30 de set de 2008

o vermelho e o negro

stendhal, o vermelho e o negro
a. trad. luiz costa lima, editorial bruguera, 1969
b. atrib. maria cristina f. da silva, nova cultural, 2003

a. livro primeiro, cap. III, p. 31:
a visita durou várias horas. o cura convidou para almoçar o senhor appert, que se escusou alegando ter cartas a escrever: êle não desejava comprometer mais ainda seu generoso companheiro. por volta das três horas, êstes senhores foram acabar a inspeção do asilo de mendicidade e voltaram em seguida à prisão. Aí, encontraram à porta o carcereiro, espécie de gigante de seis pés de altura e de pernas arqueadas; sua figura ignóbil tornara-se hedionda por efeito do terror.

b. livro primeiro, cap. III, p. 14:
a visita durou várias horas. o cura convidou para almoçar o sr. appert, que se escusou alegando ter cartas a escrever: ele não desejava comprometer mais ainda seu generoso companheiro. por volta das três horas, estes senhores foram acabar a inspeção do asilo de mendigos e voltaram em seguida à prisão. Aí, encontraram à porta o carcereiro, espécie de gigante de dois metros de altura e de pernas arqueadas; sua figura ignóbil tornara-se hedionda por efeito do terror.

a. livro segundo, cap. IV, p. 324:
não há cem mil escudos de renda nem condecoração alguma que possa lutar contra tal norma de salão. a menor idéia viva parecia uma grosseria. apesar do bom tom, da polidez perfeita, da vontade de ser agradável, o tédio se lia em tôdas as caras. os jovens que vinham apresentar seus cumprimentos, tendo receio de falar de qualquer coisa que provocasse suspeita de pensamento ou de trair alguma leitura proibida, calavam-se depois de algumas palavras bem elegantes sôbre Rossini e sôbre o tempo que fazia.

b. livro segundo, cap. IV, p. 178:
não há 100 mil escudos de renda nem condecoração alguma que possa lutar contra tal norma de salão. a menor idéia viva parecia uma grosseria. apesar do bom-tom, da polidez perfeita, da vontade de ser agradável, o tédio se lia em todas as caras. os jovens que vinham apresentar seus cumprimentos, tendo receio de falar de qualquer coisa que provocasse suspeita de pensamento ou de trair alguma leitura proibida, calavam-se depois de algumas palavras bem elegantes sobre Rossini e sobre o tempo que fazia.

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

imagem: gamespot.com

4 comentários:

  1. Anônimo10.12.11

    Cara Denise,
    Parabéns pelo excelente trabalho!
    O cotejo de "O vermelho e o negro" foi a grande surpresa que tive ao descobrir o seu blog. Até agora, acreditava que a tradutora da obra era a Profa. Maria Cristina Figueiredo Silva (sem o 'da'), docente da UFPR e respeitada pesquisadora da área de Lingüística, tendo sido este o motivo pelo qual comprei esta edição do livro.
    Um abraço.

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  2. sim, prezado anônimo, infeliz coincidência mesmo - e o nome certamente fictício que consta na edição da nova cultural traz o "da".

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  3. Alguém poderia me dizer se a tradução de O Vermelho e o Negro do Paulo Neves que saiu pela L&PM é boa?

    Desnise, gostaria de aproveitar e agradecer pelo seu trabalho. Sou completamente leigo no assunto tradução. Somente quando o original é em inglês eu não fico totalmente "refém" de uma tradução. O fato é que, depois de acompanhar seu trabalho aqui no blog, tenho prestado muito mais atenção no assunto, em procurar referências sobre os tradutores e fugir de editoras e edições que prestam desserviços ao conhecimento. É absurdo o quanto esse tema é negligenciado, inclusive nos meios acadêmicos que não fazem parte das letras. Parabéns pelo trabalho mais uma vez, e pela ótima tradução de Mrs. Dalloway.

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    1. olá, luís, obrigada pela generosa apreciação.

      olha, não li a edição que vc menciona, mas paulo neves é tradutor de muita cancha e longa estrada.

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