2 de jun de 2010

esopo, fábulas II


A RAPOSA E O BODE (1)

Uma raposa caiu em um poço e foi obrigada a permanecer ali. Um bode, levado pela sede, aproximou-se do mesmo poço e, vendo a raposa, perguntou-lhe se a água estava boa. E ela, regozijando-se pela circunstância, pôs-se a elogiar a água, dizendo que estava excelente e o aconselhou a descer. Depois que, sem pensar e levado pelo desejo, o bode desceu junto com a raposa e matou a sede, perguntou-lhe como sair. A raposa tomou a palavra e disse: “Conheço um jeito, desde que nos salvemos juntos. Apóia, pois, teus pés da frente contra a parede e deixa teus chifres retos. Eu subo por aí e te guindarei.” Tendo o bode se prestado de boa vontade à proposta dela, a raposa, subindo pelas pernas dele, por seus ombros e seus chifres, encontrou-se na boca do poço, saltou e se afastou. Como o bode a censurasse por não cumprir o combinado, a raposa voltou-se e disse ao bode: “Ó camarada, se tivesses tantas idéias como fios de barba no queixo, não terias descido sem antes verificar como sair.”

Assim também, é preciso que os homens sensatos primeiro verifiquem o resultado de uma ação antes de pô-la em prática.

(1) Esopo, Fábulas completas, tradução de Neide Smolka do original grego, ed. Moderna, 1994.




A RAPOSA E O BODE (2)

Uma raposa caiu em um poço e não conseguia sair ali. Um bode, levado pela sede, aproximou-se do mesmo poço e, vendo a raposa, perguntou-lhe se a água estava boa. E ela, fingindo alegria em sua desgraça, regozijando-se pela circunstância, teceu longo elogio à água, dizendo que estava excelente e o aconselhou a descer também. Dando ouvidos apenas ao próprio desejo, o bode desceu junto com a raposa e matou a sede, procurou saber com ela como sair. A raposa lhe disse uma idéia que poderia salvar os dois. "Apóia, pois, teus pés da frente contra a parede e inclina teus chifres. Eu subirei em teu dorso e te guindarei.” O bode se prestou de boa vontade à proposta dela, e a raposa, subindo pelas pernas dele, por seus ombros e seus chifres, atingiu a boca do poço, saltou para fora e se dispôs a ir embora. Como o bode a censurasse por não respeitar o acordo, a raposa voltou-se e disse ao bode: “Meu amigo, se tivesses tantas idéias como fios de barba no queixo, não terias descido sem antes verificar como sair.”

Moral: Assim também, é preciso que os homens sensatos primeiro verifiquem o resultado de uma ação antes de pô-la em prática.

(2) Esopo, Fábulas, tradução de Pietro Nassetti do original em latim [sic], ed. Martin Claret, 2006.

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