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2 de jul. de 2015

[n.t.] 10

a revista de tradução [n.t.] comemora seu quinto ano de existência e seu décimo número, disponível para download aqui.



este número traz minha tradução do conto "at the end of the passage", de rudyard kipling. reproduzo aqui uma parte de minha breve apresentação desse conto na [n.t.]:


23 de set. de 2013

flap 2013

a mesa redonda "o silêncio do tradutor", com mario rocha, rodrigo garcia lopes e eu, tendo vera helena rossi como moderadora, no dia 21 de setembro, em são paulo, foi muito legal. adiante darei detalhes.


25 de mai. de 2013

convite

no dia 5 de junho, estarei no sesc da vila mariana, conversando sobre a profissionalização do tradutor e o mercado editorial brasileiro. o formato da apresentação será de perguntas e respostas.

O OUTRO LADO DO ESPELHO: TRADUÇÃO E PRODUÇÃO EDITORIAL

Diversos Profissionais - Curso
Primeiro Encontro - Denise Bottmann
05/06/2013 19:30 a 05/06/2013 21:30
Segundo Encontro - Rodrigo Salinas
12/06/2013 19:30 a 12/06/2013 21:30
Terceiro Encontro - Heloisa Jahn
13/06/2013 19:30 a 13/06/2013 21:30
Quarto Encontro - Cássio Arantes Leite
19/06/2013 19:30 a 19/06/2013 21:30
Quinto Encontro - Pasi L, Marcos M e Noé S
20/06/2013 19:30 a 20/06/2013 21:30
Sexto Encontro - Alexandre Barbosa de Souza
26/06/2013 19:30 a 26/06/2013 21:30
Sétimo Encontro - Maged El Gebaly
27/06/2013 19:30 a 27/06/2013 21:30
Um panorama da atividade do tradutor no Brasil é apresentado a partir de encontros com profissionais da área. A internacionalização do mercado editorial brasileiro deve aumentar a participação dos títulos traduzidos no país e, consequentemente, a demanda por tradutores.

Em todos os encontros, a mediação é realizada pelo historiador Joaci Pereira Furtado.

5/6 - Saindo das sombras: a profissionalização do tradutor e o mercado editorial brasileiro, com Denise Bottmann

12/6 - Tradutor, coautor? A Tradução e os direitos autorais, com Rodrigo Salinas

13/6 - "Era uma vez...": traduzindo para crianças, com Heloisa Jahn

19/6 - Melhor que o original? Estudos de casos, com Cássio Arantes Leite

20/6 - Novos mundos, novas civilizações: a tradução de idiomas ¿exóticos¿ ¿ o caso do finlandês, do latim e do russo, com Pasi Loman, Marcos Martinho e Noé Silva

26/6 - Fio da navalha: a tradução e o editor, com Alexandre Barbosa de Souza

27/6 - Olhando do avesso: traduzir do português, com Maged El Gebaly


A INSCRIÇÃO É VÁLIDA PARA TODOS OS DIAS DA ATIVIDADE.


Não recomendado para menores de 16 anos.

Necessário apresentar comprovante de categoria no início da atividade.

Cancelamentos podem ser feitos em até 48 horas antes do início da atividade.

As inscrições online encerram-se sempre um dia antes do início da atividade. Enquanto houver vagas será possível inscrever-se pessoalmente nas unidades do Sesc de São Paulo.
inscrições aqui.

13 de set. de 2012

programa de domingo


a quem estiver em são paulo, não perca transfusão II, na casa guilherme de almeida. a programação completa está aqui e este é o programa de domingo de manhã:

DOMINGO, 16 DE SETEMBRO
TRADUÇÃO LITERÁRIA COMO AUTORIA
Mesa-redonda, das 10h30 às 12h
DIREITOS AUTORAIS DO TRADUTOR
Com Denise Bottmann (Registro – SP) e Luciana Arruda (São Paulo)
Até que ponto se respeitam, na prática, os direitos autorais do tradutor, assegurados por lei, é uma questão que tem gerado discussões e poucos resultados concretos em prol dos tradutores profissionais. A importância da denúncia de abusos contra o trabalho do tradutor, como o plágio, por exemplo, será abordada paralelamente a questões conceituais e jurídicas que respaldam os tradutores na defesa de seus direitos.

a gente se vê lá!

4 de set. de 2012

quando monsieur jourdain descobre que fala em prosa

a aula inaugural que apresentei na pós-graduação de estudos de tradução, da ufsc, em 03 de setembro, está disponível aqui: http://www.pget.ufsc.br/curso/realizacoes.php?id=206

há também o link direto; clicando nele com o lado direito do mouse, pede-se para salvar o link e aí se executa com o player que se preferir:  http://LED.egc.ufsc.br/biblioteca/biblioteca/Eventos/PGET/pget_aula%20inaugural_03092012_.wmv

obrigada a todos!

28 de ago. de 2012

transfusão II

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transfusão II, na casa guilherme de almeida, em são paulo - logo deve sair a programação completa, mas segue o programa de domingo de manhã:

DOMINGO, 16 DE SETEMBRO
TRADUÇÃO LITERÁRIA COMO AUTORIA
Mesa-redonda, das 10h30 às 12h
DIREITOS AUTORAIS DO TRADUTOR
Com Denise Bottmann (Registro – SP) e Luciana Arruda (São Paulo)
Até que ponto se respeitam, na prática, os direitos autorais do tradutor, assegurados por lei, é uma questão que tem gerado discussões e poucos resultados concretos em prol dos tradutores profissionais. A importância da denúncia de abusos contra o trabalho do tradutor, como o plágio, por exemplo, será abordada paralelamente a questões conceituais e jurídicas que respaldam os tradutores na defesa de seus direitos.

26 de ago. de 2012

aula inaugural na pget/ ufsc

foi com muita honra que recebi e aceitei o convite de apresentar a aula inaugural do segundo período letivo da pós-graduação em estudos de tradução da universidade federal de santa catarina, no dia 3 de setembro próximo, às 10 horas, com transmissão ao vivo e atendimento a perguntas enviadas por e-mail durante a transmissão. veja aqui. agradeço à coordenadora dra. andréia guerini.

o título da exposição é "quando monsieur jourdain descobre que fala em prosa: comentários sobre o difícil trânsito entre dois campos separados e mutuamente irredutíveis, a teoria e a prática da tradução".

19 de abr. de 2012

coisas boas

quantas novidades!



a tordesilhas lança contos de imaginação e mistério, de edgar allan poe, na tradução do competentíssimo cássio de arantes leite, numa bela edição ilustrada por harry clarke. são 22 contos (o site da editora, porém, não fornece o índice nem os nomes dos contos...) para engrossar a poeana brasileira. (agradeço o toque de nilton resende.) aqui, uma canja com "a máscara da morte vermelha".




a revista língua portuguesa vai lançar nestes dias seu número especial, dedicado à tradução, com várias matérias e entrevistas (inclusive um depoimento meu).


Título do Livro

está saindo pela cosac a segunda mrs. dalloway neste ano, esta em tradução do caro amigo claudio marcondes. depois de um jejum de quase setenta anos, desde a primeira (e até 2011 a única) tradução brasileira, a de mário quintana, temos agora em 2012 as traduções de tomaz tadeu pela autêntica, a do claudio pela cosac e a minha (que deve sair em breve) pela l&pm.
longa vida à dama woolf.




a revista cult, em seu último número saindo também por esses dias, vai trazer uma matéria sobre a nova tradução de dalloway (qual delas, ainda não sei - atualização em 21/4: o pessoal da revista me avisa lá no facebook que é a tradução de tomaz tadeu, pela autêntica).




o número 2 da revista zum, do IMS, aqui saindo da gráfica, com fotos e entrevistas maravilhosas (e algumas traduções feitas por esta que vos fala; posso adiantar que a legenda desta foto é: "Soldado do Exército Nacional Afegão protegendo o rosto com um saco plástico durante tempestade de areia no Posto Avançado de Combate 7171, na Província de Helmand, Afeganistão, 28 de outubro de 2010").


14 de abr. de 2012

(n.t.) 4


muito legal, saiu a (n.t.) número 4, disponível aqui:




EDITORIAL
POESIA SELETA
Epigramas|Epigrammata, de Décimo Magno Ausônio
[Trad. Daniel da Silva Moreira] prévia 
Mas é música|Ale je hudba, de Vladimír Holan
[Trad. Lucie Koryntová] prévia 
Don Juan: Dedicatória a Robert Southey|Dedication to Robert Southey, Esq ,
de Lord Byron
[Trad. Roberto Mário Schramm Jr.] prévia 
Três poemas acerca da morte|Tres poemas acerca de la muerte, de Miguel de Unamuno
[Trad. Yuri Ikeda Fonseca] prévia
PROSA POÉTICA
Metamorfose|Metamorfosis, de Juan José Arreola
[Trad. Bairon Oswaldo Vélez Escallón] prévia
ENSAIOS LITERÁRIOS
O vazio do poder na Itália|Il vuoto del potere in Italia, de Pier Paolo Pasolini
[Trad. Davi Pessoa Carneiro] prévia 
É esforço|Es esfuerzo, de Rafael Barrett
[Trad. Patrick Fernandes Rezende Ribeiro] prévia 
O Deus-criminoso|The criminal-God, de Edgar Wind
[Trad. Larissa Costa da Mata] prévia 
Porque sou pagã|Why I am a Pagan, de Zitkjala-Ša [Gertrude Bonnin]
[Trad. Scott Ritter Hadley] prévia 
PENSAMENTO
Ensaio sobre o Ser|Versuch über das Sein, de Johann Gottfried von Herder
[Trad. Márcio dos Santos Gomes] prévia
CONTOS & EXCERTOS
Gentes e Culturas - Timor-Leste|Emarkultura - Timor Lorosa'e, seleção de textos
[Trad. Irta Sequeira Baris de Araújo] prévia 
Repolhos e Reis|Cabbages and Kings, de O. Henry [William S. Porter]
[Trad. Vanessa Lopes Lourenço Hanes] prévia 
Três heróis|Tres héroes, de José Martí
[Trad. Michelle Vasconcelos O. do Nascimento] prévia 
A flor vermelha|Красный цветок, de Vsêvolod Gárchin
[Trad. Oleg Almeida] prévia 
Von Kempelen e sua descoberta|Von Kempelen and his Discovery, de Edgar Allan Poe
[Trad. Denise Bottmann] prévia 
MEMÓRIA DA TRADUÇÃO
“Papiro de Nu” (Livro dos Mortos), texto anônimo
(reprodução do papiro em hieroglifos + tradução estabelecida a partir da versão inglesa)
[Trad. Octávio Mendes Cajado] prévia
ILUSTRAÇÃO
Os Sinos|The Bells, de Anne Sexton
[Ilustrações de Aline Daka e tradução de Ana Santos]


4 de out. de 2011

uau

_Vida de michelangelo_.jpg

lançamento na quinta-feira, dia 6 de outubro, na livraria cultura do conjunto nacional, na paulista, das 18:30 às 21:30:

27 de jun. de 2011

abl - boa notícia

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parabéns, que programação esmerada!


com coordenação de nosso prezado geraldo holanda cavalcanti, grande nome na seara da tradução poética, em 28 de junho se inicia na abl o ciclo "desafios da tradução literária", com conferências de pesos-pesados: andréia guerini, rosa freire d'aguiar, aleksandar jovanovic e mamede jarouche.
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2 de dez. de 2010

colóquio de tradução na unimep: marca pessoal e invisibilidade

concluindo o relato de minha apresentação no colóquio em piracicaba:

Mas, quando falamos em coisas tão grandiosas como pretensa neutralidade, originalidade, responsabilidade, na verdade falamos de coisas muito simples.

Pois, na esteira da negação da “marca pessoal” na tradução aparece, como consequência quase natural e automática, a ideia de que o desejável é que o tradutor seja invisível. Isso é um pouco complicado, porque aqui se misturam dois planos que, a meu ver, são muito distintos: o tradutor como sujeito empírico e a obra de tradução em sua materialidade, mas não trataremos disso agora. O que há é que, quando se fala em “invisibilidade” do tradutor ou da tradução, seja em sentido positivo ou negativo, costumamos entender que o termo se refere a um tipo de texto traduzido que não mostra, deixa oculto, esconde, mantém invisível – ou como se queira dizer – o trabalho executado durante a tradução. E que tal resultado é obtido com maior frequência pelo tradutor que tenta deliberadamente não deixar sua marca pessoal na tradução.


Então, a pergunta que se coloca é: mas, afinal, o que seria a marca pessoal que deixo numa tradução? Aquilo em que ela se afasta do original? Mas como, no que ela se afasta do original? Peguemos um exemplo muito simples e conhecido: diante de I swam across the river, o que faríamos? Traduziríamos “eu nadei através do rio”? Pois afinal é assim que está no original:

I = eu
Swam = nadei
Across = através d’
The = o
River = rio

Portanto: eu + nadei + através d’ + o + rio.

Não interfiro, atenho-me estritamente ao original, as palavras passam através de mim como instrumento de transmissão: não deixo minha marca pessoal.

Não faz mal que em português ninguém nade “através” de um rio, pois aqui, hipoteticamente, o que importa é que não posso ou não devo colocar minha marca pessoal – no caso, meu domínio ou minha relação com a língua materna. Em minha língua materna, ouço, falo, leio, escrevo: “atravessei o rio nadando”, “cruzei o rio a nado”, “atravessei o rio a nado” ou similares.

Por outro lado, perante a mesma frase em inglês, eu não reagiria em português dizendo “nadei pelo rio” ou “fui nadando pelo rio”, pois eu acharia que o “pelo” não esclarece se nadei de uma margem à outra ou pelo rio abaixo, se fui no sentido da largura ou do comprimento. No entanto, ainda para a mesma frase, não desdenharia nem torceria o nariz se um colega se saísse com um “nadei até a outra margem do rio”.

Assim, o que se coloca é a naturalidade da língua, a fluência, o uso. E não apenas a fluência no português, mas em primeiro lugar a fluência na língua de partida. É fluente dizer “I swam across the river” em inglês? Sim, tremendamente. É usual. É fluente dizer “Eu nadei através do rio” em português? Não, nem um pouco. É estranho.

Então, onde a tradução se faz mais visível? Em “Eu nadei através do rio” ou em “Atravessei o rio a nado”? Claro que no primeiro caso. Fica visível a estrutura do original, fica evidente o decalque.

Mas não foi justamente aqui que o tradutor tentou não deixar sua marca, tentou ficar invisível? Sim, com quase toda certeza sim. E não foi justamente aqui que seu trabalho de tradução ficou mais visível? Sim, com toda certeza. Inversamente, na solução“atravessei o rio a nado” ou mesmo na mais puxada “nadei até a outra margem do rio”, ambas resultantes de uma intervenção mais marcada do tradutor, seu trabalho se faz menos visível ou mesmo praticamente invisível: como dizem, “nem parece uma tradução”.

Portanto, num paradoxo que me parece interessante, teríamos que o trabalho consciente do tradutor, ao elaborar atentamente seu modo de atuação e imprimir decididamente sua marca no texto, tem muito maior probabilidade de alcançar em sua tradução uma fluência similar à fluência do texto de origem. Dito em outros termos: quanto mais claro e consciente for o trabalho de imprimir no texto de tradução sua marca pessoal, mais invisível será o processo da operação tradutória no resultado final.

Naturalmente, o pressuposto aqui, e que não tivemos muita ocasião de explorar durante minha apresentação, é que, pelo menos num nível simples e básico, estou considerando a chamada “invisibilidade” da operação tradutória como um valor positivo, capaz de ser alcançado com maior segurança pelo exercício sistemático de imprimir um perfil pessoal na tradução, tendo como um dos principais critérios para guiar as escolhas a preservação do tipo de fluência presente no texto de partida.


veja também:


imagem: drowning
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colóquio de tradução na unimep: autoria e responsabilidade

prosseguindo o relato de minha participação no colóquio em piracicaba:


Consideramos então que estava suficientemente demonstrada a impossibilidade de existir uma tradução única, mesmo de um trecho curto e simples – a menos, claro, que decidíssemos que nove alternativas eram ruins e apenas uma era boa, e aí a questão seria apresentar e justificar os critérios para esse juízo. Como não vimos nenhum critério capaz de sustentar essa hipotética decisão, fomos em frente, aceitando a existência de várias alternativas plenamente viáveis e aceitáveis para a tradução daquele trecho.

Essa marca pessoal que cada um dos participantes imprimiu em sua tradução é que, argumentei eu, constitui a base para o reconhecimento jurídico – desde o século XIX – do tradutor como autor de uma obra dotada de identidade própria. Assim, tradução é obra: é derivada de uma obra originária, claro, mas nem por isso deixa de ser, em sua esfera própria e limitada, uma obra pessoal, original, intransferível. Por outro lado, isso não tem nada a ver com "co-autoria", que são outros quinhentos. Uma tradução não é uma coautoria, a despeito do que alguns possam pensar - é simplesmente uma "obra derivada". Anule-se essa identidade, anular-se-á a figura moderna do tradutor. Que seja, isso sempre pode ocorrer, e os conceitos de autor e autoria também são historicamente datados e determinados.

Pois o que importa é que os fundamentos para que o tradutor seja juridicamente definido como pessoa portadora de direitos de autor têm uma anterioridade não só histórica, mas lógica, que independe dessa sua definição jurídica: mantêm-se os mesmos, quer o tradutor seja tido como autor ou não. Eles consistem justamente no fato inescapável de que cada obra de tradução tem uma identidade própria. E essa identidade própria decorre, evidentemente, das marcas pessoais que o tradutor imprime em seu texto, derivado do texto de origem.

E aqui chegamos a um ponto que me parece central: se por um lado as marcas pessoais de uma obra de tradução lhe conferem identidade própria, por outro lado é evidente que o tradutor é responsável pelo menos por uma parte das características presentes em seu texto de tradução. Neste sentido, entendo que negar ou querer abolir as marcas pessoais que imprimimos em nossa tradução é abdicar ou se esquivar à responsabilidade que temos por aquele texto que escrevemos.

Assim é que, em meu entender, o postulado de que uma boa tradução não guarda ou não deveria guardar a marca pessoal do indivíduo tradutor, além de ingênuo e dogmático, vem acompanhado também de uma espécie de apologia da irresponsabilidade. No momento em que o indivíduo tradutor pensa que, ao traduzir, pode se abster de deixar sua marca pessoal no texto de tradução, ele se exime de responder pelo que faz: coloca-se na posição de um mero instrumento transmissor supostamente neutro [e é claro que mesmo esta imagem é enganosa, pois não existe meio, qualquer que seja, que não exerça interferência na transmissão]. Mas, seja qual for a imagem, essa abdicação da responsabilidade por nosso texto de tradução muitas vezes se expressa na batidíssima frase, incrivelmente obscura e abstrusa, que já ouvi invocada várias vezes para justificar uma escolha X ou Y num trabalho de tradução: “está assim no original” ou "é assim que está no original”.

Mas aí eu pergunto: e o que significa “está assim no original”? Pois é exatamente disso que se trata: um texto traduzido NÃO ESTÁ ASSIM no original. O texto traduzido está como o tradutor o redigiu a partir do texto de origem, passando pelos mais variados e diversos níveis de apreensão, interpretação e escolha. E é esta a responsabilidade do tradutor: na medida de suas limitações pessoais e determinações histórico-culturais, tentar perceber como está traduzindo, qual partido está adotando. Até onde consigo entender, a maneira mais coerente de nos responsabilizarmos por nossos textos de tradução é reconhecer que eles são construídos a partir de critérios e escolhas que adotamos perante os textos de origem. E aí é melhor saber do que não saber quais são eles, não é mesmo?

(continua aqui)

imagem: burmadigest.com
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colóquio de tradução na unimep: marcas

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O colóquio de tradução em Piracicaba, na Unimep, foi muito legal. O tema central foi algo mais ou menos como a presença de um tradutor em seu texto, voluntária ou não, consciente ou não.

Como minhas exposições costumam ser de tipo “agonístico”, isto é, adotando como ponto de partida um argumento contrário, tomei como pano de fundo uma posição tradutória que ainda hoje no Brasil afirma que uma boa tradução não traz ou não deveria trazer a “marca pessoal” do tradutor.

Considero esse tipo de concepção, além de ingênuo, simplesmente insustentável, uma impossibilidade lógica, ontológica, empírica, o que for. Pois é evidente que toda tradução* carrega a marca de quem a escreveu: seja em termos históricos e culturais, seja em termos estilísticos e estruturais, seja no simples plano mais imediato da escolha vocabular. E isso me parece tão evidente que dispensa maiores argumentações.

* Na ocasião, tratamos do campo específico de tradução literária e de humanidades, mas alguns aspectos provavelmente se aplicariam também a traduções técnicas e científicas.

Em todo caso, num exemplo simples, basta pensar nas inúmeras traduções de Shakespeare em língua portuguesa. Se se supusesse possível uma tradução sem a “marca pessoal do tradutor” e, ademais, que essa hipotética ausência de marca fosse um valor positivo, teríamos que apenas uma delas seria “boa”. Aí, secundariamente, teríamos até uma outra questão, a meu ver bastante engraçada e talvez crucial: quem determinaria, entre essas diversas traduções, qual é a “impessoal” e, por extensão, “boa”? (É claro que aqui estamos falando de traduções com um mínimo de proficiência linguística.)

O público presente no colóquio era composto por estudantes da graduação e do pós em língua inglesa e tradução. Para preparar a demonstração prática de meu argumento contra a ideia da “neutralidade” ou impessoalidade de qualquer texto de tradução literária e de humanidades, pedi a dez dos presentes que traduzissem ali na hora o parágrafo inicial de Walden – a escolha do trecho foi meio arbitrária: minha tradução dessa obra acabava de ser publicada pela L&PM e, embora eu ainda não tivesse visto o livro impresso, estava com ela na cabeça. São poucas linhas bastante simples:
When I wrote the following pages, or rather the bulk of them, I lived alone, in the woods, a mile from any neighbor, in a house which I had built myself, on the shore of Walden Pond, in Concord, Massachusetts, and earned my living by the labor of my hands only. I lived there two years and two months. At present, I am a sojourner in civilized life again.
Como era de se prever, entre as dez traduções não havia duas iguais e, sob um microscópio, nem remotamente parecidas. Tirando um mínimo deslize em um ou dois casos, todas davam conta do recado. Some-se a isso que há três traduções brasileiras de Walden, também bastante diferentes entre si. Qual, então, seria a “boa”? Qual não traria a “marca pessoal” do tradutor? Um problema.


O que quero dizer é que as linhas tradutórias que invocam uma suposta objetividade ou impessoalidade da obra de tradução são, por trás de sua ingenuidade de superfície, tremendamente normativistas e balizadas por critérios nada transparentes. Pois, para escolher uma entre treze alternativas com graus equivalentes de proficiência, há de se empregar algum critério. E se, para escolher uma delas (“esta aqui é a boa”), invoco como critério uma pretensa impessoalidade (“e é a boa porque não tem a marca pessoal de quem a fez”), estou, em primeiro lugar, ocultando o fato de que HÁ, sim senhor, uma marca pessoal - tanto é que ela não se confunde com as outras doze, que também são inconfundíveis entre si. Mas, em segundo lugar e principalmente, não estou deixando claro qual é o critério que me faz escolher esta e não outra. Se o critério não é claro, ele não pode ser entendido, avaliado, julgado, aceito ou refutado: em suma, é dogmático. Esse ocultamento dos critérios para a escolha de uma alternativa – ao pretexto meramente postulado, mas indemonstrado, de que uma boa tradução não poderia ou não deveria trazer marcas pessoais do indivíduo tradutor – constitui, a meu ver, um dos principais problemas que uma tradução minimamente proficiente enfrenta na atualidade editorial brasileira. Mas este já é outro problema.

continua aqui.

mutatis mutandis, descobriu-se que a impressão digital ajuda a detetar texturas delicadas e pequenos objetos por meio do tato. neste sentido metafórico da "digital" que o tradutor imprime em seu texto, quem sabe a prévia atenção voluntária e deliberada às marcas pessoais que inevitavelmente deixaremos em nossas traduções não poderia contribuir para uma detecção mais apurada de elementos presentes na obra originária? veja aqui.

imagem: tato apurado
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29 de nov. de 2010

piero della francesca e carlo ginzburg

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amanhã, dia 30, a partir das 19,30 h, o historiador carlo ginzburg estará na livraria cultura do shopping villa-lobos, para o lançamento de investigando piero, pela cosac naify, na tradução desta que vos fala.

para quem deseja acompanhar a discussão de ginzburg sobre piero, a referência indispensável é a belíssima obra de roberto longhi, piero della francesca, também pela cosac naify (2007) e com tradução desta que vos fala.


para os aspectos teóricos e metodológicos do modelo historiográfico proposto por ginzburg, e brilhantemente aplicado em investigando piero, indispensável o artigo "sinais: raízes de um paradigma indiciário", em mitos, emblemas, sinais, na tradução de federico carotti, pela companhia das letras (1989).
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25 de nov. de 2010

unimep: inscrições se encerram hoje

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a coordenação do curso de especialização em língua inglesa e tradução, do departamento de letras modernas da unimep (universidade metodista de piracicaba) lança o I Colóquio sobre Tradução.


fiquei muito contente e honrada com o convite para participar. o colóquio será realizado depois de amanhã, sábado, dia 27, no campus do taquaral, e a programação é a seguinte:

08,00 h -  abertura do evento - coordenadora profa. renata colasante
08,10 h -  tradução, crítica e a grande mídia: o caso "o senhor dos anéis" - lenita esteves
10,00 h - aspectos da tradução de sonetos de shakespeare - almiro pisetta
12,00 h - intervalo
13,20 h - reabertura das atividades
13,30 h - o ofício do tradutor: um olhar sobre a prática da tradução - denise bottmann

o evento é gratuito, e as vagas são limitadas. para se inscrever, basta enviar um e-mail para cazem@unimep.br, dando nome, telefone e e-mail para contato. se for estudante da unimep, informe também o curso e o semestre. o prazo para se inscrever se encerra hoje, dia 25.

imagem: literatura

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30 de set. de 2010

30 de setembro, dia do tradutor

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são jerônimo é aquele santo que tirou um espinho
da pata de um leão, que então ficou amigo dele.



monteiro lobato é aquele autor que criou
as maravilhosas histórias do sítio do picapau amarelo.



a septuaginta é aquela versão do antigo testamento que 72 sábios, isolados em 72 claustros, em 72 dias traduziram para o grego, resultando no milagre de um idêntico texto.


são jerônimo, que traduziu a bíblia para o latim, falecido em 30 de setembro de 420, é o padroeiro dos tradutores de todo o mundo. 

monteiro lobato com suas laicas obras de tradução, se não é, deveria ser o patrono dos tradutores no brasil.

e a lenda da septuaginta oferece a ilustração suprema de que apenas por milagre podem existir traduções iguais.
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19 de set. de 2010

(n.t.), revista literária em tradução

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estreia (n.t.), revista literária em tradução, belíssimo empreendimento de gleiton lentz (editor), roger sulis (coeditor), aline daka (curadora) e fedra hinosa (consultora).

o primeiro número traz:
EDITORIAL
POESIA SELETA

Стихотвореня/Poemas, de Marina Tsvetáeva [Trad. Veronica Filíppovna]
Ελεγεία και Σάτιρες/Elegias e Sátiras, de Kóstas Karyotákis [Trad. Théo de Borba Mossburger]
Jeszcze jedno wspomnienie/Mais uma lembrança, de Halina Poświatowska [Trad. Magdalena Nowinska]
Los doce gozos/Os doze gozos, de Leopoldo Lugones [Trad. Camilo Prado]

'Eπιγραμματα/Epigramas, de Rufinos [Trad. Miguel Sulis]
Corp transparent/Corpo transparente, de Max Blecher [Trad. Fernando Klabin]
Yatar Bursa Kalesinde/Preso na Fortaleza de Bursa, de Nâzım Hikmet [Trad. Leonardo da Fonseca]

DRAMA
The Ghost of Abel/O Fantasma de Abel, de William Blake [Trad. Juliana Steil]
PROSA POÉTICA
Gaspard de la nuit, de Aloysius Bertrand [Trad. Sandra M. Stroparo]

El mensajero/O mensageiro, de José Antonio Ramos Sucre [Trad. Floriano Martins]
 CONTOS & EXCERTOS
Naranjas y cuchillas en Bagdad/Laranjas e giletes em Bagdá, de Muhsin Al-Ramli [Trad. Fedra R. Hinojosa]
Gesta Romanorum (Os Feitos dos Romanos) [Trad. Scott Ritter Hadley]
Muk'ult'an in nool/Dois segredos do avô, de Jorge Miguel Cocom Pech [Trad. Gleiton Lentz]

MEMÓRIA DA TRADUÇÃO
Quinze poetes catalans/Quinze poetas catalães [Trad. João Cabral de Melo Neto]
 ILUSTRAÇÃO
Caminos del espejo/Caminhos do espelho, de Alejandra Pizarnik [ilustração de Aline Daka e tradução de Gleiton Lentz]
SUPLEMENTO DE ARTE [por Aline Daka] 
Lílian Santos Gomes: A presença da espiritualidade em meio aos destroços de transição
Dorothea Tanning: Convite aos mundos metafóricos do corpo e do espírito
disponível em licença creative commons, para leitura online e download em pdf:  http://www.notadotradutor.com/revista.html.


espantosamente bonito
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