2 de mar de 2009

nóis é vivo

émile durkheim, as regras do método sociológico

a. margarida garrido esteves (abril, sob licença da editorial presença)
b. pietro nassetti (martin claret)


esse caso é engraçado: os sumários dos capítulos, mesmo sendo bastante discursivos, foram mantidos incólumes. iniciada a exposição propriamente dita, o ishperto pôs o lápis em uso.

a. margarida garrido esteves:

regras relativas à distinção entre o normal e o patológico
utilidade teórica e prática desta distinção. É preciso que ela seja possível cientificamente para que a ciência possa servir para dirigir a conduta.
i — exame dos critérios correntemente utilizados: a dor não é o sinal distintivo da doença, porque faz parte da saúde, nem a diminuição das probabilidades de sobrevivência, na medida em que por vezes é produzida por fatos normais (velhice, parto, etc.) e não resulta necessariamente da doença; para além disso, este critério é, na maior parte das vezes, inaplicável, sobretudo em sociologia. a doença distinguida do estado de saúde como o anormal do normal. o tipo médio ou específico. necessidade de levar em linha de conta a idade para determinar se o fato é normal ou não. como esta definição do patológico coincide em geral com o conceito corrente de doença, o anormal é o acidental; porque o anormal, em geral, constitui o ser em estado de inferioridade.
ii — utilidade que há em verificar os resultados do método precedente, procurando as causas da normalidade do fato, quer dizer, da sua generalidade. necessidade que há em proceder a esta verificação quando se trata de fatos que se reportam a sociedades que não acabaram a sua história. por que não pode este segundo critério ser usado senão a título complementar e em segundo lugar. enunciado das regras.
iii — aplicação destas regras a quaisquer casos, designadamente à questão do crime. por que é que a existência de uma criminalidade é um fenômeno normal. exemplos de erros em que se cai quando não se seguem estas regras. a própria ciência torna-se impossível.
I.
a observação, quando guiada pelas regras precedentes, confina duas ordens de fatos bastante diferentes: aqueles que são o que devem ser e aqueles que deveriam ser diferentes daquilo que são, os fenômenos normais e os fenômenos patológicos. (p. 110)

b. pietro nassetti:

regras relativas à distinção entre o normal e o patológico
utilidade teórica e prática desta distinção. É preciso que ela seja possível cientificamente para que a ciência possa servir para dirigir a conduta.
i — exame dos critérios correntemente utilizados: a dor não é o sinal distintivo da doença, porque faz parte da saúde, nem a diminuição das probabilidades de sobrevivência, na medida em que por vezes é produzida por fatos normais (velhice, parto, etc.) e não resulta necessariamente da doença; para além disso, este critério é, na maior parte das vezes, inaplicável, sobretudo em sociologia. a doença distinguida do estado de saúde como o anormal do normal. o tipo médio ou específico. necessidade de levar em linha de conta a idade para determinar se o fato é normal ou não. como esta definição do patológico coincide em geral com o conceito corrente de doença, o anormal é o acidental; porque o anormal, em geral, constitui o ser em estado de inferioridade.
ii — utilidade que há em verificar os resultados do método precedente, procurando as causas da normalidade do fato, quer dizer, da sua generalidade. necessidade que há em proceder a esta verificação quando se trata de fatos que se reportam a sociedades que não acabaram a sua história. por que não pode este segundo critério ser usado senão a título complementar e em segundo lugar. enunciado das regras.
iii — aplicação destas regras a quaisquer casos, designadamente à questão do crime. por que é que a existência de uma criminalidade é um fenômeno normal. exemplos de erros em que se cai quando não se seguem estas regras. a própria ciência torna-se impossível.
I.
quando conduzida pelas regras precedentes, a observação, confunde duas ordens de fatos bastante distintas sob alguns aspectos: aqueles que são tudo o que devem ser e aqueles que deveriam ser diferentes do que são, os fenômenos normais e os fenômenos patológicos. (pp. 67-68)

a. margarida garrido esteves:

regras relativas à explicação dos fatos sociais
a constituição das espécies é essencialmente um modo de agrupar os fatos a fim de facilitar a sua interpretação; a morfologia social encara os verdadeiros problemas da explicação científica. qual é o método desta?
i — caráter finalista das explicações em vigor. a utilidade de um fato não explica a sua existência. dualidade das duas questões, estabelecida pelos fatos de sobrevivência, pela independência do órgão e da função, e a diversidade de serviços que pode prestar sucessivamente uma mesma instituição. necessidade da investigação das causas eficientes dos fatos sociais. importância preponderante destas causas na sociologia, demonstrada pela generalidade das práticas sociais, mesmo as mais minuciosas. a causa eficiente deve, portanto, ser determinada independentemente da função. por que deve a primeira investigação preceder à segunda. utilidade desta última.
ii — caráter psicológico do método de explicação geralmente seguido. este método desconhece a natureza do fato social que é irredutível aos fatos puramente psíquicos em virtude da sua definição. os fatos sociais só podem ser explicados por fatos sociais. como isto acontece mesmo que a sociedade não tenha por matéria mais do que consciências individuais. importância da associação que dá nascimento a um novo ser e a uma nova ordem de realidades. solução de continuidade entre a sociologia e a psicologia, análoga à que separa a biologia das ciências físico-químicas. se esta proposição se aplica ao fato da formação da sociedade. relação positiva entre os fatos psíquicos e os fatos sociais. os primeiros são a matéria indeterminada que o fator social transforma: exemplos. se os sociólogos lhes atribuíram um papel mais direto na gênese da vida social é porque tomaram por fatos puramente psíquicos estados de consciência que são apenas fenômenos sociais transformados. outras provas em apoio da mesma proposição: 1. — independência dos fatos sociais em relação ao fator ético, o qual é de ordem orgânico-psíquica; 2. — a evolução social não é explicável por causas puramente psíquicas. enunciado das regras sobre esta questão. É por estas regras serem desconhecidas que as explicações sociológicas têm um caráter demasiado geral, que as desacredita. necessidade de uma cultura propriamente sociológica.
iii — importância primária dos fatos de morfologia social nas explicações sociológicas: o meio interno é a origem de todo o processo social de alguma importância. papel particularmente preponderante do elemento humano desse meio. o problema sociológico consiste, portanto, e, sobretudo, em encontrar as propriedades desse meio que têm mais influências sobre os fenômenos sociais. duas espécies de características correspondem, em particular, a esta condição: o volume da sociedade e a densidade dinâmica medida pelo grau de coalescência dos segmentos. os meios internos secundários; as suas relações com o meio geral e o detalhe da vida coletiva. importância desta noção de meio social. se a rejeitamos, a sociologia deixa de poder estabelecer relações de causalidade mas, apenas, relações de sucessão, não comportando a previsão científica: exemplos tirados de comte e de spencer. importância desta mesma noção para explicar como pode variar o valor útil das práticas sociais sem depender de arranjos arbitrários. relações desta questão com a dos tipos sociais. a vida social assim concebida depende de causas internas.
iv — caráter geral desta concepção sociológica. para hobbes, a ligação entre o psíquico e o social é sintética e artificial; para spencer e para os economistas, a ligação é natural mas analítica; para nós, é natural e sintética. como estas duas características são conciliáveis. conseqüências gerais que daqui resultam.
I.
a maior parte dos sociólogos julga ter explicado os fenômenos a partir do momento em que definiu a sua utilidade e o papel que desempenham. raciocina-se como se tais fenômenos só existissem para desempenhar esse papel e tivessem como única causa determinante o sentimento, claro ou confuso, dos serviços que são chamados a prestar. (p. 132)

b. pietro nassetti:

regras relativas à explicação dos fatos sociais
a constituição das espécies é essencialmente um modo de agrupar os fatos a fim de facilitar a sua interpretação; a morfologia social encara os verdadeiros problemas da explicação científica. qual é o método desta?
i — caráter finalista das explicações em vigor. a utilidade de um fato não explica a sua existência. dualidade das duas questões, estabelecida pelos fatos de sobrevivência, pela independência do órgão e da função, e a diversidade de serviços que pode prestar sucessivamente uma mesma instituição. necessidade da investigação das causas eficientes dos fatos sociais. importância preponderante destas causas em sociologia, demonstrada pela generalidade das práticas sociais, mesmo as mais minuciosas. a causa eficiente deve, portanto, ser determinada independentemente da função. por que deve a primeira investigação preceder a segunda. utilidade desta última.
ii — caráter psicológico do método de explicação geralmente seguido. este método desconhece a natureza do fato social que é irredutível aos fatos puramente psíquicos em virtude da sua definição. os fatos sociais só podem ser explicados por fatos sociais. como isto acontece mesmo que a sociedade não tenha por matéria mais do que consciências individuais. importância da associação que dá nascimento a um novo ser e a uma nova ordem de realidades. solução de continuidade entre a sociologia e a psicologia, análoga à que separa a biologia das ciências físico-químicas. se esta proposição se aplica ao fato da formação da sociedade. relação positiva entre os fatos psíquicos e os fatos sociais. os primeiros são a matéria indeterminada que o fator social transforma em exemplos. se os sociólogos lhes atribuíram um papel mais direto na gênese da vida social é porque tomaram por fatos puramente psíquicos estados de consciência que são apenas fenômenos sociais transformados. outras provas em apoio da mesma proposição: 1. — independência dos fatos sociais em relação ao fator ético, o qual é de ordem orgânico-psíquica; 2. — a evolução social não é explicável por causas puramente psíquicas. enunciado das regras sobre esta questão. É por estas regras serem desconhecidas que as explicações sociológicas têm um caráter demasiado geral, que as desacredita. necessidade de uma cultura propriamente sociológica.
iii — importância primária dos fatos de morfologia social nas explicações sociológicas: o meio interno é a origem de todo o processo social de alguma importância. papel particularmente preponderante do elemento humano desse meio. o problema sociológico consiste, portanto, e, sobretudo, em encontrar as propriedades desse meio que têm mais influências sobre os fenômenos sociais. duas espécies de características correspondem, em particular, a esta condição: o volume da sociedade e a densidade dinâmica medida pelo grau de coalescência dos segmentos. os meios internos secundários; as suas relações com o meio geral e o detalhe da vida coletiva. importância desta noção de meio social. se a rejeitamos, a sociologia deixa de poder estabelecer relações de causalidade mas, apenas, relações de sucessão, não comportando a previsão científica: exemplos tirados de comte e de spencer. importância desta mesma noção para explicar como pode variar o valor útil das práticas sociais sem depender de arranjos arbitrários. relações desta questão com a dos tipos sociais. a vida social assim concebida depende de causas internas.
iv — caráter geral desta concepção sociológica. para hobbes, a ligação entre o psíquico e o social é sintética e artificial; para spencer e para os economistas, a ligação é natural mas analítica; para nós, é natural e sintética. como estas duas características são conciliáveis. conseqüências gerais que daqui resultam.
I.
a maioria dos sociólogos julgam ter explicado os fenômenos logo que mostraram para que servem e o papel que desempenham. raciocina-se como se eles só existissem para desempenhar esse papel e tivessem como única causa determinante o sentimento, claro ou confuso, dos serviços que são chamados a prestar. (pp. 103-104)


por lei, as livrarias são solidariamente responsáveis com o editor da fraude. a ishperteza prospera, naturalmente, graças aos bons préstimos de solícitas prateleiras como, por exemplo, as da livraria travessa, da fnac, da livraria cultura, da saraiva, das livrarias curitiba, das americanas...

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.


imagens: tzvee.blogspot.com; carmen miranda, images google; emoticon, whistle

2 comentários:

  1. Denise, que bom saber de você depois desses anos todos, mesmo que seja no meio de uma guerra. Meu total apoio a vocês, chega de plágio, em todas as áreas! Ô saudades do tempo da imaginação!
    Beijo

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  2. querida carô, que bela surpresa!
    mande seu e-mail (o meu está no perfil: dbottmann@uol.com.br).
    e seu apoio é um mimo, agradeço!
    abraço
    denise

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