8 de mar de 2009

vida nova e martin claret

Fotos de  Livro - Vida Nova - Dante Alighieri
1a. ed., 1937

chegara-nos às mãos o scan de duas páginas da obra vida nova, de dante, publicada em duas editoras diferentes. seguem elas abaixo:

Dante Alighieri, Vida Nova, trad. Paulo M. Oliveira e Blasio Demétrio, Atena Editora, 4a. ed., 1957, pp. 13-14

Naquele ponto, digo com verdade que o espírito da vida (4), que habita a secretíssima câmara do coração, começou a tremer tão fortemente que aparecia de modo horrível nas menores pulsações; e, tremendo, disse estas palavras: Ecce Deus fortior me, qui veniens, dominabitur mihi. Naquele ponto, o espírito animal, que habita a alta câmara (5) à qual todos os espíritos sensitivos levam as suas percepções, começou a maravilhar-se muito e, falando especialmente aos espíritos visuais, disse estas palavras: Apparuit iam beatitudo vestra. Naquele ponto, o espírito natural, que habita a parte onde se ministra a nossa nutrição, começou a chorar e, chorando, disse estas palavras: Heu miser, quia frequenter impeditus ero deinceps. Doravante digo que Amor se apoderou de minha alma, a qual foi por êle tão depressa desposada, e começou a tomar sôbre mim tanta segurança e tanta senhoria pela virtude que lhe dava a minha imaginação, que me convinha satisfazer completamente todos os seus prazeres. Êle mandava-me muitas vêzes que procurasse ver êsse anjo juveníssimo, de modo que eu na minha meninice muitas vêzes a andei procurando, e a vi com tão nobres e louváveis aparências que, certo, dela se podia dizer a palavra do poeta Homero: "Não parecia filha de homem mortal, mas de Deus". E, se bem que a sua imagem, que contìnuamente estava comigo, fôsse audácia de Amor a se apoderar de mim, todavia era de tão nobre virtude que nenhuma vez tolerou que Amor me regesse sem o fiel conselho da razão nas cousas em que tal conselho [fôsse útil ouvir.]

Dante Alighieri, Vida Nova, trad. atribuída a Jean Melville, Martin Claret, 2003, p. 92.

Naquele ponto, digo com verdade que o espírito da vida (4), que habita a secretíssima câmara do coração, começou a tremer tão fortemente que aparecia de modo horrível nas menores pulsações e, tremendo, disse estas palavras: Ecce Deus fortior me, qui veniens, dominabitur mihi. Naquele ponto, o espírito animal, que habita a alta câmara (5) à qual todos os espíritos sensitivos levam as suas percepções, começou a maravilhar-se muito e, falando especialmente aos espíritos visuais, disse estas palavras: Apparuit iam beatitudo vestra. Naquele ponto, o espírito natural, que habita a parte onde se ministra a nossa nutrição, começou a chorar e, chorando, disse estas palavras: Heu miser, quia frequenter impeditus ero deinceps. Doravante digo que o Amor se apoderou de minha alma, a qual foi por ele tão depressa desposada, e começou a tomar sobre mim tanta segurança e tanta senhoria, pela virtude que lhe dava a minha imaginação, que me convinha satisfazer completamente todos os seus prazeres. Ele mandava-me muitas vezes que procurasse ver esse anjo juveníssimo, de modo que eu na minha meninice muitas vezes a andei procurando, e a vi com tão nobres e louváveis aparências que, certo, dela se podia dizer a palavra do poeta Homero: "Não parecia filha de homem mortal, mas de Deus". E, se bem que a sua imagem, que continuamente estava comigo, fosse audácia de Amor a se apoderar de mim, todavia era de tão nobre virtude que nenhuma vez tolerou que Amor me regesse sem o fiel conselho da razão nas coisas em que tal conselho fosse útil ouvir.

devido à extraordinária semelhança entre esses dois trechos, parece ser o caso de se proceder a um cotejo mais extenso, que possa vir a indicar concretamente uma eventual apropriação da tradução de paulo m. oliveira e blásio demétrio.

Publicado por denise bottmann at 11:14 (UTC-3)

originalmente publicado em 13/05/2008 em "assinado-tradutores".

atualização em 07/01/2012: blasio demétrio era pseudônimo de fúlvio abramo, que traduziu vida nova na prisão, "juntamente com outro preso" - ver aqui. agradeço a paula abramo a informação e a reprodução da carta de fúlvio abramo.
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