10 de jun de 2010

moi aussi, j'en ai assez...


lendo a orelha do livro pequenas traduções de grandes poetas IV, agraciado com o prêmio da abl de 2010 para a melhor tradução literária, vi que o imortal tradutor e poeta ivan junqueira menciona "a primorosa (e pioneira)* tradução dos 'Alcools' de Guillaume Apollinaire" feita pelo tradutor premiado, com destaque para o poema Zone. fiquei interessada e, como sou diligente feito uma formiga, fui conhecê-la.

*um pequeno reparo: não é "pioneira", pois já havia a de daniel fresnot.





o que encontro ali é, por exemplo, à p. 17:


Zona (Zone)

À la fin tu es las de ce monde ancien

No fim estás cansado ante esse mundo infindo

Bergère ô tour Eiffel le troupeau des ponts bêle ce matin

Pastora ó torre Eiffel manhã pontes balindo



Tu en as assez de vivre dans l’antiquité grecque et romaine
Ici même les automobiles ont l’air d’être anciennes

Vives na antiguidade helênica e romana
Os automóveis têm um ar de coisa anciana

La religion seule est restée toute neuve la religion
Est restée simple comme les hangars de Port-Aviation

Face nova quem tem é a religião
Como se fosse o hangar de algum Porta-Avião

Seul en Europe tu n’es pas antique ô Christianisme
L’Européen le plus moderne c’est vous Pape Pie X
Et toi que les fenêtres observent la honte te retient
D’entrer dans une église et de t’y confesser ce matin

Ó cristianismo não és velho só na Europa
O Papa Pio X é o mais novo da tropa
Das janelas te vêem o que impede o teu pejo
De ao padre confessar como é do teu desejo

não tenho plena certeza de que o premiado tradutor tenha entendido inequivocamente o que en avoir assez de ou même e seul significam em francês; ou que Port-Aviation não é um porta-avião,* e outras miudezas do gênero que aparentemente não incomodaram muito o autor da missiva reproduzida na orelha.

* aliás, alguém consegue imaginar como seria isso, se não for demasiado idiota ter de explicar que um porta-avião é um navio de guerra que dificilmente será rebocado à terra para se alojar num campo de aviação? Port-Aviation era o nome do aeroporto.

quanto à finura das rimas, deixo o juízo a quem tem maior competência do que eu, pois confesso que não tive sensibilidade suficiente para ter sequer um remoto vislumbre poético apollinaireano em, por exemplo, europa/tropa...

2 comentários:

  1. Em Europa/tropa a questão nem é de "vislumbre poético apollinaireano". O problema é que não há vislumbre de tropa nem de qualquer ideia correlata no poema. A tropa foi arregimentada só para ser rima. É uma solução tal como o Raimundo para o mundo.

    Por outro lado, desconfio que foi desbaratada qualquer possível solução para esta sutil pedra no sapato:
    Et toi que les fenêtres observent la honte te retient
    D’entrer dans une église et de t’y confesser ce matin.

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  2. Seriam "coisas da vida" se não flagrassem o descambo social decorrente de favorecimentos e usurpações absurdas impostos por um maquiavelismo falido que está posicionando energúmenos na tentativa de encabrestar a crescente liberdade civil.
    Frente a frente com um sujeito que se rasgava em cedas encardidas com um espúrio que tinha e tem a desfaçatez de dizer a mestrandos de Física que não deviam "ficar querendo bater martelo em laboratórios" em pleno Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (e que ficava fazendo aquele gesto do filme Nero (ou Calígula, sei lá), aquele blu,blu,blu, com os dedos nos beiços, enquanto os outros falavam), tive de escutar o meliante dizer, depois de uma “olhadela” no que tinha nas mãos (mas muito sabedor do que signiicava, embora não tivesse e não tem competência para lidar com o que olhava): “Tá tudo errado”.
    O resumo de uma exposição que já durava 18 anos e que cada linha apresentada incorria em esforços imensos entre físicos para deslindar detalhes epistemológico-conceituais de fronteira no Conhecimento Humano era assim “descartado” pelo deboche e o acinte dos fantoches representativos de autoridades recalcadas na incompetência e na legalidade falsa outorgadas por conivência com instituições daninhas ao brio civil.
    E nos corredores do prédio, o toque final da pulhice: “Se insistir em publicar vai ser destruído, vai ser relegado ao ostracismo, excentrismo, e aos corredores psiquiátricos”.
    Era como sentir o entalado na garganta de Galileu, e de muitos que esse Sistema Falido jogou na miséria, no calabouço, na execração pública, enquanto canalhas se aproveitavam (e se aproveitam) de maneira desleixada o que foge da alçada de suas mãos.
    E os distúrbios no Clima (Severn Suzuki foi ouvida, destarte aquelas carinhas enternecidas?) juntados à estragada compleição física do Homo Sapiens sapiens faber e ao desarranjo sócio-político-psicológico disparam prejuízos dia-a-dia alertando que entramos acelerados no estado de declínio , no despenhadeiro, de nossa Civilização.
    Haddammann Veron Sinn-Klyss

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