida. (leonidas/octany, p. 37)

b. [...] o "pressuposto" geral da medicina assim se coloca: O dever do médico está na obrigação de conservar a vida pura e simplesmente e de reduzir, tanto quanto possível, o sofrimento. Isso tudo, porém, é problemático. Mercê dos meios de que dispõe, o médico mantém vivo o moribundo, mesmo que este lhe implore declarar o término a seus dias e ainda que os parentes desejem e devam desejar a morte, conscientemente ou não, porque já não tem mais valor aquela vida, porque os sofrimentos cessariam ou porque os gastos para conservar aquela vida inútil - trata-se, provavelmente, de um pobre demente - se fazem pesadíssimos. Somente os pressupostos da medicina e do código penal impedem o médico de se separar da linha que foi traçada. Não obstante, a medicina não se propõe a questão de saber se aquela vida merece ser vivida e em que condições. Todas as ciências da natureza nos dão uma resposta à pergunta: Que deveremos fazer, se quisermos ser tecnicamente senhores da vida? (jean melville, p. 44)
[o "se" e o "tecnicamente" perderam o itálico - quem já leu weber alguma vez sabe que é justamente este o problema]


A política como vocação
a. [...] O que é um Estado? Sociologicamente, o Estado não se deixa definir por seus fins. Em verdade, quase que não existe uma tarefa de que um agrupamento político qualquer não se haja ocupado alguma vez; de outro lado, não é possível referir tarefas das quais se possa dizer que tenham sempre sido atribuídas, com exclusividade, aos agrupamentos políticos hoje chamados Estados ou que se constituíram, historicamente, nos precursores do Estado moderno. Sociologicamente, o Estado não se deixa definir a não ser pelo específico meio que lhe é peculiar, tal como é peculiar a todo outro agrupamento político, ou seja, o uso da coação física. (leonidas/octany, pp. 55-56)

b. [...] Que é um Estado? O Estado, sociologicamente, não se deixa definir por seus fins. Realmente, quase não existe uma tarefa de que um agrupamento político qualquer não se haja ocupado alguma vez. De outra feita, não é possível referir tarefas das quais se possa dizer que tenham sempre sido atribuídas, com exclusividade, aos agrupamentos políticos hoje denominados Estados ou que se constituíram, segundo a história, nos precursores do Estado moderno. O Estado não se deixa definir, sociologicamente, a não ser pelo específico meio que lhe é peculiar, da forma como é, peculiar a todo outro agrupamento político, a saber, o uso da coação física. (jean melville, p. 60) [outros dois itálicos importantes suprimidos]


a feliz expressão "tradução por sinonímia" é de saulo von randow jr.


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

imagem: o plagiador, www.slate.com

2 comentários:

  1. Denise
    também adorei a expressão!
    Mas eu me pergunto como as pessoas que lêem tais livros não notam essas semelhanças? Será muita tontice minha imaginar que quem estuda tema tão complexo leria várias traduções para captar detalhes, sutilezas, interpretações... ou viajei na maizena?

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  2. é, na minha cabeça pelo menos os professores deveriam saber do que estão falando.

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