19/03/2009

rapinare insopitabilis est

Edgar Allan Poe, Histórias Extraordinárias, "A Queda da Casa de Usher".
Civilização Brasileira - Tradução Brenno Silveira e outros
Martin Claret - "Tradução" Pietro Nassetti

I. Civilização:

No mais verde de nossos vales,
habitado por anjos bons,
antigamente um belo e imponente palácio
- um palácio radiante - se erguia.
Nos domínios do rei Pensamento,
lá se achava ele !
Jamais um serafim espalmou a asa
sobre um edifício só metade tão belo.

I. Claret:

No mais verde de nossos vales,
povoado por anjos bons,
antigamente um belo e majestoso palácio
- um palácio luminoso - se erguia.
Nos domínios do rei Pensamento,
lá se encontrava ele !
Jamais um serafim estendeu a asa
sobre um edifício apenas metade tão belo.

II. Civilização:

Estandartes amarelos, gloriosos, dourados,
sobre o seu telhado ondulavam, flutuavam.
(Isso, tudo isso, aconteceu há muito,
muitíssimo tempo.)
E em cada brisa suave que soprava,
naqueles doces dias,
ao longo dos muros pálidos e empenachados,
se elevava um aroma alado.

II. Claret:

Estandartes amarelos, gloriosos, dourados,
sobre o seu telhado ondulavam, flutuavam.
([] Tudo isso aconteceu há muito,
muitíssimo tempo.)
E em cada brisa suave que soprava,
naqueles doces dias,
ao longo dos muros pálidos e enfeitados de penas,
se elevava uma fragrância alada.

III. Civilização:

Caminhantes que passavam por esse vale feliz
viam, através de duas janelas iluminadas,
espíritos que se moviam musicalmente
ao som de um alaúde bem afinado,
em torno de um trono onde, sentado,
(Porfirogênito !)
com majestade digna de sua glória,
aparecia o senhor do reino.

III. Claret:

Caminhantes que passavam por esse vale feliz
viam, através de duas janelas iluminadas,
espíritos que se moviam musicalmente
ao som de um alaúde bem afinado,
ao redor de um trono onde, sentado,
(Porfirogênito !)
com majestade digna de sua glória,
surgia o senhor do reino.

IV. Civilização:

E toda refulgente de pérolas e rubis
era a linda porta do palácio,
através da qual passava, passava e passava,
a refulgir sem cessar,
um turba de ecos cuja grata missão
era apenas cantar,
com vozes de inexcedível beleza,
o talento e o saber de seu rei.

IV. Claret:

E toda resplandecente de pérolas e rubis
era a linda porta do palácio,
através da qual passava, passava e passava,
a resplandecer sem cessar,
um coro de ecos cuja missão agradável
era apenas cantar,
com vozes de incomparável beleza,
o talento e o saber de seu rei.

V. Civilização:

Mas seres maus, trajados de luto,
assaltaram o alto trono do monarca;
(Ah, lamentemo-nos, visto que nunca mais a alvorada
despontará sobre ele, o desolado !)
e, em torno de sua mansão, a glória
que, rubra, florescia,
não passa, agora, de uma história quase esquecida
dos velhos tempos já sepultados.

V. Claret:

Mas seres maus, trajados de luto,
assaltaram o alto trono do monarca;
(Ah, lamentemo-nos, visto que nunca mais a alvorada
despontará sobre ele, o desolado!)
e, em torno de sua mansão, a glória
que, rubra, florescia,
não passa, agora, de uma história quase esquecida
dos velhos tempos já sepultados.

VI. Civilização:

E agora os caminhantes, nesse vale,
através das janelas de luz avermelhada, vêem
grandes vultos que se movem fantasticamente
ao som de desafinada melodia;
enquanto isso, qual rio rápido e medonho,
através da porta descorada,
odiosa turba se precipita sem cessar,
rindo - mas sem sorrir nunca mais.

VI. Claret:

E agora os caminhantes, nesse vale,
através das janelas de luz avermelhada, divisam
grandes vultos que se movem fantasticamente
ao som de desafinada melodia;
enquanto isso, qual rio veloz e medonho,
através da porta descorada,
odiosa turba se precipita sem cessar,
rindo - mas sem sorrir nunca mais.

[agradeço a saulo von randow jr. por este cotejo]

solidários responsáveis por mais essa pichelingada que se arrasta desde 1999: leitura, saraiva, livraria da vila, loyola etc.


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.





imagem: www.leyline.com.br

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