29 de mai de 2009

a luta pelo direito

a luta pelo direito, de rudolf von ihering (1818-92), é daquelas obras que fazem parte da bibliografia obrigatória de todos os cursos de direito. foi uma conferência apresentada pelo jurista alemão em 1872, em viena, e no mesmo ano publicada em livro. foi um tremendo sucesso e, passado pouco tempo, já era tido como um marco na história do pensamento jurídico alemão.

sua primeira tradução para o português foi feita por joão vieira de araújo, da chamada escola de recife, e publicada em 1885. depois saiu outra, feita por josé tavares bastos, a partir do espanhol, com prefácio de clóvis beviláqua (não sei a data certa, mas o prefácio traz o ano de 1909). aqui na frase do dia já tem uma canja do tavares bastos.

também em 1909 saiu em portugal uma tradução feita por joão de vasconcellos. a principal diferença em relação às duas traduções brasileiras é que essa tradução portuguesa tomou como base o original revisto por ihering em 1888, que eliminava os parágrafos iniciais e trazia um prefácio todo sério, mas também muito simpático e espirituoso. (depois, na edição de 1891, ele vai fazer alguns acréscimos finais no próprio prefácio, muito bonitos, uma homenagem póstuma a uma amiga, frau auguste von littrow-bischoff.)

a tradução mais corrente no brasil, seja lá por que razão for, é justamente essa portuguesa de joão de vasconcellos (também grafado como joão de vasconcelos ou joão vasconcelos), em incontáveis reedições pela forense. a tradução indireta de tavares bastos, por interposição do espanhol, também é bastante conhecida, até por conta da apresentação de beviláqua e da inclusão do longo prefácio de leopoldo alas à edição espanhola - hoje em dia está disponível para download. curiosamente, a tradução de joão vieira, nome importante na história do pensamento jurídico brasileiro, aliás citada pessoalmente pelo próprio ihering no prefácio de 1891 e que está em domínio público faz um tempão, não se encontra disponível para download nem no portal do mec.

existem outras ainda, assinadas por: vicente sabino jr.; henrique de carvalho; joão cretella jr. e agnes cretella; roberto de bastos léllis; richard paul neto; mário de méroe; silvio donizete chagas; ricardo rodrigues gama; edson bini; ivo de paula; pietro nassetti; heloísa da graça burati.

como a cultura não se constrói sozinha nem se compra em pacotinhos na esquina, acho legal acompanhar esse desenvolvimento de nossas letras jurídicas. acho legal, por exemplo, que já no começo de 1885 estivesse publicada em recife a tradução de joão vieira. acho legal também que tantos juristas se debruçassem fisicamente sobre as obras, queimassem as pestanas e pusessem isso em língua que as gentes daqui entendiam. hoje em dia sei que não é bem assim, mas acho esses antecedentes interessantes, até, digamos, edificantes. egrégios exemplos da construção de um patrimônio cultural brasileiro e provas vivas da atividade das cabeças pensantes d'antanho.

esse introitozinho é porque na semana que vem vou apresentar umas duas ou três traduções (?) de a luta pelo direito publicadas em data recente.

atualização: ver aqui o cotejo com a edição da rideel, em nome de heloísa da graça buratti, e aqui o cotejo com a edição da pillares, em nome de ivo de paula


imagem: wikimedia commons

3 comentários:

  1. Muito interessante.

    Um abraço.

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  2. Anônimo21.8.09

    A Ética Editora (Imperatriz, MA) -- www.eticaeditora.com.br -- acaba de lançar uma edição de "A luta pelo direito" traduzido pelo José Tavares Bastos.

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  3. prezado anônimo, que ótimo! pois o pobre tavares bastos tem sido garfado sem cessar: por exemplo, dos nomes acima citados, pelo menos ivo de paula e heloísa da graça buratti assinam cópias vergonhosamente descaradas de tavares bastos.

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