26 de mai de 2009

otelo comparado

mais uma para quem gosta de análise comparada.

“A thing such as thou”: a representação dos personagens negros nas traduções das obras de William Shakespeare para o português do Brasil , dissertação de mestrado de márcia paredes nunes apresentada ao departamento de letras da puc-rio em março de 2007, disponível aqui, é uma cuidadosa análise comparada de diferentes traduções brasileiras de três obras de shakespeare.

uma delas, otelo, é estudada em sete traduções diferentes: onestaldo de pennafort, carlos alberto nunes, cunha medeiros e oscar mendes, péricles eugênio da silva ramos, barbara heliodora, beatriz viégas-faria e jean melville. em prosa são as de cunha medeiros/oscar mendes, beatriz viégas-farias e jean melville.

a autora traça um perfil de cada tradutor analisado, com uma ressalva no caso de jean melville: "Infelizmente não foi possível localizar informações a respeito de Jean Melville, além dos títulos de livros traduzidos que constam no site da editora [martin claret]. Embora contactada, esta não forneceu dados sobre o tradutor".

a partir da p. 155, a dissertação se debruça especificamente sobre a análise de otelo. reproduzo aqui os trechos selecionados pela autora. para simplificar a leitura, eliminei a referência às páginas de cada edição e numerei de 1 a 7 os nomes dos diversos tradutores. salta aos olhos a identidade única e inconfundível de seis das sete traduções analisadas por márcia p. nunes. a exceção é a de jean melville. dei destaque em alaranjado e verde às fontes a meu ver escancaradamente utilizadas na colcha de retalhos publicada pela martin claret.

IAGO
He, in good time, must his Lieutenant be,
And I - God bless the mark!- his Moorship's Ancient. (I. i. 32-3)
As traduções são as seguintes:
1. Onestaldo de Pennafort
Valha-me Deus! Alfeireiro, só, de Sua Senhoria Amoriscada.
2. Carlos Alberto Nunes
vai tornar-se tenente, enquanto que eu – Deus me perdoe! – continuarei sendo do Mouro o alferes.
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
Ele, em troca, esse fazedor de adições, será tenente quando o momento chegar; e eu continuo alferes (Deus bendiga o título!) de Sua Senhoria Moura.
4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
Ele é que na hora certa, deverá ser o lugar-tenente, e eu, Deus nos valha! o alferes de Sua Senhoria, o Mouro.
5. Barbara Heliodora
Pois ele, agora, é que será tenente, E eu, por Deus, alferes do ilustríssimo.
6. Beatriz Viégas-Faria
E eu… Deus abençoando minha boa mira!..., continuo sendo o alferes de sua majestade, o Mouro.
7. Jean Melville
Ele, em troca, será tenente quando o momento chegar; e eu continuo alferes (Deus bendiga o título!) de Sua Senhoria Moura.

RODERIGO.
What a full fortune does the thick-lips owe,
If he can carry’t thus! (I. ii. 67-8)
O trecho foi traduzido da seguinte forma:
1. Onestaldo de Pennafort
RODRIGO (distraído) Que sorte a dele, então, se com aquelas beiçolas, consegue abocanhá-la!
2. Carlos Alberto Nunes
Que sorte a desse tipo de lábios grossos, se puder, realmente, levar isso até o fim.
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
Que sorte sem igual terá o homem de lábios grossos, se conseguir levar assim essa vantagem!
4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
Grande sorte a daquele beiços grossos se puder alcançar vitória em tudo.
5. Barbara Heliodora
Mas que sorte total tem o beiçudo, Se ganha esta!
6. Beatriz Viégas-Faria
Se conseguir sair ileso dessa, o Lábios Grossos vai ficar devendo sua sorte ao destino.
7. Jean Melville
Que sorte sem igual terá o homem de lábios grossos, se ganha esta!

IAGO. ‘Zounds, sir, you’re robb’d! For shame, put on your gown;
Your heart is burst, you have lost half your soul;
Even now, now, very now, an old black ram
Is tupping your white ewe. Arise, arise!
Awake the snorting citizens with the bell,
Or else the devil will make a grandsire of you.
Arise, I say! (I. 87-93)
Apresentamos agora as versões:
1. Onestaldo de Pennafort
Agora, neste instante, agora mesmo, um velho carneiro negro está cobrindo a vossa ovelhinha branca! De pé, de pé! Mandai tocar a rebate! Despertai os burgueses de seu ronco! Rápido! Rápido! Enquanto o diabo, num esfregar de olhos, não vos faz um neto!
2. Carlos Alberto Nunes
Agora mesmo, neste momento, um velho bode negro está cobrindo vossa ovelha branca. Tocai o sino, para que despertem os cidadãos que roncam; do contrário, o diabo vos fará ficar avô.
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
Agora mesmo, neste instante, neste momento mesmo, um velho bode negro está cobrindo vossa ovelha branca.
De pé! De pé! Despertai ao som de um sino os cidadãos que estão roncando, ou caso contrário, o diabo vai fazer de vós um avô.
4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
Agora, bem agora, agora mesmo, velho e negro carneiro está cobrindo a vossa ovelha branca. Erguei-vos, ei, erguei-vos! Os cidadãos que roncam, despertai-vos com o sino. Senão irá o demônio fazer de vós avô. Oh, digo, levantai-vos!
5. Barbara Heliodora
Neste momento um bode velho e preto cobre a sua ovelhinha; venha logo. Vá despertar com o sino os que dormiam, senão o demo vai fazê-lo avô.
6. Beatriz Viégas-Faria
Neste instante mesmo, agora, agorinha, um bode preto e velho está cobrindo sua ovelhinha. –Levantai-vos, rebelai-vos! – Acorde com o toque de sino os cidadãos que ora roncam, pois do contrário o diabo vai lhe dar netos.
7. Jean Melville
Agora mesmo, neste momento, um bode velho e negro está cobrindo vossa ovelha branca.
Venha logo! Despertai ao som de um sino os cidadãos que dormem, ou caso contrário, o diabo vai fazer de vós um avô.

IAGO. ‘Zounds, sir, you are one of those that will not serve God, if the
devil bid you. Because we come to do you service and you think we are
ruffians, you'll have your daughter covered with a Barbary horse;
you'll have your nephews neigh to you; you'll have coursers for cousins,
and jennets for germans. (I. I. 109-4)
Apresentamos agora as respectivas traduções:
1. Onestaldo de Pennafort
(...) o resultado é que vereis a vossa filha coberta por um cavalo da Berberia. Quereis que os vossos netos relinchem para vos pedir a benção? Agrada-vos uma parentela de corcéis e ginetes? 2. Carlos Alberto Nunes
(...) quereis que vossa filha seja coberta por um cavalo berbere e que vossos netos relinchem atrás de vós? Quereis ter cordéis como primos e ginetes como parentes?
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
(...) deixareis que vossa filha seja coberta por um
cavalo da Barbaria? Estais querendo ter netos que relincharão em vosso rosto! Acabareis tendo corcéis como primos e ginetes como parentes.
4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
(...) tereis vossa filha coberta por um cavalo da Barbaria, tereis vossos netos rinchando para vós, tereis corcéis por descendência e ginetes por parentes.
5. Barbara Heliodora
(...) terá sua filha coberta por um garanhão da Barbaria; terá netos que relincham, terá corcéis por primos e ginetes por consangüíneos.
6. Beatriz Viégas-Faria
(...) terá um cavalo berbere cobrindo sua filha; terá seus sobrinhos relinchando para o senhor; terá corcéis por primos e ginetes por parentes.
7. Jean Melville
(...) deixareis que vossa filha seja coberta por um
garanhão da Barbaria? Estais querendo ter netos que relincham! Acabareis tendo corcéis como primos e ginetes como parentes.

RODERIGO.
Your daughter, if you have not given her leave,
I say again hath made a gross revolt,
Tying her duty, beauty, wit, and fortunes
In an extravagant and wheeling stranger
Of here and everywhere. (I. i. 134-8 )
As versões brasileiras são:
1. Onestaldo de Pennafort
Mas vossa filha, repito-o, se não lhe destes licença para tanto, cometeu uma grave falta sacrificando honra, beleza, posição e nobreza, a um estrangeiro nômade, sem eira nem beira.
2. Carlos Alberto Nunes
Vossa filha – de novo vos declaro – se não lhe destes permissão, mui grave pecado cometeu, unindo o espírito, a beleza, o dever e seus haveres a um estrangeiro andejo e desgarrado daqui e de toda parte.
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
Vossa filha, se não a autorizastes, continuo dizendo, tornou-se culpada de grave falta, sacrificando seu dever, sua beleza,
seu engenho e sua fortuna a um estrangeiro vagabundo e nômade, sem pátria e sem lar.
4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
Vossa filha, se não lhe destes vênia, repito-o, perpetrou grossa revolta, ligando seu dever, beleza, espírito e sorte a um estrangeiro errante e instável, daqui e de toda parte.
5. Barbara Heliodora
Sua filha (sem sua permissão, Repito) fugiu-lhe com baixeza, Ligando herança, espírito e beleza A um estranho errante e extravagante, Sem rumo certo.
6. Beatriz Viégas-Faria
Sua filha, se é que não recebeu a sua permissão, digo-lhe mais uma vez, rebelou-se de modo grosseiro, vinculando sua submissão, sua beleza, sua inteligência e seus dotes a um estranho extravagante e errático tanto por aqui como em qualquer lugar.
7. Jean Melville
Vossa filha, se não a autorizastes, continuo dizendo, tornou-se culpada de grave falta, sacrificando seu dever, sua beleza, seu espírito e sua herança a um estrangeiro extravagante e nômade, sem pátria e sem lar.


BRABANTIO. [...] Run from her guardage to the sooty bosom
Of such a thing as thou: to fear, not to delight. (I. ii.62-71)
Comparando as traduções, temos:
1. Onestaldo de Pennafort
BRABANTIO: [dirigindo-se a Otelo]
abandonar o lar paterno e se entregar aos braços ferrujentos de um ser tal como tu, feito para inspirar terror e não prazer!
2. Carlos Alberto Nunes
fugir de seu guardião, para abrigar-se no seio escuro e cheio de fuligem de uma coisa como é, mais feito para susto causar do que qualquer deleite.
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
(…) fugido da tutela paterna para ir refugiar-se no seio denegrido de um ser como tu, feito para inspirar medo e não deleite?
4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
(...) fugido ao seu abrigo para buscar o seio de fuligem de alguém como és – de dar receio, não prazer?
5. Barbara Heliodora
Haveria jamais (pra ser chacota) De fugir da tutela pro negrume De um peito como o teu, que só traz susto?
6. Beatriz Viégas-Faria
(...) quando é que ela teria abandonado seu pai e protetor, correndo o risco de ser motivo de zombaria geral, para aninhar-se no peito negro de uma coisa como tu... figura que dá medo e não prazer?
7. Jean Melville
(...) ter fugido da tutela paterna para ir abrigar-se no seio
escuro
de um ser como tu, feito para inspirar medo e não deleite?

DUKE. Let it be so.
Good night to everyone. And, noble signor,
If virtue no delighted beauty lack,
Your son-in-law is far more fair than black. (I. iii. 285-8)
Comparemos agora as traduções:
1. Onestaldo de Pennafort
DOGE (A Brabâncio):
Se o emblema da virtude é a alvura, eu asseguro, senhor, que o vosso genro é mais branco que escuro.
2. Carlos Alberto Nunes
Muito nobre senhor, se de beleza a virtude não for destituída, mais belo é vosso genro do que preto.
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
Nobre signior, se é verdade que a virtude possui todo o brilho da beleza, vosso genro
é muito mais belo do que negro.
4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
E, nobre signior Se a virtude confere formosura, Vosso genro tem mais beleza que negrura
5. Barbara Heliodora
Seja tudo assim. Boa-noite a todos; meu nobre senhor, Se a virtude bonita é em seu desvelo, Seu genro é menos negro do que belo.
6. Beatriz Viégas-Faria
E, meu nobre signior, se à virtude jamais faltasse encantadora beleza, seu genro seria muito mais belo que negro.
7. Jean Melville
Nobre senhor, se é verdade que a virtude possui todo o brilho da beleza, vosso genro
é menos negro do que belo.

IAGO. (…) And what delight will she have to look on the devil?” (II. i. 216):
As versões brasileiras são:
1. Onestaldo de Pennafort
E que prazer podem os seus olhos encontrar na contemplação desse bruxo?
2. Carlos Alberto Nunes
E que deleite poderá encontrar na contemplação do demônio?
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
E que prazer pode encontrar olhando para o
demônio?
4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
E que deleite tem ela para olhar no demônio?
5. Barbara Heliodora
E que prazer terá ela em olhar para o diabo?
6. Beatriz Viégas-Faria
E que deleite pode lhe advir de encarar o demônio?
7. Jean Melville
E que prazer pode encontrar olhando para o
diabo?

IAGO: Come, lieutenant, I have a stoup of wine, and here without are a
brace of Cyprus gallants, that would fain have a measure to the health
of the black Othello. (II. iii. 25-7)
Vejamos as traduções:
1. Onestaldo de Pennafort
Vamos, meu tenente, tenho ali um canjirão de vinho e, lá fora, uns amigos aqui de Chipre que, de bom grado, molhariam a garganta conosco para um brinde ao negro Otelo.
2. Carlos Alberto Nunes
Vamos, tenente; tenho um quartal de vinho e aí fora um par de galantes chipriotas que de bom grado beberiam à saúde do negro Otelo.
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
Vamos, tenente, tenho um cântaro de vinho e, lá fora, estão esperando
uns galantes cipriotas que ficariam bem contentes, se pudessem beber à saúde do negro Otelo.
4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
Vamos, lugar-tenente, eu tenho duas quartas de vinho e esperando do lado de fora há um par de bravos cipriotas que beberiam de bom grado à saúde do negro Otelo.
5. Barbara Heliodora
Vamos, tenente, eu tenho um garrafão de vinho, e aqui fora há um par de galantes de Chipre que gostariam de beber um gole à saúde do negro Otelo.
6. Beatriz Viégas-Faria
Venha, tenente, tenho uma garrafa de vinho. E lá fora estão um punhado de galantes cipriotas que de bom grado tomariam uma dose à saúde do negro Otelo.
7. Jean Melville
Vamos, tenente, tenho um cântaro de vinho e, lá fora, estão esperando
amigos de Chipre que gostariam de beber à saúde do negro Otelo.

IAGO: Ay, there’s the point; - as to be bold with you,
Not to affect many proposed matches
Of her own clime, complexion, and degree,
Whereto we see in all things nature tends
Foh! One may smell in such a will most rank
Foul disproportion, thoughts unnatural. (III. 3. 230-33)
Os tradutores apresentaram as seguintes versões para essa fala:
1. Onestaldo de Pennafort
Aí é que pega o ponto! Sejamos francos: recusar propostas de casamento de ótimos partidos, de patrícios da mesma cor e meio, ao contrário do que seria natural
2. Carlos Alberto Nunes
Sim, esse é o ponto. Para falar franco convosco: recusado haver propostas de casamento de sua própria terra, estado e parentesco, em que se achara conforme em tudo a própria natureza
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
Sim, eis aí a coisa. Assim (permiti esta ousadia), tendo recusado tantos partidos que apareciam e que possuíam todas as afinidades de pátria, de raça e de estirpe, para os quais vemos que tendem todas as coisas da natureza
4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
Sim, esse é o ponto; também (para ser ousado convosco) não querer muitas propostas núpcias
de sua terra, cor e posição - para as quais tende a natureza em tudo – fora!
5. Barbara Heliodora
Esse é o problema; pois se ouso dizê-lo, Pois recusar tantos partidos bons, De sua terra, compleição e grau, Para os quais apontava a natureza
6. Beatriz Viégas-Faria
Sim, esse é o ponto. Como! ... sendo eu atrevido por falar assim com o senhor... para não desejar muitas propostas de casamento condizentes com seu próprio clima, cor de pele, e condição social, conforme vemos ser o caso, em todas as coisas, da tendência natural!
7. Jean Melville
Sim, eis
o problema. Assim (ouso dizê-lo), tendo recusado tantos pretendentes e que possuíam todas as afinidades de pátria, de raça e de grau, para os quais apontavam todas as coisas da natureza, hum!

IAGO. But pardon me: I do not in position
Distinctly speak of her; though I may fear
Her will, recoiling to better judgement,
May fall to match you with her country forms,
And happily repent. (III.iii.235-9)
As versões brasileiras são:
1. Onestaldo de Pennafort
(...) recear que ela, caindo em si, comece a comparar-vos com os seus patrícios e depois... quem sabe? Talvez acabe por se arrepender....
2. Carlos Alberto Nunes
chegue a recear que seus desejos possam vir dar de encontro a um juízo mais sadio e com seus compatriotas confrontar-vos, levando-a, porventura, a arrepender-se.
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
(...) embora possa temer que
sua alma voltando a inclinações mais normais, chegue a comparar-vos com pessoas de seu país e acabe, talvez, por sentir-se arrependida.
4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
O que eu receio é que sua vontade, Recuando para um juízo mais maduro, Venha a vos comparar com a aparência Dos conterrâneos dela e então arrepender-se.
5. Barbara Heliodora
(...) embora tema Que o seu desejo, pensando melhor, Recaia sobre alguém de seus costumes, E se arrependa
6. Beatriz Viégas-Faria
Embora eu receie que a sua vontade, uma vontade inversa a um bom discernimento, ainda venha a comparar o senhor com as formas da pátria dela e venha arrepender-se.
7. Jean Melville
(...) embora possa temer que
seu desejo, voltando a inclinações mais normais, recaia sobre pessoas de seu país, talvez, por sentir-se arrependida.

OTHELLO.
Haply for I am black
And have not those soft parts of conversation
That chamberers have; or for I am declined
Into the vale of years- yet that’s not much - (III. iii.260-3)
Comparando as traduções, temos:
1. Onestaldo de Pennafort
Talvez por eu ser negro e não ter o falar adocicado e as maneiras suaves dos galantes da corte... Ou quem sabe porque já vou descendo o vale inclinado dos anos.... Mas por tão pouco
2. Carlos Alberto Nunes
Porque sou negro e de fala melíflua não disponho qual petimetre, ou porque já me encontro no declive da idade – mas não tanto —
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
Talvez porque seja negro e não tenha
na conversação as formas flexíveis dos intrigantes, ou então, porque esteja descendo o vale dos anos (embora nem tanto assim)
4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
Talvez por eu ser negro e sem as qualidades agradáveis de fala e de maneiras a serviço dos homens elegantes ou porque declinei no vale já dos anos, embora ainda não muito,
5. Barbara Heliodora
Quiçá por ser eu preto, E faltar-me as artes da conversa Dos cortesãos, ou por estar descendo Para o vale dos anos – mas nem tanto ...
6. Beatriz Viégas-Faria
Talvez porque sou negro, e não tenho em mim aquelas partes suaves do diálogo que têm os galanteadores, ou talvez porque já me encontro no outono da maturidade... contudo, ainda longe do inverno da velhice...
7. Jean Melville
Talvez porque seja negro e não tenha na linguagem as formas flexíveis dos cortesãos, ou então porque esteja descendo o vale dos anos (embora nem tanto)...


OTHELLO
I’ll have some proof. Her name, that was as fresh
As Dian’s visage, is now begrimed and black
As mine own face. (III. iii.387-9)
Os tradutores apresentaram as seguintes versões para a fala:
1. Onestaldo de Pennafort
Quem me dera uma prova! O nome dela, que antes era límpido como a face de Diana, se enegreceu como o meu próprio rosto.
2. Carlos Alberto Nunes
O nome dela, que era tão singelo como o rosto de Diana, ora se encontra como o meu próprio rosto: negro e sujo.
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
O nome dela, que era puro como o rosto de Diana, está agora embaciado e negro como meu rosto...
4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
Meu nome, que era tão viçoso como o rosto De Diana, está agora conspurcado e negro Como o meu próprio rosto.
5. Barbara Heliodora
Quero prova: meu nome era tão claro Como o de Diana casta; e ora é tão negro Quanto o meu rosto:
6. Beatriz Viégas-Faria
O nome dela, antes puro como a face de Diana, vejo-o agora enegrecido, escuro como meu próprio rosto.
7. Jean Melville
O nome dela, que era puro como o rosto de Diana, está agora negro como meu rosto...

OTHELLO
Damn her, lewd minx! O, damn her!
Come, go with me apart; I will withdraw,
To furnish me with some swift means of death
For the fair devil. (III. iii. 476-8)
1. Onestaldo de Pennafort
Antes maldita seja! Maldita! descarada! dissoluta! Vamos lá para dentro. Quero assentar contigo um meio fulminante de dar a morte àquele belo diabo.
2. Carlos Alberto Nunes
Que baixe para o inferno essa lasciva prostituta! Que baixe para o inferno! Fica à parte comigo; retirar-me desejo, para refletir nalguma modalidade suave de extermínio para esse belo diabo.
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
Oh, que ela seja condenada! Vamos,
afastemo-nos daqui! Vou retirar-me para encontrar meios de morte rápidos para o encantador demônio.
4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
Que o inferno a leve, luxuriosa mulher à toa! O inferno a leve! A perdição a leve! Vamos, vinde comigo à parte. Eu me retiro para munir-me de alguns meios rápidos de morte para o belo diabo. 5. Barbara Heliodora
Maldita seja a rameira
: maldita! Vamos, venha comigo e, em segredo Hei de achar meios de matar depressa A bela infame.
6. Beatriz Viégas-Faria
Maldita seja ela, mulherzinha descarada, indecente e lasciva. Oh, maldita seja ela! Vamos, acompanha-me, separemo-nos dos outros. Vou retirar-me para suprir minha imaginação com alguns meios rápidos de morte para aquele lindo demônio (p. 102)
7. Jean Melville
Maldita seja a rameira! Oh, que ela seja condenada! Vamos embora daqui! Vou retirar-me para encontrar meios de morte rápidos para a bela.

OTHELLO
This argues fruitfulness and liberal heart:
Hot, hot, and moist: this hand of yours requires
A sequester from liberty, fasting and prayer,
Much castigation, exercise devout;
For here’s a young and sweating devil here,
That commonly rebels. ‘Tis a good hand,
A frank one. (III. iv. 34-40)
As versões do trecho são agora apresentadas:
1. Onestaldo de Pennafort
Denota exuberância e prodigalidade e coração. Quente, quente e úmida! Esta mão pede clausuras, jejuns e orações, mortificações e práticas devotas, porque está aqui um diabrete que ao mesmo tempo arde e sua por se rebelar a todo momento. Uma bela mão, aliás. E aberta!
2. Carlos Alberto Nunes
Isso revela desperdício e, em tudo coração liberal. Úmida e quente! Esses sinais indicam que é preciso cercear a liberdade e, assim, impor-vos jejuns e rezas, pios exercícios e mortificações, pois um demônio suarento aqui demora, que costuma rebelar-se. A mão tendes muito boa,
muito franca, em verdade.
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
Isto anuncia liberalidade e coração pródigo. Quente, quente e úmida! Esta mão requer o seqüestro da liberdade, jejuns e orações, muita mortificação e exercícios de devoção, pois nela existe um demônio jovem e suarento que comumente se rebela. É uma boa mão, e também
franca.

4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
Isso indica fertilidade e um coração bondoso. Quente, úmida e quente. Vossa mão requer Uma separação da liberdade; Jejum e prece austera, disciplina Devotos exercícios. Pois aqui há um jovem diabo suado que ordinariamente Se rebela. É uma boa mão. E livre.
5. Barbara Heliodora
Então é fértil, tem bom coração
; Úmida e quente, a sua mão requer Muito controle, preces e fastio, Com muita penitência e devoção; Pois um jovem demônio sua aqui, Que tende à rebeldia. É uma mão boa. E franca.
6. Beatriz Viégas-Faria
Isso denuncia frutífera amorosidade e um coração liberal. Quente, quente e úmida. Esta tua mão requer um seqüestro de tua liberdade; requer jejum e orações, muita penitência, práticas piedosas, pois há aqui um demônio jovem que sua e transpira o tempo todo um rebelde.
Esta é uma boa mão, de dedos francos.
7. Jean Melville
Então é fértil e tem bom coração. Quente, quente e úmida! Esta mão requer muito controle, jejuns e preces, muita penitência e devoção, pois nela um demônio jovem transpira e tende à rebeldia. É uma boa mão, e também franca.

OTHELLO:
O devil, devil!
If that the earth could teem with woman’s tears,
Each drop she falls would prove a crocodile. (IV. i. 234-6)
Apresentamos as versões brasileiras a seguir:
1. Onestaldo de Pennafort
Demônios! demônios! Se a terra pudesse ser fecundada por lágrimas de mulher, de cada gota vertida brotaria um crocodilo.
2. Carlos Alberto Nunes
Oh, demônio! Demônio! Se, com lágrimas de mulher fosse a terra fecundada, cada gota geraria um crocodilo.
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
Ó demônio, demônio! Se as lágrimas de uma mulher pudessem fecundar a terra, cada lágrima que ela deixasse cair viraria um crocodilo.

4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
Oh, que demônio! Demônio! Se com pranto de mulher Pudesse a terra se fertilizar Cada gota por ela derramada Mostrar-se-ia um crocodilo.
5. Barbara Heliodora
Oh, demônio! Se co’esse pranto ela emprenhasse a terra, Gerava um crocodilo cada lágrima.
6. Beatriz Viégas-Faria
Oh, demônio, demônio. Pudesse a terra ser fecundada por lágrimas femininas, de cada gota por ela derramada nasceria um crocodilo.
7. Jean Melville
Ó demônio! Se as lágrimas de uma mulher pudessem fecundar a terra, cada lágrima que ela deixasse cair geraria um crocodilo.

OTHELLO
Was this fair paper, this most goodly book,
Made to write “whore” upon? What committed! (IV. ii. 70-1)
Transcrevemos agora as versões:
1. Onestaldo de Pennafort
Pois esse pergaminho alvíssimo, esse livro tão precioso terá sido feito para escrever-se nele “prostituta”?
2. Carlos Alberto Nunes
Teria sido feito um tão formoso papel, tão belo livro, para nele ficar escrito o nome “Prostituta”?
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
Esta página tão branca, este livro tão belo, foram feitos para que nele se escrevesse a palavra “prostituta"?
4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
Este belo papel, este vistoso livro, Foram feitos para escrever “rameira” neles?
5. Barbara Heliodora
Mas foi feita essa página, ou esse livro, Para se escrever “puta”?
6. Beatriz Viégas-Faria
O papel mais alvo, o livro mais formoso foram feitos para que neles se escrevesse a palavra "prostituta"?
7. Jean Melville
Esta página tão branca, este livro tão belo, foram feitos para que nele se escrevesse a palavra “prostituta”?

O original inglês é:
EMILIA
O, the more angel she,
And you the blacker devil! (V. ii. 132-3)
As traduções são:
1. Onestaldo de Pennafort
Ela era um anjo tão certo com sois um diabo negro!
2. Carlos Alberto Nunes
Tanto mais anjo ela é por isso; e vós demônio negro.
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
Oh, Por isto, mais anjo ela é e vós, mais negro demônio!
4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
Tanto mais anjo ela, E o mais negro demônio vós!
5. Barbara Heliodora
Mais anjo então é ela, E o senhor mais negro demo!
6. Beatriz Viégas-Faria
Oh! Isso a faz o mais anjo ainda, e faz do senhor o mais negro dos demônios!
7. Jean Melville
Oh! Por isto mais anjo ela é, e vós, mais negro demônio!

EMILIA
Thou dost belie her, and thou art a devil. (V. ii. 133)
O trecho foi reproduzido da seguinte forma:
1. Onestaldo de Pennafort
Isso é uma calúnia! E tu és um demônio!
2. Carlos Alberto Nunes
Não passas de um demônio a caluniá-la!
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
Vós a estais caluniando! Sois um demônio!
4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
Tu a calunias, e tu és um demônio.
5. Barbara Heliodora
Isso é calúnia e o senhor um demônio!
6. Beatriz Viégas-Faria
Isso é calúnia, e tu és o demônio!
7. Jean Melville
Vós a estais caluniando! Sois um demônio!

OTHELLO: I look down towards his feet; but that’s a fable.
that thou be’st a devil, I cannot kill thee. (V. ii. 283-4)
A fala de Otelo ficou da seguinte forma nas traduções:
1. Onestaldo de Pennafort
Não tem os pés de cabra, como se diz na fábula; porém, se eu não puder matá-lo é que é mesmo o demônio!
2. Carlos Alberto Nunes
Procuro ver-lhe os pés. Mas não... É pura fábula. Se fores o diabo, não conseguirei matar-te.
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
Olho para os pés dele ... Mas isto é uma
fábula. Se és demônio, não posso matar-te.
4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
Olho para seus pés; mas isso é fábula Se és um diabo, eu não posso te matar
5. Barbara Heliodora
Eu olhei os seus pés, mas isso é lenda; Se és o diabo, não posso matar-te.
6. Beatriz Viégas-Faria
Olho para baixo, buscando ver-lhe os pés. Mas isso não passa de fábula. Se tu fosses o diabo, não teria como matá-lo.
7. Jean Melville
Olho para os pés dele... Mas isto é uma
lenda. Se és diabo, não posso matar-te.

OTHELLO: Will you, I pray, demand that demi-devil
Why he hath thus ensnared
My soul and body? (V. ii. 298-9)
As versões do trecho são:
1. Onestaldo de Pennafort
Poderíeis saber desse monstro a razão por que me quis colher alma e corpo, em seu laço?
2. Carlos Alberto Nunes
Perguntai, por favor, a este demônio por que a alma e o corpo me enleou a tal ponto.
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
Quereis, por favor, perguntar a esse meio demônio por que enfeitiçou assim minha alma e meu corpo?

4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
Quereis, eu rogo-vos Interrogar a esse semi-diabo Por que ele assim enleou minha alma e corpo? 5. Barbara Heliodora
Quer, por favor, indagar do demônio Por que foi que enredou meu corpo e alma?
6. Beatriz Viégas-Faria
Rogo-lhes: poderiam vocês perguntar a esse meio-demônio por que razão armou ele um tal engodo para minha alma e meu corpo?
7. Jean Melville
Quereis, por favor, perguntar a esse demônio por que enfeitiçou assim minha alma e meu corpo?


Outra alusão, mas dessa vez a Otelo ser (ou ter sido) pagão, encontra-se na
descrição que Iago faz do General como “an erring barbarian” (I. iii. 343):
1. Onestaldo de Pennafort: barbaresco nômade
2. Carlos Alberto Nunes: bárbaro errático
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes: aventureiro bárbaro
4. Péricles Eugênio da Silva Ramos: bárbaro errante
5. Barbara Heliodora: bárbaro errante
6. Beatriz Viégas-Faria: bárbaro pecador
7. Jean Melville: aventureiro bárbaro

DESDEMONA:
Well prais’d! How if she be black and witty? (II. i.130)

1. Onestaldo de Pennafort
Belo elogio! E qual o que farias De uma mulher morena e inteligente?
2. Carlos Alberto Nunes
Ótimo! E se for preta e espirituosa?
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
Belo elogio! E se for uma dama morena e espirituosa?

4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
Bem louvado. Mas se ela for morena e esperta?
5. Barbara Heliodora
Muito bem! E se for escura e viva?
6. Beatriz Viégas-Faria
Elogio muito bem feito! E se for negra e esperta?
7. Jean Melville
Belo elogio! E se for uma dama morena e espirituosa?

IAGO:
If she be black, and thereto have a wit,
She’ll find a white that shall her blackness fit (II. 1. 131-2)
1. Onestaldo de Pennafort
Se é morena, mas se de espírito não manca, Há de saber fazer com que a achem muito branca.
2. Carlos Alberto Nunes
Preta e espirituosa... Que mistura! Mas um branco há de achar para a feiúra.
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
Se ela morena for e espírito tiver, Um branco encontrará que quadre à sua cor.
[nota do tradutor: Há aqui trocadilhos com os vários significados de fair (loura e bela) e black (negra e morena)]
4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
Se for morena, mas tiver viveza a par, Encontrará um branco com quem se ajustar.
5. Barbara Heliodora
Se viva, mesmo sendo imitação, Um branco há de escolher-lhe a escuridão.
6. Beatriz Viégas-Faria
Se for negra e esperta a mulher, Esperteza ela sabe usar Para um homem branco arranjar Que lhe esfregue a tal negra tez.
7. Jean Melville
Se ela morena for e espírito tiver, Um branco encontrará que quadre à sua cor.
[nota do tradutor: Trocadilhos com os diferentes significados de fair (loura e bela) e black (negra e morena)]


IAGO:
She never yet was foolish, that was fair,
For even her folly help’d her to an heir. (II. i. 134-5)
1. Onestaldo de Pennafort Bela e tola, não há. Se é bela, acha um parceiro Que logo a ajudará a arranjar um herdeiro.
2. Carlos Alberto Nunes
Mulher tonta não há, sendo bonita, Pois sabe arranjar filho e ser catita.
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
Mulher tola não há, se beleza ela tem, Pois mesmo tola sendo, sabe filho arranjar.
[nota do tradutor: Trocadilho quanto ao sentido de folly (estupidez e devassidão)]
4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
Nenhuma, se for bela, tola se mostrou, porque sua tolice herdeiro lhe granjeou.
5. Barbara Heliodora
Ser tola a moça linda eu nunca vi: A bela faz tolinhos para si.
6. Beatriz Viégas-Faria
Não existe mulher bela De tamanha estupidez Que não possa se gabar De um herdeiro que ela fez.
7. Jean Melville
Se beleza ela tem, mulher tola não há Pois mesmo tola sendo, sabe filho arranjar.
[nota do tradutor: Trocadilho quanto ao sentido de folly (estupidez e devassidão)]

IAGO
There’s none so foul, and foolish thereunto,
But does foul pranks, which fair and wise ones do. (II. i. 139-40)
1. Onestaldo de Pennafort
Feia e tola que seja, inda assim é capaz De fazer o que a mais bonita e esperta faz.
2. Carlos Alberto Nunes
Não há feia tão tola que não possa Nas belas e sabidas fazer mossa.
3. Cunha Medeiros/Oscar Mendes
Feia ou tola não há mulher que não pratique as loucuras que a bela e sábia fazer sabe.
4. Péricles Eugênio da Silva Ramos
Não há ninguém tão tola e feia além do mais que não faça o que a bela, o que a de siso faz.
5. Barbara Heliodora
Nunca houve ninguém tão tola e feia que, como a bela, não armasse teia.
6. Beatriz Viégas-Faria
Não há mulher feia o suficiente e burra na medida certa que não consiga ser tão quente como a dama mais bela e esperta.
7. Jean Melville
Não há mulher feia ou tola que não pratique as loucuras que a bela e sábia sabe fazer.

(Márcia Paredes Nunes, pp. 170-243, passim)

6 comentários:

  1. Vou guardar este post para ler no final de semana, na madrugada, sem barulhos e gentes...

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  2. Perdoe a minha ignorância, mas esses plágios e absurdos cometidos pelas editoras ficam impunes? Não há lei que condene casos como o do Super-Tradutor Pietro Nasseti, por exemplo?

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  3. pois é, renata, você pegou o ponto.
    a legislação que contempla e pune esses casos é a lei dos direitos autorais 9610/98 (lda).
    o problema é que a tal lda protege apenas os detentores dos direitos autorais, seja o próprio autor/tradutor e seus herdeiros, seja a editora que adquiriu os direitos de publicação da tradução.
    o leitor, que afinal é a quem se destina toda essa produção, não é "legitimado" (como diz) para reclamar judicialmente.
    teriam as editoras legítimas detentoras e teriam os tradutores lesados - se falecidos, seus herdeiros - que acionar as editoras responsáveis pela fraude. o problema é este. nem todos se interessam pelo problema. na verdade, diria eu, parece que apenas uma ínfima minoria deles se interessa e vai atrás.

    enquanto isso, os principais lesados - que em meu entender somos nós, os leitores - não podem fazer nada. pois nem o procon se interessa pelo caso! a única via que resta é o ministério público. e aí já é outra novela.

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  4. O que posso dizer? amo Bárbara "Oh, demônio! Se co’esse pranto ela emprenhasse a terra, Gerava um crocodilo cada lágrima."

    e aqui lembrei de um Othelo deveras assustador

    "Haveria jamais (pra ser chacota) De fugir da tutela pro negrume De um peito como o teu, que só traz susto?"

    consegui a foto lá para casa

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  5. Anônimo19.7.15

    Grande Barbara,estou a comprar os três volumes da tradução de Oscar Mendes e Cunha.... você a recomenda,ou devo procurar outra tradução? se preferir não opinar entenderei,abraço. Rodrigo.

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  6. olá, rodrigo: gosto da tradução do cunha medeiros e oscar mendes: apenas leve em conta que foi feita a partir do espanhol e é em prosa. a de barbara é incomparável.

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