23 de mar de 2009

bicho-carpinteiro

o jardim dos livros é um selo editorial do grupo geração, nascido em março de 2008, congregando a geração editorial, a editora leitura e a ex-editora jardim dos livros.

sobre as diversas atribuições internas: ao sr. luiz fernando emediato (da geração) cabe a batuta editorial, o sr. yehezkel (da leitura) comanda o lado comercial e logístico, e os irmãos ado e cláudio varela (da jardim dos livros) atendem à parte comercial em são paulo e à editoria de livros de negócios.

a jardim dos livros, antes de aterrissar no grupo geração, teve existência independente por uns 2 anos, e antes disso chamava-se editora sapienza, igualmente efêmera. cheguei a esta tal sapienza porque, seguindo o fio da nova cultural e seus fantasmas, vi que enrico corvisieri, o nassettinho do sr. richard civita, também estava na editora sapienza com a república de platão, ao lado de mirtes ugeda, outra trêfega figura da nova cultural vezada em copidescar traduções de terceiros e tascar seu nome nelas. achei estranha a convivência novacultural/sapienza, e dediquei alguns posts ao tema. depois a sapienza fechou as portas, e foi passear em seu novo jardim dos livros, esse que depois foi incorporado pelo grupo geração.

infelizmente esse novo grupo editorial tem mostrado algumas graves deficiências no quesito integridade: não só a embusteira arte da guerra de sun tzu, na edição de bolso e em brochura, teve calorosa acolhida no catálogo do grupo, como este foi enriquecido há menos de um ano com mais duas pérolas do plagiato nacional, o essencial do alcorão e o essencial de jesus. veja aqui.

embora o sr. luiz fernando emediato tenha declarado que tomou a decisão de tirar o lixo de circulação, parece que a coisa ficou só na intenção e na conversa mole, pois tudo continua como dantes na terra de abrantes. ou seja, o grupo geração abriga, publica, distribui e mantém em circulação obras fraudadas, com plena consciência dos fatos - sem contar uma notificaçãozinha para mim, dizendo que eu estava mentindo. na época não gostei e continuo a não gostar. é bom deixar claro: plágio é feio, plágio é crime, plágio não se faz, e o sr. luiz fernando emediato, antes de tratar seus leitores como ralé, deveria exercer sua responsabilidade editorial e ir arrancar suas ervas daninhas.

quero apresentar aqui mais uma fraude descabelada da jardim dos livros, em edição anterior à fusão com o grupo geração, mas mantida intocada no atual catálogo do referido grupo. aplicam-se a ela os termos de jorio dauster perante a trapaça bélica do jardim dos livros: "Não resta dúvida de que, ao adquirir a Jardim dos Livros e continuar a publicar as obras que passaram a seu controle no bojo dessa operação, a Editora Geração passou a ser responsável pela distribuição do plágio".

trata-se de a vida secreta de laszlo, conde drácula, de roderic anscombe. foi publicado em 2007 pela jardim dos livros e atualmente é propagandeado na geraçãobooks, o catálogo online do grupo geração. é "chapa fria", isto é, traz um número de isbn sem qualquer registro: 978-85-60018-10-9. a tradução é atribuída ao mesmo fantasmagórico "pedro h. berwick" que assina as solenes cópias de o essencial do alcorão e o essencial de jesus.



afora umas ralas e superficiais alterações, é um plágio de a vida secreta de laszlo, conde drácula, traduzido por silvio deutsch para a editora bestseller em 1994. conforme já comentei, a grande novidade introduzida pelos plágios do jardim dos livros (grupo geração) parece ser o recurso a obras recentes. até me pergunto como e por que os irmãos varela se sentem tão à vontade em se apropriar de obras do catálogo da antiga bestseller, justamente uma das editoras que, junto com a nova cultural, compõem "a larga experiência editorial" que ostentam em seus currículos.

1. silvio deutsch
deveria haver um prefácio, eu sei. uma preparação do cenário ou uma exposição de motivos. mas não posso esperar. paris é tudo o que sempre sonhei, ainda maior e mais cheia de inspiração do que em meus sonhos de criança - e um dia, ainda esta semana, vou descrever minhas impressões.
como fui instruído, na carta em que comunicavam que tinha sido aceito, apresentei-me ontem no hospital salpêtrière e esperei o dia todo que o médico-chefe me indicasse algum caso. mas não recebi nenhum. na verdade, o dr. ducasse parecia não perceber minha presença, e disse-me de forma ríspida que esperasse, quando cheguei perto dele. sexta-feira, claro, é o dia do mestre, e nessa manhã fui mais cedo para o anfiteatro, a fim de ver pela primeira vez o professor charcot. poucos médicos já tinham chegado para a demonstração, e consegui um lugar excelente na segunda fila.
atrás e acima de mim, outras pessoas logo ocuparam seus lugares nas fileiras de assentos, e um burburinho de conversas encheu a sala. virei-me para olhar - não que esperasse ver alguém conhecido naquele meio elegante. ainda assim, examinei a platéia à procura de um rosto familiar, com quem pudesse entabular uma conversa, porque, para dizer a verdade, tenho estado um tanto solitário desde que cheguei a esta cidade, especialmente porque não recebi nenhuma resposta de tia sophie. o homem ao meu lado estava imerso numa monografia sobre histeria, e hesitei em perturbá-lo. ao redor, homens colocavam-se em poses visivelmente estudadas e falavam da forma mais afetada possível ou chamavam alguém do outro lado da sala, mas, apesar da aparente disposição gregária, achei que os gestos pareciam calculados para provocar um efeito, como se cada um desejasse ser notado pelos outros. senti falta da turbulência com que nós, estudantes, aguardávamos uma palestra em budapeste. em paris, suponho que tal falta de reserva viesse a ser considerada inapelavelmente provinciana.

2. pedro h. berwick
deveria haver um prefácio, eu sei. uma preparação do cenário ou uma exposição de motivos. mas não posso esperar. paris é tudo o que sempre sonhei, ainda maior e mais cheia de inspiração do que em meus sonhos de criança - e um dia, ainda esta semana, descreverei minhas impressões.
como fui instruído, na carta na qual comunicavam que tinha sido aceito, apresentei-me ontem no hospital salpêtrière e esperei durante todo o dia que o médico-chefe me indicasse algum caso. mas não recebi nenhum. na verdade, o dr. ducasse parecia não perceber minha presença e disse-me, de forma ríspida, que esperasse, quando cheguei perto dele. sexta-feira, claro, é o dia do mestre, e nessa manhã fui mais cedo para o anfiteatro, a fim de ver pela primeira vez o professor charcot. poucos médicos já tinham chegado para a demonstração, e consegui um lugar excelente na segunda fila.
atrás e acima de mim, outras pessoas rapidamente ocuparam seus lugares nas fileiras de assentos, e um burburinho de conversas encheu a sala. virei-me para olhar - não que esperasse ver alguém conhecido naquele meio elegante. ainda assim, examinei a platéia à procura de um rosto familiar, com quem pudesse entabular uma conversa, porque, para dizer a verdade, tenho estado um tanto solitário desde que cheguei a essa cidade, especialmente porque não recebi nenhuma resposta de tia sophie. o homem ao meu lado estava imerso em uma monografia sobre histeria, e hesitei em perturbá-lo. ao redor, homens colocavam-se em poses visivelmente estudadas e falavam da forma mais afetada possível ou chamavam alguém do outro lado da sala, mas, apesar da aparente disposição gregária, achei que os gestos pareciam calculados para provocar um efeito, como se cada um desejasse ser notado pelos outros. senti falta da turbulência com que nós, estudantes, aguardávamos uma palestra em budapeste. em paris, suponho que tal falta de reserva viesse a ser considerada inapelavelmente provinciana.

1. silvio deutsch
se este diário terminar aqui, quer dizer que caminhei para uma armadilha, como desconfio. significa que sou o elo fraco que deve ser eliminado. essa conspiração pode nunca ter existido. aceito minha morte, mas não posso aceitar que jamais tenha vivido, por isso deixo este diário num lugar em que ficará empoeirado, junto com os tratados de teologia de meu avô: não foram perturbados durante duas gerações, e, como eles, este diário ficará fechado durante cinquenta anos. um dia, quando eu já não puder me importar, será encontrado, e voltarei à vida na imaginação do leitor.
aí, nas semanas e meses seguintes, o motivo da minha morte será revelado e minha reputação como patriota e mártir pela liberdade da hungria irá juntar-se à memória de meu pai e de meu irmão. sou o último da nossa linhagem. o nome morre comigo. outros nomes mais ilustres - aponyi, kossuth, karolyi, tisza, andrassy - são conhecidos além das nossas fronteiras. esses nomes são imortais. no entanto, tenho esperança de que, nos corações e mentes do povo deste pequeno canto da hungria, a solene dignidade de drácula irá subsistir carinhosamente até que desapareça mansamente da memória das pessoas ainda vivas.

2. pedro h. berwick
se este diário terminar aqui, quer dizer que caminhei para uma armadilha, como desconfio. significa que sou o elo fraco que deve ser eliminado. essa conspiração pode nunca ter existido. aceito minha morte, mas não posso aceitar que jamais tenha vivido, por isso deixo este diário em um lugar em que ficará empoeirado, junto com os tratados de teologia de meu avô: não foram perturbados durante duas gerações, e, como eles, este diário ficará fechado durante 50 anos. um dia, quando eu já não puder me importar, será encontrado, e voltarei à vida na imaginação do leitor.
aí, nas semanas e meses seguintes, o motivo da minha morte será revelado e minha reputação como patriota e mártir pela liberdade da hungria irá juntar-se à memória de meu pai e de meu irmão. sou o último da nossa linhagem. o nome morre comigo. outros nomes mais ilustres - aponyi, kossuth, karolyi, tisza, andrassy - são conhecidos além das nossas fronteiras. esses nomes são imortais. no entanto, tenho esperança de que, nos corações e mentes do povo deste pequeno canto da hungria, a solene dignidade de drácula subsistirá carinhosamente até que desapareça mansamente da memória das pessoas ainda vivas.

ah, em tempo, os coutos oferecidos pelos solidários responsáveis: relativa, cultura, saraiva, siciliano, leonardo da vinci, livrarias curitiba etc.
imagens: me vs gutenberg versus; forum.outerspace.com.br



atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.


Um comentário:

  1. Comentando, talvez não muito a ver com o tema deste blog, quero dizer que gostei. Já chamou a atenção, né? Divertido, informativo e ... deu vontade de ler mais, com calma.

    Portanto, resolvi dar um alô. Salvo nos meus favoritos já. Parabéns!

    Em tempo, se quiser olhar modestamente o meu -http://portal80brasilia.blogspot.com/

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