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7 de set. de 2017
quem foi luiz de andrade? artigo
matéria no suplemento pernambuco com meus palpites sobre a identidade de "luiz de andrade", responsável pela primeira tradução da utopia no brasil: disponível aqui.
29 de ago. de 2017
athena, aristides lobo etc.
mais uma daquelas miudezas que me parecem fascinantes e muitas vezes fecundas.
fontamara, de ignazio silone, saiu no brasil em 1935, em tradução de aristides lobo, pela editora cultura política.
um dado curioso é que, em 1935, saem vários anúncios da athena editora na imprensa carioca, divulgando novos lançamentos, que se imagina serem da casa. entre eles, porém, constam duas obras publicadas pela cultura política: fontamara, justamente, e marcha sobre roma... e arredores, de emilio lussu. esta segunda obra também traz tradução de aristides lobo, utilizando seu pseudônimo "paulo m. oliveira".
o anúncio da athena chega a especificar que ela é a distribuidora no rio das obras publicadas por duas editoras de são paulo: a cultura brasileira (de galeão coutinho) e a editora brasileira. mas não faz qualquer referência à cultura política.
consultando a página de rosto de marcha sobre roma, vê-se que o endereço da editora cultura política é o mesmo da athena editora: rua general câmara, 141.
o fato de divulgar dois títulos seus entre outros dois publicados pela própria athena reforça a impressão de que eles fariam parte do mesmo catálogo: sorel e kropotkin. e note-se que sorel faz parte de uma coleção chamada "biblioteca política". embora o anúncio especifique os nomes de outras duas coleções - a "bibliotheca classica" e a "bibliotheca
o autor do estudo, marcello scarrone, aventava para tal fato a hipótese de que se trataria d' "a própria Athena sob outra denominação, para poder publicar sem problemas um texto ligado a temas políticos".
nota-se, porém, que o partido visual das capas na cultura política, seja de fontamara, seja de marcha sobre roma, é muito diferente do das usadas pela athena. por outro lado, a capa de fontamara vem assinada com a inicial "F.". o capista da athena se assinava "Franz". talvez um perito em grafologia pudesse estabelecer se se trata da mesma caligrafia e, portanto, da mesma pessoa.
interessante também notar que, quando a athena - já transferida para são paulo, já sem o "h" no nome - publica fontamara em 1942 sob sua própria égide, na mesma tradução de aristides lobo, a capa adotada também se mostra muito diferente do padrão habitual da casa:
então fico achando que talvez fosse um guarda-chuva que o petraccone teria oferecido ao editor da cultura política (que não sei quem seria). de mais a mais, parece que a tal cultura política faleceu logo, tendo publicado apenas essas duas obras de explícita campanha antifascista.
fontamara, de ignazio silone, saiu no brasil em 1935, em tradução de aristides lobo, pela editora cultura política.
um dado curioso é que, em 1935, saem vários anúncios da athena editora na imprensa carioca, divulgando novos lançamentos, que se imagina serem da casa. entre eles, porém, constam duas obras publicadas pela cultura política: fontamara, justamente, e marcha sobre roma... e arredores, de emilio lussu. esta segunda obra também traz tradução de aristides lobo, utilizando seu pseudônimo "paulo m. oliveira".
o anúncio da athena chega a especificar que ela é a distribuidora no rio das obras publicadas por duas editoras de são paulo: a cultura brasileira (de galeão coutinho) e a editora brasileira. mas não faz qualquer referência à cultura política.
consultando a página de rosto de marcha sobre roma, vê-se que o endereço da editora cultura política é o mesmo da athena editora: rua general câmara, 141.
o fato de divulgar dois títulos seus entre outros dois publicados pela própria athena reforça a impressão de que eles fariam parte do mesmo catálogo: sorel e kropotkin. e note-se que sorel faz parte de uma coleção chamada "biblioteca política". embora o anúncio especifique os nomes de outras duas coleções - a "bibliotheca classica" e a "bibliotheca
o autor do estudo, marcello scarrone, aventava para tal fato a hipótese de que se trataria d' "a própria Athena sob outra denominação, para poder publicar sem problemas um texto ligado a temas políticos".
nota-se, porém, que o partido visual das capas na cultura política, seja de fontamara, seja de marcha sobre roma, é muito diferente do das usadas pela athena. por outro lado, a capa de fontamara vem assinada com a inicial "F.". o capista da athena se assinava "Franz". talvez um perito em grafologia pudesse estabelecer se se trata da mesma caligrafia e, portanto, da mesma pessoa.
interessante também notar que, quando a athena - já transferida para são paulo, já sem o "h" no nome - publica fontamara em 1942 sob sua própria égide, na mesma tradução de aristides lobo, a capa adotada também se mostra muito diferente do padrão habitual da casa:
então fico achando que talvez fosse um guarda-chuva que o petraccone teria oferecido ao editor da cultura política (que não sei quem seria). de mais a mais, parece que a tal cultura política faleceu logo, tendo publicado apenas essas duas obras de explícita campanha antifascista.
athena / cultura política: fontamara
aquelas miudezas que acho fascinantes.
fontamara, de ignazio silone, saiu no brasil em 1935, em tradução de aristides lobo, sim, o próprio, e a editora era a cultura política (uma vez até dei uma notinha sobre essa edição no "nãogostodeplágio").
aí, ontem, nas pesquisas sobre a athena editora, eis que encontro uma pá de anúncios dela em alguns jornais de 1935, divulgando novos lançamentos aparentemente seus, é claro, e lá estava fontamara! some-se a isso que aristides lobo (aka paulo m. oliveira) era seu distribuidor em são paulo, fiel colaborador da casa por muitos anos, correligionário de petraccone, o dono da athena (e bem mais famoso do que ele), e que a tal editora cultura política é praticamente uma solene desconhecida.
remexi essa internet atrás de mais elementos. descobri, ora, vejam só, que o endereço da editora cultura política - rua general câmara, 141 -, constante na página de rosto, era o da athena!
e encontrei uma tese, excelente, aliás, apontando algo muito semelhante em relação ao livro "marcha sobre roma", de emilio lussu, pela cultura política, com o mesmo endereço da athena. o autor do estudo, marcello scarrone, aventava para tal fato a hipótese de que se trataria d' "a própria Athena sob outra denominação, para poder publicar sem problemas um texto ligado a temas políticos". e curioso notar que "marcha sobre roma" também vinha incluído entre os lançamentos anunciados pela athena - e em tradução do mesmo aristides, já como paulo m. oliveira.
achei muito interessante, todavia, o partido visual das capas na cultura política, seja de fontamara, seja de marcha sobre roma, é muito diferente do das usadas pela athena. então fico achando que talvez fosse um guarda-chuva que o petraccone teria oferecido ao editor da cultura política (que não sei quem seria). de mais a mais, parece que a tal cultura política faleceu logo, tendo publicado apenas essas duas obras de explícita campanha antifascista.
vou escarafunchar mais e ver se descubro mais alguma coisa.
https://www.facebook.com/search/top/?q=marcello%20scarrone
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fontamara, de ignazio silone, saiu no brasil em 1935, em tradução de aristides lobo, sim, o próprio, e a editora era a cultura política (uma vez até dei uma notinha sobre essa edição no "nãogostodeplágio").
aí, ontem, nas pesquisas sobre a athena editora, eis que encontro uma pá de anúncios dela em alguns jornais de 1935, divulgando novos lançamentos aparentemente seus, é claro, e lá estava fontamara! some-se a isso que aristides lobo (aka paulo m. oliveira) era seu distribuidor em são paulo, fiel colaborador da casa por muitos anos, correligionário de petraccone, o dono da athena (e bem mais famoso do que ele), e que a tal editora cultura política é praticamente uma solene desconhecida.
remexi essa internet atrás de mais elementos. descobri, ora, vejam só, que o endereço da editora cultura política - rua general câmara, 141 -, constante na página de rosto, era o da athena!
e encontrei uma tese, excelente, aliás, apontando algo muito semelhante em relação ao livro "marcha sobre roma", de emilio lussu, pela cultura política, com o mesmo endereço da athena. o autor do estudo, marcello scarrone, aventava para tal fato a hipótese de que se trataria d' "a própria Athena sob outra denominação, para poder publicar sem problemas um texto ligado a temas políticos". e curioso notar que "marcha sobre roma" também vinha incluído entre os lançamentos anunciados pela athena - e em tradução do mesmo aristides, já como paulo m. oliveira.
achei muito interessante, todavia, o partido visual das capas na cultura política, seja de fontamara, seja de marcha sobre roma, é muito diferente do das usadas pela athena. então fico achando que talvez fosse um guarda-chuva que o petraccone teria oferecido ao editor da cultura política (que não sei quem seria). de mais a mais, parece que a tal cultura política faleceu logo, tendo publicado apenas essas duas obras de explícita campanha antifascista.
vou escarafunchar mais e ver se descubro mais alguma coisa.
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5 de jul. de 2017
checagem de fontes: ainda luís de andrade e a utopia
uma coisa que eu queria expor um pouco: alguém pode achar que isso de checar atribuição é procurar pelo em casca de ovo. por exemplo, que qualquer mínima relevância tem que "luís de andrade" aparecesse como "luís de carvalho paes de andrade" na catalogação da usp? um pequenino lapso, tudo bem, só isso. vide a questão aqui.
é que as coisas costumam se compor dentro de um quadro maior. e minha questão é que, na extensa pesquisa que estou fazendo sobre a editora athena em sua fase heroica, digamos assim (1935-1939), vem-se configurando um conjunto de elementos unidos por certa coerência própria. por exemplo, evidenciou-se que um traço definidor da athena era operar como uma espécie de rede de apoio, inclusive de subsistência, para militantes e perseguidos políticos, sobretudo trotskistas, durante o estado novo.
na prática, isso significava, entre outras coisas, fornecer trabalho constante - em particular de tradução - para os intelectuais perseguidos pelo regime. estando alguns encarcerados, suas traduções eram publicadas sob pseudônimo, como já comentei várias vezes.
assim, não fazia o menor sentido na minha cabeça que petraccone (o editor proprietário da athena) se pusesse a publicar traduções em domínio público, pois a troco do quê? isso contrariaria toda a prática da editora naqueles anos e escaparia ao sentido de se manter uma rede de apoio material aos militantes.
de mais a mais, nunca, jamais, em momento algum eu havia encontrado qualquer referência a uma tradução da "utopia" de thomas more que fosse anterior à da athena (lançada em 1937).
além disso, nunca, jamais, em momento algum encontrei qualquer referência a qualquer atividade de tradução do chefe-mor da alfândega portuária pernambucana no período do império, o engenheiro luís de carvalho paes de andrade.
ainda por cima, qualquer um que leia a utopia traduzida pelo luís de andrade athenense verá uma prosa muito clara, muito límpida e desadornada, sem qualquer vezo oitocentista, despojadamente moderna, diria eu. e a hipótese meio descabelada de uma "revisão" e "atualização" faria ainda menos sentido. para que deixar de fornecer trabalho a militantes desempregados e/ou presos, para que publicar traduções em DP; e, como se não bastasse, gastar tempo e dinheiro para encomendar um copidesque numa vetusta tradução? muita forçação de barra, um complica-que-nada-explica.
some-se a isso a existência de várias traduções da athena publicadas com pseudônimo e - tirando a exceção do bizarro "blásio demétrio" [i.é, fúlvio abramo] - parecia-se dar preferência a nomes bastante anódinos: paulo de oliveira, j.l. moreira, jorge da silva... e, não seria implausível supor, luís de andrade.
mas aí surge a inesperada identificação bibliográfica entre o luís da athena e o luís dos portos imperiais. não posso de boa-fé descartar indícios só porque contrariam minha hipótese de trabalho. tenho de apurar. e por isso pareceu-me que uma via possível de apurar a veracidade dessa identificação seria buscar sua fonte original. daí então o contato com os autores que haviam citado essa identificação, o contato posterior com a entidade catalogadora que estabelecera a identidade entre os dois luíses e daí minha sensação de que - confirmado o erro de registro catalográfico - as coisas podiam voltar a fazer sentido.
é que as coisas costumam se compor dentro de um quadro maior. e minha questão é que, na extensa pesquisa que estou fazendo sobre a editora athena em sua fase heroica, digamos assim (1935-1939), vem-se configurando um conjunto de elementos unidos por certa coerência própria. por exemplo, evidenciou-se que um traço definidor da athena era operar como uma espécie de rede de apoio, inclusive de subsistência, para militantes e perseguidos políticos, sobretudo trotskistas, durante o estado novo.
na prática, isso significava, entre outras coisas, fornecer trabalho constante - em particular de tradução - para os intelectuais perseguidos pelo regime. estando alguns encarcerados, suas traduções eram publicadas sob pseudônimo, como já comentei várias vezes.
assim, não fazia o menor sentido na minha cabeça que petraccone (o editor proprietário da athena) se pusesse a publicar traduções em domínio público, pois a troco do quê? isso contrariaria toda a prática da editora naqueles anos e escaparia ao sentido de se manter uma rede de apoio material aos militantes.
de mais a mais, nunca, jamais, em momento algum eu havia encontrado qualquer referência a uma tradução da "utopia" de thomas more que fosse anterior à da athena (lançada em 1937).
além disso, nunca, jamais, em momento algum encontrei qualquer referência a qualquer atividade de tradução do chefe-mor da alfândega portuária pernambucana no período do império, o engenheiro luís de carvalho paes de andrade.
ainda por cima, qualquer um que leia a utopia traduzida pelo luís de andrade athenense verá uma prosa muito clara, muito límpida e desadornada, sem qualquer vezo oitocentista, despojadamente moderna, diria eu. e a hipótese meio descabelada de uma "revisão" e "atualização" faria ainda menos sentido. para que deixar de fornecer trabalho a militantes desempregados e/ou presos, para que publicar traduções em DP; e, como se não bastasse, gastar tempo e dinheiro para encomendar um copidesque numa vetusta tradução? muita forçação de barra, um complica-que-nada-explica.
some-se a isso a existência de várias traduções da athena publicadas com pseudônimo e - tirando a exceção do bizarro "blásio demétrio" [i.é, fúlvio abramo] - parecia-se dar preferência a nomes bastante anódinos: paulo de oliveira, j.l. moreira, jorge da silva... e, não seria implausível supor, luís de andrade.
mas aí surge a inesperada identificação bibliográfica entre o luís da athena e o luís dos portos imperiais. não posso de boa-fé descartar indícios só porque contrariam minha hipótese de trabalho. tenho de apurar. e por isso pareceu-me que uma via possível de apurar a veracidade dessa identificação seria buscar sua fonte original. daí então o contato com os autores que haviam citado essa identificação, o contato posterior com a entidade catalogadora que estabelecera a identidade entre os dois luíses e daí minha sensação de que - confirmado o erro de registro catalográfico - as coisas podiam voltar a fazer sentido.
em tempo: até existe um luiz de andrade (1849-1912) autor de algumas obras, mas, tal como no caso do outro luiz oitocentista, nada, absolutamente nada indica que tenha a mais remota relação com o nosso luís de andrade tradupor d'a utopia.
4 de jul. de 2017
ufa
eu tinha ficado encafifadíssima com uma indicação que vi em alguns artigos sobre nossa primeira tradução brasileira de utopia, de 1937. segundo essa indicação, o tradutor luís de andrade (na época grafado com z, luiz) seria o engenheiro e escritor pernambucano luiz de carvalho paes de andrade (1814-1887).
por várias razões que exporei em outro post, a coisa não fazia o menor sentido para mim. fui atrás. bom, após algumas consultas, descobri que a origem exclusiva da referência era a ficha catalográfica da obra registrada no sistema dedalus, da usp.
escrevi para lá, pedindo que me informassem de onde haviam extraído aquela bendita informação de que luiz de carvalho paes de andrade (o qual, até onde sei, jamais traduziu uma única linha) teria sido o tradutor de utopia (a qual, até onde sei, jamais fora publicada no brasil antes de 1937, muito menos no século XIX).
claro que não comentei nada disso em minha consulta. apenas pedi a fonte da referência. não sei que diligências fizeram, nem como rastrearam o lapso e/ou a origem do lapso. mas hoje veio a resposta muito gentil e atenciosa, que reproduzo:
Desculpe a demora em responder. Encaminhei a sua dúvida para o nosso Processamento Técnico e eles fizeram a correção no Sistema. Realmente estava incorreto: o autor secundário não era este Andrade, Luiz de Carvalho Paes de, 1814-1887.fica então o registro e o aviso aos navegantes: luiz de andrade, tradutor d' a utopia pela athena editora e sucessivas reedições em outras casas editoriais até data recente, não é - e, até prova em contrário, não tem nada a ver com - luiz de carvalho paes de andrade. qualquer menção nesse sentido pode ser, a meu ver, solenemente desconsiderada.
agora, quem era, quem foi luiz de andrade tradutor d' a utopia, é assunto de outra conversa.
24 de jun. de 2017
mais dois russos
acrescentem-se à bibliografia russa traduzida no brasil (1900-1950), aqui, os seguintes títulos:
- fiódor gladkov, a nova terra - diário de uma professora, pela athena, 1935. não localizei o nome do tradutor. por provável interposição da tradução espanhola de piedade lifchuz (madri, 1931).
- fiódor gladkov, a nova terra - diário de uma professora, pela athena, 1935. não localizei o nome do tradutor. por provável interposição da tradução espanhola de piedade lifchuz (madri, 1931).
23 de jun. de 2017
mais cinco autores e suas respectivas estreias em livro no brasil
Schopenhauer, 1887:
O primeiro volume de Schopenhauer a ser publicado no Brasil em tradução brasileira foi Metaphysica do amor. Esboço sobre as mulheres (Pensamentos e fragmentos). A tradução ficou a cargo de Manuel Coelho da Rocha, muito provavelmente tomando por interposição a versão francesa de Jean Bourdeau (1880), Pensées e fragments. Foi publicada pela editora Laemmert em 1887.
Sua quarta edição em 1904, pela Bibliotheca Philosophica da Laemmert, vem, como consta em sua nova capa, "augmentada com um appendice sobre a pederastia". Essa tradução de M.C. da Rocha foi reeditada pela Cultura Moderna em 1938.
Para um histórico de Schopenhauer no Brasil, veja-se aqui.
Tolstói, 1890:
A obra que inaugurou Tolstói em livro no brasil foi A sonata de Kreutzer, em tradução de Visconti Coaracy. Foi publicada em 1890 pela B.-L. Garnier e serializada no Diário de Notícias logo após seu lançamento, de dezembro de 1890 a janeiro de 1891.
Essa edição se reveste de grande importância, e tanto maior por ter sido a primeira publicação em livro de um autor russo no Brasil, assim inaugurando a fértil bibliografia que veio a se multiplicar algumas décadas depois entre nós.
Infelizmente não obtive imagem de capa. Sobre a fortuna bibliográfica de Tolstói no Brasil, veja-se aqui.
Hegel, 1936:
A primeira obra integral de Hegel traduzida e publicada no Brasil foi a Enciclopédia das ciências filosóficas, em três volumes, pela Athena Editora, em 1936. A tradução coube a Lívio Xavier, e não me parece impossível que tenha sido feita a partir da tradução espanhola de Eduardo Ovejero y Maury. Teve diversas reedições.
Jane Austen, 1940:
Somente em 1940 sai no Brasil a primeira tradução de um livro de Jane Austen. Trata-se de Orgulho e preconceito, em tradução de Lúcio Cardoso. Teve inúmeras reedições e foi objeto de apropriação fraudulenta pela editora Best-Seller, como apontei aqui e aqui.
Para outras traduções feitas por Lúcio Cardoso, veja-se aqui.
Emily Dickinson, 1945:
Os primeiros poemas de Emily Dickinson a ser traduzidos e publicados em livro no Brasil foram "I never lost as much but twice", "I died for Beauty – but was scarce", "This quiet Dust was Gentlemen and …", "I never saw a Moor" e "My life closed twice before its close", apanhados na seção "Cinco poemas de Emily Dickinson" em Poemas traduzidos, por outro grande nome de nossas letras: Manuel Bandeira. Poemas traduzidos teve sua primeira edição em 1945, pela R.A. [Revista Acadêmica].
Vide também o post anterior sobre outros cinco autores aqui.
O primeiro volume de Schopenhauer a ser publicado no Brasil em tradução brasileira foi Metaphysica do amor. Esboço sobre as mulheres (Pensamentos e fragmentos). A tradução ficou a cargo de Manuel Coelho da Rocha, muito provavelmente tomando por interposição a versão francesa de Jean Bourdeau (1880), Pensées e fragments. Foi publicada pela editora Laemmert em 1887.
A Semana, 1887, ed. 0144
Sua quarta edição em 1904, pela Bibliotheca Philosophica da Laemmert, vem, como consta em sua nova capa, "augmentada com um appendice sobre a pederastia". Essa tradução de M.C. da Rocha foi reeditada pela Cultura Moderna em 1938.
Tolstói, 1890:
A obra que inaugurou Tolstói em livro no brasil foi A sonata de Kreutzer, em tradução de Visconti Coaracy. Foi publicada em 1890 pela B.-L. Garnier e serializada no Diário de Notícias logo após seu lançamento, de dezembro de 1890 a janeiro de 1891.
Essa edição se reveste de grande importância, e tanto maior por ter sido a primeira publicação em livro de um autor russo no Brasil, assim inaugurando a fértil bibliografia que veio a se multiplicar algumas décadas depois entre nós.
Infelizmente não obtive imagem de capa. Sobre a fortuna bibliográfica de Tolstói no Brasil, veja-se aqui.
Hegel, 1936:
A primeira obra integral de Hegel traduzida e publicada no Brasil foi a Enciclopédia das ciências filosóficas, em três volumes, pela Athena Editora, em 1936. A tradução coube a Lívio Xavier, e não me parece impossível que tenha sido feita a partir da tradução espanhola de Eduardo Ovejero y Maury. Teve diversas reedições.
Jane Austen, 1940:
Somente em 1940 sai no Brasil a primeira tradução de um livro de Jane Austen. Trata-se de Orgulho e preconceito, em tradução de Lúcio Cardoso. Teve inúmeras reedições e foi objeto de apropriação fraudulenta pela editora Best-Seller, como apontei aqui e aqui.
Para outras traduções feitas por Lúcio Cardoso, veja-se aqui.
Emily Dickinson, 1945:
Os primeiros poemas de Emily Dickinson a ser traduzidos e publicados em livro no Brasil foram "I never lost as much but twice", "I died for Beauty – but was scarce", "This quiet Dust was Gentlemen and …", "I never saw a Moor" e "My life closed twice before its close", apanhados na seção "Cinco poemas de Emily Dickinson" em Poemas traduzidos, por outro grande nome de nossas letras: Manuel Bandeira. Poemas traduzidos teve sua primeira edição em 1945, pela R.A. [Revista Acadêmica].
Vide também o post anterior sobre outros cinco autores aqui.
19 de jun. de 2017
mais um russo no brasil, 1900-1950
acrescente-se à bibliografia russa traduzida no brasil entre 1900 e 1950, aqui:
quero!, de aleksandr ostapovich avdeenko, romance publicado pela athena editora em 1937. embora não constem os créditos, a tradução foi feita por heitor ferreira lima (dirigente do pcb).
o título adotado em português - quero! para o original ia liubliù, isto é, "eu amo", tal como na tradução inglesa da obra, i love (1935), ou na francesa, j'aime (1944) - parece sugerir que heitor ferreira lima se baseou na tradução espanhola !quiero!. esta foi publicada em 1935 pela ediciones europa-américa, madri, da linha comunista soviética a que também se filiava o pcb.
sobre a europa-américa madrilenha, vide um artigo interessante aqui.
"Instrumento soviético de agitprop en lengua española creado tras el VI Congreso de la Komintern (Moscú, julio-septiembre 1928). Ediciones Europa-América inicia su actividad en París (“París-Buenos Aires”), quedando prácticamente paralizada en 1930 tras los abandonos provocados, sobre todo, por desviaciones trotsquistas. Se reactiva en España en 1932, también como edeya, se expande en 1933 junto con ampli y marenglen, sobrevive tras el fracasado golpe de estado de 1934 y mantiene su activismo hasta 1938, y de nuevo en París (“París-México-Nueva York”) languidece durante unos meses en 1939, terminada la guerra de España, hasta que comienza la nueva guerra mundial."
não localizei imagem de capa da athena, mas aí fica a da europa-américa:
agradeço a bruno gomide pela identificação de avdeenko e pelo título original do romance.
quero!, de aleksandr ostapovich avdeenko, romance publicado pela athena editora em 1937. embora não constem os créditos, a tradução foi feita por heitor ferreira lima (dirigente do pcb).
o título adotado em português - quero! para o original ia liubliù, isto é, "eu amo", tal como na tradução inglesa da obra, i love (1935), ou na francesa, j'aime (1944) - parece sugerir que heitor ferreira lima se baseou na tradução espanhola !quiero!. esta foi publicada em 1935 pela ediciones europa-américa, madri, da linha comunista soviética a que também se filiava o pcb.
sobre a europa-américa madrilenha, vide um artigo interessante aqui.
"Instrumento soviético de agitprop en lengua española creado tras el VI Congreso de la Komintern (Moscú, julio-septiembre 1928). Ediciones Europa-América inicia su actividad en París (“París-Buenos Aires”), quedando prácticamente paralizada en 1930 tras los abandonos provocados, sobre todo, por desviaciones trotsquistas. Se reactiva en España en 1932, también como edeya, se expande en 1933 junto con ampli y marenglen, sobrevive tras el fracasado golpe de estado de 1934 y mantiene su activismo hasta 1938, y de nuevo en París (“París-México-Nueva York”) languidece durante unos meses en 1939, terminada la guerra de España, hasta que comienza la nueva guerra mundial."
não localizei imagem de capa da athena, mas aí fica a da europa-américa:
agradeço a bruno gomide pela identificação de avdeenko e pelo título original do romance.
atualização em 27/4/2026: a capa de quero!, que integrava uma nova coleção da athena, chamada "modernissima" e dedicada à publicação de romances. agradeço o envio da imagem de capa a dainis karepovs.
14 de jun. de 2017
cinco autores e suas respectivas estreias em livro no brasil
shakespeare, 1882 ou 1933?
o caso de shakespeare envolve uma certa polêmica.
entre os estudiosos da shakespeariana brasileira, celuta gomes sustenta a primazia de josé antônio de freitas, maranhense "que se integrou nas letras portuguesas", com sua tradução de otelo, publicada em lisboa em 1882.
márcia peixoto martins, por seu lado, sustenta que o simples dado da nacionalidade não garante a inserção de um autor ou tradutor no sistema literário de seu país de origem: "por tradução brasileira entenda-se feita em português do brasil, levando-se em conta os aspectos sintáticos, lexicais e de registro, entre outros, e observando uma poética literária compatível com 'modos de escrever' adotados por nossos autores". neste sentido, a primeira tradução brasileira de shakespeare seria tragédia de hamleto, príncipe da dinamarca, feita por tristão da cunha e publicada pela editora schmidt em 1933. vide aqui.
goethe, 1877 (excerto), 1884 (íntegra)
vem do rio grande do sul a primeira tradução brasileira publicada em livro entre nós, um excerto de fausto. trata-se de fausto e margarida, poema dramático em XII quadros da tragédia de goethe, por múcio teixeira. porto alegre, 1877[8]. vem apresentada como "uma imitação de goethe", como diz seu autor, ou uma tradução em paráfrase, como dizem alguns comentadores. teve grande sucesso e várias reedições no prazo de poucos anos.
também em porto alegre temos a primeira publicação de uma obra integral de goethe, o poema hermann e dorothea, porém vazado em prosa. a tradução foi feita por carolina von koseritz, e saiu publicada em 1884 pela typographia de gundlach, de porto alegre.
encontro menções a uma tradução de werther que teria sido feita por eduardo laemmert (1808-1880; portanto, provavelmente teria sido anterior às traduções acima citadas), com o título de amorosas paixões do jovem werther. todavia, essas menções parecem derivar, todas elas, de uma vaga afirmação de laurence hallewell, que a apresenta explicitamente como mera hipótese em seu o livro no brasil, e não encontrei nenhuma notícia concreta da existência efetiva e eventual publicação dessa tradução. assim, como marcos introdutórios, fiquemos com as duas traduções de existência comprovada, a de múcio teixeira e a de carolina von koseritz.. ATUALIZAÇÃO: de fato, as amorosas paixões do jovem werther foi publicada em 1842 pela typographia universal dos irmãos laemmert, no rio de janeiro, em dois volumes in-8, sem créditos de tradução.
dostoiévski, 1896
também do rio grande do sul vem o primeiro volume de dostoiévski traduzido no brasil. foi o jogador, em tradução de alcides cruz, publicado pela livraria americana de pelotas, de costa pinto, em sua coleção "nova bibliotheca economica".
o livro saiu, calculo eu, por volta de 1895-6: avento essa data porque foi em 1896 que o almanak litterario e estatistico do rio grande sul publicou o anúncio de página inteira da livraria americana, com o jogador entre os três títulos já publicados em sua referida coleção.
aliás, uma notícia interessante nos é dada por juremir machado, narrando os primórdios do jornal gaúcho correio do povo, no final do século XIX: "fez uma promoção de assinaturas. quem assinasse por ano, escolhia um livro numa lista de dez best-sellers, entre os quais o jogador de dostoievski". vide aqui.
freud, 1931
ao que tudo indica, a primeira tradução de freud saiu entre nós em 1931: tratava-se de cinco lições de psicanálise.
na verdade, houve uma tentativa anterior: o médico iago pimentel, com planos de traduzir a obra, chegou a publicar em 1926 um excerto de algumas páginas em a revista, uma efêmera publicação literária de carlos drummond, pedro nava e outros. com o encerramento da revista, porém, iago pimentel parece ter interrompido a tradução, e desde então não houve mais notícias de seu projeto.
assim, a tradução integral das cinco lições de psicanálise veio a sair apenas em 1931, pela cia. editora nacional, em sua coleção "biblioteca pedagogica brasileira". feita diretamente do alemão, a tradução foi realizada a quatro mãos: por josé barbosa corrêa e durval marcondes, este tido como o pioneiro da psicanálise no brasil. para mais efemérides freudianas entre nós, vide aqui.
baudelaire, 1872 (excerto), 1937 (íntegra)
o caso de baudelaire é interessante.
desde 1872, quando sai no brasil seu primeiro poema em livro - este também uma paráfrase, feita por carlos ferreira "sob inspiração de baudelaire" -, temos esporádicas publicações de poemas dispersos em coletâneas várias. essa situação perdura até 1937, 65 anos durante os quais se publicam, ao todo, meros dezesseis poemas avulsos, por diversos tradutores.
em 1937, finalmente surge a primeira publicação integral, em volume autônomo, pela athena editora: pequenos poemas em prosa, em tradução de um enigmático "paulo m. de oliveira". tratava-se de um pseudônimo utilizado por aristides lobo durante os períodos em que esteve preso durante a ditadura varguista e realizou diversas traduções. sobre baudelaire no brasil, vide aqui; sobre "paulo m. de oliveira", vide aqui.
22 de dez. de 2016
a utopia no brasil
já comentei duas fraudes em traduções de [a] utopia de thomas more [ou morus] no brasil.
uma delas saiu pela editora rideel, em nome de heloísa da graça buratti, sendo cópia ligeiramente adulterada da tradução de luís de andrade. veja aqui e aqui. vale notar que, na sequência, a editora retirou a obra de circulação e de seu catálogo.
a outra saiu pela editora martin claret em nome de pietro nassetti, sendo cópia da tradução portuguesa de maria isabel gonçalves tomás. veja-se o artigo de ana cláudia romano ribeiro, as traduções brasileiras de a utopia, de tomás morus, aqui
quanto às traduções legítimas, temos a primeira em 1937, pela athena editora, com tradução de luís de andrade a partir do texto em francês, vertido do neolatim por victor stouvenel, 1842). teve inúmeras reedições ao longo das décadas, em várias editoras. já comentei em outro lugar que não me surpreenderia se "luís de andrade" fosse pseudônimo.
apenas em 1980 teremos nova tradução, agora feita por anah de melo franco [ana guilhermina pereira de melo franco], com apresentação de seu marido afonso arinos de melo franco, lançada pela editora da unb, em sua coleção clássicos ipri. também foi vertida do francês, na tradução de paul grunebaum-ballin a partir do neolatim (1935). a tradução de anah de melo franco foi reeditada pela unb em 2004, acrescida de um prefácio de joão almino. encontra-se disponível para download aqui.
em 1993, a martins fontes publica a tradução de jefferson luiz camargo e marcelo brandão cipolla, na edição cambridge de logan e adams. foi revista e ampliada em sua terceira edição, em 2009.
em 1997, sai pela l&pm a tradução de paulo neves. ainda não localizei a edição utilizada, mas com toda probabilidade a língua de partida foi o francês.
em 2016, a vozes publica a tradução de leandro dorval cardoso, a única, até onde sei, feita a partir do original em neolatim, na edição bilíngue cambridge de logan, adams e miller.
há ainda o caso da editora escala, que em 1995, em sua coleção grandes obras do pensamento universal, v. 9, lança uma tradução atribuída a ciro mioranza - vide o artigo já citado de ana cláudia r. ribeiro, apontando semelhanças com a tradução de luís de andrade.
uma delas saiu pela editora rideel, em nome de heloísa da graça buratti, sendo cópia ligeiramente adulterada da tradução de luís de andrade. veja aqui e aqui. vale notar que, na sequência, a editora retirou a obra de circulação e de seu catálogo.
a outra saiu pela editora martin claret em nome de pietro nassetti, sendo cópia da tradução portuguesa de maria isabel gonçalves tomás. veja-se o artigo de ana cláudia romano ribeiro, as traduções brasileiras de a utopia, de tomás morus, aqui
quanto às traduções legítimas, temos a primeira em 1937, pela athena editora, com tradução de luís de andrade a partir do texto em francês, vertido do neolatim por victor stouvenel, 1842). teve inúmeras reedições ao longo das décadas, em várias editoras. já comentei em outro lugar que não me surpreenderia se "luís de andrade" fosse pseudônimo.
apenas em 1980 teremos nova tradução, agora feita por anah de melo franco [ana guilhermina pereira de melo franco], com apresentação de seu marido afonso arinos de melo franco, lançada pela editora da unb, em sua coleção clássicos ipri. também foi vertida do francês, na tradução de paul grunebaum-ballin a partir do neolatim (1935). a tradução de anah de melo franco foi reeditada pela unb em 2004, acrescida de um prefácio de joão almino. encontra-se disponível para download aqui.
em 1993, a martins fontes publica a tradução de jefferson luiz camargo e marcelo brandão cipolla, na edição cambridge de logan e adams. foi revista e ampliada em sua terceira edição, em 2009.
em 1997, sai pela l&pm a tradução de paulo neves. ainda não localizei a edição utilizada, mas com toda probabilidade a língua de partida foi o francês.
em 2016, a vozes publica a tradução de leandro dorval cardoso, a única, até onde sei, feita a partir do original em neolatim, na edição bilíngue cambridge de logan, adams e miller.
há ainda o caso da editora escala, que em 1995, em sua coleção grandes obras do pensamento universal, v. 9, lança uma tradução atribuída a ciro mioranza - vide o artigo já citado de ana cláudia r. ribeiro, apontando semelhanças com a tradução de luís de andrade.
26 de jul. de 2016
górki no brasil, 1900-1950
Górki, Maksim (Máximo, Maxime, Maxim, Gorki, Gorky)
A batalha da vida. Tradução de J. da Cunha Borges. Rio de Janeiro: Vecchi, 1942.
A infância de Klim Sanguine. Tradução de Lúcio do Nascimento Rangel.
Rio de Janeiro: Athena, 1937.
A mãe. Rio de Janeiro: Marisa, 1931.
A mãe. Tradução revista por Renato Travassos. Collecção de Obras Celebres.
Rio de Janeiro: Americana, 1931.
A mãe. Rio de Janeiro: Calvino, 1932.
A mãe. Collecções Econômicas SIP. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1935.
A mãe. Rio de Janeiro: Vitória, 1944.
A mãe. Tradução de Araújo Neves. Rio de Janeiro: Pongetti, 1944.
A minha infancia. Tradução revista por R. Galba. Rio de Janeiro: Minha Livraria Ed., c.1934.
“Adversários”. In: O espírito do conto francês, alemão, ianque, inglês, russo.
Tradução de Sonia Moniz. Coleção Cultura Moderna. Rio de Janeiro: Curiosidade, 1942.
“Angústia”. In: Os colossos do conto da velha e da nova Rússia.
Tradução de Frederico dos Reys Coutinho. Rio de Janeiro: Mundo Latino, 1944.
Aos intelectuais. Carta aberta (em resposta a alguns escritores americanos).
Rio de Janeiro: Alba, c.1935.
Contos da Estépe. Contém: “Impressões de um homem pacífico”, “Os três”, “O avô Arkhip e Lenka”, “O canto do falcão”, “Yemelian Pilaie”, “O Khan e seu filho”, “Sasubrina”, “Makar Tchudra”, “Vinte seis e uma” e “A velha Iserguila”. Tradução revista por Antônio de Oliveira.
Rio de Janeiro: Nosso Livro, 1944.
Em guarda! Aspectos da Rússia soviética. Tradução de Aurélio Pinheiro.
Rio de Janeiro: Andersen, 1934.
Flor da miséria e outras histórias. Rio de Janeiro: Edições do Povo, 1947.
Ganhando meu pão: memórias autobiográficas. Tradução de Abelardo Romero.
Rio de Janeiro: Vecchi, 1942.
“Kirilka”. In: Os russos: antigos e modernos. Tradução de Murilo Miranda. Coleção Contos do Mundo. Rio de Janeiro: Leitura, 1944.
Konovaloff. Contém: “Konovaloff”, “A feira”, “Kirilka” e “Uma vez, no outomno”.
Tradução anônima. [Georges Selzoff, Fúlvio Abramo e Victor Ragghianti].
Bibliotheca de Auctores Russos. São Paulo: Cultura, 1930.
Lenine. Rio de Janeiro: Collecção Minha Livraria, 1932.
“Meu companheiro raro”. In: Contos russos. Não localizei créditos de tradução.
São Paulo: Pax, c. 1930.
Na prisão. Tradução de Djalma Maciel. Rio de Janeiro: Edições do Povo, 1946.
O espião. Tradução revista por Bandeira Duarte. Rio de Janeiro: Marisa, 1931.
O espião. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1934.
O espião. Tradução de Milton Tavares. Rio de Janeiro: Vitória, 1944.
“O herói”. In: Os mais belos contos russos dos mais famosos autores. 2ª. série.
Tradução de Líbero Rangel de Andrade. Rio de Janeiro: Vecchi, 1945.
“O ruivo”. In: 3 Novelas russas. Tradução de José de Barros Pinto. São Paulo: Flama, 1944.
Os Artamonov. Tradução de Boris Solomonov (pseud. de Boris Schnaiderman) e Galvão de Queiroz. Coleção “Os Grandes Nomes”. Rio de Janeiro: Vecchi, 1945.
Os degenerados: os Orlof, os ex-homens, os amigos. São Paulo: Editorial Paulista, 1934.
Os degenerados. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1936.
Os degenerados. Tradução revista por Marques Rebelo. Rio de Janeiro: Pongetti, 1943.
[A partir de 1951, a Pongetti relança o mesmo texto, agora como "tradução revista por Mario Jobinski"]
[A partir de 1951, a Pongetti relança o mesmo texto, agora como "tradução revista por Mario Jobinski"]
Os vagabundos. Collecções Econômicas SIP. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1936.
Os vagabundos. Tradução de Araújo Alves. Rio de Janeiro: Pongetti, 1944.
Psychologia do povo russo. Tradução de Elias Davidovich. Rio de Janeiro: Minha Livraria Ed., 1936.
“Sonho de uma noite de Natal”. In: Livro de Natal – As mais lindas histórias de Natal dos maiores escritores do mundo. Tradução de Luiz Macedo. São Paulo: Martins, 1947.
Tormenta sobre a cidade. Tradução de J. da Cunha Borges. Rio de Janeiro: Vecchi, 1943.
Três russos: Tolstoi, Tchekov, Andreev. Tradução de Lúcio do Nascimento Rangel.
Coleção Pensamento e Vida. Rio de Janeiro: Pongetti, 1945.
“Um incidente”. In: Os mais belos contos russos dos mais famosos autores.
Tradução de Marina Salles Goulart de Andrade. Rio de Janeiro: Vecchi, 1944.
“Um livro inquietante”. In: Contos russos. Não localizei créditos de tradução.
São Paulo: Pax, c. 1930.
Uma confissão. Collecção de Obras Celebres. Rio de Janeiro: Waissman, Reis & Cia., 1931.
Uma confissão. Rio de Janeiro: Calvino, 1932.
“Uma noite de outono”. In: Os russos: antigos e modernos. Tradução de Emil Farhat.
Coleção Contos do Mundo. Rio de Janeiro: Leitura, 1944.
Varenka Olessova. Tradução anônima. Introdução de Afonso Schmidt.
São Paulo: Clube do Livro, 1949.
“Vinte e seis e uma”. In: Os russos: antigos e modernos. Tradução de Edison Carneiro.
Coleção Contos do Mundo. Rio de Janeiro: Leitura, 1944.
Wania. Tradução anônima. São Paulo: Unitas, 1934.
25 de jul. de 2016
garin, garshin e gladkov no brasil, 1900-1950
Garin, Nicolai (Nicolas)
“A primavera da vida”. In: Três novelas russas. Tradução de Lúcio Cardoso.
Rio de Janeiro: A Noite, 1947.
“U’a mulher esquisita”. In: Os mais belos contos russos dos mais famosos autores.
Tradução de Marina Salles Goulart de Andrade. Rio de Janeiro: Vecchi, 1944.
Garshin, Vsevolod M. (Garchin):
“De propósito não foi”. In: Os mais belos contos russos dos mais famosos autores. 2ª. série.
Tradução de Alfredo Ferreira. Rio de Janeiro: Vecchi, 1945.
“O sinal”. In: Os russos: antigos e modernos. Tradução de Lourival Gomes Machado.
Coleção Contos do Mundo. Rio de Janeiro: Leitura, 1944.
Gladkov, Fédor (Fiodor, Gladkof)
Cimento. Tradução anônima. Coleção Aurora. São Paulo: Unitas, 1933.
“O polvo”. In: Contos soviéticos. Os novos da Rússia. Tradução de Gabriel Marques.
Collecção Literatura Moderna. São Paulo: Cultura Brasileira, c.1934.
Reed. in: Contos soviéticos. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1944.
Ver Bibliografia russa traduzida no Brasil (1900-1950), aqui.
20 de jul. de 2016
"luiz fontoura"/ carlos lacerda
já comentei várias vezes a importância da editora athena para a tradução no brasil, cujos colaboradores eram, em sua maioria, militantes políticos, perseguidos, fichados, presos durante a ditadura varguista. um desses tradutores da athena, "luiz fontoura", poucos sabem que era o pseudônimo de carlos lacerda em sua fase comunista:
12 de ago. de 2015
berenice xavier
Berenice Barreto Xavier nasceu em 20 de fevereiro de 1899, em Granja, no Ceará, filha de Elisa Barreto Xavier e do "coronel" Ignácio Xavier, a segunda entre treze filhos. Muda-se para o Rio de Janeiro em 1932, onde já se encontrava seu irmão Lívio Xavier. Além de tradutora, trabalhou na agência de notícias Reuters, no Instituto Nacional do Livro e na Biblioteca Nacional. Lá permanece até 1969, quando retorna ao Ceará, radicando-se em Fortaleza até sua morte, em 12 de julho de 1986. (Embora a foto acima apresente Berenice Xavier como militante trotskista, afirmam fontes de sua família que ela nunca chegou a ingressar formalmente na Liga Comunista Internacionalista, de que seu irmão fora um dos fundadores. Neste caso, talvez o mais adequado seja qualificá-la de simpatizante trotskista.)
Berenice inicia suas atividades de tradutora profissional em 1936, na Athena Editora, de propriedade de Pasquale Petraccone, importante líder antifascista entre as colônias italianas no Brasil e simpático ao movimento trotskista. Como Lívio Xavier já traduzia para a Athena, provavelmente pode ter sido por meio dele que Berenice passou a traduzir para a casa. É ela a responsável pela primeira tradução brasileira de The Taming of the Shrew, de Shakespeare, inaugurando a coleção Bibliotheca Theatral da casa. O título escolhido para a obra é A megera domada, e como tal acabou se consagrando.
Suas traduções seguintes também são para a Athena:
- À Megera, segue-se em 1937 outra peça de Shakespeare, O mercador de Veneza, como terceiro volume da referida Bibliotheca Theatral.
- Ainda em 1937, é lançada sua tradução d' As histórias de Públio Cornélio Tácito, em dois volumes, pela coleção Biblioteca Classica.
- Em 1939 temos sua tradução de Laurence Sterne, Viagem sentimental [na França e na Itália], também pela Biblioteca Classica da Athena, vol. XXIX.
Em 1938, com a intensa perseguição da ditadura estadonovista, Pasquale Petraccone é preso e obrigado a interromper suas atividades editoriais, que retomará posteriormente em São Paulo, transferindo sua editora para lá em 1939. Aqui cessam as colaborações de Berenice com a Athena.
Passam-se alguns anos sem novas traduções. Seu retorno à atividade parece ter-se dado a partir de um trabalho de circunstância para a José Olympio. Digo "de circunstância" porque a José Olympio publicava Pequena história do mundo, de H.G. Wells, em tradução de Gustavo Barroso, desde 1937. Em 1944, a editora lança a terceira edição da obra, mas agora ampliada, com três novos capítulos. A tradução desses capítulos adicionais ficou a cargo de Berenice. A partir dessa data, ela volta a traduzir com bastante frequência e, até o final dos anos 1950, sobretudo para a José Olympio, com várias reedições e licenciamentos para outras editoras. Nesses dois decênios, temos:
- H. G. Wells, Pequena história do mundo. 3ª. ed. ampliada, tradução de Gustavo Barroso, agora com os três novos capítulos trad. Berenice. José Olympio, 1944
- Gwen Bristow, Um romance do sul. José Olympio, 1944
- Katherine Brush, "Night Club", in Os norte-americanos: antigos e modernos. Leitura, 1945.
- Charles Dickens, Uma história em duas cidades. Coleção Fogos Cruzados. José Olympio, 1946.
- Kropotkine, Em torno de uma vida - memórias de um revolucionário. Coleção Memórias, Diários, Confissões, v. 19. José Olympio, 1946 (tradução em parceria com Lívio Xavier)
- Arthur Koestler, Cruzada sem cruz. Instituto Progresso Editorial, 1948
Segundo um alerta feito aqui, essa tradução de Koestler feita por Berenice teria sido indevidamente apropriada pela editora Germinal, em 2000, apresentando-a em nome de "Juliana Borges".
- William Faulkner, Luz de agosto. Coleção Nobel. Globo, 1948
- Honoré de Balzac, Comédia humana. Globo, 1948-. No empreendimento coordenado por Paulo Rónai, Berenice Xavier traduziu vários dos estudos introdutórios que acompanhavam cada volume. Citem-se: Georg Brandes, "Balzac"; Theodore de Banville, "Honoré de Balzac"; Émile Zola, "Chaudes-Aigues e Balzac"; Henry James, "Balzac"; Marcel Proust, "O caso Lemoine num romance de Balzac"; Anatole France, "Balzac"; Fernand Baldensperger, "Balzac, escritor universal"; Paul Bourget, "Balzac e o primo Pons"
- Herman Melville, Moby Dick. José Olympio, 1950
capa da edição de 1956
A propósito, comenta Mário Luiz Frungillo, aqui:
Sobre a tradução de Berenice Xavier, uma curiosidade: Na primeira edição, de 1950, faltavam as epígrafes sobre as baleias [...]. A falta foi notada por Augusto Meyer, em artigo sobre o centenário do romance (depois recolhido em Preto & Branco). Nas edições seguintes, a José Olympio reintroduziu as epígrafes, em tradução de Olívia Krähenbühl, e aproveitou também para incluir a "epígrafe que escapou" a Hermann Melville, encontrada por Meyer na Descrição da Ilha de Itaparica, do Frei Manuel de Santa Maria Itaparica.
- Frank Yerby, Turbilhão. José Olympio, 1952
- Theodore Harnberger, Os Estados Unidos através de sua literatura. Os Cadernos de Cultura, vol. 53. MES, Serviço de Documentação, 1953
- Frank Yerby, O tesouro do Vale Aprazível. José Olympio, 1956
- A.J. Cronin, Sob a luz das estrelas. José Olympio, 1957. Aqui é um caso interessante: a JO vinha publicando essa obra em tradução de Rubem Braga desde 1939, e já estava em sua sétima edição. Por alguma razão que ignoro, a editora resolveu contratar nova tradução, agora de Berenice, para sua oitava e subsequentes edições:
Como se vê, até essa data a editora para a qual Berenice traduz com maior frequência é a José Olympio. Em janeiro de 1959, o crítico e também tradutor Otto Schneider comenta em uma breve nota em sua coluna "Vida Literária", da revista mensal Vida Doméstica:
Berenice Xavier está traduzindo Absalão, Absalão, romance de William Faulkner, programado por José Olympio.Curiosamente, essa tradução - se é que chegou a ser concluída - nunca veio à luz; na verdade, teremos Absalão, Absalão no Brasil somente em 1981, pela Nova Fronteira, em tradução de Sônia Régis. Não sei o que pode ter ocorrido: algum impedimento por razão de saúde, algum desentendimento com a casa, talvez; o que sei é que Berenice deixou de fazer traduções para a José Olympio.
Nos anos 1960, suas traduções se tornam mais esporádicas, concentrando-se na Civilização Brasileira. Antes de vermos quais são, detenhamo-nos numa ocorrência que não consegui esclarecer, que exponho a seguir.
Berenice traduziu o conto "William Wilson", de Edgar Allan Poe. Encontro algumas referências (e eu mesma a citei alguns anos atrás em meu blogue dedicado a Poe no Brasil) dando essa sua tradução como integrante de uma antologia chamada Contos fantásticos, pela Nova Aguilar, em 1965. No checamento dos dados, porém, não consigo encontrar nenhum volume lançado pela Nova Aguilar com esse título. Ademais, em 1965 a Nova Aguilar já lançara a tradução de Milton Amado e Oscar Mendes de toda a prosa completa, poemas e ensaios de Poe, que a Globo publicara desde 1944. Não sei em que fonte se basearam os que citam um volume de Contos fantásticos pela NA em 1965, mas sinto-me tentada a crer que talvez se trate de um equívoco. De todo modo, o seguro é que "William Wilson" em tradução de Berenice Xavier consta no volume Histórias extraordinárias da Civilização Brasileira, de 1970.
Passemos agora a suas demais traduções:
- Ernest Hemingway, O sol também se levanta. Biblioteca do Leitor Moderno, v. 73. Civilização Brasileira, 1966
- Henry James, A herdeira. BUP, 1967 (a BUP pertencia também a Ênio Silveira, proprietário da Civilização)
- Isaac Babel, A cavalaria vermelha. Civilização Brasileira, 1969
- Shakespeare, Contos de Shakespeare. Adaptação de Charles e Mary Lamb. Contém: A tempestade; Sonho de uma noite de verão; Conto de inverno; Muito barulho por nada; Como quiseres; Dois fidalgos de Verona; O mercador de Veneza; Cimbelino; O rei Lear; Macbeth; Tudo é bom quando acaba bem; A megera domada, A comédia dos erros; Medida por medida; A Noite dos Reis, ou o que quiseres; Timos de Atenas; Romeu e Julieta; Hamlet, príncipe da Dinamarca; Otelo; Péricles, Príncipe de Tiro. Civilização Brasileira, 1970
Não deixa de haver uma certa justiça poética no fato de que Berenice encerre sua carreira tradutória por onde começou: em que pese serem adaptações, aqui retornam A megera domada e O mercador de Veneza, com que estreara na Athena em 1936 e 1937.
Para concluir, eis duas quadrinhas do poema "Ao sol da praia", de Carlos Drummond de Andrade, que saiu em jornal em 1957, depois apanhado em Versiprosa (1967):
Poesia? Canções, de Cecília.
Aventura? a Baleia Branca,
Moby Dick e sua quizília,
numa história que jamais cansa.
É tradução de Berenice
Xavier, sabes? portanto boa.
O vento do largo retine
neste livro, de popa a proa.
Agradeço a Berenice Xavier, sobrinha homônima, que muito gentilmente forneceu os dados biográficos de apresentação.
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