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9 de nov. de 2017

breviário de afetos

uma notícia fabulosa, realmente excelente: o lançamento de breviário de afetos, de ivo barroso.




19 de jun. de 2017

um novo rubaiyat

ivo barroso concede a seus leitores e admiradores a oportunidade de conhecer 28 ruba'i de khayyam de sua lavra, numa bela e cuidadosa edição:







11 de mai. de 2017

flores roubadas do jardim alheio


Ivo Barroso



Flores roubadas do jardim alheio


“As Flores do Mal” – Charles Baudelaire – texto integral – Tr. Pietro Nassetti - Editora Martin Claret (São Paulo, 2001) – 192 págs. R$19,00
Já tivemos aqui a oportunidade de mostrar como algumas obras literárias estão sendo criminosamente “apropriadas” por editores inescrupulosos e reeditadas sob o nome de falsos tradutores. No caso anterior, vimos como a tradução genial do “Cyrano de Bergerac”, de Edmond Rostand, devida ao falecido professor pernambucano Carlos Porto Carreiro, foi simplesmente “clonada” e atribuída a um desconhecido Sr. Fábio M. Alberti, que já devia ficar contente se seu nome aparecesse como autor das notas de pé de página que figuram na edição. Nelas há esclarecimentos sobre personagens e fatos um tanto ou quanto incomuns, pelo menos para a classe de leitores desses livros ditos “populares”, vendidos em bancas de jornal. Apressamo-nos em esclarecer que nada temos conta esse tipo de venda e achamos mesmo que se trata de um serviço prestado ao leitor médio, que pode assim adquirir livros de grandes autores a preços inegavelmente convidativos. O que não nos parece ético é o escamoteio e a usurpação do nome dos tradutores originais desses livros, seja pela prática da sua atribuição a outrem, seja pelo artifício vergonhoso do plágio disfarçado.
Nessa última categoria podemos incluir, consistentemente, a edição de “As Flores do Mal”, o clássico livro de poemas de Charles Baudelaire, lançada “no verão de 2001” pela Martin Claret, de S. Paulo, em tradução ali atribuída a Pietro Nassetti, que, não se tratando de um pseudônimo de Jamil Almansur Haddad, responde certamente pelo nome de seu plagiário indecoroso, tal a maneira inequívoca com que se apropria da obra alheia.
É sabido que temos no Brasil pelo menos duas edições integrais de “As Flores do Mal”. A mais conhecida e, a nosso ver, a mais bem realizada, a de Ivan Junqueira, foi editada pela Nova Fronteira, sendo de 1985 a última reimpressão, com o texto original de face à tradução. Foi essa a escolhida para figurar no volume “Charles Baudelaire – Poesia e Prosa”, que organizamos para a Editora Nova Aguilar e que foi editado em 1995, em papel bíblia, reunindo em português praticamente toda a obra do Poeta. A outra, mais antiga, de 1958, editada pela Difusão Européia do Livro na coleção Clássicos Garnier, é de Jamil Almansur Haddad, poeta paulista, autor de “A lua do remorso” (1951), que além de Baudelaire traduziu também “As Líricas”, de Safo, “O Cântico dos cânticos”, de Salomão, o “Rubaiyat”, de Omar Khayyam, o “Cancioneiro” de Petrarca, o “Decamerão” de Boccaccio e as “Odes” de Anacreonte. O leitor, ainda que não versado no assunto, pode bem imaginar o que representa de tempo e esforço a tarefa de traduzir poesia, principalmente no caso de um autor como Haddad que respeita a métrica e a rima existentes no original. Mas hoje parece estar se generalizando a prática certamente recriminável de se tomar um texto preexistente e maquiá-lo, mudando aqui uma palavra mais difícil, ali uma construção mais arrevesada, e, passando por cima dos ditames métricos e rímicos, apresentá-lo ao leitor numa “nova” edição popular, supostamente feita por outro tradutor.
No presente caso a contrafação é tão explícita que chega a ser vergonhosa. Tomemos por exemplo o poema “Hino à Beleza”, dos mais característicos do estilo baudelairiano, com seus termos específicos e construções originais. As três primeiras quadras são iguais, ipsis litteris, coincidência que seria impossível de obter-se mesmo no caso de uma prova de tradução à qual se habilitassem centenas de candidatos. “Infernal et divin” é traduzido por ambos como “celestial e daninho”; “le couchant et l´aurore” por “matutina e noturna” e o verso “Qui font le héros lâche et l´enfant courageux” é impressionantemente resolvido da mesma forma: “Se à criança dão valor, tornam o herói covarde”. E naquele que encerra o terceiro quarteto: “Et tu gouvernes tout et ne réponds de rien” – o copiador chegou a incidir no mesmo erro de interpretação do seu modelo, traduzindo “réponds” por “respondes”, quando a construção francesa “réponds de rien” equivale a “submeter-se a nada”. “Bénissons ce flambeau!” é “Bendito lampadário” em ambos e “tombeau” (túmulo) é transformado também por ambos em “sudário”. Há momentos, no entanto, em que o copiador servil resolve “melhorar” (como talvez pense) o texto saqueado. Em geral isso ocorre diante de palavras que ele julga “difíceis” ou pouco atuais. Assim, onde Jamil escreveu “O amoroso anelante a pender sobre a bela”, o tradutor-xerox reescreve: “O namorado ofegante a pender sobre a bela”, não se importando com isso de sacrificar a métrica do verso. Neste mesmo poema há inúmeros exemplos dessa espécie: “Pisando mortos vais, com ar de desacato” (Jamil) e “Caminhas sobre os mortos, com ar de desacato” ( pseudo tradutor). O “papel carbono” parece ter achado que o “vão” (adjetivo) de “Sobre teu ventre vão dança amorosamente” poderia ser entendido pelos seus leitores como verbo e “conserta” para “Sobre teu ventre orgulhoso dança amorosamente”, conseguindo o fenômeno de um alexandrino de 14 versos. Outro: “Beleza! monstro ingênuo e de feição adunca!” lhe soa muito precioso e ele emenda para: “Beleza! monstro ingênuo, assustador e horrendo!” Mas pasmem que temos no início da quinta quadra o que se poderia chamar de dupla coincidência: No verso “Uma efêmera vai ao teu encontro, ó vela”, tanto na tradução de Jamil quanto na de seu “vampiro” Pietro Nassetti há uma nota de pé de página dizendo exatamente o mesmo: “Efêmera: substantivo comum, espécie de inseto”, que, se não fosse cópia servil seria um caso de duplicidade até na indigência definidora. Estender a amostragem seria recair ad infinitum na certeza que desde já se patenteia de que os poemas apresentados nesta edição de “As Flores do mal” foram subtraídos do berço alheio e criados por pais adotivos em proveito próprio.
Essa prática inescrupulosa da apropriação de traduções alheias – pela cópia deslavada ou enganosa maquiagem – parece estar se ampliando junto a editores de livros em série ou coleções ditas populares. Há muitos títulos de obras clássicas que circulam por aí que, se examinados com cuidado, revelariam – como um triste palimpsesto – o nome apagado e explorado do tradutor original. 

in http://www.jornaldepoesia.jor.br/ibarroso3.html 

22 de abr. de 2017

fabuloso


ivo barroso expondo sem firulas nem pedantismos sua admirável tradução de os gatos, de eliot:
"De como traduzi 'Os Gatos', de Eliot", disponível aqui.




1 de abr. de 2017

entrevista com ivo barroso

uma excelente conversa de ivo barroso com gilberto cruvinel e emmanuel santiago, disponível aqui.



1 de mar. de 2017

ivo barroso sobre baudelaire


magistral artigo de ivo barroso:
consoante de apoio - a propósito de um poema de charles baudelaire, aqui.


12 de nov. de 2016

fünfzehn gedichte, de ivo barroso

novidade muito, muito interessante: um volume bilíngue com poemas de ivo barroso em tradução de curt meyer-clason (o célebre tradutor de guimarães rosa).

o livro - numa bela edição especial da giordanus, de tiragem limitada, fora do comércio - traz também a correspondência entre ivo e meyer-clason.



16 de mar. de 2013

entrevista de ivo barroso

precioso depoimento de ivo barroso sobre sua trajetória poético-tradutória, aqui ou aqui.


10 de dez. de 2012

relançamento de escola de tradutores e texto de ivo barroso


aliás, falando no paulo rónai detetor de malandrices de tradução (ver o caso de sérgio milliet aqui), acaba de sair uma nova edição de escola de tradutores, onde o trecho pertinente à garfada de milliet está à p. 101. aliás, essa nova edição pela josé olympio traz texto de orelha por ninguém menos que ivo barroso!

transcrevo:

Se hoje a tradução é motivo, entre nós, de estudos e debates, uma boa parte dessa seriedade em encarar o assunto se deve à postura e aos escritos do professor Paulo Rónai que, desde os anos 1950, nos veio edificando com obras fundamentais sobre a arte de traduzir, embora escritas numa linguagem corrente, sem o pedantismo dos compêndios didáticos e universitários.
Entre seus opúsculos de divulgação, avulta-se, sem dúvida, este Escola de tradutores que, lançado inicialmente em 1952, alcançou inúmeras edições ao longo do tempo, aprimorado com precisas revisões e a adição de novos capítulos. A presente edição da José Olympio traz aos leitores – tanto àqueles que têm na tradução o objeto de seu trabalho intelectual, quanto aos que intentam ilustrar-se nos meandros dessa atividade primordial – os fundamentos da arte de traduzir, não só hauridos nos mais prestigiosos comentaristas do gênero como nos ensinamentos que lhe advieram de suas próprias vivências. Paulo Rónai comenta aqui os paradigmas da tradução literária vis-à-vis à técnica, analisa exemplos de traduções de um mesmo texto elaboradas por tradutores diversos, apontando-lhes os acertos, os distanciamentos e mesmo as imprecisões. Seu estudo sobre as versões de um poema de Carlos Drummond de Andrade (“José”), apresentado em três línguas distintas (francês, alemão e inglês), permite-lhe abordar as sutilezas envolvidas na tradução poética e como os tradutores conseguiram escapar de certas armadilhas linguísticas e se adequar aos rigores da métrica.
Os ensinamentos de Paulo Rónai – como os que se encontram neste livro – concorreram para uma conscientização entre nós da importância do tradutor, seja adquirida pelo próprio, seja no que diz respeito aos agenciadores de seu trabalho, os editores. Os profissionais que se formaram nos ditames da escola de Rónai hoje encaram sua atividade com uma responsabilidade de quase autor,  procurando por isso enfronhar-se o mais profundamente possível no sentido da obra e nas qualidades estilísticas de quem a escreveu. Os próprios leitores se preocupam agora em saber quem se incumbiu da tradução do livro que adquirem, certos de que um nome de abalizada capacidade representa um passaporte para a qualidade do produto adquirido. E os editores cada vez mais procuram selecionar e adequar seus colaboradores, cientes de que eles deixaram de ser os anônimos do passado para se tornarem um selo de qualidade do que expõem nas livrarias.
Ivo Barroso
tradutor 
4ª capa
Os ensinamentos de Paulo Rónai – como os que se encontram neste livro – concorreram para uma conscientização entre nós da importância do tradutor, seja adquirida pelo próprio, seja no que diz respeito aos agenciadores de seu trabalho, os editores.
Ivo Barroso

8 de mai. de 2011

ivo barroso, o corvo e suas traduções

num contraste que pode ser interessante, retomo aqui um grande marco nos estudos comparados d'o corvo no brasil: o corvo e suas traduções, de ivo barroso. a obra foi publicada originalmente em 1998, pela nova aguilar (selo lacerda), com segunda edição ampliada em 2000. está esgotada há alguns anos, e recebi a ótima notícia de que em breve será relançada pela leya.

ivo barroso, poeta, crítico literário e tradutor, defende uma posição muito diferente da adotada por claudio weber abramo em o corvo: gênese, referências e traduções do poema de edgar allan poe (hedra, 2011). mas numa avaliação ambos parecem concordar: a qualidade lítero-tradutória d'o corvo de milton amado. abramo apresenta a tradução de milton amado às pp. 120-24 de seu livro, considerando-a "uma tentativa valorosa" que constitui "um verdadeiro tour de force" - o que, em sua pena econômica em elogios, não me parece pouca coisa.

em 2009, eu tinha publicado um artigo de ivo barroso sobre essa tradução. reproduzo-o aqui.


A PRIMEIRA DETERMINAÇÃO


Havia alguns tradutores injustiçados, que eu simplesmente venerava. Faria o que estivesse a meu alcance para promovê-los, para divulgar suas qualidades ímpares. O primeiro deles seria Mílton Amado, autor de uma tradução inigualável do poema O Corvo, de Edgar Allan Poe. A primeira vez que a li, sem ainda conhecer o original, senti que estava diante de uma organização poética perfeita: ritmo, linguagem, dramaticidade.

O posterior cotejo com o original veio corroborar minha sensação primitiva: toda a angústia, grandeza, euforia, exaltação que Poe me transmitia em inglês retinia, ecoava, revivia nos versos de Milton. E quem era ele? Um desconhecido e tímido jornalista mineiro que sempre vivera esmagado pela estreiteza intelectual da província; pobre, marginalizado, sem que ninguém lhe reconhecesse o talento. Seu nome sequer constava nas obras de Poe como o tradutor dos versos. O que aparecia em letras grandes era o de Oscar Mendes, tradutor dos contos (aliás de parte dos), da prosa do genial Edgar Allan. O crédito a Milton, quando havia, era em corpo mínimo, escondido, escamoteado. Consegui a informação de que a viúva e seu filho Eugênio (também tradutor) moravam em Belo Horizonte. Procurei-os lá e soube que Milton pegava com Oscar Mendes traduções para fazer e em geral quem levava as honras era este último. Apesar de suas inúmeras traduções, as assinadas apenas com seu nome, Milton Amado, eram o Dom Quixote e as Fábulas de La Fontaine (Milton fez em vida o 1º volume e Eugênio terminou o 2º). Falei-lhes de minha intenção de escrever um pequeno ensaio provando com argumentos críticos que a tradução de O Corvo, feita por Milton, era superior às conhecidas de Machado de Assis e de Fernando Pessoa. Os direitos autorais da 1ª edição reverteriam para a família.

Os direitos autorais da tradução de Milton (as traduções eram vendidas aos editores) pertenciam à Nova Aguilar e foi a ela que propus a publicação de meu ensaio, que saiu em 1ª edição em 1998, com um entusiástico prefácio de Carlos Heitor Cony. Ele não conhecia a tradução de Milton e ficou encantado quando a viu. Escreveu uma crônica na Folha, que despertou a atenção de seus inúmeros leitores. Eu fazia um cotejo da tradução de Milton com a dos outros autores que então conhecia: Machado, Pessoa, Emílio de Meneses, Gondim da Fonseca, Benedito Lopes e Alexei Bueno. Acrescentei as duas famosas francesas, de Baudelaire e de Mallarmé. O livro vendeu bem, a família ficou contente, a editora pensou logo numa 2ª edição. Já a esta altura (2000) haviam chegado muitas informações e colaborações. Foram acrescentadas as de Jorge Wanderley e a de Didier Lamaison (em francês) e mencionadas mais as seguintes: a de Alfredo Ferreira Rodrigues (várias, a mais antiga de 1914), a de João Inácio Padilha, a de Aluísio Mendonça Sampaio, a de Sérgio Duarte, a de Luís Carlos Guimarães, a de Vinícius Alves e a (ótima) de Diego Raphael. Intimei meu amigo Didier Lamaison a dotar sua língua de uma tradução em versos do grande poema; tanto Baudelaire quanto Mallarmé o haviam feito em prosa, o que, na minha opinião, invalidava a possibilidade de transmitir o ritmo, a beleza das rimas tríplices, a grandiloquência declamatória do poema. Não se podia esquecer que Poe, em seus últimos anos, vivia de declamar em público a sua criação magistral. Didier aceitou o repto e reproduziu, em francês, a façanha que Milton Amado conseguira em português. Se, com minhas traduções de escritores gauleses, tenho prestado, ainda que indiretamente, algum serviço cultural à França, ter sido o instigador dessa genial tradução foi para mim o trabalho que seria mais digno de encômio.#

Ivo Barroso

atualização em 27/2/2012: finalmente sai a aguardada reedição do livro. agradeço o toque de tiago pavan, da livraria 30 por cento, aqui.

8 de mar. de 2011

3 de jan. de 2011

2011

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o ano começa com ótimas notícias, que irei pingando aos poucos, conforme o tempo (lendo walden, meu novo xodó, é meio demandativo).

mas essa eu não podia deixar passar: encerrando o recesso natalino, ivo barroso retoma sua gaveta de preciosidades e volta para gáudio dos leitores. veja aqui.

imagem: 2011
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14 de ago. de 2010

a imperdível gaveta do ivo

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a grande novidade do mês é o nascimento do blog de ivo barroso, gaveta do ivo, poesia & tradução.

na verdade, iniciou-se em 25 de julho, com materiais distribuídos em várias seções:
há inúmeras preciosidades, e a gente aprende, se espanta, admira e se diverte.
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25 de jul. de 2010

leituras

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admiro muito ivo barroso, e retomo aqui alguns trechos já publicados no nãogosto.




A tradução tem muito de malabarismo, ou melhor, de caminhar na corda bamba. Você se arrisca a escorregar e cair a cada passo e, mesmo que tenha conseguido chegar quase ao extremo da corda (ou do texto), o escorregão é sempre um desastre, a queda uma escoriação no seu ego. ...
 
O leitor interessado pode encontrar uma boa lista de palavras traiçoeiras no livrinho A Arte de Traduzir, de Brenno Silveira, o beabá do tradutor iniciante, que li com profunda veneração quando comecei a decifrar hieróglifos e buscava alguma base teórica em que pudesse me apoiar. Com ele aprendi o grande princípio do apostolado da tradução: a fidelidade ao texto. Mas meu propósito é outro. O que estou tentando dizer é que irremediavelmente o tradutor está sujeito a um escorregão dessa natureza e será miraculoso malabarista aquele que nunca resvalar.
 
Ler sempre com atenção, não deixar passar nunca uma palavra cujo sentido não conheça ou que não tenha checado, desconfiar de situações esdrúxulas, de frases incompreensíveis, de palavras sem sentido. Assim seu erro eventual pode se transformar nesse aparelho imprescindível ao tradutor: o desconfiômetro.

Ivo Barroso

diga-se de passagem: teve uma vez que traduzi um livro inteiro usando "oficial" para officer. peço desculpas a todos os leitores. jesus do céu! [db]

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6 de fev. de 2010

leitura



tradutores são a ponte entre o leitor e a cultura universal, uma matéria simpática de walter sebastião em divirta-se notícia, com depoimentos de paulo henriques britto e ivo barroso.

imagem: divirta-se

27 de jan. de 2010

orgulho e preconceito da lpm

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et voilà!


a boa notícia é que, em meio a:
- a antiga tradução de lúcio cardoso, circulando desde 1940
- o plágio da tradução de lúcio cardoso na best-seller desde 1997
- outro plágio da tradução de lúcio cardoso na martin claret desde 2001

finalmente sai uma nova tradução de alto nível, feita por celina portocarrero, pela editora lpm, com introdução do poeta e tradutor ivo barroso e uma belíssima capa, em edição de bolso, com 400 páginas, a preço acessível.
 
nós leitores agradecemos à iniciativa de raquel sallaberry, do jane austen em português: cansada de tantos plágios e tantas dificuldades em encontrar os livros esgotados de jane no brasil, publicou um post aberto à editora, sugerindo boas edições a bons preços da obra completa de jane austen. et voilà!
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o insidioso orgulho plagiado

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mais um caso de involuntária legitimação acadêmica do mais pernicioso delito intelectual, a saber, o plágio - aqui, com a referência a "enrico corvisieri" como pretenso autor da tradução de orgulho e preconceito, na verdade furtada a lúcio cardoso. clique na imagem para ampliar.


Genilda Azeredo,
Jane Austen, adaptação e ironia : uma introdução
(agradeço a ivo barroso pelo aviso e pela imagem)

quando cessará a infiltração das fraudes tradutórias entre os materiais de estudo na academia? e a memória cultural, como preservá-la?

20 de dez. de 2009

ivo barroso - biobibliografia



Ivo Nascimento Barroso, nascido em Ervália, MG em 25/12/1929, e radicado no Rio de Janeiro. Formado em Direito e Letras, tradutor, poeta, ensaísta e crítico literário.

Obra de tradução:

André Breton, Nadja
André Gide, A volta do filho pródigo, precedido de cinco outros tratados
André Malraux, A condição humana (e prefácio)
Annalisa Cima, Hipóteses de amor (com Alexandre Eulálio)
Arthur Rimbaud, Correspondência (com notas e comentários)
Arthur Rimbaud, Poesia completa (com notas e comentários)
Arthur Rimbaud, Prosa poética: Uma estadia no inferno, Iluminações, Um coração sob a sotaina, Os desertos do amor, Prosas evangélicas (com notas e comentários)
August Strindberg, Inferno (com notas)
Erik-Axel Karlfeldt, Poesias
Eugenio Montale, Diário Póstumo (com introdução e notas)
Georges Perec, A coleção particular
Georges Perec, A vida – modo de usar
Hermann Hesse, Demian (e prefácio)
Hermann Hesse, O lobo da estepe (e prefácio)
Italo Calvino, As cosmicômicas
Italo Calvino, O castelo dos destinos cruzados
Italo Calvino, Palomar
Italo Calvino, Seis propostas para o próximo milênio
Italo Calvino, Todas as cosmicômicas
Italo Svevo, A consciência de Zeno
Italo Svevo, A novela do bom velho e da bela mocinha (com introdução e notas biográficas)
Italo Svevo, Senilidade
Jane Austen, Emma
Jane Austen, Razão e Sentimento
Marguerite Yourcenar, Denário do sonho
Marguerite Yourcenar, Golpe de Misericórdia
Marguerite Yourcenar, O tempo, esse grande escultor
Nikos Kazantzakis, Ascese
Oscar Wilde, Salomé (com introdução e notas)
Peter Newell, O livro do foguete
Romain Rolland, Colas Breugnon
Shel Silverstein, Uma girafa e tanto
T. S. Eliot, O livro dos gatos
T.S. Eliot, Os gatos
T. S. Eliot, Teatro completo 
Umberto Eco, O pêndulo de Foucault
William Blake, O casamento do céu e do inferno (com introdução e notas)
William Shakespeare, 30 sonetos (e prefácio)
William Shakespeare, 42 sonetos (e prefácio)

Organização:
Agenor Soares de Moura, À margem das traduções
Charles Baudelaire, Poesia e prosa
Edgar Allan Poe, O Corvo e suas traduções
Vários autores, O torso e o gato (antologia de poemas traduzidos)

Obra própria:
A caça virtual e outros poemas
Caixinha de música
Nau dos náufragos
Poesia ensinada aos jovens
Visitações de Alcipe

Entrevistas:
Entrevista de Ivo Barroso a Rodrigo de Souza Leão
Ivo Barroso, um tradutor de obras completas
Ivo Barroso
A mais completa tradução
Dobras do corpo, dobras do tempo: Jornal Poesia Viva, n. 12

foto: via cosac

13 de dez. de 2009

ivo barroso - itinerários VII



UM CASAMENTO ENCRUADO

Para encerrar definitivamente a história dos cadernos, tiro do fundo da gaveta um esmaecido 16x11 “De Luxe” Nº 15 – Pautado, adquirido na antiga Casa Cruz do Rio de Janeiro em 1948, cuja primeira página me faz sorrir ante a pretensiosa inscrição: Cahier de Voyage. Explico: meu pai achava que meu curso de Neo-latinas (na então chamada Faculdade de Filosofia) era incompatível com as esperanças que a cidade nutria em relação à sua descendência; donde ele, farmacêutico, querer um filho médico, advogado ou militar. Os militares estavam em alta (inclusive em termos salariais) e, para atender aos desígnios paternos, me inscrevi naquele ano nos vestibulares das Escolas Militar, Naval e da Aeronáutica. Uma oportuna (?) miopia salvou-me dos quartéis, dos conveses ou das asas fabianas – reprovando-me no exame médico das três. Até o novo ano letivo, lá estavam as sonhadas, as benditas férias no interior de Minas, onde meu pai continuava a manter sua farmácia apostolar, vocacional, beneficente. Parti, levando o caderninho.

Nele encontro, com data de Rio, 8 [1949]: "Em grandes preparativos para embarcar. Vence o prazo do livro de Blake e tenho de copiar aqui seus provérbios para terminar sua tradução em Minas”. Seguem-se, numa letrinha caprichosa, que fui perdendo ao longo do tempo, os 70 “Provérbios do Inferno”, parte capital de The Marriage of Heaven and Hell, de William Blake. Como cheguei a esse livro? Por essa época, havia descoberto Gide (Trozos escogidos, em espanhol) e comecei a ler tudo dele numa edição de luxo, feita na Suíça, e existente na Biblioteca Nacional. Lá pelas tantas, Gide fala em Blake como sendo a quarta estrela de uma constelação composta por Nietzsche, Dostoiévski e Browning, e cuja leitura o levou a traduzir Le Marriage du Ciel et de l´Enfer, em 1922. Fui atrás do original, que encontrei na Biblioteca do IPASE (excelente à época, tinha todos os livros da Modern Library) e levei de empréstimo para casa, reformando o pedido várias vezes, pois meti-me na cabeça que o devia traduzir. Comecei a tentar com um ou outro dos provérbios, sem avançar muito, mas, como ia de férias, o recurso foi copiá-los para acabar a tradução em Minas.


Eis minha primeira tentativa de traduzir um livro completo; já havia conseguido traduzir sonetos e até pequenos poemas, do espanhol e do francês, mas nunca um livro inteiro, tarefa que me parecia impossível. E foi, no caso de Blake, pois ficou apenas no caderno de viagem. De volta das férias, voltei também a Gide, encantei-me com o Retour de l´Enfant Prodigue, e igualmente cismei de traduzi-lo. Logo no início, a expressão “comme un donnateur au coin du tableau” me botou nocaute durante muito tempo, até que recorri a Otto Maria Carpeaux (li numa entrevista que ele respondia a todas as cartas, escrevi-lhe), que me esclareceu sobre os mecenas medievais que, por devoção, pediam aos pintores que os colocassem ajoelhados a um ângulo do quadro. Também este foi um projeto arrastado, produtor de rascunhos hieroglíficos, abandonado e retomado várias vezes, que só se realizou em 1984, ao ser editado pela Nova Fronteira.

O Casamento ficou por muito tempo no namoro. Em fases sucessivas, fui tocando os provérbios até traduzi-los todos. Mas não conseguia vencer a barreira das “visões memoráveis” e o projeto adormeceu na comodidade dos rascunhos. Em 1956, apareceu a tradução de Oswaldino Marques, e achei que Blake tinha caído no “domínio do público” e não valia mais a pena ser tratado como “a quarta estrela” gideana. Ao longo do tempo foram aparecendo As Núpcias, O Matrimônio, o Enlace, a Aliança, a União e até – em Portugal, é claro – A Conjunção (do Céu e do Inferno), o que me dava a impressão de que a prosa direta e visionária de Blake estava passando por processos de retocagem gongórica, sofrendo um empolamento bombástico capaz de fazê-la perder seu impacto subversivo e contestador. Good-bye, Blake!

No ano passado, recebi um convite da Editora Hedra (leia-se Bruno Costa), de S. Paulo, para traduzir o Jerusalém, de William Blake. Desculpei-me, dizendo que, com o 3º volume da Obra Completa de Rimbaud (Correspondência), eu dava por encerrada minha “carreira” de tradutor e ia tratar de fazer um segundo livrinho de versos meus (o primeiro, A Caça Virtual e outros poemas, havia aparecido em 2001). Como alternativa, aceitei fazer o prefácio para Sagas, uma coleção de contos de Strindberg, autor da minha mais franca predileção. Mas o convívio com a Editora, que esperava ainda lançar uma tradução minha, fez com que, de pura brincadeira, eu lhes propusesse casamento. Sim, seria, desta vez, o Casamento sem rebuços, sem berloques, sem firulas. Blake restituído à sua prosa agressiva, contestatória, modernamente poética. Teríamos o fechar de um ciclo: o primeiro livro que sonhei traduzir seria o último a ser traduzido por mim. E assim foi. # FIM #

IVO BARROSO

12 de dez. de 2009

leitura



o grande lançamento dos últimos tempos, sem dúvida nenhuma, é a correspondência completa de rimbaud: "Tradução, notas e comentários são do poeta Ivo Barroso, um rimbaudiano devotado que conclui assim o trabalho de verter para o português as obras completas de Rimbaud, formadas ainda pelos volumes Poesia completa e Prosa poética lançados também pela Topbooks. Encerrado o trabalho, iniciado em 1972 com a tradução de Uma estadia no inferno, Barroso vai doar sua biblioteca de e sobre o poeta para o Centro Cultural Banco do Brasil.", in o globo, cultura.