Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta orgulho e preconceito. Ordenar por data Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta orgulho e preconceito. Ordenar por data Mostrar todas as postagens

12 de jan. de 2010

record, recapitulando

um ano e meio atrás, entrei em contato com o grupo editorial record, primeiro por telefone e depois por e-mail, sobre duas questões.

- a primeira delas era o caso de o amante de lady chatterley, na tradução de rodrigo richter, que passara a integrar o catálogo da bestbolso/record. a obra tinha sido integralmente plagiada, sem rebuços, pela editora martin claret, que atribuía a autoria da tradução a um fantasmático "jorge luís penha". veja aqui o cotejo.

essa tradução que traz o nome de rodrigo richter tem uma história muito interessante, que remonta aos anos 1930. sobre sua curiosa trajetória, ver richter e encerrando o ano (mais chatterley).

avisei a record do plágio, lembrei a ela que nós leitores podemos nos sentir um tanto confusos diante de duas traduções idênticas atribuídas a duas pessoas diferentes, e opinei que seria muito bom se ela pudesse sanar esse problema.

- a segunda questão se referia a orgulho e preconceito de jane austen, que consta no catálogo da bestseller/record com tradução atribuída a "enrico corvisieri". quem acompanhou a história das fraudes na editora nova cultural está familiarizado com o nome desse fantasma. quem não conhece, pode ver os nomes das obras espúrias em nome do referido corvisieri aqui (coleção "imortais da literatura universal" e coleção "obras-primas") e aqui (coleção "os pensadores").

como o grupo record havia adquirido a editora bestseller, até então pertencente (tal como a editora nova cultural) ao grupo c.l.c. do sr. richard civita, naturalmente os direitos patrimoniais sobre orgulho e preconceito nesta versão em português passaram a pertencer ao grupo record, que continuou a publicá-la.

a resposta que recebi na época foi:

"Prezada Senhora Denise,

Com relação aos seus emails de 10/09/2008 e 12/09/2008, sobre a autenticidade das traduções de diversas obras publicadas por nosso grupo editorial, cumpre-nos informar que:
(1) Os direitos autorais sobre as obras em domínio público, antes publicadas pela Editora Nova Cultural, foram adquiridos como parte do acervo daquela editora. Os contratos e informações disponíveis foram examinados por auditores independentes e, dentro das limitações da auditoria, as falhas observadas foram e serão adequadamente corrigidas;
(2) As obras de domínio público publicadas pelo nosso grupo editorial são revistas regularmente e, em muitos casos, as traduções são totalmente refeitas, de modo a corrigir e atualizar os textos;
(3) Nossa empresa não firmou qualquer acordo de co-edição com as editoras mencionadas em seus emails e desconhece a utilização de nossos textos por essas editoras;
(4) Nossa empresa aguardará qualquer iniciativa dos interessados diretos, os tradutores dessas obras, que são os titulares dos eventuais direitos, na forma da lei.
Cordialmente,
Sérgio França
Coordenador editorial
Editora Record"

tirando o detalhe de que tais traduções não são obras em domínio público, longe disso, fiquei um tanto perplexa com a posição do coordenador editorial da record exposta no item 4. expressei meu desconforto em e isso, é certo?

em dezembro passado, resolvi retomar o contato com a record. desta vez falei com um outro rapaz da best-seller. a seu pedido, coloquei a questão em e-mail e enviei a seus cuidados:

"conforme lhe expus por telefone na semana passada, a best-seller da record tem em catálogo uma edição de orgulho e preconceito na pretensa tradução de enrico corvisieri, que é bastante problemática em termos de confiabilidade.

"não só essa edição é uma contrafação atamancada da clássica tradução de lúcio cardoso, como 'enrico corvisieri' é um nome fictício utilizado por muitos anos em edições publicadas pela nova cultural, a bem dizer desde 1995 até data recente. foi muito empregado para acobertar fraudes de tradução, e a própria nova cultural já retirou de catálogo, faz uns dois anos, todas as edições com tradução atribuída ao tal 'enrico corvisieri'.

"eu já tinha avisado a record cerca de um ano e meio atrás, conversei com várias pessoas, e afinal um rapaz muito atencioso, cujo nome infelizmente não lembro, tentou averiguar melhor por que essa tradução espúria de orgulho e preconceito em nome de enrico corvisieri estava no catálogo de vcs. conforme ele me explicou, essa tradução veio no catálogo da bestseller quando da aquisição pela record. depois tentei novamente alertar a record por e-mail em relação a este caso e ao caso de o amante de lady chatterley (que é um pouco diferente; trata-se da apropriação da obra do catálogo da record em plágio publicado pela martin claret), mas em sua resposta o sr. sérgio frança considerou que seria um problema que competiria apenas aos tradutores lesados.

"humildemente permito-me discordar desta posição, pois considero que é um direito do leitor-consumidor ter acesso a informações corretas, e que cabe às editoras se assegurarem de oferecer produtos idôneos ao público.

"é por isso que volto a solicitar uma vez mais à record que reconsidere a presença dessa obra falsificada em seu catálogo.

"agradeço
denise bottmann


enquanto aguardamos manifestação da record, passo a apresentar os cotejos entre a tradução legítima de lúcio cardoso e essa tradução espúria de orgulho e preconceito.

imagem: oclick
obs.: atualização - como a identificação deste último contato na record é irrelevante para a questão mais geral, retirei o nome a pedido seu.

4 de out. de 2010

menos mau

.
jane austen em português noticia: um enrico corvisieri a menos no mercado!

explico-me: a editora best-seller, do grupo record, tem em seu catálogo um tristésimo orgulho e preconceito numa pretensa tradução em nome do fantasmagórico "enrico corvisieri".

"enrico corvisieri" foi o pietro nassetti da editora nova cultural entre os anos 1996 e 2005, isto é, em seu nome constavam traduções alheias do mais variado leque de obras das mais variadas línguas. a editora best-seller pertencia, junto com a nova cultural, ao grupo C.L.C. comandado por richard civita.

em 2003 a C.L.C. vendeu a editora best-seller ao grupo record, do rio de janeiro, que levou no catálogo orgulho e preconceito na pretensa tradução de "enrico corvisieri". na verdade, tratava-se de uma cópia adulterada da antiga tradução de lúcio cardoso (1940).


hoje em dia, a tradução legítima de lúcio cardoso é publicada pela civilização brasileira, que também faz parte do grupo record.

a best-bolso é a linha pocket da best-seller, do mesmo grupo record. então havia o risco de que a best-bolso perpetuasse a fraude de enrico corvisieri da best-seller. ufa, não! a best-bolso está publicando a tradução de lúcio cardoso, que está na civilização.

agora é torcer para que o monstrengo corvisieriano acabe de definhar na best-seller, e nunca mais seja reeditado. quanto aos leitores que leram esse copidesque atamancado da tradução de lúcio cardoso, é uma pena. como a bestbolso é da best-seller, ficaria bonito se a record oferecesse aos infelizes compradores da edição de orgulho e preconceito pela best-seller a nova edição da bestbolso, em tradução legítima.

acompanhe o caso em orgulho e preconceito da best seller.

imagem: albo.co.uk
.

13 de jan. de 2010

orgulho e preconceito da best seller

jane austen no brasil é um caso sério. várias de suas obras vivem esgotadas, algumas traduções - por exemplo, persuasão pela landmark - são cópias adulteradas de traduções previamente existentes e por aí vai.

o caso de orgulho e preconceito, infelizmente, não é exceção. já mostrei em liz bennet kidnapped que a tradução atribuída a "jean melville", publicada em sucessivas reedições pela editora martin claret, é uma cópia mal disfarçada da tradução de maria francisca ferreira de lima, publicada em 1975 pela editora europa-américa.

a tradução brasileira mais conhecida é a de lúcio cardoso, de 1940, pela josé olympio e atualmente pela civilização brasileira. foi ela que serviu de base para uma cópia adulterada que tem sido publicada em nome de "enrico corvisieri", pela editora best seller, desde 1997 até hoje.

 escolhi alguns trechos salteados ao longo do livro.

1. capítulo VII, quando elizabeth vai visitar sua irmã jane.

- original:
In Meryton they parted; the two youngest repaired to the lodgings of one of the officers' wives, and Elizabeth continued her walk alone, crossing field after field at a quick pace, jumping over stiles and springing over puddles with impatient activity, and finding herself at last within view of the house, with weary ankles, dirty stockings, and a face glowing with the warmth of exercise.

She was shown into the breakfast-parlour, where all but Jane were assembled, and where her appearance created a great deal of surprise. That she should have walked three miles so early in the day, in such dirty weather, and by herself, was almost incredible to Mrs. Hurst and Miss Bingley; and Elizabeth was convinced that they held her in contempt for it. She was received, however, very politely by them; and in their brother's manners there was something better than politeness; there was good humour and kindness. Mr. Darcy said very little, and Mr. Hurst nothing at all. The former was divided between admiration of the brilliancy which exercise had given to her complexion, and doubt as to the occasion's justifying her coming so far alone. The latter was thinking only of his breakfast.

- tradução de lúcio cardoso:
Em Meryton as moças se separaram. As duas mais jovens se dirigiram para a residência da esposa de um dos oficiais e Elizabeth continuou sozinha, atravessando campo após campo, pulando cercas e saltando por sobre poças d'água, com impaciência, e afinal encontrou-se a pouca distância da casa, com os tornozelos doídos, as meias sujas e o rosto corado pelo exercício.
Foi introduzida numa sala de almoço onde todos estavam reunidos, com exceção de Jane. O seu aparecimento causou bastante surpresa. Mrs. Hurst e Miss Bingley acharam incrível que ela tivesse caminhado três milhas tão cedo, com tanta umidade e sozinha; e Elizabeth ficou convencida de que elas a desprezaram por isto. Receberam-na, entretanto, muito amavelmente; quanto ao irmão dessas senhoras, havia nas suas maneiras mais do que simples polidez; havia bom humor e bondade. Mr. Darcy falou pouco e Mr. Hurst não disse nada. O primeiro estava em dúvida sobre se devia admirar as belas cores que o exercício emprestara ao rosto da moça ou refletir que o motivo talvez não justificasse a sua vinda sozinha, de tão longe. O segundo pensava apenas no seu almoço.

- "tradução" de enrico corvisieri:
Em Meryton, as moças se separaram. As duas mais jovens se dirigiram para a residência da esposa de um dos oficiais e Elizabeth continuou sozinha, atravessando campo após campo, pulando cercas e saltando por sobre poças d'água, com impaciência, e finalmente encontrou-se a pouca distância da casa, com os tornozelos doídos, as meias sujas e o rosto corado pelo exercício.
Foi introduzida em uma sala de almoço onde todos estavam reunidos, com exceção de Jane. Seu aparecimento causou grande surpresa. A sra. Hurst e a srta. Bingley acharam incrível que ela tivesse caminhado cinco quilômetros tão cedo, com tanta umidade e sozinha; e Elizabeth ficou convencida de que elas a desprezaram por isso. Contudo receberam-na [] muito amavelmente; quanto ao irmão dessas senhoras, havia em suas maneiras mais do que simples polidez, havia bom humor e bondade. O sr. Darcy falou pouco e o sr. Hurst não disse nada. O primeiro estava em dúvida sobre se devia admirar as belas cores que o exercício emprestara ao rosto da moça ou refletir que o motivo talvez não justificasse a sua vinda, sozinha, de tão longe. O segundo pensava apenas em seu almoço.

2. capítulo XIX, parte inicial do comicíssimo pedido de casamento de mr. collins.

- original:
My reasons for marrying are, first, that I think it a right thing for every clergyman in easy circumstances (like myself) to set the example of matrimony in his parish; secondly, that I am convinced that it will add very greatly to my happiness; and thirdly—which perhaps I ought to have mentioned earlier, that it is the particular advice and recommendation of the very noble lady whom I have the honour of calling patroness. Twice has she condescended to give me her opinion (unasked too!) on this subject; and it was but the very Saturday night before I left Hunsford—between our pools at quadrille, while Mrs. Jenkinson was arranging Miss de Bourgh's footstool, that she said, 'Mr. Collins, you must marry. A clergyman like you must marry. Choose properly, choose a gentlewoman for my sake; and for your own, let her be an active, useful sort of person, not brought up high, but able to make a small income go a good way. This is my advice. Find such a woman as soon as you can, bring her to Hunsford, and I will visit her.' Allow me, by the way, to observe, my fair cousin, that I do not reckon the notice and kindness of Lady Catherine de Bourgh as among the least of the advantages in my power to offer. You will find her manners beyond anything I can describe; and your wit and vivacity, I think, must be acceptable to her, especially when tempered with the silence and respect which her rank will inevitably excite.

- tradução de lúcio cardoso:
- Minhas razões para casar são: primeiro, penso que é uma obrigação de todos os pastores que se encontrem em boa situação, como eu, dar bom exemplo à sua paróquia. Em segundo lugar estou convencido de que isto contribuirá grandemente para a minha felicidade. E o terceiro motivo, que eu devia talvez ter mencionado primeiro, é o conselho e a expressa recomendação da muito nobre senhora que eu tenho a honra de chamar a minha protetora. Duas vezes ela condescendeu em dar-me a sua opinião sobre este assunto, sem que eu lhe pedisse. E na noite que precedeu a minha partida de Hunsford, durante um jogo de cartas e enquanto Miss Jenkinson punha um tamborete sob os pés de Miss de Bourgh, Lady Catherine disse: "Mr. Collins, o senhor precisa se casar. Um pastor como o senhor tem a obrigação de se casar. Escolha uma mulher educada, é o que lhe peço; e, para seu interesse, escolha uma pessoa ativa, útil, que não tenha sido mimada pelos pais, mas que saiba administrar uma casa com economia. Encontre uma pessoa nessas condições o mais depressa possível, traga-a para Hunsford e eu irei visitá-la". Permita-me a propósito observar, minha encatandora prima, que não considero a atenção e a amabilidade de Lady Catherine uma das menores vantagens que estão em meu poder oferecer-lhe; [aqui faltou uma frase do original] penso que o seu espírito e a sua vivacidade a tornarão aceitável aos olhos de Lady Catherine, especialmente se combinar estas qualidades com a veneração e o respeito que a posição de Lady Catherine hão [sic] de provocar inevitavelmente em seu espírito.

- "tradução" de enrico corvisieri:
- Minhas razões para casar são: primeiro, penso que é uma obrigação de todos os pastores que se encontrem em boa situação, como eu, dar bom exemplo a sua paróquia. Em segundo lugar, estou convencido de que isto contribuirá grandemente para a minha felicidade. E o terceiro motivo, que eu deveria talvez ter mencionado primeiro, é o conselho e a expressa recomendação da muito nobre senhora que eu tenho a honra de chamar de minha protetora. Duas vezes ela condescendeu em dar-me a sua opinião sobre este assunto, sem que eu lhe pedisse. E na noite que precedeu a minha partida de Hunsford, durante um jogo de cartas e enquanto a sra. Jenkinson punha um tamborete sob os pés da srta. De Bourgh, lady Catherine disse: "Senhor Collins, o senhor precisa se casar. Um pastor como o senhor tem a obrigação de se casar. Escolha uma mulher educada, é o que lhe peço; e, para seu interesse, escolha uma pessoa ativa, útil, que não tenha sido mimada pelos pais, mas que saiba administrar uma casa com economia. Encontre uma pessoa nessas condições o mais depressa possível, traga-a para Hunsford e eu irei visitá-la". Permita-me a propósito observar, minha encantadora prima, que não considero a atenção e a amabilidade de lady Catherine uma das menores vantagens que estão em meu poder oferecer-lhe; [mesmo salto] penso que o seu espírito e a sua vivacidade a tornarão aceitável aos olhos de lady Catherine, especialmente se combinar essas qualidades com a veneração e o respeito que a posição de lady Catherine hão [tb sic] de provocar inevitavelmente em seu espírito.

3. seguem alguns trechos da longuíssima carta de mr. darcy a elizabeth, no capítulo XXXV, com uma inversão de frase e alguns cosméticos. a bobagem em lançar mão de tais cosméticos é que eles costumam passar longe das peculiaridades do texto submetido a plágio, e apenas ressaltam ainda mais o fato.

- original:
"Be not alarmed, madam, on receiving this letter, by the apprehension of its containing any repetition of those sentiments or renewal of those offers which were last night so disgusting to you. I write without any intention of paining you, or humbling myself, by dwelling on wishes which, for the happiness of both, cannot be too soon forgotten; and the effort which the formation and the perusal of this letter must occasion, should have been spared, had not my character required it to be written and read. You must, therefore, pardon the freedom with which I demand your attention; your feelings, I know, will bestow it unwillingly, but I demand it of your justice.
"Two offenses of a very different nature, and by no means of equal magnitude, you last night laid to my charge. The first mentioned was, that, regardless of the sentiments of either, I had detached Mr. Bingley from your sister, and the other, that I had, in defiance of various claims, in defiance of honour and humanity, ruined the immediate prosperity and blasted the prospects of Mr. Wickham. Wilfully and wantonly to have thrown off the companion of my youth, the acknowledged favourite of my father, a young man who had scarcely any other dependence than on our patronage, and who had been brought up to expect its exertion, would be a depravity, to which the separation of two young persons, whose affection could be the growth of only a few weeks, could bear no comparison. But from the severity of that blame which was last night so liberally bestowed, respecting each circumstance, I shall hope to be in the future secured, when the following account of my actions and their motives has been read. If, in the explanation of them, which is due to myself, I am under the necessity of relating feelings which may be offensive to yours, I can only say that I am sorry. The necessity must be obeyed, and further apology would be absurd."

- tradução de lúcio cardoso:
"Não fique alarmada, Miss Eliza, ao receber esta carta, pela apreensão de que ela contenha a repetição daqueles sentimentos ou a renovação daquelas propostas que ontem à noite tanto lhe repugnaram. Escrevo-lhe sem nenhuma intenção de aborrecê-la ou de me humilhar insistindo em exprimir esperanças que para a felicidade de ambos não podem ser esquecidas cedo demais. E o esforço da minha parte ao escrever esta carta e o seu em percorrê-la teria sido poupado se o meu caráter não exigisse que ela fosse escrita e lida. É preciso pois que me perdoe a liberdade com que exijo a sua atenção; sei que os seus sentimentos a concederão com relutância. Mas eu o exijo da sua justiça. Duas foram as acusações que me fez ontem à noite, de natureza muito diferente e de importância igualmente desigual. A primeira foi: que eu tinha separado Mr. Bingley da sua irmã, indiferente aos sentimentos de ambos. E a outra de ter arruinado a possibilidade imediata e as probabilidades futuras de Mr. Wickham, ferindo vários direitos, desafiando a honra e a humanidade. Ter repudiado voluntária e gratuitamente o companheiro da minha infância, o favorito declarado de meu pai, um rapaz que dependia exclusivamente da nossa proteção e a quem esta fora prometida seria uma perversidade incomparavelmente mais grave do que a separação de duas pessoas cuja afeição, embora real, não poderia ter crescido excessivamente no espaço das poucas semanas que estiveram juntas. Espero estar a salvo, para o futuro, da severidade das censuras que me foram feitas com tanta veemência a respeito destes dois casos, depois de ter lido a seguinte explicação dos meus atos e dos seus motivos. Se durante esta explanação eu me encontrar na necessidade de exprimir sentimentos que possam ser ofensivos aos seus, posso dizer apenas que isto me entristece sinceramente. A necessidade de expô-los deve ser obedecida. E quaisquer outras desculpas serão supérfluas."

- "tradução" de enrico corvisieri:
"Não se alarmesenhorita Eliza, ao receber esta carta, por apreensão de que ela contenha a reiteração dos sentimentos ou a renovação das propostas que ontem à noite lhe causaram tanto repúdio. Escrevo-lhe sem nenhuma intenção de aborrecê-la ou de me humilhar insistindo em exprimir esperanças que, para a felicidade de ambos, não podem ser esquecidas cedo demais. E o esforço da minha parte ao escrever esta carta e o seu de lê-la teria sido poupado se meu caráter não exigisse que ela fosse escrita e lida. É preciso, pois, que me perdoe a liberdade com que exijo sua atenção; sei que os seus sentimentos hão de concedê-la com relutância. Mas isso eu exijo de seu senso de justiça. Duas foram as acusações que me fez ontem à noite, de natureza muito diferente e de importância igualmente díspar. A primeira foi: que eu havia separado o senhor Bingley de sua irmã, indiferente aos sentimentos de ambos. E a outra de eu ter arruinado a possibilidade imediata e as probabilidades futuras do senhor Wickham, ferindo vários direitos, desafiando a honra e a humanidade. Ter repudiado voluntária e gratuitamente o companheiro de minha infância, o favorito declarado de meu pai, [] rapaz que dependia exclusivamente da nossa proteção e a quem esta fora prometida, seria uma perversidade incomparavelmente mais grave do que a separação de duas pessoas cuja afeição, embora real, não poderia ter crescido excessivamente no intervalo das poucas semanas em que estiveram juntas. Depois que a senhorita tiver lido a seguinte explicação dos meus atos e [] motivações, espero estar a salvo, no futuro, do rigor das censuras que me foram dirigidas com tamanha eloquência a respeito desses dois casos. Se ao longo desta explanação eu me vir na necessidade de expressar sentimentos que possam ser ofensivos aos seus, só me resta afirmar que isso me entristece sinceramente. A necessidade de expô-los deve ser obedecida. E quaisquer outras desculpas serão supérfluas."

4. um exemplo final, do cap. LVII, mais um trecho do divertido mr. collins:

- original:
Mr. Collins moreover adds, 'I am truly rejoiced that my cousin Lydia's sad business has been so well hushed up, and am only concerned that their living together before the marriage took place should be so generally known. I must not, however, neglect the duties of my station, or refrain from declaring my amazement at hearing that you received the young couple into your house as soon as they were married. It was an encouragement of vice; and had I been the rector of Longbourn, I should very strenuously have opposed it. You ought certainly to forgive them, as a Christian, but never to admit them in your sight, or allow their names to be mentioned in your hearing.' That is his notion of Christian forgiveness! The rest of his letter is only about his dear Charlotte's situation, and his expectation of a young olive-branch. But, Lizzy, you look as if you did not enjoy it. You are not going to be missish, I hope, and pretend to be affronted at an idle report. For what do we live, but to make sport for our neighbours, and laugh at them in our turn?"

- tradução de lúcio cardoso:
"Causa-me muita alegria saber que o triste caso da minha prima Lydia conseguiu ser abafado tão depressa! E o que me preocupa apenas é que outros tenham ficado sabendo que eles vivessem juntos antes de se casarem. Não posso, entretanto, esquecer os deveres do meu estado, nem deixar de manifestar o espanto que senti, ao ouvir dizer que o senhor recebeu o jovem casal na sua casa logo após o matrimônio. Considero isto um encorajamento ao vício, e se fosse o reitor de Longbourn ter-me-ia oposto a isto terminantemente. É certo que como cristãos [sic] os devia ter perdoado, porém jamais devia admiti-los em sua presença nem permitir que os seus nomes lhe fossem mencionados."
- Esta é a noção que ele tem do perdão cristão das ofensas. O resto da carta trata apenas da situação da sua querida Charlotte e das esperanças que ele tem de um herdeiro. Mas, Lizzy, você parece que não está gostando. Espero que não leve a sério e nem vá ficar ofendida por causa deste boato tolo. Não vejo por que não possamos rir, do nosso lado, com o ridículo dos nossos vizinhos...

- "tradução" de enrico corvisieri:
"Causa-me muita alegria saber que o triste caso da minha prima Lydia conseguiu ser abafado tão depressa! E o que me preocupa apenas é que outros tenham ficado sabendo que eles vivessem juntos antes de se casarem. Não posso, entretanto, esquecer os deveres do meu estado, nem deixar de manifestar o espanto que senti, ao ouvir dizer que o senhor recebeu o jovem casal na sua casa logo após o matrimônio. Considero isto um encorajamento ao vício, e se fosse o reitor de Longbourn ter-me-ia oposto a isto terminantemente. É certo que como cristãos [sic] os devia ter perdoado, porém jamais devia admiti-los em sua presença nem permitir que os seus nomes lhe fossem mencionados."
- Esta é a noção que ele tem do perdão cristão das ofensas. O resto da carta trata apenas da situação da sua querida Charlotte e das esperanças que ele tem de um herdeiro. Mas, Lizzy, você parece que não está gostando. Espero que não leve a sério e nem vá ficar ofendida por causa deste boato tolo. Não vejo por que não possamos rir, do nosso lado, com o ridículo dos nossos vizinhos...

espero sinceramente que o grupo record não se limite a "aguardar" a "iniciativa dos interessados diretos, os tradutores dessas obras, que são os titulares dos eventuais direitos, na forma da lei", conforme declarou seu coordenador editorial, e mostre o devido apreço por seus leitores.

aliás, se o requisito do grupo record para retirar esse plágio de catálogo e circulação é, não o respeito pelo leitor, mas o contato com o tradutor e/ou sucessor, quem sabe talvez o próprio grupo record não se dispõe a encaminhar a questão junto ao interessado direto, o sobrinho de lúcio cardoso e, até onde sei, atual detentor de seus direitos?

imagino que não seja muito difícil - pois afinal a civilização brasileira, que decerto obteve a devida autorização para publicar a obra orgulho e preconceito traduzida por seu falecido tio, faz parte do mesmo grupo editorial a que pertence a best seller.


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.


imagens de capa: penguin; best seller; civilização brasileira.

19 de mar. de 2009

liz bennet kidnapped

jane austen, a encantadora dama das letras inglesas, parece encantar também em português. além do sequestro sofrido às mãos da landmark, em persuasão, ela foi alvo de outro atentado em orgulho e preconceito, às mãos da nefária claret.

a apropriação foi feita em cima da tradução de maria francisca ferreira de lima, na edição da europa-américa. sofreu leves alterações, sobretudo nos primeiros parágrafos, e saiu atribuída a "jean melville".

capítulo I
a. maria francisca ferreira de lima

É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna necessita de uma esposa.
Por muito pouco que se conheçam os sentimentos ou modo de pensar de tal homem ao entrar pela primeira vez numa vizinhança, essa verdade encontra-se de tal modo enraizada nos espíritos das famílias circundantes que ele é considerado como propriedade legítima desta ou daquela de suas filhas.
- Meu caro Sr. Bennet - disse-lhe sua mulher um dia -, sabe que Netherfield Park foi finalmente alugado?
O Sr. Bennet respondeu-lhe que não sabia.
- É como lhe digo - tornou ela -; pois a Sra. Long ainda há pouco aqui esteve e contou-me tudo.
O Sr. Bennet não deu qualquer resposta.
- Não lhe interessa saber quem o alugou? - exclamou a mulher, impaciente.
- A senhora pretende participar-mo, e eu não me oponho a ouvi-la.
Como convite era mais que suficiente.
- Pois saiba, meu caro, que, pelo que a Sra. Long me disse, Netherfield foi alugado por um jovem de grande fortuna do norte de Inglaterra. Chegou na segunda-feira, numa carruagem puxada por quatro cavalos, para visitar o local, e ficou tão encantado que desde logo aceitou as condições do Sr. Morris. Vem ocupar a casa ainda antes do dia de S. Miguel e alguns de seus criados deverão chegar já no fim da próxima semana. (p. 5)

capítulo I
b. "jean melville"

É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna deve estar necessitando de uma esposa.
Por muito pouco que sejam conhecidos os sentimentos ou o modo de pensar de tal homem ao entrar pela primeira vez em uma localidade, essa verdade encontra-se de tal modo enraizada no espírito das famílias vizinhas que ele é considerado como propriedade legítima de uma de suas filhas.
- Meu caro Mr. Bennet - disse-lhe sua mulher certo dia -, sabe que Netherfield Park foi finalmente alugado?
Mr. Bennet respondeu-lhe que não sabia.
- Pois foi - tornou ela -; Mrs. Long ainda há pouco esteve aqui e contou-me tudo.
Mr. Bennet nada respondeu.
- Não quer saber quem o alugou? - exclamou a mulher, impaciente.
- A senhora deseja contar, e eu não me oponho a ouvi-la.
Esse convite foi mais que suficiente.
- Pois saiba, meu caro, que, pelo que Mrs. Long me disse, Netherfield foi alugado por um jovem de grande fortuna, proveniente do norte de Inglaterra. Chegou na segunda-feira, em uma carruagem puxada por quatro cavalos, para visitar o local, e ficou tão encantado que logo aceitou as condições de Mr. Morris. Ocupará a casa antes do dia de São Miguel e alguns de seus criados deverão chegar já no fim da próxima semana. (p. 13)

Capítulo XXIV
a. maria francisca ferreira de lima

- E são os homens que se encarregam de as convencer.
- Se é propositadamente que o fazem, não têm desculpa; mas não creio que no mundo haja tanta duplicidade, comoa maioria das pessoas pretendem fazer acreditar.
- Estou longe de atribuir à duplicidade alguma faceta do comportamento do Sr. Bingley - disse Elisabeth -; mas o que é certo é que, mesmo sem se planear fazer o mal ou tornar outros infelizes, podem-se criar situações de equívoco e de miséria. Refiro-me à inconsciência, à falta de atenção para com os sentimentos dos outros e à falta de poder de resolução.
- E qual lhe atribuis?
- O último. Mas não vou continuar, pois corro o risco de te desagradar ao dizer o que penso de pessoas que tu estimas.
- Persistes, então, em supor que as suas irmãs o influenciam?
- Sim, de combinação com o amigo dele.
- Não acredito. Porque tentariam elas influenciá-lo? Apenas lhe podem desejar a sua felicidade, e, se ele sente atracção por mim, nenhuma outra mulher lha pode garantir.
- A tua primeira afirmação é falsa. Elas podem desejar-lhe várias outras coisas além da felicidade; podem desejá-lo mais rico e mais influente: podem desejar casá-lo com uma rapariga investida de toda a importância que o dinheiro, a nobreza e o orgulho conferem.
- Sem dúvida que elas desejam vê-lo escolher a Menina Darcy - replicou Jane -, mas os sentimentos que as norteiam podem ser melhores do que aqueles que supões. Conhecendo-a há mais tempo do que me conhecem a mim, não me admira que a apreciem mais. Porém, quaisquer que sejam os seus desejos, não é provavel que se oponham aos do irmão; Que irmã se atreveria a tanto, a não ser em uma situação deveras censurável? (pp. 102-3)

Capítulo XXIV
b. "jean melville"

- E são os homens que se encarregam de as convencer.
- Se é propositadamente que o fazem, não têm desculpa; mas não creio que no mundo haja tanta duplicidade, como a maioria das pessoas pretendem fazer acreditar.
- Estou longe de atribuir à duplicidade alguma faceta do comportamento de Mr. Bingley - disse Elisabeth -; mas o que é certo é que, mesmo sem se planejar fazer o mal ou tornar outros infelizes, podem-se criar situações de equívoco e de sofrimento. Refiro-me à inconsciência, à falta de atenção para com os sentimentos dos outros e à falta de poder de resolução.
- E qual atribuis?
- O último. Mas não vou continuar, pois corro o risco de te desagradar ao dizer o que penso de pessoas que tu estimas.
- Persistes, então, em supor que as irmãs dele o influenciam?
- Sim, em combinação com o amigo dele.
- Não acredito. Porque tentariam influenciá-lo? Apenas podem desejar a felicidade dele e, se ele sente atração por mim, nenhuma outra mulher pode lhe trazer essa felicidade.
- A tua primeira afirmação é falsa. Elas podem desejar-lhe várias outras coisas além de felicidade; podem desejá-lo mais rico e mais influente: podem desejar casá-lo com uma moça investida de toda a importância que o dinheiro, a nobreza e o orgulho conferem.
- Sem dúvida que elas desejam vê-lo escolher Miss Darcy - replicou Jane -, mas os sentimentos que as norteiam podem ser melhores do que aqueles que supões. Eles a conhecem há mais tempo do que a mim, não me admira que a apreciem mais. Porém, quaisquer que sejam os seus desejos, não é provável que se oponham aos do irmão. Que irmã se atreveria a tanto, a não ser em uma situação realmente censurável? (p. 121)

Capítulo XLVIII
a. maria francisca ferreira de lima

Elisabeth imediatamente compreendeu de onde provinha aquela deferência pela sua autoridade no assunto, mas, infelizmente, não possuía informações que a justificassem.
Nunca ouvira dizer que ele tivesse quaisquer parentes, além do pai e da mãe, e ambos já haviam falecido há muitos anos. Era possível, no entanto, que alguns dos seus companheiros do regimento pudessem dar informações mais substanciais; e, embora não alimentasse grandes esperanças a esse respeito, tal medida não era de desdenhar.
Cada dia em Longbourn era agora um dia de ansiedade; mas o momento mais angustioso era o da chegada do correio. Eram esperadas cartas todas as manhãs, com a maior impaciência; e cada dia que passava aguardavam notícias importantes.
Porém, antes de tornarem a receber notícias do Sr. Gardiner, chegou uma carta para o Sr. Bennet da parte do Sr. Collins; e, como Jane recebera instruções para abrir toda a correspondência dirigida a seu pai na sua ausência, ela leu a carta. Elisabeth, que sabia como as cartas do Sr. Collins eram curiosas e singulares, debruçou-se sobre a irmã e leu também. (p. 212)

Capítulo XLVIII
b. "jean melville"

Elisabeth imediatamente compreendeu de onde provinha aquela deferência por sua autoridade no assunto, mas, infelizmente, não possuía informações que a justificassem.
Nunca ouvira dizer que ele tivesse alguns parentes, além do pai e da mãe, e ambos já haviam falecido há muitos anos. Era possível, no entanto, que alguns de seus companheiros do regimento pudessem dar informações mais substanciais; e, embora não alimentasse grandes esperanças a esse respeito, tal medida não era de desprezar.
Cada dia em Longbourn era agora um dia de ansiedade; mas o momento mais angustiante era o da chegada do correio. Eram esperadas cartas todas as manhãs, com grande impaciência; e todo dia [] aguardavam notícias importantes.
Porém, antes de tornarem a receber notícias de Mr. Gardiner, chegou uma carta para Mr. Bennet da parte de Mr. Collins; e, como Jane recebera instruções para abrir toda correspondência dirigida a seu pai em sua ausência, ela leu a carta. Elisabeth, que sabia como as cartas de Mr. Collins eram curiosas e singulares, debruçou-se sobre a irmã e leu também. (p. 241)

[agradeço a colaboração de thiago augusto]

sobre essa ishperteza, veja também "quanta enganação!". ela encontra solidária acolhida entre a fiel turminha: livraria da travessa, livraria da vila, livraria cultura, livraria loyola, livrarias siciliano etc.


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.





imagens: http://janeausten.com.br; www.players.com.br

27 de jan. de 2010

o insidioso orgulho plagiado

.
mais um caso de involuntária legitimação acadêmica do mais pernicioso delito intelectual, a saber, o plágio - aqui, com a referência a "enrico corvisieri" como pretenso autor da tradução de orgulho e preconceito, na verdade furtada a lúcio cardoso. clique na imagem para ampliar.


Genilda Azeredo,
Jane Austen, adaptação e ironia : uma introdução
(agradeço a ivo barroso pelo aviso e pela imagem)

quando cessará a infiltração das fraudes tradutórias entre os materiais de estudo na academia? e a memória cultural, como preservá-la?

25 de mai. de 2010

cotejos disponíveis



segue-se a relação de cotejos publicados no nãogostodeplágio. clique no nome da obra para ver a comparação entre a tradução legítima e a tradução espúria. os posts trazem exemplos de alguns parágrafos, a título ilustrativo, de extensos cotejos feitos entre as traduções, com outras traduções e/ou com o original.

alexandre dumas, os três mosqueteiros (nova cultural)
aristóteles, arte poética (martin claret)
aristóteles, ética a nicômaco (martin claret)
baltasar gracián, a arte da prudência (martin claret)
balzac, a mulher de trinta anos (martin claret)
balzac, a mulher de trinta anos (nova cultural)
balzac, eugênia grandet (martin claret)
baudelaire, flores do mal (martin claret)
boccaccio, o decamerão (hemus, abril cultural, círculo do livro, nova cultural)
brecht, o casamento do pequeno burguês (deriva)
campanella, a cidade do sol (rideel)
carnelutti, arte do direito (bookseller)
charles dickens, cântico de natal (martin claret)
charlotte brontë, jane eyre (itatiaia)
chesterton, o homem que foi quinta-feira (um pesadelo) (germinal)
conan doyle, aventuras de sherlock holmes (martin claret)
conan doyle, memórias de sherlock holmes (martin claret)
conan doyle, o último adeus de sherlock holmes (martin claret)
d. h. lawrence, o amante de lady chatterley (martin claret)
dante, a divina comédia (nova cultural)
dante, da monarquia (martin claret)
dante, vida nova (martin claret)
darwin, a origem das espécies (martin claret)
darwin, a origem das espécies (hemus/claret)
darwin, a origem das espécies (hemus/ediouro)
darwin, a origem das espécies (madras)
darwin, a origem das espécies (coleção folha) - comunicado do diretor da coleção aqui
descartes, o discurso do método (nova cultural)
descartes, princípios de filosofia (hemus; coleção folha)
dominic crossan, o essencial de jesus (jardim dos livros)
dostoievski, a árvore de natal de cristo (boitempo)
dostoievski, crime e castigo (nova cultural)
dostoievski, irmãos karamázov (nova cultural)
dostoievski, um jogador (martin claret)
durkheim, as regras do método sociológico (martin claret)
edgar a. poe, a queda da casa de usher (martin claret)
edgar a. poe, manuscrito encontrado em uma garrafa (martin claret)
edgar a. poe, o gato preto (martin claret)
edgar a. poe, o escaravelho de ouro (cultrix)
edgar a. poe, o pipo de amontillado (in contos e histórias) (cedic)
edgar a. poe, o poço e o pêndulo (martin claret)
edgar a. poe, os crimes da rua morgue (martin claret)
edmond rostand, cyrano de bergerac (nova cultural)
émile zola, a besta humana (hemus)
émile zola, naná (nova cultural)
emily brontë, o morro dos ventos uivantes (landmark)
emily brontë, o morro dos ventos uivantes (nova cultural)
esopo, fábulas (martin claret)
eurípides, alceste (martin claret)
eurípides, electra (martin claret)
eurípides, hipólito (martin claret)
fielding, tom jones (nova cultural)
flávio josefo, seleções (madras)
flaubert, madame bovary (nova cultural)
francesco carnelutti (bookseller)
fustel de coulanges, a cidade antiga (hemus; ediouro)
harriet b. stowe, a cabana do pai tomás (madras)
hegel, princípios da filosofia do direito (ícone)
henry thomas, vidas de grandes filósofos (martin claret)
herman melville, moby dick (cedic)
herman melville, moby dick (martin claret)
hobbes, leviatã (nova cultural)
istván mészáros, a teoria da alienação em marx (boitempo)
ivan goncharov, oblomov (germinal)
isaac b. singer, o escravo (germinal)
jack london, caninos brancos (martin claret)
jack london, o lobo do mar (martin claret)
jane austen, orgulho e preconceito (best seller)
jane austen, orgulho e preconceito (martin claret)
jane austen, persuasão (landmark)
jean genet, as criadas (deriva)
john locke, segundo tratado sobre o governo (martin claret)
joseph conrad, lord jim (nova cultural)
jules verne, volta ao mundo em oitenta dias (martin claret)
kant, crítica da razão prática (martin claret)
kant, fundamentação da metafísica dos costumes (martin claret)
kant, sobre um suposto direito de mentir por amor à humanidade (martin claret)
kant, que significa orientar-se no pensamento (martin claret)
kant, resposta à pergunta: que é esclarecimento? (martin claret)
kierkegaard, o desespero humano (martin claret)
kipling, o livro da jângal (martin claret)
lampedusa, o leopardo (nova cultural)
lassalle, o que é uma constituição? (russell)
leontiev, o desenvolvimento do psiquismo (centauro)
louisa may alcott, mulherzinhas (martin claret)
louisa may alcott, mulherzinhas (nova cultural)
maquiavel, o príncipe (martin claret)
marco polo, as viagens (martin claret)
mark twain, as aventuras de tom sawyer (martin claret)
marx, a questão judaica (moraes; centauro)
marx, o capital (ed. condensada) - na verdade, gabriel deville, o capital de karl marx (coleção folha)
maupassant, uma vida (nova cultural)
máximo gorki, sonho de uma noite de natal (boitempo)
nietzsche, a origem da tragédia (centauro)
nietzsche, a origem da tragédia, proveniente do espírito da música (madras)
nietzsche, acerca da verdade e da mentira (rideel)
nietzsche, assim falava zaratustra (escala educacional)
nietzsche, assim falava zaratustra (hemus/ leopardo)
nietzsche, assim falou zaratustra (martin claret)
nietzsche, minha irmã e eu (moraes e centauro)
nietzsche, o anticristo (rideel)
nietzsche, ecce homo (rideel)
nietzsche, ecce homo (martin claret)
omar khayyam, rubaiyat (hemus)
oscar wilde, a balada do cárcere de reading (martin claret)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (nova cultural)
pascal, pensamentos (martin claret)
pascal, pensamentos (nova cultural)
perry anderson, as antinomias de gramsci (boitempo)
perry anderson, nas trilhas do materialismo histórico (boitempo)
petrônio, satíricon (martin claret)
pirandello, o falecido mattia pascal (nova cultural)
pirandello, seis personagens à procura de um autor (nova cultural)
platão, a república, cotejo feito pelo prof. gonzalo armijos (martin claret)
platão, apologia de sócrates (nova cultural)
ralph w. emerson, ensaios (martin claret)
roderick anscombe, a vida secreta de laszlo, conde drácula (jardim dos livros)
santo agostinho, confissões (martin claret)
savigny, metodologia jurídica (rideel)
scott fitzgerald, suave é a noite (nova cultural)
shakespeare, hamlet (martin claret)
shakespeare, a megera domada (martin claret)
shakespeare, otelo (martin claret)
slavoj zizek, lacrimae rerum (boitempo)
sófocles, antígona (martin claret)
sófocles, édipo rei (martin claret)
stendhal, o vermelho e o negro (nova cultural)
stevenson, a ilha do tesouro (martin claret)
stevenson, janet do pescoço torcido (martin claret)
stevenson, markheim (martin claret)
suchodolski, a pedagogia e as grandes correntes filosóficas (centauro)
thomas cleary, o essencial do alcorão (jardim dos livros)
thomas more, a utopia (martin claret) [informação]
thoreau, a desobediência civil (martin claret)
thoreau, andar a pé (martin claret)
thoreau, uma semana nos rios concord e merrimack (martin claret)
tolstói, ana karênina (nova cultural)
voltaire, contos (nova cultural)
voltaire, dicionário filosófico (martin claret)
voltaire, dicionário filósofico II (martin claret)
von ihering, a luta pelo direito (martin claret)
von ihering, a luta pelo direito (pillares)
von ihering, a luta pelo direito (rideel)

von ihering, a luta pelo direito (russell)
walter scott, ivanhoé (nova cultural)
weber, a ética protestante e o espírito do capitalismo (martin claret)
weber, ciência e política: duas vocações (martin claret)
xenofonte, apologia de sócrates (nova cultural)
xenofonte, ditos e feitos memoráveis de sócrates (nova cultural)

relação atualizada em 03/03/10; em 25/05/10; em 12/08/2010; em 13/09/2011; em 23/10/2011; em 04/11/2011; em 18/11/2011; em 30/11/11; em 12/04/2012, em 01/06/2012; em 09/08/2012; em 19/08/2012; em 19/11/2012; em 24/08/2015; em 20/04/2016

imagem: tom phillips, dante in his study, sobre luca signorelli (via flanelapaulistana)
.

6 de jan. de 2009

landmarkismo, estágio superior do plagiarismo?

raquel sallaberry, do blog jane austen, há algumas semanas alertou aqui o nãogostodeplágio: um grupo de discussão sobre jane austen estava fazendo uma leitura de persuasão, e uma das participantes, alessandra perlatti, constatou uma grande semelhança entre a edição da landmark e a edição portuguesa da europa-américa. surpresa e indignada, alessandra perlatti enviou um e-mail à editora landmark, pedindo explicações sobre o fato. porém não obteve nenhuma resposta até o momento.

sobre a landmark

a landmark é uma pequena editora com um catálogo composto majoritariamente por obras de maçonaria. criada em 2001 pelos irmãos jorge e fábio cyrino, nos últimos anos tem diversificado seu catálogo com obras literárias clássicas, em edições bilíngues. são obras que, salvo uma ou duas exceções, já conheceram edições anteriores no brasil: a volta do parafuso, o morro dos ventos uivantes, o homem que queria ser rei, contos de wilde, a divina comédia, os sonetos de shakespeare, os sonetos de meditação de donne, crônicas do brasil (ou cenas brasileiras, na edição da record), orgulho e preconceito, persuasão.

com a publicação de persuasão, porém, a editora landmark lança sua candidatura para integrar o triste cenário das fraudes editoriais no país. sendo este caso, ela estaria inaugurando um novo capítulo, qualitativamente distinto dos capítulos anteriores da história do plágio nesses últimos 15 anos.

em termos breves e objetivos: a persuasão do sr. fábio cyrino apresenta um grau de similaridade com a tradução de isabel sequeira, publicada pela europa-américa em 1996, que lhe dá credenciais suficientes ao título de plágio.

até aí, a editora landmark estaria "apenas" seguindo a trilha indicada pela editora nova (in)cultural, que nos anos 90 implantou o plágio em escala industrial: frauda-se a obra com desfaçatez, lesa-se a boa-fé do leitor, corrói-se a credibilidade do livro no país, embolsa-se um dinheirinho não muito idôneo, prejudica-se o mercado editorial com a prática de concorrência desleal, cria-se um novo período de vigência de direitos da editora sobre a falsa tradução, cultiva-se a ignorância a curto, médio e longo prazo.

a jusante, as empresas responsáveis pelos delitos, quando confrontadas com os fatos, de início costumam reagir na desconversa e depois admitem meio a contragosto: do “não sei de nada” passam para “foi um antigo funcionário”, “estamos corrigindo”, “tiramos de circulação”, “desculpas aos leitores”, “um engano técnico”, “vamos ressarcir editoras e tradutores lesados” e assim por diante. até agora, eu não tinha visto nenhum editor que, espontaneamente, tomasse a si a autoria do plágio e se orgulhasse do feito.

ineditismo

o fato qualitativamente novo nessa candidatura da landmark ao título de plágio é o singelo exibicionismo a montante: o diretor editorial da empresa, sr. fábio cyrino, deu uma interessantíssima entrevista sobre o trabalho que teria realizado, transpondo persuasion para o português.

A Tribuna de Santos (09/06/07)
"Em uma reunião para definir qual seria o próximo lançamento da Editora Landmark, o diretor editorial, Fábio Cyrino, perguntou se já havia um tradutor para o novo projeto da empresa, a edição bilíngue de Persuasão, de Jane Austen [...]. Como não havia ninguém, ele se ofereceu: 'Deixa que eu faço essa tradução'. Depois de dois meses debruçado sobre o romance, até então inédito no Brasil, Cyrino tornou-se co-autor de Persuasão [...] Como Fábio Cyrino tinha conhecimento das obras de Jane Austen, a tarefa da tradução apresentou apenas as dificuldades comuns a qualquer trabalho do tipo. [...] Como no Brasil o tradutor de um livro é considerado seu co-autor, ele acredita que sua colaboração para com o último romance de Austen foi 'torná-lo acessível a mais leitores'. Antes do lançamento da edição bilíngue, os brasileiros liam a história apenas se a importassem."

(reforçando: “A Editora Landmark lança, pela primeira vez no Brasil, o livro Persuasão, da inglesa Jane Austen.”)

algumas retificações, de passagem:
- persuasão de forma alguma era obra inédita no brasil antes da aventura da landmark. existe uma boa tradução de luiza lobo, publicada em 1971 pela bruguera em convênio com o instituto nacional do livro, na coleção “clássicos do mundo todo”, e relançada pela francisco alves em 1996.
- segundo a legislação dos direitos autorais vigente no país, o tradutor não é co-autor, e sim “autor de obra derivada”, o que técnica e juridicamente é muito diferente de uma co-autoria.

mas o que surpreende é a rara franqueza do sr. fábio cyrino em sua entrevista: ele teria agarrado a tarefa no melhor estilo do “ ’xácumigo”, ficando “dois meses debruçado sobre o romance”. bom, como o escaneamento costuma ser um processo mais rápido, talvez esses dois meses tenham sido dedicados a recriar laboriosamente a mão a tradução de isabel sequeira. não é uma tradução muito bonita nem muito correta, não se compara de maneira alguma à de luiza lobo, mas quand même a autoria do trabalho é dela, e como tal há de se respeitá-lo.

fiel ao original, ou fiel à tradução?
afora o primeiro parágrafo que traz uma meia-dúzia de vocábulos distintos, o restante da edição de persuasão da landmark apresenta diferenças mínimas em relação à da europa-américa. consistem sobretudo no abrasileiramento de alguns termos e formas de tratamento. seria necessária uma intervenção realmente miraculosa para que o tradutor brasileiro conseguisse produzir de lavra própria as mesmas gralhas de impressão, os mesmos problemas de vocabulário, os mesmos erros de entendimento do texto, os mesmos saltos de palavras e frases da tradução original.

seguem alguns exemplos dessa identidade textual [em destaque, as falhas]:

Thirteen years had seen her mistress of Lellynch Hall, presiding and directing with a self-possession and decision which could never have given the idea of her being younger than she was. For thirteen years had she been doing the honours, and laying down the domestic law at home, and leading the way to the chaise and four, and walking immediatly after Lady Russell out of all the drawing-rooms and dining-rooms in the country.

Há treze anos que era a senhora do Solar de Kellynch, supervisionando e dando ordens com uma autoconfiança e decisão que nunca poderiam ter dado a idéia de ela ser mais nova do que realmente era. Durante treze anos tinha feito as honras da casa, repreendendo, tomando a dianteira ao dirigir-se para o coche e seguindo imediatamente atrás de lady Russell ao sair de todas as salas de visitas e de jantar do país. (isabel sequeira)

Há treze anos que era a senhora do Solar de Kellynch, supervisionando e dando ordens com uma autoconfiança e decisão que nunca poderiam ter dado a idéia de ela ser mais nova do que realmente era. Durante treze anos tinha feito as honras da casa, repreendendo, tomando a dianteira ao dirigir-se para o coche e seguindo imediatamente atrás de lady Russell ao sair de todas as salas de visitas e de jantar do país. (fábio cyrino)

He [...] at fifty-four, was still a very fine man.
Ele [...] aos 55 anos, ainda era um homem muito atraente. (isabel sequeira)
Ele [...] aos 55 anos, ainda era um homem muito atraente. (fábio cyrino)

She was fully satisfied of being still quite handsome as ever [...]
Sabia que ainda era muito bonita [...] (isabel sequeira)
Sabia que ainda era muito bonita [...] (fábio cyrino)

“For they must have been seen together”, he observed, “once at Tattersal’s, and twice in the lobby of the House of Commons.”
“Porque nós devemos ter sido vistos juntos”, comentou ele, “uma vez no Tattersal e duas vezes no trio da Câmara dos Comuns.” (isabel sequeira)
“Porque nós devemos ter sido vistos juntos”, comentou ele, “uma vez no Tattersal e duas vezes no trio da Câmara dos Comuns.” (fábio cyrino)

Such were Elizabeth Elliot’s sentiments and sensations; such the cares to alloy, the agitations to vary, the sameness and the elegance, the prosperity and the nothingness of her scene of life; such the feelings to give interest to a long, uneventful residence in one country circle, to fill the vacancies which there were no habits of utility abroad, no talents or accomplishments for home, to occupy.

Estes eram os sentimentos e as sensações de Elizabeth Elliot; estas eram as preocupações que a incomodavam, a agitação que perturbava a monotonia, a elegância, a prosperidade e o vazio da cena da sua vida – estes eram os sentimentos que conferiam interesse a uma longa e rotineira residência em uma pequena localidade, preenchendo o vazio que não podia ser ocupado com hábitos de serviço no estrangeiro nem com talentos ou feitos levados a cabo no país. (isabel sequeira)

Esses eram os sentimentos e as sensações de Elizabeth Elliot; essas eram as preocupações que a incomodavam, a agitação que perturbava a monotonia, a elegância, a prosperidade e o vazio da cena da sua vida – esses eram os sentimentos que conferiam interesse a uma longa e rotineira residência em uma pequena localidade, preenchendo o vazio que não podia ser ocupado com hábitos de serviço no estrangeiro nem com talentos ou feitos levados a cabo no país. (fábio cyrino)

marketing e gato escaldado
afora esse ingente esforço no caso de persuasão, a landmark parece se dedicar energicamente ao trabalho de divulgação de seus lançamentos, com a assessoria de uma profissional de comunicação. conta ainda com os serviços de um escritório de design gráfico e comunicação visual praticamente exclusivo. publica as premiadas traduções lusitanas de vasco graça moura, segundo afirma, em contrato de licença com a bertrand portuguesa. desenvolve um projeto de publicação de obras dos acadêmicos da abl. mantém em seu site a minuciosa relação de todas as notícias na imprensa sobre essas edições de obras literárias. faz capas em cores fortes ou com reproduções de cartazes de filmes, de aparência chamativa. está bem distante da linha editorial de livros a preços acessíveis, e prefere apostar, pelo menos no caso de persuasão, na ingenuidade ou desatenção dos leitores.

não tive ocasião de ver os outros títulos com tradução atribuída ao sr. fábio cyrino. em todo caso, são eles: uma defesa da poesia e outros ensaios, de percy shelley, em co-tradução com marcella machado de campos furtado, o estranho caso do dr. jekyll e do sr. hyde, meditações de john donne, além de alguns livros sobre maçonaria. na verdade, sinto um certo receio em folhear os demais livros do catálogo da landmark.

e como fica?
como leitora, acho legal ver novas editoras com garra, oferecendo títulos de fato inéditos, com traduções de qualidade, batalhando para se fazer visível no mercado. mas aqui não sei bem se é o caso.

acho que, com a mesma presteza e profissionalismo com que deu entrevistas e divulgou o lançamento de persuasão, o sr. fábio cyrino faria bem em vir a público e se retratar junto a nós leitores. quem sabe poderia também proceder a uma errata pública para os exemplares já vendidos, retirar os exemplares restantes de circulação e renunciar à sua candidatura no certame do plagiato nacional.

e, desta vez, não vale colocar a culpa em ex-funcionários ou alegar falha técnica.

o outro lado (como nos jornais...)

tentei conversar com o sr. fábio por telefone sobre a autoria da tradução. ele afirmou desconhecer o assunto: "até o momento não tivemos nenhuma reclamação a respeito; pelo contrário, a imprensa tem elogiado a tradução, prova é que já estamos na quinta reimpressão do livro". indagou se os textos eram mesmo totalmente idênticos. justificou o fato declarando que "afinal a língua portuguesa é uma só, e pode haver coisas iguais, isso é natural".* afirmou que a tradução foi feita no brasil e que "inclusive usamos revisores brasileiros". quanto ao suposto ineditismo da obra no brasil, ele disse apenas que as edições anteriores "não se encontram mais".

* devo discordar desse argumento: não existe a menor possibilidade prática de existirem duas obras de tradução com tamanho grau de semelhança. qualquer pessoa que já tentou traduzir uma simples frase sabe muito bem quantas alternativas lhe passam pela cabeça, até se decidir por qual adotará. isso vale mesmo para textos técnicos.

pessoalmente

eu fico meio assim, sentindo-me uma espécie de "denise, a caçadora de fraudóides". mas aí penso: "não é possível uma coisa dessas; alguém tem de fazer algo a respeito". sei lá, eu esperaria uma posição mais efetiva da imprensa, das editoras, das academias, das sociedades de leitores, do ministério público...

pois só se engabela, e pronto? a prova da verdade é a desatenção ou desmemória do leitor ou o elogio da imprensa? e os fatos, onde ficam? complicado.


imagem da capa disponível em http://www.livrariacultura.com.br
para maior clareza, apresento mais um exemplo, o primeiro parágrafo do último capítulo:

quem poderá duvidar do que se seguiu? quando dois jovens decidem casar-se, têm a certez
a de que, pela perseverança, conseguirão o seu objectivo, quer sejam pobres ou imprudentes, ou mesmo, em última análise, pouco adequados ao bem-estar futuro um do outro;* e, se esses casais têm êxito, como poderiam um comandante wentworth e uma anne elliot, com a vantagem de possuírem maturidade de espírito, consciência dos seus direitos e uma fortuna que lhes conferiria a independência deixar de derrubar toda a oposição? eles poderiam, de facto, ter aniquilado uma oposição muito maior do que a que enfrentaram, pois pouco havia para os aborrecer, para além da falta de amabilidade e de carinho. sir walter não levantou qualquer objecção, e elizabeth limitou-se a mostrar-se fria e indiferente. o comandante wentworth, com vinte cinco mil libras e com um posto tão elevado que o mérito e a actividade lhe tinham granjeado, era já alguém. era agora considerado digno de cortejar a filha de um baronete tolo e perdulário que não tivera bom senso nem princípios suficientes para se manter na situação em que a providência o colocara e que actualmente só podia dar à filha uma pequena parte das dez mil libras que lhe pertenceriam no futuro. [isabel sequeira]
* aqui também pulou-se uma frase do original: "this may be bad morality to conclude with, but i believe it to be truth"


quem poderá duvidar do que se seguiu?
quando dois jovens decidem casar-se, têm certeza de que, pela perseverança, conseguirão o seu objetivo, quer sejam pobres ou imprudentes, ou mesmo, em última análise, pouco adequados ao bem-estar futuro um do outro;* e, se esses casais têm êxito, como poderiam um capitão wentworth e uma anne elliot, com a vantagem de possuírem maturidade de espírito, consciência dos seus direitos e uma fortuna que lhes conferiria a independência deixar de derrubar toda a oposição? eles poderiam, de fato, ter aniquilado uma oposição muito maior do que a que enfrentaram, pois pouco havia para os aborrecer, para além da falta de amabilidade e de carinho. sir walter não levantou qualquer objeção, e elizabeth limitou-se a mostrar-se fria e indiferente. o capitão wentworth, com vinte cinco mil libras e com um posto tão elevado que o mérito e a atividade lhe tinham granjeado, era já alguém. era agora considerado digno de cortejar a filha de um baronete tolo e perdulário que não tivera bom senso nem princípios suficientes para se manter na situação em que a providência o colocara e que atualmente só podia dar à filha uma pequena parte das dez mil libras que lhe pertenceriam no futuro. [fábio cyrino]
* aqui também pulou-se uma frase do original: "this may be bad morality to conclude with, but i believe it to be truth"


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.