19 de mar de 2009

liz bennet kidnapped

jane austen, a encantadora dama das letras inglesas, parece encantar também em português. além do sequestro sofrido às mãos da landmark, em persuasão, ela foi alvo de outro atentado em orgulho e preconceito, às mãos da nefária claret.

a apropriação foi feita em cima da tradução de maria francisca ferreira de lima, na edição da europa-américa. sofreu leves alterações, sobretudo nos primeiros parágrafos, e saiu atribuída a "jean melville".

capítulo I
a. maria francisca ferreira de lima

É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna necessita de uma esposa.
Por muito pouco que se conheçam os sentimentos ou modo de pensar de tal homem ao entrar pela primeira vez numa vizinhança, essa verdade encontra-se de tal modo enraizada nos espíritos das famílias circundantes que ele é considerado como propriedade legítima desta ou daquela de suas filhas.
- Meu caro Sr. Bennet - disse-lhe sua mulher um dia -, sabe que Netherfield Park foi finalmente alugado?
O Sr. Bennet respondeu-lhe que não sabia.
- É como lhe digo - tornou ela -; pois a Sra. Long ainda há pouco aqui esteve e contou-me tudo.
O Sr. Bennet não deu qualquer resposta.
- Não lhe interessa saber quem o alugou? - exclamou a mulher, impaciente.
- A senhora pretende participar-mo, e eu não me oponho a ouvi-la.
Como convite era mais que suficiente.
- Pois saiba, meu caro, que, pelo que a Sra. Long me disse, Netherfield foi alugado por um jovem de grande fortuna do norte de Inglaterra. Chegou na segunda-feira, numa carruagem puxada por quatro cavalos, para visitar o local, e ficou tão encantado que desde logo aceitou as condições do Sr. Morris. Vem ocupar a casa ainda antes do dia de S. Miguel e alguns de seus criados deverão chegar já no fim da próxima semana. (p. 5)

capítulo I
b. "jean melville"

É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna deve estar necessitando de uma esposa.
Por muito pouco que sejam conhecidos os sentimentos ou o modo de pensar de tal homem ao entrar pela primeira vez em uma localidade, essa verdade encontra-se de tal modo enraizada no espírito das famílias vizinhas que ele é considerado como propriedade legítima de uma de suas filhas.
- Meu caro Mr. Bennet - disse-lhe sua mulher certo dia -, sabe que Netherfield Park foi finalmente alugado?
Mr. Bennet respondeu-lhe que não sabia.
- Pois foi - tornou ela -; Mrs. Long ainda há pouco esteve aqui e contou-me tudo.
Mr. Bennet nada respondeu.
- Não quer saber quem o alugou? - exclamou a mulher, impaciente.
- A senhora deseja contar, e eu não me oponho a ouvi-la.
Esse convite foi mais que suficiente.
- Pois saiba, meu caro, que, pelo que Mrs. Long me disse, Netherfield foi alugado por um jovem de grande fortuna, proveniente do norte de Inglaterra. Chegou na segunda-feira, em uma carruagem puxada por quatro cavalos, para visitar o local, e ficou tão encantado que logo aceitou as condições de Mr. Morris. Ocupará a casa antes do dia de São Miguel e alguns de seus criados deverão chegar já no fim da próxima semana. (p. 13)

Capítulo XXIV
a. maria francisca ferreira de lima

- E são os homens que se encarregam de as convencer.
- Se é propositadamente que o fazem, não têm desculpa; mas não creio que no mundo haja tanta duplicidade, comoa maioria das pessoas pretendem fazer acreditar.
- Estou longe de atribuir à duplicidade alguma faceta do comportamento do Sr. Bingley - disse Elisabeth -; mas o que é certo é que, mesmo sem se planear fazer o mal ou tornar outros infelizes, podem-se criar situações de equívoco e de miséria. Refiro-me à inconsciência, à falta de atenção para com os sentimentos dos outros e à falta de poder de resolução.
- E qual lhe atribuis?
- O último. Mas não vou continuar, pois corro o risco de te desagradar ao dizer o que penso de pessoas que tu estimas.
- Persistes, então, em supor que as suas irmãs o influenciam?
- Sim, de combinação com o amigo dele.
- Não acredito. Porque tentariam elas influenciá-lo? Apenas lhe podem desejar a sua felicidade, e, se ele sente atracção por mim, nenhuma outra mulher lha pode garantir.
- A tua primeira afirmação é falsa. Elas podem desejar-lhe várias outras coisas além da felicidade; podem desejá-lo mais rico e mais influente: podem desejar casá-lo com uma rapariga investida de toda a importância que o dinheiro, a nobreza e o orgulho conferem.
- Sem dúvida que elas desejam vê-lo escolher a Menina Darcy - replicou Jane -, mas os sentimentos que as norteiam podem ser melhores do que aqueles que supões. Conhecendo-a há mais tempo do que me conhecem a mim, não me admira que a apreciem mais. Porém, quaisquer que sejam os seus desejos, não é provavel que se oponham aos do irmão; Que irmã se atreveria a tanto, a não ser em uma situação deveras censurável? (pp. 102-3)

Capítulo XXIV
b. "jean melville"

- E são os homens que se encarregam de as convencer.
- Se é propositadamente que o fazem, não têm desculpa; mas não creio que no mundo haja tanta duplicidade, como a maioria das pessoas pretendem fazer acreditar.
- Estou longe de atribuir à duplicidade alguma faceta do comportamento de Mr. Bingley - disse Elisabeth -; mas o que é certo é que, mesmo sem se planejar fazer o mal ou tornar outros infelizes, podem-se criar situações de equívoco e de sofrimento. Refiro-me à inconsciência, à falta de atenção para com os sentimentos dos outros e à falta de poder de resolução.
- E qual atribuis?
- O último. Mas não vou continuar, pois corro o risco de te desagradar ao dizer o que penso de pessoas que tu estimas.
- Persistes, então, em supor que as irmãs dele o influenciam?
- Sim, em combinação com o amigo dele.
- Não acredito. Porque tentariam influenciá-lo? Apenas podem desejar a felicidade dele e, se ele sente atração por mim, nenhuma outra mulher pode lhe trazer essa felicidade.
- A tua primeira afirmação é falsa. Elas podem desejar-lhe várias outras coisas além de felicidade; podem desejá-lo mais rico e mais influente: podem desejar casá-lo com uma moça investida de toda a importância que o dinheiro, a nobreza e o orgulho conferem.
- Sem dúvida que elas desejam vê-lo escolher Miss Darcy - replicou Jane -, mas os sentimentos que as norteiam podem ser melhores do que aqueles que supões. Eles a conhecem há mais tempo do que a mim, não me admira que a apreciem mais. Porém, quaisquer que sejam os seus desejos, não é provável que se oponham aos do irmão. Que irmã se atreveria a tanto, a não ser em uma situação realmente censurável? (p. 121)

Capítulo XLVIII
a. maria francisca ferreira de lima

Elisabeth imediatamente compreendeu de onde provinha aquela deferência pela sua autoridade no assunto, mas, infelizmente, não possuía informações que a justificassem.
Nunca ouvira dizer que ele tivesse quaisquer parentes, além do pai e da mãe, e ambos já haviam falecido há muitos anos. Era possível, no entanto, que alguns dos seus companheiros do regimento pudessem dar informações mais substanciais; e, embora não alimentasse grandes esperanças a esse respeito, tal medida não era de desdenhar.
Cada dia em Longbourn era agora um dia de ansiedade; mas o momento mais angustioso era o da chegada do correio. Eram esperadas cartas todas as manhãs, com a maior impaciência; e cada dia que passava aguardavam notícias importantes.
Porém, antes de tornarem a receber notícias do Sr. Gardiner, chegou uma carta para o Sr. Bennet da parte do Sr. Collins; e, como Jane recebera instruções para abrir toda a correspondência dirigida a seu pai na sua ausência, ela leu a carta. Elisabeth, que sabia como as cartas do Sr. Collins eram curiosas e singulares, debruçou-se sobre a irmã e leu também. (p. 212)

Capítulo XLVIII
b. "jean melville"

Elisabeth imediatamente compreendeu de onde provinha aquela deferência por sua autoridade no assunto, mas, infelizmente, não possuía informações que a justificassem.
Nunca ouvira dizer que ele tivesse alguns parentes, além do pai e da mãe, e ambos já haviam falecido há muitos anos. Era possível, no entanto, que alguns de seus companheiros do regimento pudessem dar informações mais substanciais; e, embora não alimentasse grandes esperanças a esse respeito, tal medida não era de desprezar.
Cada dia em Longbourn era agora um dia de ansiedade; mas o momento mais angustiante era o da chegada do correio. Eram esperadas cartas todas as manhãs, com grande impaciência; e todo dia [] aguardavam notícias importantes.
Porém, antes de tornarem a receber notícias de Mr. Gardiner, chegou uma carta para Mr. Bennet da parte de Mr. Collins; e, como Jane recebera instruções para abrir toda correspondência dirigida a seu pai em sua ausência, ela leu a carta. Elisabeth, que sabia como as cartas de Mr. Collins eram curiosas e singulares, debruçou-se sobre a irmã e leu também. (p. 241)

[agradeço a colaboração de thiago augusto]

sobre essa ishperteza, veja também "quanta enganação!". ela encontra solidária acolhida entre a fiel turminha: livraria da travessa, livraria da vila, livraria cultura, livraria loyola, livrarias siciliano etc.


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.





imagens: http://janeausten.com.br; www.players.com.br

Um comentário:

  1. E assim se alastram esses textos:

    http://verum.pucrs.br/F/?func=direct&local_base=puc01&doc_number=000417545&format=999

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