13 de jul de 2010

abl: o público e o privado

repito que, em minha opinião, qualquer um pode traduzir o que quiser do jeito que bem entender. nada tenho contra o sr. milton lins, e até admiro sua atitude intimorata, sua singeleza inabalável.

o que não pode e o que não admiro é uma entidade literária do porte de uma academia brasileira de letras - que, mesmo sendo fundação de direito privado, deve algum tipo de satisfação de seus atos à sociedade - coroar publicamente iniciativas que, estas sim, melhor fariam se continuassem nas sombras da privacidade.*

ao trazê-las à luz da opinião, a abl na verdade dá um chute público na dignidade do ofício e mostra público desrespeito para com tradutores, leitores e a sociedade em geral.

* diga-se de passagem que tais iniciativas foram lançadas apenas em restritas edições privadas do próprio autor. não estão à venda no circuito comercial, e nem sequer constam no catálogo das editoras que as imprimiram. apenas por acaso encontrei alguns volumes à venda em sebos da rede estantevirtual, com suas primeiras páginas visivelmente removidas (imagino que ali constavam as dedicatórias de milton lins aos amigos a quem distribuiu os exemplares).

4 comentários:

  1. Anônimo13.7.10

    Mais algumas pérolas miltonianas nas traduções dos sonetos de Shakespeare.

    Soneto 3

    Look in thy glass and tell the face thou viewest
    Now is the time that face should form another;
    Whose fresh repair if now thou not renewest,
    Thou dost beguile the world, unbless some mother.

    Olha no espelho e vê na tua face,
    Quando esta face deve ser de alguém
    Cuja nova feição jamais renasce,
    O mundo enganas, e a mamãe não vem.

    Soneto 31

    Thou art the grave where buried love doth live,
    Hung with the trophies of my lovers gone.

    Tua cova de amor, onde o tens vivo,
    Enforcados troféus de amores idos.

    Soneto 41

    Gentle thou art, and therefore to be won,
    Beauteous thou art, therefore to be assail’d;
    And when a woman woos, what woman's son
    Will sourly leave her till she have prevail'd?

    Tu és gentil, e não serás vencido,
    Tens muita robustez a ser roubada;
    Quando a mamãe errar, seu preferido
    Filho, por isso, a deixa abandonada?

    Soneto 90

    Then hate me when thou wilt; if ever, now;
    Now, while the world is bent my deeds to cross,
    Join with the spite of fortune, make me bow,
    And do not drop in for an after-loss.

    Odeie-me na doença, se possível,
    Agora que este mundo a mim se curva,
    Com o rancor da sorte, abaixe o nível
    Da fonte a gotejar, e que se turva.

    Soneto 125

    Were it ought to me I bore the canopy.

    Se tirar nota zero, eu furo o céu.

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  2. prezado anônimo, a nota zero é especialmente inspiradora, obrigada pelo toque!

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  3. de repente vou tentar conseguir um exemplar no estantevirtual.

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  4. do shakespeare vc ainda encontra dois exemplares; as pequenas traduções (vols. II, III e IV) eu rapei.

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