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19 de abr. de 2017

um triste rubaiyat


OS RUBAIYAT DE MANUEL BANDEIRA E DE TORRIERI GUIMARÃES

Denise Bottmann

Um componente da história da tradução – sobretudo literária – no Brasil que nunca cessa de nos surpreender é o plágio de tradução. Os casos pipocam pelo menos desde os alvores do século XX (o primeiro caso documentado de que tenho notícia recua a 1903) e, embora tenham se reduzido muito na última década, volta e meia descobrem-se casos até então desconhecidos ou surgem novas ocorrências.

Em termos muito gerais, o plágio de tradução no Brasil consiste em três ou quatro procedimentos bastante simples: para determinada obra que se pretenda publicar, normalmente caída em domínio público, recorre-se a alguma tradução já existente, seja portuguesa, seja brasileira. Em se tratando de tradução brasileira, prefere-se uma antiga, feita por tradutor já falecido, publicada por alguma editora muitas vezes extinta. Toma-se essa tradução, elimina-se o nome do verdadeiro tradutor e se a publica atribuindo sua autoria a outro nome, que pode ser real ou fictício. Pode-se ter a pura e simples reprodução intocada do texto ou sua modificação com pequenas alterações aqui e ali – geralmente nas primeiras páginas ou em início de parágrafos – a fim de tentar disfarçar a cópia. Um exemplo é a célebre tradução de Les Fleurs du mal, de Charles Baudelaire, feita por Jamil Almansur Haddad, publicada em 1958 pela extinta editora Difel, e republicada com algumas toscas adulterações em 2001 pela editora Martin Claret, com o nome real de Pietro Nassetti.[1]

Raros, raríssimos são os plágios de traduções lançadas poucos anos antes e ainda ativas em catálogo. No entanto, existem. E é um caso desses que pretendo abordar. 

Em 1966, a editora carioca Tecnoprint, atual Ediouro, publicou O Rubaiyat de Omar Khayyam com tradução de Manuel Bandeira. No final dos anos 1970, a editora paulista Hemus publicou o volume Rubaiyat, de Omar Khayyam, com tradução atribuída a Torrieri Guimarães.
Aqui cabe uma brevíssima explicação. Os ruba’i (quadras ou quartetos) do matemático, astrônomo e poeta persa Omar Khayyam, do século XI, passaram a ser conhecidos no Ocidente a partir do século XIX, principalmente com a tradução de Edward Fitzgerald para o inglês, em versos, em 1859, com 75 ruba’i (posteriormente aumentados para 100). Outra tradução que se tornou muito conhecida foi a de Franz Toussaint, em francês e em prosa, de 1924, com 170 ruba’i.  São essas duas traduções, a de Fitzgerald e a de Toussaint, que costumam servir de referência para as inúmeras traduções indiretas dos poemas de Khayyam em diversas línguas.

No Brasil, a primeira tradução do Rubaiyat é a de Octavio Tarquinio de Souza, feita a partir do texto de Toussaint, publicada em 1928 e que ainda se encontra em circulação, com inúmeras reedições.
Como a tradução de Toussaint está vazada em prosa, tomá-la como texto de interposição significa normalmente que a tradução indireta também será em prosa. E aí temos a primeira peculiaridade da tradução de Manuel Bandeira, o qual, assim como Tarquínio, partiu de Toussaint, porém convertendo sua prosa em quadras. Nisso poderíamos ver, talvez, uma tentativa de se reaproximar, ao menos em parte, da forma poética original. Mas deixemos a exegese para outra hora. O que importa notar é que Torrieri Guimarães – o qual afirma que “A tradução que fizemos está rigorosamente baseada [grifo meu] na tradução de Toussaint” – também converte sua prosa em quadras.

Ademais, a tradução de Bandeira apresenta outra peculiaridade. Adotando a forma poética da quadra para a prosa corrida de Toussaint, ele não se limita a uma quadra. Aqui cabe notar que o ruba’i na tradição persa é uma forma poética rigorosa, um breve poema composto por quatro versos apenas [daí seu nome, como já dissemos], com várias classificações internas quanto ao tipo de metrificação e com o predomínio da rima no primeiro, segundo e quarto versos, o terceiro sendo branco, tal como a usa Khayyam. Bandeira adota a quadra – salvo em três ruba’i montados em quintilha –, mas não se restringe a uma estrofe, e recorre a metros variados. Seus ruba’i, se ainda assim pudermos nos referir a poemas com número variável de estrofes, metrificação diversificada e versos brancos, apresentam de um a quatro quartetos, além das três quintilhas citadas (137, 142 e 143).

Torrieri Guimarães, salvo algumas exceções que não chegam a dez por cento dos 170 ruba’i em questão, mantém exatamente o mesmo número de estrofes usadas por Bandeira para cada poema.[2]
Vejamos um exemplo, o ruba’i 102:

Manuel Bandeira:

Quando eu deixar de existir,
Não existirão mais rosas,
Ciprestes, lábios vermelhos,
Canções, vinho perfumado...

Não haverá mais auroras,
Não haverá mais crepúsculos,
Não haverá mais amores,
Nem penas, nem alegrias.

O mundo será abolido,
Pois do nosso pensamento
É que a sua realidade
Depende exclusivamente.


Torrieri Guimarães:

Quando eu não mais existir
Não existirão mais rosas,
Ciprestes, bocas vermelhas,
Nem vinho tão perfumado...

Não existirão auroras,
Nem crepúsculos também,
Não existirão amores,
Nem alegrias, nem dores.

O mundo estará abolido,
Pois de nosso pensamento
É que sua realidade
Depende, dele somente.

Agora, vejamos Toussaint:

Quand je ne serai plus, il n'y aura plus de roses, de cyprès, de lèvres rouges et de vin parfumé. Il n'y aura plus d'aubes et de crépuscules, de joies et de peines. L'univers n'existera plus, puisque sa réalité dépend de notre pensée.
                  
Isso do ponto de vista do número de estrofes. Passemos ao teor. Se em “Quand je ne serai plus, il n'y aura plus de roses, de cyprès, de lèvres rouges et de vin parfumé” podemos ver que Bandeira, para manter o metro em heptassílabos, acrescentou “canções”, do que se absteve Torrieri, por outro lado “Não existirão auroras,/ Nem crepúsculos também,/ Não existirão amores,/ Nem alegrias, nem dores” está visivelmente mais próximo de “Não haverá mais auroras,/ Não haverá mais crepúsculos,/ Não haverá mais amores,/ Nem penas, nem alegrias” do que de “Il n'y aura plus d'aubes et de crépuscules, de joies et de peines”. O mesmo se pode dizer quanto à proximidade maior de “O mundo estará abolido,/ Pois de nosso pensamento/ É que sua realidade/ Depende, dele somente” com “O mundo será abolido,/ Pois do nosso pensamento/ É que a sua realidade/ Depende exclusivamente” do que com “L'univers n'existera plus, puisque sa réalité dépend de notre pensée”.

Outro exemplo ilustrando essa proximidade é o acréscimo do terceiro verso em Bandeira, retomado com ligeira alteração em Torrieri, no ruba’i 113:

Bandeira

Pedi numa taverna a um velho sábio
Que sobre os mortos algo me ensinasse.
“O que há de certo é que não voltarão”,
Disse. “É tudo o que sei. Bebe o teu vinho!”


Torrieri

Pedi numa taverna a um idoso sábio
Que algo sobre os defuntos me ensinasse.
“O certo é que não mais retornarão”,
Disse. “É tudo o que sei. Bebe teu vinho!”


Eis Toussaint:

Dans une taverne, je demandais à un vieux sage de me renseigner sur ceux qui sont partis. Il m'a répondu: “Ils ne reviendront pas. C'est tout ce que je sais. Bois du vin!”

Vejamos agora o ruba’i 61, como exemplo de omissão de termos ou frases em relação ao texto de Toussaint:

Bandeira

Só conhecemos da ventura o nome.
Nosso mais velho amigo é o vinho novo
Afaga o único bem que não engana:
A urna cheia do sangue dos vinhedos.


Torrieri

Sabemos da Ventura só o nome.
Nosso amigo mais velho é o vinho novo.
Acaricia o bem que não engana:
A urna cheia com sangue das vinhas.


Toussaint

Du bonheur, nous ne connaissons que le nom. Notre plus vieil ami est le vin nouveau. Du regard et de la main, caresse notre seul bien qui ne soit pas décevant: l'urne pleine du sang de la vigne.

Ou, ainda, o ruba’i 114:

Bandeira

Olha! Escuta! Na brisa uma rosa estremece.
Um rouxinol canta-lhe um hino apaixonado.
Uma nuvem parou. Bebe, e esquece que a brisa
Desfolha a rosa, leva o canto e a fresca nuvem.

Torrieri

Olha! Escuta! Uma rosa estremece na brisa.
Um rouxinol lhe canta um hino apaixonado.
Uma nuvem parou. Bebe, esquece que a brisa
A rosa despetala e leva o canto e a nuvem.

Toussaint

Regarde! Écoute! Une rose tremble dans la brise. Un rossignol lui chante un hymne passionné. Un nuage s'est arrêté. Buvons du vin! Oublions que cette brise effeuillera la rose, emportera le chant du rossignol et ce nuage qui nous donne une ombre si précieuse.

Note-se que “Du regard et de la main” está ausente em ambos os casos do ruba’i 61 e a oração inteira “qui nous donne une ombre si précieuse” desaparece do ruba’i 114.

Por tais exemplos, fica evidente que Torrieri se baseou em Bandeira, não em Toussaint, tanto na variada forma poética adotada na tradução quanto no conteúdo vocabular dos poemas, com idênticos acréscimos ou omissões em relação a Toussaint.

Poderíamos nos estender longamente sobre dezenas e mais dezenas de outros exemplos, mas creio que os apresentados bastam para mostrar que o procedimento adotado por Torrieri Guimarães em sua pretensa tradução consistiu basicamente em adotar as soluções de Manuel Bandeira, procedendo a modificações de superfície, seguindo um padrão simples e constante, com inversão de palavras e ocasional substituição de termos por sinônimos (“mortos” por “defuntos”, “desfolha” por “despetala”, “exclusivamente” por “somente”, “afaga” por “acaricia” e assim por diante). Sua fidelidade chega ao ponto de apresentar o ruba’i 165 com o 2º. e o 4º. versos recuados, tal como em Bandeira.[3]

Se cópias maquiadas não são fatos inéditos na história da tradução no Brasil, o caso do Rubaiyat vem caracterizado por uma invulgar singeleza: Bandeira lançara sua tradução em 1966, morrera em 1968, seu Rubayat continuava em viçosa circulação; mal passada uma década, os leitores foram brindados com uma versão toscamente copidescada dos ruba’i da lavra tradutória bandeiriana. Se algum consolo há, é o de que a tradução espúria nunca alcançou grande repercussão e não deixou muita memória. Fique, porém, registrada a ocorrência.


  
AGRADECIMENTOS

Devo a descoberta dessa fraude a Willamy Fernandes, a quem agradeço vivamente a gentileza em tê-la compartilhado comigo.                                                                                  



ANEXO

Segue-se a listagem dos únicos catorze ruba’i, dentre o total de 170, que apresentam discrepância na quantidade de estrofes usadas por Manuel Bandeira (MB) e por Torrieri Guimarães (TG). Na coluna da esquerda, encontra-se o número do poema; na coluna central, o número de quadras usado por Bandeira; na coluna da direita, o número de quadras usado por Torrieri.

Ruba’i             MB                  TG

10                    1                      2
28                    4                      3
32                    2                      1
53                    1                      2
59                    1                      2
66                    1                      2
73                    1                      2
76                    1                      2
90                    2                      1
93                    2                      1
115                  1                      2
146                  2                      1
147                  2                      1
148                  2                      1





[1] Veja-se o artigo Flores roubadas do jardim alheio, do poeta e tradutor Ivo Barroso, disponível em http://www.jornaldepoesia.jor.br/ibarroso3.html. 
[2] Vide o Anexo.
[3] Uma ressalva: alguns dos ruba’i com tradução em nome de Torrieri Guimarães afastam-se claramente da versão de Manuel Bandeira e mesmo da de Franz Toussaint, por exemplo o de número 93. Como são poucas ocorrências esparsas, não chegam a afetar o fato principal exposto neste artigo: sua dita tradução, ao contrário do que afirma ele, não vem “rigorosamente baseada” na de Toussaint, e sim na de Bandeira. 


Este artigo foi publicado em InComunidade, ano 4, n. 55, abril de 2017, aqui.

garfada do rubaiyat de manuel bandeira



a partir de uma preciosa indicação de willamy fernandes, em seus valiosos comentários aqui, escrevi um breve artigo,
"os rubaiyat de manuel bandeira e de torrieri guimarães", que foi publicado agora em abril pela revista cultural digital InComunidade, em seu número 55. o artigo está disponível aqui.


11 de jun. de 2016

manuel bandeira tradutor, ilustrado IV

Aqui retomo em partes a postagem sobre as obras de tradução de Manuel Bandeira, que publiquei aqui, agora incluindo imagens de capa das edições. Esta é a última parte.

Biografia e ensaio:

Educação do caráter, de Jean des Vignes Rouges. São Paulo: Nacional, 1936.



A vida de Shelley, de André Maurois. São Paulo: Nacional, 1936 (com sucessivas reedições e reimpressões, atualmente pela Record com o título Ariel ou a vida de Shelley).



A vida secreta de d’Annunzio, de Tom Antongini. São Paulo: Nacional, 1939.



As grandes cartas da história, desde a Antiguidade até os nossos dias, de M. Lincoln Schuster. São Paulo: Nacional, 1942.



Um espírito que se achou a si mesmo, de Clifford Whittingham Beers. São Paulo: Nacional, 1942 (com sucessivas reedições e reimpressões).



A aversão sexual no casamento: como se forma, como combatê-la, de Theodoor H. van de Velde. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1953.



Reflexões sobre os Estados Unidos, de Jacques Maritain. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1959.



Vide também "manuel bandeira tradutor, ilustrado I", aqui; "manuel bandeira tradutor, ilustrado II", aqui, e "manuel bandeira tradutor, ilustrado III",  aqui.

8 de jun. de 2016

manuel bandeira tradutor, ilustrado III

Aqui retomo em partes a postagem sobre as obras de tradução de Manuel Bandeira, que publiquei aqui, agora incluindo imagens de capa das edições. 

Romance:

O calendário, de Edgar Wallace. São Paulo: Nacional, 1934.



O tesouro de Tarzan, de Edgar Rice Borroughs. São Paulo: Nacional, Coleção Terramarear, 1934 (com sucessivas reedições).



Nômades do Norte, de James Oliver Curwood. São Paulo: Nacional, 1935.



Tudo se paga, de Elinor Glyn. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1935 (com sucessivas reedições). Aqui, imagem de capa da edição de 1956, já na Biblioteca das Moças:



Mulher de brio, de Michael Arlen. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, [19--]. Não localizei imagem de capa. O original se chama Green Hat, mas foi adaptado com grande sucesso para o cinema em 1928 como A Woman of Affairs, estrelado por Greta Garbo, e lançado no Brasil com o nome de Mulher de brio. Sem dúvida foi esta a razão de se adotar o título brasileiro do filme para o livro.



Minha cama não foi de rosas: diário de uma mulher perdida, de O.W. [Marjorie Erskine Smith]. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, Biblioteca da Mulher Moderna, 1936.



Aventuras maravilhosas do Capitão Corcoran, de Alfred Assolant. São Paulo: Nacional, 1936 (com sucessivas reedições).



Gengis-Khan, de Hans Dominik. São Paulo: Nacional, 1936.



O túnel transatlântico, de Bernhard Kellermann. São Paulo: Nacional, 1938.



Seu único amor, de Elino Glyn. São Paulo: Nacional, 1948 (com sucessivas reedições). Aqui, imagem de capa da edição de 1956, já na Biblioteca das Moças:



A prisioneira, de Marcel Proust. Porto Alegre: Globo, 1951. Em cotradução com Lourdes Sousa de Alencar (com sucessivas reedições).



Vide também "manuel bandeira tradutor, ilustrado I", aqui, e "manuel bandeira tradutor, ilustrado II", aqui.

manuel bandeira tradutor, ilustrado II

Aqui retomo em partes a postagem sobre as obras de tradução de Manuel Bandeira, que publiquei aqui, agora incluindo imagens de capa das edições. 

 Teatro:

O fazedor de chuva, Richard Nash (1957, inédita em livro). [Sobre o espetáculo, vide aqui. Abaixo, imagem do programa da peça]



Colóquio-Sinfonieta, de Jean Tardieu (1958, inédita em livro).

A casamenteira, de Thornton Wilder (1959, inédita em livro).

D. João Tenório, de José Zorrilla. Rio de Janeiro: Revista dos Tribunais, 1960. Infelizmente a foto da capa está cortada.



• Pena ela ser o que é, de John Ford (1964, inédita em livro).

O advogado do diabo, de Morris West (1964, inédita em livro).

Juno e o pavão, de Sean O’Casey. São Paulo: Brasiliense, 1965.



Os verdes campos do Éden, de Anônio Gala. Petrópolis: Vozes, Coleção Diálogo da Ribalta, 1965.



A fogueira feliz, de Martín Descalzo. Petrópolis: Vozes, Coleção Diálogo da Ribalta, 1965.



Edith Stein na câmara de gás, de Gabriel Cacho. Petrópolis: Vozes, Coleção Diálogo da Ribalta, 1965.



A máquina infernal, de Jean Cocteau. Petrópolis: Vozes, Coleção Diálogo da Ribalta, 1967.



O círculo de giz caucasiano, de Bertold Brecht. São Paulo: Cosac Naify, 2002.



Vide também "Manuel Bandeira tradutor, ilustrado I", aqui.

manuel bandeira tradutor, ilustrado I

Aqui retomo em partes a postagem sobre as obras de tradução de Manuel Bandeira, que publiquei aqui, agora incluindo imagens de capa das edições.

  Poesia e teatro em verso:
Poemas traduzidos, Rio de Janeiro: Revista Acadêmica, 1945; 2. ed. aumentada. Porto Alegre: Livraria Globo, 1948; 3. ed. revista e aumentada. Rio de Janeiro: José Olympio, Coleção Rubaiyát, 1956; 4. ed., 1976; Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1966 (a partir de 1966, com sucessivas reedições pela Ediouro e nas reedições e reimpressões de Estrela da vida inteira); Poesia Completa e Prosa, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2009.  Abaixo, imagens das edições da Revista Acadêmica, 1945, e da Globo, 1948:



Maria Stuart, de Schiller. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, Coleção Obras Imortais, 1, 1955; Rio de Janeiro: Tecnoprint, [197-]; São Paulo: Abril Cultural, 1983 (também em Poesia e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1958, verso1). Abaixo, imagens das edições da Civilização em 1955 e em 1958:



Auto Sacramental do Divino Narciso, de Soror Juana Inés de la Cruz. In: BANDEIRA, Manuel. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1958, verso 1 ( 2. ed. em Estrela da tarde, 1963).


Macbeth, de Shakespeare. Rio de Janeiro: José Olympio, Coleção Rubaiyát, 1961. São Paulo: Brasiliense, 1989 (também em Poesia e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1958, verso 1, e com sucessivas reedições pela Brasiliense). Abaixo, imagem de capa na Coleção Rubaiyát, 1961:



Mireia, de Frédéric Mistral. Rio de Janeiro: Delta, 1962.





Prometeu e Epimeteu, de Carl Spitteler. Rio de Janeiro: Delta, 1963. 2. ed. Rio de Janeiro: Ópera Mundi, 1971.



Rubaiyat, de Omar Khayyam. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1965 (com sucessivas reedições e reimpressões). [Nota: Na verdade, foi lançada originalmente pela BUP, em 1964 - DB]



Poesias escolhidas, de Juan Ramón Jiménez. In: JIMÉNEZ, Juan Ramón. Platero e eu. Rio de Janeiro : Delta, 1969.

•  Torso arcaico de Apolo, de Rainer Maria Rilke. Salvador: Dinamene, [197-]. Vale a pena ler o artigo de Ivo Barroso sobre o poema de Rilke e a tradução de Bandeira, aqui.

Alguns poemas traduzidos. Rio de Janeiro: José Olympio, Coleção Sabor Literário, 2007.



9 de mai. de 2016

Coleção Rubaiyát, II




Cito agora uma ocorrência curiosa: na listagem dos títulos publicados pela coleção que vem ao final de cada volume (aliás, no início essa listagem vinha no começo), consta entre eles Carlos Drummond de Andrade, com Poesia Errante, que enfeixaria poemas de diversos autores traduzidos por ele. É o que se pode constatar, por exemplo, na listagem presente em O livro dos provérbios (1950) ou em O Gitanjali (5a. ed., 1950), o quarto título contando de baixo para cima, na segunda página da listagem reproduzida acima:


Ocorre que a José Olympio jamais lançou essa Poesia Errante contendo as traduções de Drummond. Lembra Júlio Castañon Guimarães, em sua introdução ao volume publicado pela Cosac Naify - este sim - com a Poesia traduzida de Carlos Drummond de Andrade, que ainda em 29 de janeiro de 1955 o jornal carioca Tribuna da Imprensa  noticiava a intenção da editora:
A Livraria José Olympio vai editar as traduções de poemas estrangeiros feitas por Manuel Bandeira, objeto de um lançamento há quase dez anos, sob o título de Poemas Traduzidos. [...] A mesma livraria anuncia também os poemas traduzidos de Carlos Drummond de Andrade, intitulado Poesia Errante.

Com efeito, a José Olympio publicou em 1956, pela Coleção Rubaiyát, o volume de Bandeira, mas não o de  Drummond. Fica o alerta de que a listagem de títulos constante nos vários volumes da coleção nem sempre correspondia  ao  que já fora efetivamente publicado e, pelo menos neste caso, nem veio a sair. De todo modo, como mostra a publicação da Poesia Traduzida de Bandeira, é interessante notar que o destaque da obra é dada sobretudo a ele e a seu trabalho de tradução poética.

Outro exemplo, embora de menor importância, é o subtítulo de Cancioneiro do Amor, obra em dois volumes organizados por Wilson Lousada: na listagem consta (As mais belas poesias da literatura brasileira), ao passo que os exemplares impressos trazem Os mais belos versos da poesia brasileira.





Outra ocorrência similar se refere ao subtítulo da Nietzschiana com seleção e tradução de Alberto Ramos: (Antologia de toda a obra de Nietzsche) na listagem; Textos escolhidos na obra do autor de "Assim Falou Zaratustra" nos volumes impressos.




Veja Coleção Rubaiyátaqui.


8 de mai. de 2016

Coleção Rubaiyát


A editora José Olympio manteve durante um tempo uma coleçãozinha que era um mimo, a Rubaiyát, em formato in-16, impressa em papel bouffon e belamente ilustrada ou com graciosas vinhetas, em capa dura, com a lombada em couro marroquim se estendendo por três centímetros na frente e no verso da capa, com letras e vinhetas douradas. 

A coleção se estendeu por quase vinte anos (de 1942 a 1961), e lançou 47 títulos num total de 50 volumes, embora de maneira um tanto salteada. Às vezes passavam-se dois ou três anos sem sair nada, depois vinham uns três ou quatro lançamentos; às vezes também apenas relançavam títulos que já tinham saído alguns anos antes pela própria editora ou por outras, e assim por diante.

O catálogo era bem variado, mas com certo predomínio da chamada “poesia oriental”, como, aliás, vem indicado no próprio nome da coleção. Na verdade, a José Olympio já vinha mantendo uma iniciativa um tanto esporádica, chamada “Série de Poemas Orientais”, pela qual saíram sete títulos entre 1938 e 1942. Tenho para mim que a Coleção Rubaiyát foi uma espécie de formalização dessa série como um projeto editorial mais consistente. Nessa linha de perfil mais oriental, ela publicou várias coisas de Tagore, Saadi, Hafiz etc. Outra linha na coleção que também se destacava, em menor escala, baseava-se em textos bíblicos, em particular do Antigo Testamento: Jó, Eclesiastes, livros atribuídos a Salomão etc.

Mas a Coleção Rubaiyát trouxe também várias coisas inéditas - entre elas destaca-se O vento da noite, livro de poemas de Emily Brontë, em tradução de Lúcio Cardoso. Aliás, o time de tradutores da Rubaiyát não deixava nada a desejar: além de Lúcio Cardoso, havia também Manuel Bandeira, Octavio Tarquínio de Souza, Guilherme de Almeida, Lúcia Miguel-Pereira, Abgar Renault, Geir Campos, Aurélio Buarque de Hollanda, Oswaldino Marques, Adalgisa Nery e outros.

Seguem abaixo, por ordem alfabética de autor, os títulos publicados na coleção e várias imagens de capa. Os sete títulos publicados antes na Série de Poemas Orientais trazem esse dado especificado entre colchetes, bem como o ano inicial de sua publicação. São 47 títulos, compondo ao todo 50 volumes.
  1. ·         Aires, Matias. Reflexões sobre a Vaidade dos Homens. 1953
  2. ·         Almeida, Guilherme de. Camoniana. 1956
  3. ·         Amaru. Poemas de Amor. Trad. Aurélio Buarque de Hollanda, 1949
  4. ·         Anônimo. Nalá e Damayanti. Trad. Luís Jardim, 1944
  5. ·         Bandeira, Manuel. Poemas Traduzidos. Traduções de Bandeira de vários autores, 1956 [R.A. Editora, 1945]
  6. ·         Baudelaire, Charles. Flores das “Flores do Mal” de Charles Baudelaire. Trad. Guilherme de Almeida, 1944 [extra-coleção]
  7. ·         Baudelaire, Charles. Pequenos Poemas em Prosa. Trad. Aurélio Buarque de Hollanda, 1950
  8. ·         Brontë, Emily. O Vento da Noite. Trad. Lúcio Cardoso, 1944
  9. ·         Descartes, René. Discurso do Método. Trad. João Cruz Costa, 1960
  10. ·         Eclesiastes, atribuído a Salomão. Trad. Pe. António Pereira de Figueiredo, 1950
  11. ·         Hafiz e Saadi. Vinho, Vida e Amor. Trad. Aurélio Buarque de Hollanda, 1946
  12. ·         Hafiz, Al-Din M. Os Gazéis de Hafiz. Trad. Aurélio Buarque de Hollanda, 1944
  13. ·         Herold, A. Ferdinand. A Grinalda de Afrodite – Epigramas amorosos da antologia grega. Trad. Valdemar Cavalcanti, 1949
  14. ·         Kalidasa, A Ronda das Estações. Trad. Lúcio Cardoso, 1944
  15. ·         Kháyyám, Omar. Rubáiyát. Trad. Octavio Tarquinio de Souza, 1942 [Imprensa Nacional, 1928; passou para a JO em 1935; Série de Poemas Orientais, 1938]
  16. ·         Lousada, Wilson (org.). Cancioneiro do Amor  (Os mais belos versos da poesia brasileira). 2 vols, sendo I. Árcades, Românticos, Parnasianos; II. Simbolistas e Contemporâneos. 1950
  17. ·         Lousada, Wilson (org.). Cancioneiro do Amor  (Os mais belos versos da poesia portuguesa). 1952
  18. ·         Louys, Pierre. O Amor de Bilitis (Algumas Canções). Trad. Guilherme de Almeida, 1943
  19. ·         Marco Aurélio. Meditações. Trad. Lúcia Miguel-Pereira, 1957
  20. ·         Mello, Thiago de. A Lenda da Rosa. 1955
  21. ·         Montaigne, Michel de. Seleta dos Ensaios (3 vols.). Trad. J. M. Toledo Malta, 1961
  22. ·         Nietzsche, Friedrich. Nietzschiana. Trad. Alberto Ramos, 1949
  23. ·         O Cântico dos Cânticos, atribuído a Salomão. Trad. Augusto Frederico Schmidt, 1949. [Série de Poemas Orientais, 1938]
  24. ·         O Livro da Sabedoria [atribuído a Salomão]. Trad. Pe. António Pereira de Figueiredo, 1952
  25. ·         O Livro de Job. Trad. Lúcio Cardoso, 1943
  26. ·         O Livro dos Provérbios, atribuído a Salomão. Trad. Pe. António Pereira de Figueiredo, 1950
  27. ·         Odes Anacreônticas. Trad. Jamil Almansur Haddad, 1952
  28. ·         Petrarca, Francesco. O Cancioneiro de Petrarca. Trad. Jamil Almansur Haddad, 1945
  29. ·         Rilke, Rainer M. Poemas de Rainer Maria Rilke. Trad. Geir Campos, 1953
  30. ·         Salet, Pierre. Palavras do Buddha. Trad. Guilherme de Almeida, 1948
  31. ·         Shirazi, Saadi. O Jardim das Rosas. Trad. Aurélio Buarque de Hollanda, 1952
  32. ·         Livro dos salmos, ou Saltério. Trad. Pe. António Pereira de Figueiredo, 1955
  33. ·         Sermão da Montanha. Trad. Frei João José P. de Castro, 1956
  34. ·         Shakespeare, William. A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca. Trad. Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1955
  35. ·         Shakespeare, William. Macbeth. Trad. Manuel Bandeira, 1961
  36. ·         Stendhal. Do Amor (Trechos). Trad. Wilson Lousada, 1958 
  37. ·         Tagore, Rabindranath. A Lua Crescente. Trad. Abgar Renault, 1950 [Série de Poemas Orientais, 1942]
  38. ·         Tagore, Rabindranath. Colheita de Frutos. Trad. Abgar Renault, 1945
  39. ·         Tagore, Rabindranath. O Gitanjali. Trad. Guilherme de Almeida, 1943 [Cia. Editora Nacional, 1932; Série de Poemas Orientais, 1939]
  40. ·         Tagore, Rabindranath. O Jardineiro. Trad. Guilherme de Almeida, 1943 [Série de Poemas Orientais, 1939]
  41. ·         Tagore, Rabindranath. Pássaros Perdidos. Trad. Abgar Renault, 1947
  42. ·         Touissant, Franz. As Pombas dos Minaretes. Trad. Aurélio Buarque de Hollanda, 1945
  43. ·         Toussaint, Franz. A Flauta de Jade (Poesias Chinesas). Trad. Mauro de Freitas, 1949 [1942, Série de Poemas Orientais]
  44. ·         Toussaint, Franz. O Jardim das Carícias. Trad. Adalgisa Nery, 1950 [Série de Poemas Orientais, 1938]
  45. ·         Whitman, Walt. Cantos de Walt Whitman. Trad. Oswaldino Marques, 1946
  46. ·         Wilde, Oscar. Salomé. Trad. Dante Costa, 1952
  47. ·         Yutang, Lin. A Sabedoria de Confúcio. Trad. Geir Campos, 1958


































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Sobre Emily Brontë no Brasil, veja aqui
Sobre Walt Whitman no Brasil, veja aqui
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Sobre Shakespeare no Brasil, veja aqui
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Sobre Lúcio Cardoso tradutor, veja aqui
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Veja também Coleção Rubaiyát, II, aqui.

obs.: a ideia para esse post me surgiu a partir de um levantamento inicial disponível aqui.