5 de jul de 2010

silêncio na casa!



um passarinho azul veio me contar que alguns literatos de alto coturno alegam que não cabe discutir o Prêmio ABL de Tradução 2010, porque é decorrente de uma escolha pessoal e não de uma avaliação de mérito. 

não entendo muito bem: em primeiro lugar, como pode uma premiação de uma instituição nacional como a ABL não dar prioridade a questões de mérito?

e depois, vá lá, supondo-se que esse tipo de critério seja aceitável em instituições de tal projeção nacional: "eu, fulano de tal, quero que beltrano receba o prêmio X por qualquer razão Y" - e pronto, fim de papo. para que, então, montar toda essa farsa na imprensa e perante o público de simular uma indicação (já previamente definida), uma comissão de seleção, a elaboração de um parecer etc., para anunciar o agraciado?

a impressão que eu tenho é que, seja o tal prêmio discutível ou indiscutível, esse silêncio (ou murmúrio abafado) da ABL sugere um certo desconforto no ar - é como se ela preferisse ocultar que se pauta por "escolhas pessoais". ora, ora, é exatamente isso o que boa parte do país diz há décadas: a ABL tem, sim senhora, obrigação pelo menos cívica de prestar contas à sociedade. e com esse seu silêncio ela apenas demonstra que sabe disso e se envergonha de não o fazer.


3 comentários:

  1. Como é isso? Uma premiaçao que não leva em consideração o mérito não é uma premiação, é um donativo. O nome correto para o oferecimentos de donativos desconsiderando-se o mérito é: ESMOLA. Estranho que os senhores das letras desconheçam os significados das palavras e a função da linguagem. Que se mude, então, o nome do premio para ESMOLA Machado de Assis 2010, concedida pela ABL. Caso contrário, vai soar como má-fé e uso indevido da linguagem pública.

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  2. quaquá, bem lembrado. eu tinha pensado em "agradinho"...

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  3. Mil onças é esmola? tô precisando duma esmola assim, ah se tô!
    Que gente abnegada, esses nossos imorríveis -- Fizeram uma vaquinha e tanto pra homenagear o amigo.

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