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1 de jul. de 2013

prêmio abl de tradução 2013


aparentemente os zumbis tradutórios da abl nos darão paz por algum tempo: após o argamedão [sic] de 2010, com milton lins galardoado como melhor tradutor literário do brasil (vide aqui), agora temos o terceiro ano sucessivo com premiação da abl a tradutores de verdade: sergio flaksman em 2011, rubens figueiredo em 2012 e agora caetano galindo e seu ulysses de james joyce. viva, parabéns!

3 de dez. de 2012

que são jerô nos proteja, II

aliás, já vi que presqu'île virou quase-ilha [sic], que um doubler que devia ser fazer as vezes de, substituir, virou dobrar; que o duque de lauzun virou nome de um lugar ("les dames aimées jadis de Lauzun", "amadas damas deviam visitar outrora em Lauzun"); que a covinha no queixo de baudelaire era como "um golpe final do polegar de um estatuário" (para "le coup de pouce final du statuaire"), e por aí vai.

não me importa nada o que dr. milton lins, eminente médico e beletrista nas horas vagas, faz ou deixa de fazer. o que não perdoo é que a academia brasileira de letras, nas pessoas de ivan junqueira, carlos nejar e evanildo bechara como membros da comissão julgadora, tenha-lhe atribuído o título de "melhor tradutor literário do brasil" em 2010.

veja aqui a saga da maior bofetada publicamente desferida no digno ofício da tradução.

1 de dez. de 2012

que são jerô nos proteja

li no indispensável blog de ivo barroso, a gaveta do ivo, que milton lins, o implacável átila das letras traduzidas, galardoado pela abl em 2010 com o prêmio odorico mendes (odorico, odorico, já conseguiste te recuperar de tão brutal choque no repouso de tua tumba?) por suas devastações tradutórias, ataca novamente os pobres mortais indefesos, desta vez com Prefácio para as obras completas de Charles Baudelaire, de théophile gautier, pela editora bagaço. oh céus, o que nos aguarda nessa nova investida?


sobre a irrefreável compulsão à chacina literária demonstrada por milton lins ao longo dos anos e sua ascensão aos céus tradutórios da academia brasileira das letras pelas mãos do imortal marcos vilaça, seu conterrâneo e então presidente da casa, com um empurrãozinho do imortal ivan junqueira e a conivência de carlos nejar e evanildo bechara, no maior escárnio a nosso digno ofício de que se tem notícia na história da tradução no brasil, veja aqui.

em tempo: continuo a defender o direito de qualquer um traduzir qualquer coisa de qualquer jeito que quiser em sua esfera privada. o que não defendo - pelo contrário, repudio e tanto mais vivamente depois do coroamento da abl - é que, sabe-se lá por qual gosto malicioso e perverso, se escarneça publicamente e tão ofensivamente dos autores, de nosso ofício e dos leitores.

16 de jun. de 2011

prêmio abl de tradução 2011: ufa!

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a abl não deu vexame no prêmio de tradução 2011: ganha sergio flaksman com sua tradução o amante de lady chatterley, de david herbert lawrence. parabéns ao sergio, tradutor com extensa relação de obras publicadas, todas de alto nível.

aqui a lista completa dos prêmios literários da abl em 2011, com meus votos para que a abl, pelo menos nos prêmios de tradução, não se extravie mais pelas sendas escusas do compadrio.

aqui o arquivo abl, prêmio de tradução 2010.
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6 de jun. de 2011

por que quero premiações de verdade

aproxima-se a data do prêmio de tradução da abl para obras literárias publicadas em 2010.

gostaria de explicar por que acho importante que esse prêmio de fato premie boas traduções.

em primeiro lugar, creio ser inegável que as obras de tradução têm um peso considerável no brasil. se - segundo dados que vejo na internet - nos estados unidos as traduções literárias correspondem a menos de 4% da produção editorial e, na europa, a cerca de 12-14%, no brasil alguns pesquisadores como heloísa barbosa e lia wyler estimam uma proporção que chega aos 80%.

apesar dessa presença significativa de obras traduzidas no país, o reconhecimento do ofício de tradução está muito aquém do que se poderia esperar. uma das formas de reconhecimento público, em todo o mundo, é a outorga de prêmios a obras de destacada qualidade. no brasil, porém, conta-se nos dedos de uma das mãos o número de prêmios de tradução. e refiro-me apenas à tradução literária, pois a tradução não literária é ainda menos reconhecida.

veja-se como está a situação dos prêmios de tradução literária no brasil:
  • o prêmio açorianos deixou de existir desde o ano retrasado;
  • agora em 2011, a cbl eliminou uma das duas categorias de tradução no prêmio jabuti;
  • com isso, restam apenas o jabuti (em apenas uma categoria, câmara brasileira do livro), o paulo rónai (fundação biblioteca nacional) e o da abl (academia brasileira de letras). a fundação nacional de literatura infanto-juvenil mantém o monteiro lobato tradução criança e o monteiro lobato tradução jovem.
em tradução não literária, temos apenas um prêmio, o da união latina, a cada três anos!

é por isso que acho que temos tanto mais razão em esperar que esses poucos, minguados, rarefeitos prêmios de tradução de fato premiem os praticantes de um ofício que responde por grande parte das publicações e das leituras do país.

e é por isso que acho uma pena enorme que a abl tenha descarrilado totalmente no ano passado, ao conceder um desses raríssimos prêmios a uma obra que não tinha as qualidades mínimas necessárias para ser sequer indicada.

ademais, não podemos esquecer que, antes desse triste episódio na abl em 2010, seu histórico de premiações era digno e louvável. veja-se:
2003 – Boris Schnaiderman
2004 – Bruno Palma e Marcos Santarrita
2005 – Ivo Barroso e Eduardo Brandão
2006 – Geraldo de Holanda Cavalcanti
2007 – Bárbara Heliodora
2008 – Leonardo Fróes e Agenor Soares dos Santos
2009 – Paulo Bezerra
[2010:  Milton Lins]
quanto ao velho argumento de que a abl, sendo uma fundação de direito privado, premia quem ela bem quiser, já expus longamente minha opinião: resumindo, por seu papel institucional, ela tem, sim senhor, de dar algum tipo de satisfação pública pelas escolhas culturais que faz.
 
então, a quem considera tola e inglória essa minha briga para se ter uma premiação legítima na abl, eu respondo: não, muito pelo contrário! temos é de torcer para que a abl volte a reconhecer devidamente a importância das boas traduções.

a quem afirma que essa minha esperança na verdade seria uma cruzada em proveito próprio, só posso lembrar que não costumo fazer tradução literária e me sinto bastante tranquila para defender desinteressadamente prêmios para traduções literárias meritórias.
 
e por fim, a quem pensa que eu não deveria criticar premiações francamente equivocadas porque estaria ferindo colegas de ofício, bom, só posso dizer que o corporativismo nunca foi uma coisa muito saudável em qualquer ofício que seja.
 
atualização: ao que parece, a comissão de tradução da abl já se reuniu e já tem suas indicações para este ano. seria legal se divulgassem.

quem quiser se informar sobre os descaminhos da abl em sua premiação de 2010, ver aqui.
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5 de jun. de 2011

"se tirar nota zero, eu furo o céu": o shakespeare de milton lins

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o despropósito que é a tradução dos sonetos de shakespeare cometida por milton lins, aquele mesmo da acintosa premiação da abl em 2010, continua a espantar seus leitores. menos mau que esse crime de lesa-letras não passe em branco, como mostra uma lúcida resenha publicada recentemente: veja aqui.

entre maio e junho de 2010, este blog se manifestou longamente sobre o assunto: a bofetada pública que a abl desferiu simbolicamente contra o digno ofício de tradução ao premiar uma obra de tradução que apenas demonstrava a incompetência linguística de seu autor; o jogo de influências dentro da abl; o silêncio ou desconversa de vários imortais; a cobertura da imprensa sobre esse escândalo; a manifestação de muitos tradutores sérios e intelectuais probos, além de vários exemplos ilustrando os incríveis disparates perpetrados por milton lins. veja aqui os posts publicados a esse respeito.

imagem: voodoo pen-holder, google images
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22 de jul. de 2010

"os críticos têm razão"



já dei por encerrado o capítulo de demonstração do absurdo envolvendo a escolha da academia brasileira de letras da obra pequenas traduções de grandes poetas para o prêmio abl de tradução 2010.*

* aliás, pelo que eu soube, na cerimônia de entrega o prêmio foi atribuído ao "conjunto da obra" de milton lins.

mesmo assim, reproduzo aqui a recente contribuição que um leitor deixou no post a controvérsia, por se concentrar na tradução dos sonetos de shakespeare feita por milton lins, tão louvada por ivan junqueira, wilson martins, lêdo ivo e outros, conforme ilustrei no referido post.

pois a questão é, como diz o leitor: "Os críticos tem razão. Nós é que somos cegos".

Sonnet 26

To thee I send this written embassage,
To witness duty, not to show my wit.

Escrita te remeto esta mensagem,
Para testar tarefa, não ceder.

Sonnet 34

For no man well of such a salve can speak,
That heals the wound, and cures not the disgrace:

E para alguém parolear tu negues
Pensar o ferimento em meu desgosto:

Sonnet 72

My name be buried where my body is,
And live no more to shame nor me nor you.

Meu nome enterrará meu corpo inteiro,
Em nós toda vergonha é realidade.

Sonnet 96

How many lambs might the stern wolf betray,
If like a lamb he could his looks translate!

Quantas ovelhas vão trair o lobo, enfim,
Como o cordeiro trai mudando o seu olhar!

Sonnet 97

How like a winter hath my absence been
From thee, the pleasure of the fleeting year!

Como foi neste inverno a minha ausência
De ti, com que prazer o mês sumiu!

Sonnet 107

And thou in this shalt find thy monument,
When tyrants’ crests and tombs of brass are spent.

E tu encontrarás teu monumento,
Se em tumba de tirano houver alento.

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21 de jul. de 2010

"o gesto de premiar"

Anotemos que entre os premiados há valores de muitos brasis e de diferentes gerações, selecionados em votação nas Comissões e no Plenário, a partir de pareceres subscritos por Acadêmicos.
discurso de marcos vilaça, presidente da academia brasileira de letras, ontem, em cerimônia para a entrega de, entre outros, o prêmio abl de tradução 2010.

aliás, a que vêm tais considerações abaixo?
Informações recentes dão conta de que no Reino Unido o emprego na Cultura cresce 2% e só 1% no restante da economia; a riqueza gerada avança 5% contra 5% nos demais seguimentos [sic]. E esses efeitos têm correlação vária: onde estações do metrô destinam mais espaços a artistas pobres do que ali? onde o Parlamento Nacional discute a ação de cambistas com igual peso que os problemas de saúde e de educação?
finalmente:
A perpetuidade se alcançará pela verossimilhança por mais que inverossímil pareça o nosso papel. Afinal de contas, Nabuco esperava que o nosso papel se densificasse ao atingirmos, pelo convívio com os mistérios, a solenidade e a antiguidade.
seja como for, densificado ou não, misterioso ou não, a meu ver o papel da abl não deveria ser de papelão.

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20 de jul. de 2010

19 de jul. de 2010

prêmio abl de tradução 2010: a controvérsia

prêmio da abl recebe críticas, matéria de guilherme freitas, caderno prosa&verso, jornal o globo, de 17/07/10:
Com entrega marcada para dia 20, o prêmio literário de tradução da Academia Brasileira de Letras tem provocado polêmica entre os profissionais da categoria desde o anúncio, em junho, do vencedor: o pernambucano Milton Lins, pela série em três volumes “Pequenas traduções de grandes poetas”, com versões de originais em inglês, francês e espanhol. Elogiadas pelo júri formado pelos acadêmicos Carlos Nejar, Ivan Junqueira e Evanildo Bechara como “preciosas antologias da melhor poesia que se escreveu na literatura ocidental desde o século XVI”, as obras foram criticadas por tradutores, que apontam erros básicos em diversos textos da série, editada por conta própria por Lins.
Os primeiros protestos vieram da tradutora Denise Bottmann (foto ao lado), autora do blog “Não gosto de plágio” (), que listou uma série de erros básicos de vocabulário, como no poema “Zona”, de Apollinaire, no qual a expressão “les hangars de Port-Aviation” (os hangares [do aeroporto] de Port-Aviation) vira “o hangar de algum Porta-Avião”. Denise criticou também escolhas “infelizes” de Lins, como em “Vénus anadyomène”, de Rimbaud, onde o verso “Belle hideusement d’un ulcère à l’anus” é vertido como “Tem úlcera — que horror! — ao pé do fiofó”. As críticas foram endossadas por outros tradutores, como Jorio Dauster e Ivo Barroso.

— Entendo que o prêmio de tradução de 2010, concedido a uma obra que nada tem de plágio, mas que peca por falta de requisitos mínimos de qualidade tradutória, é um acinte. A ABL deu uma bofetada em público no ofício da tradução, perante toda a sociedade — diz Denise.
O prêmio de tradução da ABL, que confere R$ 50 mil ao vencedor, foi entregue desde 2003 a profissionais de renome, como Boris Schnaiderman, Eduardo Brandão e Bárbara Heliodora. Procurada pelo GLOBO, a ABL preferiu não comentar as críticas.

reproduzo abaixo outras opiniões.* sobre os sonetos de william shakespeare:
  • "notabilíssima tradução, "criação poética da mais alta qualidade", "meu caloroso aplauso" - mário gibson barbosa
  • "extraordinária façanha", "esplêndida versão" - ivan junqueira
  • "admiráveis traduções de shakespeare" - wilson martins
  • "primorosa tradução que o coloca entre os mais ... adestrados tradutores de shakespeare em nossa língua" - lêdo ivo
  • "ilustre tradutor ... inquieto e buscador ... lúcido e vário, nunca traditore" - nelson saldanha
  • "rememoremos suas traduções dos sonetos de shakespeare. não é fácil manter a métrica, o ritmo - como ele conseguiu", "trafega ..., com igual desenvoltura, pelo francês" - alvacir raposo
sobre pequenas traduções de grandes poetas:
  • "suas traduções não são 'pequenas', mas sim grandes obras. ... somente um poeta é capaz de fazê-lo - e um poeta que possua um profundo conhecimento da língua original" - mário gibson barbosa
  • "são traduções exemplares ... grande prazer estético" - sérgio paulo rouanet
  • "muitas vezes encontrei e encontro mais em suas traduções do que nos versos originais ... rara e muito valiosa contribuição à cultura, em nosso país" - jarbas maranhão
  • "suas 'pequenas traduções de grandes poetas' ... nada têm de pequenas" - anderson braga horta
  • "...'grandes poetas' que você traduziu, com tanta perícia e sensibilidade, para o nosso idioma" - ivan junqueira
  • "parabenizo-o pelo modo com que abraça a sua tarefa e não se dobra diante de cruciais desafios" - marco lucchesi
  • "dê-se por revogado o 'pequenas' da capa ... passando a ser ... 'grandes traduções de grandes poetas' por ser o trabalho de milton lins, em mais este livro, monumental" - josé paulo cavalcanti filho
  • "trabalho de ourivesaria e artesanato ... que muito honra e dignifica a cultura e a inteligência brasileiras" - murilo melo filho
  • "suas 'pequenas traduções' [III] atestam, mais uma vez, a sua perícia tradutória", com "renovada admiração" - ivan junqueira
* extraídas das orelhas e prefácios de pequenas traduções de grandes poetas II, III, IV.

acompanhe a controvérsia aqui.
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18 de jul. de 2010

homenagem ao prêmio abl de tradução 2010



lindas são as plumas com que se adorna o pavão.
mas a fábula não deixa esquecer sua voz.


17 de jul. de 2010

meus votos

agenor soares dos santos, bárbara heliodora, boris schnaiderman, bruno palma, eduardo brandão, geraldo de holanda cavalcanti, ivo barroso, leonardo fróes, marcos santarrita e paulo bezerra são os agraciados com o prêmio abl de tradução até 2009.

a partir de 20 de julho próximo, passará a constar nos anais da abl a entrega do prêmio de 2010 à obra pequenas traduções de grandes poetas IV.

no presente, já é difícil entender a razão dessa premiação. no futuro, será um enigma insolúvel.

ficam aqui meus votos de que esse episódio de 2010 não venha a empanar demais as premiações dos outros anos, sejam os passados, sejam os vindouros.

 acompanhe a questão em abl.

imagem: fleurs du mal, valiena (flickr).

boas coisas



prosa&verso d'o globo traz uma ótima matéria sobre traduções:
direto da fonte, com rubens figueiredo, mamede jarouche, leiko gotoda e paulo schiller

o caderno traz também prêmio da abl recebe críticas, a "bofetada" da abl no ofício de tradução.

boa ainda a  menção à página dos tradutores,
que eu havia comentado aqui.


abl: o público e o privado II

Homenagens na Academia

MinC vai apoiar a ABL nas comemorações dos centenários de cinco brasileiros ilustres

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, recebeu o acadêmico e ex-ministro do Tribunal de Contas da União, Marcos Vinícios Vilaça, em seu gabinete, em Brasília, nesta quarta-feira, 10 de março. O encontro contou com a presença do novo secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do MinC, Henilton Menezes.

Foi uma audiência de pactuação de recursos para as comemorações dos centenários do sambista, cantor e compositor Noel Rosa e de quatro acadêmicos: Raquel de Queiroz, Carlos Chagas, Aurélio Buarque de Holanda e Joaquim Nabuco.

O presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL) estimou a necessidade de recursos da ordem de R$ 1 milhão para custear as despesas da instituição com a realização de uma série de atividades comemorativas. Estão previstos ciclos de conferências, publicações de livros, placas de homenagens e espetáculos alusivos às datas, pesquisas sobre a vida e a obra dos homenageados, além da promoção da Semana Joaquim Nabuco, nas cidades de Washington e Londres.

O minsitro Juca Ferreira sugeriu ao secretário Henilton Menezes a elaboração de um convênio único com a ABL, para viabilizar o apoio do Ministério da Cultura às comemorações dos centenários.

http://www.cultura.gov.br/site/2010/03/10/homenagens-na-academia/

se a abl, como todos sabem, obtém constantes e vultosos recursos junto aos poderes públicos para financiar suas atividades, não sei de onde ela pode tirar a ideia de que não mantém qualquer relação viva e orgânica com o país e de que não deve satisfações à sociedade.

acompanhe aqui o prêmio abl de tradução 2010.

16 de jul. de 2010

para lembrar



PublishNews - 16/07/2010 - Redação

Será na próxima terça-feira (20) a festa de aniversário da Academia Brasileira de Letras. Na solenidade, que começa às 17h com José Murilo de Carvalho como orador, a ABL fará a entrega do Prêmio Machado de Assis ao crítico literário, professor, escritor, ensaísta e filósofo paraense Benedito Nunes. Concedido desde 1941, ele dá ao vencedor R$ 100 mil.

Neste dia em que comemora 113 anos, também serão premiados os vencedores dos “Prêmios ABL” que ganharão, além do diploma, R$ 50 mil. São eles: Outra vida (Alfaguara), de Rodrigo Lacerda, na categoria ficção (conto, romance, teatro); na infanto-juvenil, o livro Marginal à esquerda (RHJ), de Angela-Lago; Pequenas traduções de grandes poetas (edição do autor), do pernambucano Milton Lins (que gerou polêmica em blogs e afins)* na categoria tradução; em poesia, A máquina das mãos (7Letras), de Ronaldo Costa Fernandes; em história/ciências sociais, Escravismo em São Paulo e Minas Gerais (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo/Edusp), de Francisco Vidal Luna, Iraci Del Nero e Herbert S. Klein; em ensaio e crítica literária, O controle do imaginário & a afirmação do romance (Companhia das Letras), de Luiz Costa Lima, e cinema, para os filmes A erva do rato e Hotel Atlântico, dirigidos, respectivamente, por Júlio Bressane e Suzana Amaral.

A comemoração será no Petit Trianon (Av. Presidente Wilson 203 – Castelo - Rio de Janeiro/RJ. Tel.: 21 3974-2500)."

* incluir a folha de s.paulo, com duas extensas matérias a respeito, e o jornal o globo, com uma nota, num genérico "e afins" é de doer... tirando esse enorme understatement, é bom lembrar no que consiste a "polêmica": acompanhe aqui.

q.e.d.




Bien es verdad que tal vez,
Olalla, me hás dado indicio
que tienes de bronce el alma
y el blanco pecho de risco.

É verdade que talvez,
Eulália, me deste indício
que de bronze tens a alma
teu peito branco é de risco.


risco em espanhol quer dizer "rochedo": seria um peito, um coração de pedra. detalhe adicional: tal vez quer dizer "às vezes", "vez por outra".

Verdade é que tenho, Olaia/ Em ti descoberto indícios/ De teres a alma de bronze,/ E o peito de gelo frio - viscondes de castilho e azevedo

É bem verdade que, às vezes/ Olália, me deste indícios/ de teres alma de bronze/ e peito de alvo granito - eugênio amado.


essa outra quadra é muito bonitinha:

Si el amor es cortesia,
de la que tienes colijo
que el fin de mis esperanzas
ha de ser cual imagino.

[se o amor é cortesia,/ da que tens deduzo/ que o fim de minhas esperanças/ há de ser como imagino.]

Se o amor é cortesia,
daquela que tens colhido
que no fim das esperanças
há de ser como imagino.

Se amores têm cortesia/ Da que tu mostras colijo/ Que o fim das minhas esp'ranças/ Há de ser qual imagino. - viscondes de azevedo e castilho.

Se o amor for cortesia,/ deduzo, da que me exibes,/ que o fim destas esperanças/ há de ser como imagino. - eugênio amado

Miguel de Cervantes, Dom Quixote, Livro I, cap. XI. a tradução de milton lins se encontra em pequenas traduções de grandes poetas II, pp. 65-66.


meu objetivo até agora tem sido refutar concretamente, com exemplos minuciosos e bem documentados, as alegações do imortal ivan junqueira e o parecer da comissão de seleção (composta por evanildo bechara, carlos nejar e o mesmo junqueira). a abl, na figura destes imortais, apresentou publicamente razões que acredito serem incorretas e/ou inverídicas. repito mais uma vez que, em vista da importância histórica e cultural da academia brasileira de letras, seus atos têm uma ressonância na sociedade que não pode ser minimizada nem ignorada. neste sentido, a atribuição do prêmio ABL de tradução 2010 a uma obra carente de requisitos para aspirar ao título de tradução representa, a meu ver, um gesto certamente desrespeitoso a todos os intelectuais, leitores e tradutores do país.

com este post, encerro a série documental de citações, cuja finalidade é demonstrar a fragilidade dos critérios apresentados pela abl para a escolha do laureado. creio que essa finalidade já foi atendida à suficiência. 

até o dia 20 de julho, data da entrega pública do prêmio ABL de tradução 2010, continuarei a expor meu repúdio, concentrando-me sobre o tema da responsabilidade pública que entendo caber à academia brasileira de letras.

sobre os arremedos de tradução perpetrados por milton lins e sua premiação pela academia brasileira de letras, ver aqui

15 de jul. de 2010

o céu que se cuide!



o leitor thiago perguntava, em coup de grâce, de onde eu extraí a citação do inacreditável "se tirar nota zero, eu furo o céu" para were it aught to me i bore the canopy, o verso inicial do soneto 125 de shakespeare.

pois é, thiago: saiu do volume acima, o qual, acredite ou não, existe! é uma edição particular, custeada pelo próprio tradutor, de 2005, pela gráfica fac form, de recife. não está disponível no circuito comercial, pois, até onde consegui entender, são tiragens pequenas para distribuição entre amigos e conhecidos. mas há alguns exemplares à venda em sebos da rede estantevirtual.

fico até com dó de milton lins pela arapuca que os imortais marcos vilaça, ivan junqueira, carlos nejar e evanildo bechara lhe montaram. ao lhe darem um prêmio de imensa visibilidade pública, lançaram luz pública sobre obras que se destinavam à circulação restrita e privada. que constrangimento! e que constrangimento para nós brasileiros, em primeiro lugar, por termos de arcar com a presença e a memória desses despautérios da abl!

paródia bananêra


shakespeare, soneto 116, frase inicial.

Let me not to the marriage of true minds/ admit impediments.

[em prosa chã: não aceitarei impedimentos à união de espíritos (ou almas) sinceros.]

De almas sinceras a união sincera/ Nada há que impeça. - bárbara heliodora

Não há empecilhos quando mentes/ Verdadeiras se afeiçoam. - thereza christina motta



Ao casório não vou de homens sabichões,/ nem os tento impedir. - milton lins

[sonetos de william shakespeare, soneto cxvi. recife, fac form, 2005, p. 116]

14 de jul. de 2010

coup de grâce


o bardo assassinado




se tirar nota zero, eu furo o céu?



sonetos de william shakespeare, tradução de milton lins,
agraciado com o prêmio ABL de tradução 2010.