5 de jul de 2010

como diz o provérbio...

faz um bom tempo que foi levantada a história dos plágios de tradução na editora nova cultural, em suas coleções Pensadores e Obras-Primas (esta em parceria com a Suzano Celulose). a coisa era tanto mais aborrecida porque o Instituto Ecofuturo, a ong da Suzano, fazia o maior alarde e distribuía a mãos fartas a tal coleção como prêmio em suas campanhas e como acervo para as bibliotecas comunitárias sob sua responsabilidade.



então fiquei contente em ver que pelo menos isso o Ecofuturo fez:

Correção na concessão dos créditos dos tradutores da Coleção Obras Primas editada em 2002 pela Nova Cultural


Desde 2003 o Instituto Ecofuturo tem realizado a doação de livros da Coleção Obras Primas, editada em 2002 pela NOVA CULTURAL, a qual possui a logomarca “Selo Ler é Preciso”, de nossa titularidade.

Em 2008, tomamos conhecimento de que em alguns livros que integram a Coleção Obras Primas, ocorreu a menção incorreta dos nomes dos tradutores, conforme listagem abaixo que nos foi enviada pela Editora Nova Cultural:

Título: Ana Karenina
Autor: Tolstói
Crédito indevido da tradução: Mirtes Ugeda
Crédito correto da tradução: João Gaspar Simões

Título: Crime e Castigo
Autor: Dostoiévski
Crédito correto da tradução: Natália Nunes

Título: O Retrato de Dorian Gray
Autor: Oscar Wilde
Crédito indevido da tradução: Enrico Corvisieri
Crédito correto da tradução: Oscar Mendes

Título: Contos
Autor: Voltaire
Crédito indevido da tradução: Roberto Domênico Proença
Crédito correto da tradução: Mário Quintana

Título: Lord Jim
Autor: Joseph Conrad
Crédito indevido da tradução: Carmen Lia Lomônaco
Crédito correto da tradução: Mário Quintana

Título: Morro dos Ventos Uivantes
Autor: Emily Brontë
Crédito indevido da tradução: Silvana LaPlace
Crédito correto da tradução: Oscar Mendes

Título: Tom Jones
Autor: Henry Fielding
Crédito indevido da tradução: Jorge Pádua Conceição
Crédito correto da tradução: Octávio Mendes Cajado

Título: O Vermelho e o Negro
Autor: Stendhal
Crédito indevido da tradução: Maria Cristina F. da Silva
Crédito correto da tradução: Luiz Costa Lima

Título: Divina Comédia
Autor: Dante Alighieri
Crédito indevido da tradução: Fabio M. Alberti
Crédito correto da tradução: Hernâni Donato

Título: Falecido Matia Pascal/Seis Personagens
Autor: Pirandello
Crédito indevido da tradução: Fernando Correa Fonseca
Crédito correto da tradução: Mário da Silva, Elvira Ricci e Brutus Pedreira

Título: Fausto / Werther
Autor: Goethe
Crédito indevido da tradução: Alberto Maximiliano
Crédito correto da tradução: Sílvio Meira e Galeão Coutinho

Título: Ivanhoé
Autor: Walter Scott
Crédito indevido da tradução: Roberto Nunes Whitaker
Crédito correto da tradução: Brenno Silveira

Título: O Leopardo
Autor: Lampedusa
Crédito indevido da tradução: Leonardo Codignoto
Crédito correto da tradução: Rui Cabeçadas

Título: Madame Bovary
Autor: Flaubert
Crédito indevido da tradução: Enrico Corvisieri
Crédito correto da tradução: Araújo Nabuco

Título: Naná
Autor: Zola
Crédito indevido da tradução: Roberto Valeriano
Crédito correto da tradução: Eugenio Vieira

Título: Suave é a Noite
Autor: Scott Fitzgerald
Crédito indevido da tradução: Enrico Corvisieri
Crédito correto da tradução: Ligia Junqueira

Título: Os Três Mosqueteiros
Autor: Alexandre Dumas
Crédito indevido da tradução: Mirtes Ugeda
Crédito correto da tradução: Octávio Mendes Cajado

Título: Uma Vida
Autor: Guy de Maupassant
Crédito indevido da tradução: Roberto Domênico Proença
Crédito correto da tradução: Ascendino Leite

Título: A Mulher de Trinta Anos
Autor: Balzac
Crédito indevido da tradução: Gisele Donat Soares
Crédito correto da tradução: José Maria Machado

ver aqui a página do instituto ecofuturo.

a questão é um pouco mais complicada do que isso, e voltarei a ela adiante. por ora, veja aqui no blog suzano/ecofuturo. por outro lado, como o ótimo é inimigo do bom, acho que dá para comemorar um pouquinho.

dedico este post e esta pequena conquista a saulo von randow jr., pai de toda essa briga encampada e desenvolvida aqui no nãogostodeplágio, e a danilo nogueira, seu respectivo padrinho.

imagem: água mole em pedra dura

16 comentários:

  1. Denise,

    parabéns para você, para o Saulo e para o Danilo!

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  2. Venho sempre timidamente ler o blog, mas hoje não resisti em deixar um parabéns emocionado e de coração!

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  3. obg, raquel!
    também fiquei feliz, damiana, obg por compartilhar!

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  4. Anônimo6.7.10

    Que lindo! É sempre bom ver uma batalha dessa vencida.
    Parabéns aos lutadores.

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  5. Denise, você o faz por todos nós. Mais que parabéns, agradecemos duplamente: um pelo trabalhão que isso dá, dois por dar a cara a tapa pela causa, coisa rara entre os humanos, porém mágica por agregar adeptos.

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  6. Ana Noira6.7.10

    Parabéns por ser incansável. Uma vitória marcante.

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  7. O problema é se as traduções foram adulteradas - o que muito provavelmente deve ter acontecido.
    Nesse caso, a mera correção dos créditos de tradução não resolve o problema - uma vez que cada texto, se adulterado, deixa de corresponder ao texto estabelecido pelo tradutor original.

    Será preciso restabelecer o texto original das traduções - o que pode exigir nova publicação dos títulos, digamos, problemáticos -, e, se for o caso, indenizar os tradutores (pela violação a direitos morais e patrimoniais) e os consumidores (pela fraude contra o consumidor).

    Tenho vários desses livros, e acompanho o desenrolar da questão com interesse.
    Graças a você.

    Parabéns, Denise.
    O seu blog é um marco em muitos sentidos: da valorização ao ofício de tradutor à conscientização do consumidor de literatura.

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  8. obg a tanta simpatia de todos!

    exatamente, marcos! foi o que eu quis dizer com "a questão é um pouco mais complicada do que isso". voltarei a ela.

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  9. no facebook:
    Colin Brayton - Palmas para Octávio Mendes Cajado, verdadeiro tradutor de Tom Jones! (Parece o título de um conto de Borges.) Os grandes tiradores de sarro ingleses merecem ser lidos pelo Índio Tupy ao lado dos franceses de sempre. Agora, me apresente a quem lusonficou o Mark Twain, quero comprar-lhe um chopp.

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  10. Querida Denise,
    Mais uma conquista, bem merecida. Obrigado por sua luta, sempre.

    Beijo grande!

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  11. Daniel Veloso15.7.10

    Parabéns e obrigado!

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  12. Anônimo27.12.12

    Com certeza as traduções foram adulteradas, lembro-me bem de ter lido Os três mosqueteiros na primeira versão de Octávio Mendes Cajado, e esta nova, atribuída a Mirtes Ugeda, foi "modernizada", não existem mais os "tu" e "vós", somente você, vocês...etc.
    Vinícius A. Pereira

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  13. Anônimo24.5.14

    Octávio Mendes Cajado é tradutor português, pelo vocabulário de sua tradução de Tom Jones é o que deixa a imaginar. Excelente por sinal

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  14. olá, prezado anônimo: não, octavio mendes cajado era paulista, filho e neto de tradicional família paulista. mas interessante o que vc comenta, obrigada.

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  15. Eu que agradeço sua atenção em responder. Admiro seu trabalho como fonte confiável.

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