14 de jul de 2010

coup de grâce


o bardo assassinado




se tirar nota zero, eu furo o céu?



sonetos de william shakespeare, tradução de milton lins,
agraciado com o prêmio ABL de tradução 2010.


15 comentários:

  1. Anônimo14.7.10

    estou sem palavras...

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  2. Anônimo14.7.10

    shakespeare no original é tão fácil para mim quanto camões para um estudante da quinta série, mas cinco minutinhos de google mataram a charada: http://books.google.com.br/books?id=0l8vY_fJS_oC&pg=PA225&lpg=PA225&dq="bear+the+canopy"&source=bl&ots=pQiVyc07hB&sig=HjMtx7d9jOEFaTLDoeeZeqfi9MY&hl=pt-BR&ei=ov49TMvWJ86JuAea8ZiCAQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=2&ved=0CBwQ6AEwAQ#v=onepage&q="bear the canopy"&f=false

    se essa escolha não foi por critérios geográficos, tradutórios, temporais ou de qualidade, certamente não foi também por minúcia na pesquisa.

    isso tá quase ficando bom, de tão ruim! hahaha

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  3. Marcos14.7.10

    Como simples leitor, me sinto constrangido.
    Como se sentirão os "imortais"? E o responsável pelas traduções "cometidas"?

    Denise,
    Se não for pedir demais, seria possível apresentar os trechos com traduções corretas?
    É que, como monoglota, fico sempre com a sensação de que eu sou o único a não entender totalmente a piada...

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  4. prezado marcos: infelizmente quem nos colocou na situação constrangedora foi, em primeiro lugar, a abl. detesto fazer o que estou fazendo, mas não consigo aceitar a atitude da academia: ela foi procurada várias vezes, foi entrevistada pela imprensa, e continua a manter uma posição inabalável que considero insustentável e humilhante para os tradutores e leitores.
    o tradutor milton lins é um senhor respeitável, já manifestei minha admiração por ele, e lamento que ele próprio se tenha colocado em tal situação ou que tenha aceitado ser posto pela abl em tal situação.
    os imortais, como pessoas, não sei: o que sei é que a abl é uma instituição, a instituição literária máxima do país, e entendo que seus atuais integrantes devem zelar por sua integridade e sua respeitabilidade.

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  5. quanto à tradução, em geral tenho procurado apresentar uma versão corrida, simples, literal, apenas para situar o sentido da coisa.

    mas o problema principal neste caso de "se tirar nota zero, eu furo o céu", além de sua franca feiúra, é a absoluta falta de sentido da frase. isso sem contar que é incompreensível a associação mental que o tradutor estabeleceu com "were it aught to me I bore the canopy".

    ao pé da letra, significa "para que eu haveria de carregar o pálio", "que me importa portar o pálio". no comentário acima, um leitor anônimo deixou um ótimo link sobre o significado desse verso (que também pode ser entendido como "que me importa ter algum dia portado o pálio"). sabe aqueles dosséis, aqueles pálios que as pessoas carregam sobre os reis, cardeais, imagens santas em procissões? ora, é considerada uma honra você ser um dos que carregam os paus de sustentação do pálio. mas o que o poeta está dizendo é que mesmo essa honra de poder carregar ou de ter um dia carregado o pálio (ou seja, como símbolo de ser ele um nobre de alta estirpe ou do círculo próximo do rei) é algo vão e passageiro, e que não se compara à oferenda de um amor duradouro e sincero.

    veja, por exemplo, a tradução de thereza christina roque da motta: http://154sonetos.blogspot.com/2009/07/soneto-125-para-que-eu-deveria-erguer-o.html

    mas, pelo amor de deus, me diga, o que significa isso:
    "se tirar nota zero, eu furo o céu,
    com meu exterior honro os de fora.
    ou até da eternidade tiro o véu
    que prova ser mais curto, e que deplora?"

    ... e alguém lê isso e vai pensar que shakespeare é o quê?

    repito, marcos: qualquer um pode traduzir o que quiser do que jeito que bem entender. mas a entidade literária máxima do país tem que ter um pouco mais de discernimento na hora de conferir prêmios, este é meu ponto.

    creio convictamente que esta obra não merece ser galardoada pela abl como a grande tradução literária do ano, e não só como tradutora, mas como brasileira, sinto-me ofendida que a abl a coloque em seu panteão.

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  6. putz, preciso viajar e terei de deixar todo esse assunto excitante pra próxima semana.

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  7. tuitada pertinente:
    @ceciliac2 Como é que é?

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  8. Denise, essa tradução belíssima do Milton Lins foi retirada de que livro?

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  9. olá, thiago: de "sonetos de william shakespeare", cf. especificação no post. recife, fac form, 2005.

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  10. o ponto, thiago, é que o imortal ivan junqueira, responsável pela indicação de milton lins para o prêmio da abl, declarou que estaria sendo premiado não apenas o livro "pequenas traduções de grandes poetas IV", e sim as décadas de trabalho, a vida inteira de dedicação de milton lins à tradução. com esses posts com citações extraídas de outros livros de traduções anteriores de milton lins, estou tentando refutar as declarações de ivan junqueira e demonstrar que os erros, a falta de domínio da língua de origem e a falta de manejo poético de rimas e metros percorrem toda a breve trajetória tradutória do agraciado. e que, ao contrário do que o imortal ivan junqueira alega, não se trata de "gralhas de impressão", "erros de revisão" ou poucos enganos avulsos aqui e ali.

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  11. Marcos15.7.10

    denise, muitíssimo obrigado pelos esclarecimentos.

    um comentário sobre um ponto que eu considero crucial: quem lê esses absurdos vai pensar o quê do autor?
    É muito preocupante que traduções ruins alterem - ou mesmo retirem - o sentido do texto (bizarrias como essas podem até afastar, quem sabe, as novas gerações do mundo da leitura).

    Sob essa ótica, isso não é traduzir; é desfigurar.

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  12. Márcio Badra15.7.10

    Bom, Denise... de uma corja que considera o Sarney um literato, você esperaria o que?

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  13. corja acho meio pesado, mas realmente um sarney não tem como - afora ivo pitanguy, marco maciel, paulo coelho... mas se a gente não brigar pelas instituições, aí sim é que piora, não é não? quem sabe no ano que vem eles não pensam duas vezes antes de sair distribuindo seus presentinhos entre os amigos?

    na verdade, andei lendo a história da abl, até para entender melhor como funciona o compadrio - parece que vem desde joaquim nabuco. afrânio peixoto, em 1923: "Nabuco que, para não sair de Pernambuco, e não ter sombra, escolhera ao medíocre Maciel Monteiro..."

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  14. Estou estupefacto
    que os imortais em pacto
    no fórum tumefacto
    julguem como intacto
    o bardo jure et facto
    e venha um bibliotacto
    render a tal abacto
    um prêmio ex post facto.

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