24 de mai de 2009

was ist aufklärung

em as luzes e as sombras apresentei o cotejo de que significa orientar-se no pensamento, de kant, na edição bilíngue da vozes e na edição da martin claret. em as sombras e as luzes especulei um pouco sobre o grau de difusão desse texto de kant pela martin claret.

há um outro texto de kant, que é a celebérrima beantwortung der frage: was ist aufklärung? [resposta à pergunta: que é "esclarecimento"?], de 1783. não tenho palavras para descrever a importância desse pequeno artigo de kant na história do pensamento ocidental moderno. se a martin claret o apresenta em sua edição como um opúsculo pouco conhecido (p. 97), só posso incluir essa afirmação em seu vasto rol de desserviços prestados ao leitor.

abaixo, a tradução de floriano de souza fernandes (vozes) e a tradução atribuída a "leopoldo holzbach" (martin claret). os itálicos na tradução de souza fernandes seguem os itálicos originais de kant.

1. floriano de souza fernandes
esclarecimento ["aufklärung"] é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. a menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. o homem é o próprio culpado dessa menoridade se a causa dela não se encontra na falta de entendimento, mas na falta de decisão e coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem. sapere aude! tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do esclarecimento ["aufklärung"]. (p. 100)

2. leopoldo holzbach
"esclarecimento" [aufklärung] significa a saída do homem de sua menoridade, da qual o culpado é ele próprio. a menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. o homem é o próprio culpado dessa menoridade se a sua causa não estiver na ausência de entendimento, mas na ausência de decisão e coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem. sapere aude! tem a ousadia de fazer uso de teu próprio entendimento - tal é o lema do esclarecimento [aufklärung]. (p. 115)

1. floriano de souza fernandes
a preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma tão grande parte dos homens, depois que a natureza de há muito os libertou de uma direção estranha (naturaliter maiorennes), continuem no entanto de bom grado menores durante toda a vida. são também as causas que explicam por que é tão fácil que os outros se constituam em mentores deles. é tão cômodo ser menor. se tenho um livro que faz as vezes de meu entendimento, um diretor espiritual que por mim tem consciência, um médico que por mim decide a respeito de minha dieta, etc., então não preciso de esforçar-me eu mesmo. (pp. 100-2)

2. leopoldo holzbach
a preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma grande parte dos homens, depois que a natureza de há muito os libertou de uma direção estranha (naturaliter maiorennes), continuem, não obstante, de bom grado menores durante toda a vida. são também as causas que explicam porque é tão fácil que os outros se constituam seus tutores. é tão cômodo ser menor! se tenho um livro que faz as vezes de meu entendimento, um diretor espiritual que por mim tem consciência, um médico que decide por mim a respeito de minha dieta, etc., então não preciso esforçar-me eu mesmo. (p. 115)

1. floriano de souza fernandes
para este esclarecimento ["aufklärung"] porém nada mais se exige senão LIBERDADE. e a mais inofensiva entre tudo aquilo que se possa chamar liberdade, a saber: a de fazer um uso público de sua razão em todas as questões. ouço, agora, porém, exclamar de todos os lados: não raciocineis! o oficial diz: não raciocineis, mas exercitai-vos! o financista exclama: não raciocineis, mas pagai! o sacerdote proclama: não raciocineis, mas crede! (um único senhor no mundo diz: raciocinai, tanto quanto quiserdes, e sobre o que quiserdes, mas obedecei!). eis aqui por toda a parte a limitação da liberdade. que limitação, porém, impede o esclarecimento ["aufklärung"]? qual não o impede, e até mesmo o favorece? respondo: o uso público de sua razão deve ser sempre livre e só ele pode realizar o esclarecimento ["aufklärung"] entre os homens. (p. 104)

2. leopoldo holzbach
para este esclarecimento [aufklärung], porém, nada mais se exige senão liberdade. e a mais inofensiva dentre tudo o que se possa chamar liberdade, a saber: a de fazer um uso público de sua razão em todos os assuntos. ouço agora, porém, exclamações de todos os lados: "não raciocineis!" o oficial diz: não raciocineis, mas exercitai-vos. o financista exclama: "não raciocineis, mas pagai!" o sacerdote proclama: "não raciocineis, mas acredita!" (um único senhor no mundo diz: "raciocinai, tanto quanto quiserdes, e sobre o que quiserdes, mas obedecei!"). eis aqui por toda a parte a limitação da liberdade. mas que limitação impede o esclarecimento [aufklärung]? qual não o impede, e mesmo o favorece? respondo: o uso público de sua razão deve ser sempre livre e só ele pode realizar o esclarecimento [aufklärung] entre os homens. (p. 117)


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.




imagem: www.improbabilidade.com.br

2 comentários:

  1. Bem, alguém conhece o tradutor mais moderno? Já o viu?

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  2. ih, prezado rc, de minha parte fico lhe devendo...

    leopoldo holzbach até consta na fbn/isbn como tradutor da crítica da razão prática de kant, também pela martin claret - mas no livro impresso consta o nome "rodolfo schaefer".

    afora esses textos da fundamentação da metafísica dos costumes e outros escritos, não sei de nenhuma outra referência.

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