30 de mar de 2009

o mito do preço, o preço do mito

 apresento outro aspecto do mito do preço claretiano, e o preço desse mito no mercado editorial.

baseio-me em dados do setor - importante lembrar que custo de produção é uma coisa e preço de venda é outra.

"A tradução corresponde, em média, a 30% da composição de custos de um livro.
custos:
gráfica e papel: 50%
editoração (capa, paginação e arquivo): 20%
tradução: 30%

No caso de obra em domínio público, não se paga direito autoral, mas, caso o original não esteja em domínio público, deve ser incluído um percentual de 20% sobre o custo total. Na realidade é 10%, mas como o livro é vendido com 50% de desconto para os livreiros, os 10% do preço total correspondem a 20% da metade. Isto quer dizer que quem rouba uma tradução tem um custo 30% menor do que os seus concorrentes.

Daí o livro é vendido a R$10,50 e todo mundo acha que é um grande mérito, mas na verdade a editora já teria lucro se pagasse pela tradução, imagine pirateando."

ditto.

uma ilustração concreta: suponha-se esse período de 10 anos desde que a claret começou sua coleção bandoleira, "a obra-prima de cada autor". suponha-se esse mesmo período de 10 anos numa editora honesta de porte médio, com, digamos, cerca de 400 traduções nesses 10 anos, na base média de 250 laudas de tradução por livro, a um valor médio de R$ 20,00/lauda. isso corresponde a um custo de R$ 2.000.000,00 em traduções.
no caso das editoras que roubam as traduções, essa "economia" financeira remunerada a juros de mercado, num prazo médio de 5 anos, vai dar o quê? uns 3 milhões?

e como já mostrei, essa redução de custos por não se pagar a tradução NÃO é repassada para o consumidor, muito pelo contrário. para EMPATAR com o preço de venda do exemplo da paz e terra (mas não com a qualidade nem com a idoneidade da edição), a martin claret teria que vender seu exemplar fraudado a R$ 5,40 (dedução de 30% do custo de tradução sobre os R$ 8,00 do preço de venda da paz e terra).
ou para EMPATAR com o preço (mas não com a qualidade nem com a idoneidade da edição) do rei lear da lpm, de millôr fernandes, a martin claret teria que vender sua edição fraudada a R$ 7,00.

e ainda dizem que os livros da claret são baratos?

imagem: www.titiwessel.com.br

2 comentários:

  1. Anônimo9.4.09

    Aproveito para parabenizá-la pelo “Mito do Preço”. Ótimos argumentos.

    Abraço,

    Érica

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  2. E em vários casos a tradução nem é lá essas coisas. A versão "Martin" do poema das Bruxas em "Macbeth" não tem rimas, o que considero imperdoável. Só isso me faz querer mandar pra reciclagem a obra. Tive que comprar outra (da Paz & Terra), tirar cópia das rimas e colar por cima pra ficar aceitável.

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