24 de jul de 2008

o pega-pega e o pinga-pinga IV

a estação mais intrigante do "pega-pega da arte da guerra" é o assombrado jardim dos livros, sobre o qual pairam alguns espectros de outras paragens.

a história é comprida e um tanto confusa, mas vamos lá.

diz adam sun: a arte da guerra pela ed. jardim dos livros, "lançada em tradução e adaptação de Nikko Bushidô, é um embuste desde o frontispício até o último capítulo". consiste em "um mega-arrastão nas versões brasileiras de Sunzi Bingfa. Simplesmente surrupiou a produção intelectual de José Sanz (Record, 1983), Mirian Paglia Costa e Caio Fernando Abreu (Cultura, 1994), Sueli Barros Cassal (L&PM, 2000) e Ana Aguiar Cotrim (Martins Fontes, 2002). Não contente, Bushidô arrebanhou também o prodigioso editor Martin Claret e seu prestativo colaborador Pietro Nassetti", que por sua vez haviam se apropriado da tradução portuguesa de ricardo iglésias.

como adam sun, além de respeitado jornalista, ex-chefe de checagem da revista veja e atual chefe de checagem da piauí, é tradutor e responsável pela tradução de a arte da guerra direto do mandarim, publicada pela editora conrad em 2006, ele sabe do que está falando.

bom, voltando ao jardim espectral. até onde sei, a jardim dos livros é uma pequena editora de são paulo criada em 2006 pelo jornalista cláudio varela. mas a arte da guerra, o tal "embuste" em nome de nikko bushidô, publicada pela jardim dos livros, na verdade tinha sido publicada inicialmente pela editora sapienza, em 2005.

ora, é aqui que surge a conexão com outra estupefaciência da picaretagem nacional e é aqui também que surge o gancho com a matéria da piauí: o que é ou era a editora sapienza?
a sapienza foi uma pequena e efêmera editora (2003-2005) do sr. cláudio varela, que com seu irmão ado varela carrega "larga experiência no mercado editorial, em editoras como Nova Cultural, Best Seller".

sigam o fio: aquele enrico corvisieri que era o queridinho nos plágios da nova cultural andou trafegando para a ed. best-seller. a ed. best-seller, que também pertencia ao grupo c.l.c., do indômito richard civita, dono da nova cultural, foi vendida à editora record em 2004. só que, antes disso, a best-seller/c.l.c. tinha publicado algumas coisas em nome do tal enrico corvisieri - entre elas a república de platão.

resumindo, esta república de enrico platão corvisieri (1997, nova cultural, os pensadores) migrou para a best-seller/c.l.c. (2000), retornou à nova cultural (2004) e, depois da venda da best-seller para a record, seguiu de mala e cuia para a editora sapienza (2005), do sr. cláudio varela.

além da república, a sapienza acolheu outro suspeitíssimo título migrado da finada best-seller/c.l.c., e também oriundo da coleção "os pensadores" da nova cultural: história da filosofia, de autoria atribuída à sra. mirtes ugeda coscodai (em parceria com bernadette abrão), aquela mesma que já tinha assinado alguns plágios nas obras-primas (ana karênina e os três mosqueteiros).

o pinga-pinga é: nova cultural -> best-seller/c.l.c. -> sapienza, no mais autêntico estilo da "técnica lavoisier".

só que a sapienza, depois de dar uns calotes na fundação biblioteca nacional e publicar uns livros com uns isbns que nem constam na respectiva agência nacional, resolveu mudar de nome e em 2006 virou "jardim dos livros". então relançou a colcha de retalhos de nikko bushidô, que veio a revelar suas verdadeiras cores sob o enérgico espanador de adam sun.

e aí, em março deste ano, cláudio varela [ex-nova cultural, ex-best-seller, ex-sapienza, jardim dos livros] se uniu a luiz fernando emediato [geração editorial/ex-ediouro], e juntos, mais a editora leitura de belo horizonte, resolveram criar uma nova frente editorial.

claro que o leitor sempre deseja o melhor a todos, a gente faz votos de sucesso, para dispor de um mercado editorial forte, limpo, honesto e diversificado.

mas, pelo que vi até agora, os outros dois títulos lançados com o selo "jardim dos livros" na nova frente comandada pela geração editorial - a saber, o essencial de jesus e o essencial do alcorão - não prometem grande transparência.
consultando seus isbns (978-85-60018123 e 978-85-60018147), surge o seguinte resultado:

PESQUISA NO CADASTRO DO ISBN - Nenhum registro foi encontrado.

imagens: the hollow men, mtparnaso.blogspot.com; flog.clickgratis.com.br

2 comentários:

  1. Josias Maciel31.7.15

    Oi, Denise! Eureka! Descobri de quem "Enrico Corvisieri" plagiou a tradução de "A República" publicada pela Nova Cultural: Jacob Guinsburg, cuja tradução foi originalmente publicada pela DIFEL e depois pela Perspectiva.

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  2. Josias Maciel12.8.15

    Na verdade, o plágio é apenas da versão publicada pela DIFEL. A tradução publicada pela Perspectiva foi profundamente alterada pelo próprio J. Guinsburg, não sendo esta última a usada por "Enrico Corvisieri".

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