26 de jun de 2010

coisas boas


bem conhecemos infindáveis exemplos de menosprezo pela atividade de tradução - que leva a ABL, por exemplo, a premiar coisas ininteligíveis, ou que favorece a ishperteza de diversas editoras que saqueiam traduções antigas.

felizmente, nem só o acinte, o esquecimento e a arrogância são a paga do ofício. assim é que a civilização brasileira dedica uma página aos autores da tradução de papéis inesperados, de julio cortázar.


andreia amaral, a editora da civilização brasileira responsável pela iniciativa, declara que pretende manter essa prática em outros livros, com uma página em reconhecimento aos tradutores que dedicam grande empenho à obra.

diga-se de passagem que a editora hedra sempre apresenta um breve perfil do tradutor, acompanhando os dados sobre o autor e a obra. alguns sites de editoras também apresentam o perfil biográfico dos tradutores, como por exemplo a cosac naify, a martins e a companhia das letras. jornais e revistas têm se acostumado a mencionar sistematicamente os responsáveis pelas traduções das obras citadas ou resenhadas; e algumas livrarias online também colocam seus nomes nas fichas técnicas dos livros.

tomara que o manto denso e espectral do anonimato seja logo substituído quando menos por uma faixinha simples e singela de identificação sistemática de cada tradutor, em todas as editoras, sites, publicações, bibliografias. aliás, vale a pena assistir à teleconferência em que vargas llosa comenta quão trágica é a situação de um país que, ao desrespeitar a atividade de tradução, desconhece ou repudia sua própria identidade cultural.

atualizado às 12,05: foi só falar que os jornais têm se acostumado a avisar aos leitores quem pôs a obra em português, e vejo que luiz zanin, do caderno sabático, no estadão de hoje, faz uma ótima resenha sobre papéis inesperados, mas nem de longe parece se lembrar da existência dos tradutores...
atualizado às 14,40: rinaldo gama, editor do caderno sabático, explica que o articulista zanin havia montado a ficha técnica do livro, com os nomes dos tradutores, a qual por falha interna acabou não saindo. e garante: "vamos pôr lupa nisso". agradeço como leitora e praticante do ofício.

4 comentários:

  1. Randerson Azevedo26.6.10

    Hmmm... sei não, Denise. Acho que isso não vai ser possível em CERTAS EDITORAS...

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  2. Uma beleza de página, mesmo!

    Os sites de livraria não informarem nem o nome do tradutor é o cúmulo do cúmulo. Já deixei de comprar por causa disso! Não por protesto, mas porque não podia comprar sem saber! Parece que o livreiro supõe um leitor totalmente despreocupado com isso, e acha que assim está bom. No final, acaba não valorizando seu próprio ramo de comércio!

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  3. Que maravilha encontrar esse blog!
    Várias vezes já deixei de comprar um livro ao ler quem havia feito a tradução. As livrarias e os sites a TÊM OBRIGAÇÃO de dar essa preciosa informação aos seus clientes. Há muitos pseudo-tradutores assassinando obras incríveis...Que saudade dos tempos que o Mario Quintana traduzia Balzac!

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  4. Aliás, penso que mesmo as citações deveriam conter o nome dos tradutores. Algo como (FULANO, t.p. BELTRANO, ano, página). Inventei o "t.p." agora que poderia ser traduzido por. E em nosso caso específico, dos tardutores da Libras (língua brasileira de sinais) para a língua portuguesa, também deveríamos ser citados (e não somos!). Continue na luta, Denise!!!

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