27/03/2009

raposices e chacalices

entre as chacalices que existem em alguns nichos editoriais, há, além do plágio com fins comerciais, um outro ilícito chamado "contrafação" ou reprodução não-autorizada com finalidade de lucro. aí a editora até dá os créditos corretos, mas não detém os direitos de exploração comercial daquela obra. ela apenas pega o texto, publica e fatura, sem se importar com o que é de quem.

a martin claret, além de publicar uma quantidade espantosa de plágios de tradução, também gosta de umas contrafaçõezinhas, com o requinte adicional de reivindicar para si o copirraite da apropriação. seguem alguns exemplos.

pragmatismo, de william james. a tradução é de jorge caetano da silva, a edição original saiu pela extinta lidador em 1967, e depois em várias edições no volume 40 dos pensadores da abril cultural. a martin claret estampa na página de créditos o nome correto do tradutor e declara: "copyright desta tradução: editora martin claret, 2006". duvido e faço pouco. e só mudarei de idéia se aparecer algum contrato de cessão de direitos assinado por jorge caetano da silva em favor da martin claret. em tempo: essa edição está com "chapa fria" na fbn/isbn, com tradução cadastrada em nome de pietro nassetti. (atualização: o cadastro foi corrigido após determinação do MPF)

lorde jim, de joseph conrad: já comentei esta contrafação da martin claret. até onde sei, a sra. elena quintana, que detém a guarda dos direitos de mário quintana, não vendeu nem cedeu os direitos de tradução de seu tio à martin claret. e, também até onde sei, a editora globo ainda é a detentora dos direitos de exploração comercial dessa obra. portanto, afirmar "copyright desta tradução: editora martin claret, 2007" não procede. afora a "chapa fria": está registrada na agência do isbn como tradução de pietro nassetti. (idem)

a letra escarlate, de nathanael hawthorne, em tradução de sodré viana. não sei o ano da primeira edição pela josé olympio, mas meu exemplar é da 2a. edição, 1948. mesmo caso - duvido e faço pouco que a afirmação "copyright desta tradução: editora martin claret, 2006" seja legítima. e essa edição também tem "chapa fria": foi registrada na agência do isbn como tradução de pietro nassetti. (idem)

robinson crusoe, de daniel defoe, em tradução de flávio poppe de figueiredo e costa neves (jackson, 1947). na claret, o primeiro está como flávio p. de f. até achei que era algum trocadilho infame com pdf. também duvido e faço pouco que seja verdade: "copyright desta tradução: editora martin claret, 2007". não consta tradutor no registro do isbn/fbn.

a morte de ivan ilitch e senhores e servos, de tolstói. mais dois textos que boto a mão no fogo que são contrafações: como é que pode existir o "copyright desta tradução: editora martin claret, 2007", feita por gulnara lobato de morais pereira (sobrinha e nora de monteiro lobato) nos anos 1950? quero ver o contrato de licenciamento dos direitos de uso. também sem tradutor na ficha do isbn.

não basta a contrafação, ainda tem de inventar um copirraite que não engana nem criança? aí já é somar o insulto à injúria, como dizem os americanos.

imagem: myspace.com

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