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22 de jun. de 2020

lívio xavier, fotos

cortesia da berenice xavier, sobrinha de lívio e da tia homônima


com benjamin péret 

com mário pedrosa

com antônio cândido

com vilanova artigas


23 de jun. de 2017

mais cinco autores e suas respectivas estreias em livro no brasil

Schopenhauer, 1887: 

O primeiro volume de Schopenhauer a ser publicado no Brasil em tradução brasileira foi Metaphysica do amor. Esboço sobre as mulheres (Pensamentos e fragmentos). A tradução ficou a cargo de Manuel Coelho da Rocha, muito provavelmente tomando por interposição a versão francesa de Jean Bourdeau (1880), Pensées e fragments. Foi publicada pela editora Laemmert em 1887.

A Semana, 1887, ed. 0144


Sua quarta edição em 1904, pela Bibliotheca Philosophica da Laemmert, vem, como consta em sua nova capa, "augmentada com um appendice sobre a pederastia". Essa tradução de M.C. da Rocha foi reeditada pela Cultura Moderna em 1938.



Para um histórico de Schopenhauer no Brasil, veja-se aqui.


Tolstói, 1890:

A obra que inaugurou Tolstói em livro no brasil foi A sonata de Kreutzer, em tradução de Visconti Coaracy. Foi publicada em 1890 pela B.-L. Garnier e serializada no Diário de Notícias logo após seu lançamento, de dezembro de 1890 a janeiro de 1891.

Essa edição se reveste de grande importância, e tanto maior por ter sido a primeira publicação em livro de um autor russo no Brasil, assim inaugurando a fértil bibliografia que veio a se multiplicar algumas décadas depois entre nós.

Infelizmente não obtive imagem de capa. Sobre a fortuna bibliográfica de Tolstói no Brasil, veja-se aqui.


Hegel, 1936:

A primeira obra integral de Hegel traduzida e publicada no Brasil foi a Enciclopédia das ciências filosóficas, em três volumes, pela Athena Editora, em 1936. A tradução coube a Lívio Xavier, e não me parece impossível que tenha sido feita a partir da tradução espanhola de Eduardo Ovejero y Maury. Teve diversas reedições.



Jane Austen, 1940:

Somente em 1940 sai no Brasil a primeira tradução de um livro de Jane Austen. Trata-se de Orgulho e preconceito, em tradução de Lúcio Cardoso. Teve inúmeras reedições e foi objeto de apropriação fraudulenta pela editora Best-Seller, como apontei aqui e aqui.


Para outras traduções feitas por Lúcio Cardoso, veja-se aqui.


Emily Dickinson, 1945:

Os primeiros poemas de Emily Dickinson a ser traduzidos e publicados em livro no Brasil foram "I never lost as much but twice", "I died for Beauty – but was scarce", "This quiet Dust was Gentlemen and …", "I never saw a Moor" e "My life closed twice before its close", apanhados na seção "Cinco poemas de Emily Dickinson" em Poemas traduzidos, por outro grande nome de nossas letras: Manuel Bandeira. Poemas traduzidos teve sua primeira edição em 1945, pela R.A. [Revista Acadêmica].




Vide também o post anterior sobre outros cinco autores aqui.

8 de ago. de 2015

acréscimo

em meu levantamento da bibliografia russa traduzida no brasil entre 1900 e 1950, concentrei-me em obras de literatura. mas creio que valeria a pena ter incluído as memórias de kropótkin, em torno de uma vida - memórias de um revolucionário. saiu em 1946, em tradução dos irmãos berenice e lívio xavier, pela josé olympio. fica o registro.




7 de nov. de 2014

espoliados

estas são algumas das pessoas que tiveram suas traduções, notas, introduções surripiadas ao longo dos anos e publicadas em edições espúrias de editoras inescrupulosas. infelizmente, uma lista completa haveria de ser bem mais extensa:

a. ambrósio de pina, s. j.
adolfo casais monteiro
alberto ferreira
almiro rolmes barbosa
alsácia fontes machado
álvaro de pinto aguiar
álvaro ribeiro
antónio ferreira marques
antonio piccarolo
antônio pinto de carvalho
araújo nabuco
artur morão
bandeira duarte
bento prado jr.
"blasio demétrio" (pseud. de fúlvio abramo)*
boris schnaiderman
brenno silveira
bruno da ponte
cabral do nascimento
carlos chaves
carlos graieb
carlos porto carreiro
casimiro fernandes
christina amélia assis de carvalho
costa neves
denise bottmann
e. jacy monteiro
eça de queiroz
edgard cavalheiro
eglantina santi
erwin theodor rosenthal
eudoro de souza
eugênio amado
éverton ralph
felix sanchez
fernando de aguiar
fernando carlos de almeida cunha medeiros
floriano de souza fernandes
francisco inácio peixoto
frederico ozanam pessoa de barros
galeão coutinho
georges selzoff
gerd bornheim
godofredo rangel
guilherme de almeida
gulnara lobato
hebe caletti marenco
helga hoock quadrado
henrique lopes de mendonça
henrique marques ("pandemónio")
hernâni donato
ieda moriya
isabel sequeira
ivan emilianovitch schawirin
j. oliveira santos, s.j.
jacó guinsburg
jaime bruna
jamil almansur haddad
joão lopes alves
joão ângelo oliva neto
joão baptista de mello e souza
joão paulo monteiro
joaquim dá mesquita paul
joaquim machado
jorge camacho
josé duarte
josé tavares bastos
josé augusto drummond
josé laurênio de mello
josé marcos mariani de macedo
josé mendes de souza
juarez guimarães
júlio de matos ibiapina
leila villas boas gouvêa
leonel vallandro
leonidas hegenberg
leonor de aguiar
líbero rangel de andrade
líbero rangel de tarso
ligia junqueira smith
liliana rombert soeiro
lívio xavier
lourival de queiroz henkel
lúcia miguel-pereira
lúcio cardoso
luís de andrade
luís leitão
luísa derouet
luiz costa lima
luiz macedo
manuel dias duarte
manuel odorico mendes
marcílio marques moreira
marcos santarrita
margarida garrido esteves
maria beatriz nizza da silva
maria francisca ferreira de lima
maria helena rocha pereira
maria irene szmrecsányi
maria isabel gonçalves tomás
mário quintana
mécia mouzinho de albuquerque
milton amado
moacyr werneck de castro
modesto carone
monteiro lobato
"n. meira"
natália nunes
neide smolka
octany silveira da mota
octavio mendes cajado
olinda gomes fernandes
orlando vitorino
oscar mendes
"paulo m. oliveira" (pseud. de aristides lobo)*
paulo quintela
paulo rónai
pedro josé leal
péricles eugênio da silva ramos
raul de polillo
ricardo iglésias
rodrigo richter (provável pseudônimo)
ruth guimarães
sarmento de beires
sérgio milliet
silvio deutsch
silvio meira
sodré viana
suely bastos
tamás szmrecsányi
tito marcondes
tomé santos júnior
vera pedroso
vidal de oliveira
waltensir dutra
wilson lousada
wilson velloso
wladimir gomide
ymaly salem chammas

"blasio demétrio" era pseudônimo de fúlvio abramo, que traduziu vida nova na prisão, "juntamente com um outro preso", a saber, aristides lobo, que usava o pseudônimo de "paulo m. oliveira" - ver aqui

26 de dez. de 2013

maquiavel entre trotskistas e militares

o primeiro maquiavel entre nós é  o príncipe, lançado no mesmo ano de 1933 por duas editoras, ambas de importante papel na história da esquerda brasileira.
pela calvino filho, em tradução de elias davidovich, da qual não restou muita memória:

pela unitas, em tradução de lívio xavier, a qual se tornou a mais amplamente difundida e constantemente reeditada até a data de hoje:


a athena, outra importante editora de esquerda dos anos 30 aos anos 50, a partir de c.1938 relançou o príncipe na tradução de lívio xavier em várias reedições; em 1940, também em tradução de lívio, publicou  escritos políticos de maquiavel.

em curioso contraste, a arte da guerra de maquiavel é lançada pela primeira vez no brasil em 1944, na coleção "biblioteca clássica de cultura militar", a cargo do coronel j.b. magalhães, da editorial peixoto, em tradução do também coronel renato b. nunes:



sobre maquiavel, em especial o príncipe, no brasil, ver aqui.

31 de mar. de 2013

thomas mann no brasil

até onde consegui apurar, o ingresso de thomas mann no brasil se dá em 1934, com três livros em rápida sequência.
  • tonio kröger, pela editora guanabara, em tradução de charlotte von orloff; 
  • a morte em veneza, também pela guanabara, em tradução de moysés gikovate;
  • mario e o mágico, em tradução de zoran ninitch, pela machado & ninitch



















é difícil saber a ordem exata de lançamentos. no jornal correio paulistano, há uma nota bibliográfica sobre tonio em 13/10/34; em 18/10, saem notas bibliográficas sobre os outros dois. ocorre, porém, que na notícia de 13/10 já havia menção à existência dessas três traduções. sobre morte em veneza, meira olydio, o articulista, comenta: “a traducção, si não é primorosa, também não chega a fazer vergonha a quem a assigna”. infelizmente não consegui imagem de capa. [atualizado em 07/04/13] - aliás, localizei uma resenha de mario e omágico datada de 26 de agosto de 1934, no carioca diário de notícias, na coluna de renato de alencar. [06/06/13]


em 1940, a livraria martins publica o pensamento vivo de schopenhauer, apresentado por thomas mann, em tradução de pedro ferraz do amaral:


em 1942, temos os buddenbrook - decadência duma família, em tradução de herbert caro, na coleção nobel da globo. terá várias reedições em outras editoras, como a bruguera, o círculo do livro e a nova fronteira.



em 1943, sai uma estranha montanha mágica em tradução em nome de um irrastreável otto silveira, pela panamericana (epasa), faltando trechos. veja aqui.

observação: trata-se de otto schneider - vide aqui


em 1944, sai outra tradução de a morte em veneza, agora de lívio xavier, pela editora flama, como segundo volume de sua coleção "romance do século".



em 1944, o cruzeiro publica uma coletânea de artigos contra o nazismo, os 10 mandamentos e um certo sr. hitler. entre eles está o texto de mann, "não terás outros deuses em minha presença", em tradução de millôr fernandes:



em 1945, temos as cabeças trocadas - uma lenda hindu, na coleção tucano da livraria do globo, em tradução de liane de oliveira e e. carrera guerra:



a partir de 1947, a globo lança a tetralogia de josé e seus irmãos em sua coleção nobel, com tradução de agenor soares de moura: vol. 1, josé e seus irmãos (1947); 2. o jovem josé (1948); 3. josé no egito (1949); 4. josé, o provedor (1951). [nos anos 80, já então na nova fronteira, o título do primeiro volume será retificado para as histórias de jacó.] aqui falta a capinha do primeiro volume.



atualização em 27/5/13: agora não falta mais, graças a saulo von randow jr., que, numa iniciativa incrível, conseguiu a imagem de capa nada menos do que na biblioteca do congresso dos eua:



em 1952, temos a montanha mágica, em tradução de herbert caro, pela globo, coleção nobel. foi reeditada pelo círculo do livro; atualmente está no catálogo da nova fronteira.



em 1953, a pongetti publica sua alteza real em tradução de marina guaspari:



em 1957, sai "tobias mindernickel" nas obras-primas do conto moderno (org. almiro rolmes barbosa), pela martins, porém sem indicação do tradutor.*



ainda em 1957, "o pequeno senhor friedemann", em maravilhas do conto alemão, pela cultrix. como era a praxe nessa coleção de maravilhas, a cultrix não apresenta os créditos.* 


em 1959, temos "o armário", em maravilhas do conto amoroso, pela cultrix. idem.



em 1959, "o palhaço", em maravilhas do conto universal, pela cultrix, com tradução em nome de fernando correia da silva. 


* tanto "tobias mindernickel" quanto "o pequeno senhor friedemann" foram publicados na antologia as melhores novelas de thomas mann em 1948, pela editora hélio, de lisboa, em seleção e tradução de maria da paz marques ferreira e elysio correia ribeiro. valeria a pena consultá-los para ver se correspondem às traduções anônimas lançadas pela martins e pela cultrix.

em 1958, saem as traduções de maria deling para tônio kroeger e a morte em veneza, num só volume, pela boa leitura, em sua coleção "grandes autores". terão várias reedições pela abril a partir de 1971 e pela hemus em 1975. aqui em capa de 1960:



em 1962, temos alguma coisa em contos alemães, sem créditos de tradução, na coleção de jacob penteado, "primores do conto universal", pela edigraf.


também pela boa leitura, temos em 1963 as confissões de félix krull em tradução lusitana de domingos monteiro (reeditado pela hemus em 1975):



ainda em 1963, sai "gladius dei" no mar de histórias, volume 4, em tradução de paulo rónai e aurélio buarque de hollanda, pela josé olympio. o conto será incluído na edição da delta de 1965, citada mais abaixo. não localizei imagem de capa. aqui, na edição ampliada de 1999 (vol. VIII).




em 1964, sai "tobias mindernickel" numa antologia da literatura mundial publicada pela editora logos. não sei se é a mesma tradução publicada em 1957 pela martins.


em 1965, temos a publicação de morte em veneza, tristão gladius dei pela delta. os dois primeiros são em tradução de herbert caro, e a tradução de gladius dei é a de rónai/hollanda, de 1963, acima citada. o dado não é apresentado na página de rosto, mas consta no interior do livro. o volume foi reeditado em 1970 pela opera mundi.




a título de curiosidade, cito uma revista: em 1967, "gladius dei" sai no livro de cabeceira do ano, ano 1, vol. 4 , da civilização brasileira - não sei se é a mesma tradução de rónai/hollanda.








em 1975, mário e o mágico, pela artenova, em tradução de cláudio leme. contém: "mário e o mágico", "experiências ocultas", "doce sono", "a queda", "a vontade de felicidade", "a morte", "a vingança", "anedota", "dezesseis anos". teve várias reedições pelo círculo do livro.



em 1975, sai a correspondência entre amigos (thomas mann e herman hesse), em tradução de lya luft, pela record:






entre 1981 e 1987, a nova fronteira lança várias obras de mann, a começar por confissões do impostor félix krull, em tradução de lya luft.


em 1982, os famintos e outras histórias, também em tradução de lya luft. o conto "tobias mindernickel" é reeditado em 2007 na antologia os melhores contos de cães e gatos, pela ediouro.





em 1984, carlota em weimar, em tradução de vera mourão.




em 1984, doutor fausto em tradução de herbert caro, para mim a obra mais abismalmente assombrosa de mann. saiu também pelo círculo do livro e pela record/altaya.






ainda em 1984, surgem novas traduções de morte em veneza e tonio kröger, agora de eloísa ferreira araújo silva (e também pelo círculo do livro a partir de 1987).




em 1985, sua alteza real, em nova tradução de lya luft.




em 1987, as cabeças trocadas - uma lenda indiana, em nova tradução de herbert caro.







em 1988, temos o volume ensaios (são oito), em seleção de anatol rosenfeld, pela perspectiva, com tradução de natan robert zins:



em 1989, vale uma menção ao posfácio de mann a a história maravilhosa de peter schlemihl, de adelbert chamisso, pela estação liberdade.





entre 2000 e 2001, a mandarim, selo da arx, lança quatro títulos, a começar por o eleito, em tradução de lya luft.



em 2001, duas novelas - a lei e a enganada, também em tradução de lya luft.






em 2001, seis primeiras histórias, em tradução de ricardo f. henrique. são elas: “visão”, “decaída”, “desejo de felicidade”, “a morte”, “vingada” e “anedota”.


ainda em 2001, a gênese do doutor fausto, também em tradução de ricardo f. henrique.








em 2004, mais um "tobias mindernickel", agora em tradução de marcelo backes, em escombros e caprichos - o melhor do conto alemão no século 20, pela l&pm.







em 2009, ouvintes alemães! discursos contra hitler (1940-1945), em tradução de antonio carlos dos santos e renato zwick, pela zahar:



em 2011, o escritor e sua missão: goethe, dostoievski, ibsen e outros, em tradução de kristina michahelles, também pela zahar:


sem dúvida, deve haver vários contos em diversas antologias. à medida que localizá-los, acrescentarei aqui.

atualização em 02/04/2013: fiz algumas retificações e vários acréscimos ao post, graças à gentil contribuição de mário luiz frungillo, que pode ser vista nos comentários.

atualização em 02/02/2016: a companhia das letras, em sua coleção de obras de thomas mann, publica em 2015 uma nova tradução de tonio kröger, a cargo de mario luiz frungillo. a novela vem no volume que traz a morte em veneza (esta em reedição da tradução de herbert caro).