25 de jul de 2010

leituras

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admiro muito ivo barroso, e retomo aqui alguns trechos já publicados no nãogosto.




A tradução tem muito de malabarismo, ou melhor, de caminhar na corda bamba. Você se arrisca a escorregar e cair a cada passo e, mesmo que tenha conseguido chegar quase ao extremo da corda (ou do texto), o escorregão é sempre um desastre, a queda uma escoriação no seu ego. ...
 
O leitor interessado pode encontrar uma boa lista de palavras traiçoeiras no livrinho A Arte de Traduzir, de Brenno Silveira, o beabá do tradutor iniciante, que li com profunda veneração quando comecei a decifrar hieróglifos e buscava alguma base teórica em que pudesse me apoiar. Com ele aprendi o grande princípio do apostolado da tradução: a fidelidade ao texto. Mas meu propósito é outro. O que estou tentando dizer é que irremediavelmente o tradutor está sujeito a um escorregão dessa natureza e será miraculoso malabarista aquele que nunca resvalar.
 
Ler sempre com atenção, não deixar passar nunca uma palavra cujo sentido não conheça ou que não tenha checado, desconfiar de situações esdrúxulas, de frases incompreensíveis, de palavras sem sentido. Assim seu erro eventual pode se transformar nesse aparelho imprescindível ao tradutor: o desconfiômetro.

Ivo Barroso

diga-se de passagem: teve uma vez que traduzi um livro inteiro usando "oficial" para officer. peço desculpas a todos os leitores. jesus do céu! [db]

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Um comentário:

  1. e esse funâmbulo, o tradutor, é depositário da confiança dos leitores.

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