17 de fev de 2009

tom sawyer e os piratas

pois tom sawyer caiu na conversa dos bandoleiros, e a tradução de luísa derouet foi pirateada pelo incorrigível pietro nassetti.

mark twain, as aventuras de tom sawyer:
a. luísa derouet (portugália)
b. pietro nassetti (martin claret)

a. as tardes de Verão são muito compridas. ainda não estava escuro. pouco depois, ao ver na sua frente um rapaz mais alto do que ele, tom moderou o tom do assobio. qualquer recém-chegado, fosse qual fosse a sua idade ou sexo, era um acontecimento impressionante na pequena aldeia de são petersurgo. além disso, aquele rapaz estava bem vestido - bem vestido num dia de semana -, o que era simplesmente espantoso. o boné era uma coisa linda, e o casaco, de pano azul e todo abotoado, era novo e bem feito, assim como as calças. tinha sapatos calçados, apesar de ser só sexta-feira. até trazia gravata, feita de um bocado de fita de cor. tinha um ar citadino que indignava tom. quanto mais olhava para aquela esplêndida maravilha, quanto mais arrebitava o nariz a olhar para tanto luxo, mais pobre e mesquinho lhe parecia o seu próprio fato. nenhum deles falava. se um se mexia, o outro mexia-se também, mas sem deixarem de estar em frente um do outro nem de se olhar. (pp. 7-8)

o desconhecido afastou-se sacudindo o pó do fato, soluçando e fungando; de quando em quando olhava para trás com um movimento de cabeça que representava uma ameaça do que faria a tom na primeira ocasião em que o apanhasse de jeito. tom respondeu-lhe com motejos e seguiu o seu caminho muito contente, mas, logo que se virou, o desconhecido pegou uma pedra e atirou-a, acertando-lhe com ela no meio das coistas. em seguida, deitou a correr como um antílope. tom foi atrás dele até casa, e ficou sabendo onde morava. aí ficou algum tempo junto do portão, desafiando-o para tornar a sair, mas o inimigo só lhe fez caretas através da vidraça da janela e desapareceu. (p. 10)

descobrira, sem o saber, uma grande lei que rege a Humanidade e que é: para se conseguir que um homem ou um rapaz cobice uma coisa, basta tornar essa coisa difícil de obter.
se fosse um grande e sábio filósofo, como o autor deste livro, teria compreendido então que trabalho consiste em tudo que se é obrigado a fazer e que prazer consiste naquilo que não se é obrigado a fazer. este raciocínio tê-lo-ia ajudado a entender por que se chama trabalho aos trabalhos forçados e a fazer flores artificiais, enquanto que jogar o berlinde ou escalar o monte branco não passa de um divertimento. há senhores muito ricos, em inglaterra, capazes de guiar carros de passageiros puxados por quatro cavalos num caminho de vinte ou trinta milhas todos os dias no Verão, porque para isso têm de pagar uma quantia considerável, mas que se recusariam a fazê-lo se lhes oferecessem um ordenado, pois isso passaria então a ser considerado trabalho. (p. 15)


b. as tardes de verão são muito compridas. ainda não estava escuro. pouco depois, tom moderou o seu assobio, vendo na sua frente um menino pouco mais alto do que ele. qualquer recém-chegado, fosse qual fosse a sua idade ou sexo, era um acontecimento impressionante na pequena vila de são petersurgo. além disso, aquele rapaz estava bem vestido - considerando-se que era um dia de semana -, o que era simplesmente espantoso. o boné era uma coisa linda, e o casaco, de pano azul e todo abotoado, era novo e bem-feito, assim como as calças. calçava sapatos, apesar de ser só sexta-feira. usava até gravata, feita de um pedaço de fita de cor. tinha um ar citadino que indignava tom. quanto mais olhava para aquela esplêndida maravilha, quanto mais arrebitava o nariz a olhar para tanto luxo, mais pobre e mesquinha lhe parecia a sua própria roupa. nenhum deles falava. se um se mexia, o outro também, mas sem deixarem de estar em frente um do outro nem de se olhar. (p. 16)

o desconhecido afastou-se, sacudindo o pó da roupa, soluçando e fungando; de vez em quando olhava para trás com um movimento de cabeça que representava uma ameaça do que faria a tom na primeira ocasião em que o apanhasse de jeito. tom respondeu-lhe com motejos e seguiu o seu caminho muito contente, mas, logo que se virou, o desconhecido pegou uma pedra e atirou-a, acertando-lhe com ela no meio das coistas. em seguida, deitou a correr como um louco. tom foi atrás dele até vê-lo entrar em casa, e ficou sabendo onde morava. aí ficou algum tempo junto do portão, desafiando-o para tornar a sair, mas o inimigo só lhe fez caretas através da vidraça da janela e desapareceu. (p. 18)

descobrira, sem o saber, uma grande lei que rege a humanidade e que é: para se conseguir que um homem ou um menino cobice uma coisa, basta tornar essa coisa difícil de obter.
se fosse um grande e sábio filósofo, como o autor desse livro, teria compreendido então que trabalho consiste em tudo que se é obrigado a fazer e que prazer consiste naquilo que não se é obrigado a fazer. este raciocínio tê-lo-ia ajudado a entender por que se chama trabalho aos trabalhos forçados e ao fazer flores artificiais, enquanto jogar pino ou escalar o monte branco não passa de divertimento. há senhores muito ricos, na inglaterra, capazes de guiar carros de passageiros puxados por quatro cavalos num caminho de vinte ou trinta milhas todos os dias no verão, porque para isso têm de pagar uma quantia considerável, mas que se recusariam a fazê-lo se lhes oferecessem um ordenado, pois isso passaria então a ser considerado trabalho. (p. 23)

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.


Um comentário:

comentários anônimos, apócrifos e ofensivos não serão liberados.