26 de mar de 2009

o mito do preço I

ontem um gentil visitante comentou que o baixo preço dos livros da martin claret era um fator que devia ser levado em conta. deixei minha resposta sob seu comentário.

não costumo abordar esse lado comercial, mas é um argumento que se repete com tanta frequência que merece ser esclarecido. creio que é falacioso, e faz parte da máquina de propaganda claretiana. acho mais fácil mostrar do que discorrer:


REI LEAR, OKING LEAR
William Shakespeare
Tradução de Millôr Fernandes
R$ 10,00



REI LEAR - William Shakespeare
R$ 10,50
[não consta o tradutor no site, mas em meu exemplar consta "pietro nassetti"]


Rei Lear - William Shakespeare
R$ 4,00 Círculo do Livro, 1987 - estante virtual
O Rei Lear - William Shakespeare
R$ 4,00 LPM, 1997 - estante virtual
download gratuito no portal domínio público do mec
tradução de carlos alberto nunes
R$ 0,00
então, até onde entendo, a edição da martin claret, além de ser a pior, por cultivar a ignorância do leitor, por detonar com nosso patrimônio cultural, não é de forma alguma a opção mais barata.

imagens: www.lpm.com.br; www.martinclaret.com.br

4 comentários:

  1. Anônimo8.4.09

    O mito do preço baixo não passa mesmo de um mito, ou melhor dizendo de uma falácia. Para mim a palavra mito lembra sempre Platão e por isso guarda uma certa nobreza. Mas nobreza é a última das virtudes que a Martin Claret poderia ter, se é que ela tem alguma. Você poderia ter dado ainda um centena de exemplos de livros mais baratos que os da Martin Claret para demonstrar que toda esta conversa fiada não passa de uma picaretagem. Temos tantas edições bem cuidadas a preços convidativos...se há ainda tantos leitores engolindo esta história - alguns até mesmo defendendo tamanho desprendimento empresarial - deve ser mesmo pela falta de intimidade com livros e leitura.

    Carlos Baboni

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  2. Denise:

    Descobri seu blog há bem pouco tempo, infelizmente. lamentavelmente, também, tenho pouco tempo para ler as coisas que me interessam e que pipocam aqui e ali na internet. Mas gostaria de dar os parabéns a você pela iniciativa.

    Não sou tradutor literário - o que considero de uma responsabilidade extrema e que o bom profissional dessa área merece nosso respeito e a devida atenção - faço apenas traduções técnicas (pequenos documentos para empresas), mas presto bastante atenção a essa discussão porque ela é de extrema importância por dois aspectos:
    1)Pelo papel profissional daquele que atua arduamente para nos proporcionar o acesso a obras que, de outra forma, estariam restritas àquelas pessoas que são fluentes em um língua estrangeira. Imagino quantas noites de sono não são gastas em torno de um único parágrafo, de uma única frase e, muitas vezes, de uma única palavra, na busca incessante e talvez nunca plenamente satisfatória de encontrar "aquele" correspondente em nossa língua que transmita com a maior fidedignidade o que o autor original escreveu. Esse profissional precisa ter seus direitos reconhecidos e sua profissão respeitada por quem contrata e também reconhecida por quem lê;

    2)Pelo que representa para nós, leitores, esse ato de lesa-inteligência cometido por editoras inescrupulosas ao nos apresentar "traduções" espúrias e de lesa-majestade aos tradutores que originalmente suaram para realizar seu trabalho.

    A discussão é mais oportuna do que nunca e seu blog nos ajuda a ficar atentos a essas vilanias perpetradas por editores com a conivência de livreiros importantes.

    Por fim, em relação à Martin Claret especificamente, além de não fornecer as edições mais baratas do mercado, possui um dos planejamentos gráficos (?) mais horrorosos que já vi na vida. Não dá para comprar algo com visual tão feio. E se o conteúdo é suspeito, então...

    Um grande abraço e sucesso em sua luta, que é a nossa, tanto profissionais quanto leitores.

    Em tempo: já assinei seu abaixo-assinado e passei-o para amigos.

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  3. olá, baboni, boas considerações - de fato a história do pretenso livro baratinho da claret é uma máquina de propaganda que não resiste a qualquer análise. e não entendo como tem gente que acredita!

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  4. prezado flávio, que bom, agradeço muito o apoio e a divulgação. sim, em especial o ponto 2, pois, bem ou mal, os tradutores têm suas entidades de classe que podem comprar essa briga e defender a categoria. já nós enquanto leitores, docentes, alunos, realmente acabamos sendo presa fácil das editoras inescrupulosas.

    e muito obrigada pela avaliação generosa do trabalho aqui do nãogostodeplágio!

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