25 de ago de 2009

ao mestre com carinho



a obra de tommaso campanella, a cidade do sol, em tradução de paulo m. oliveira publicada pela editora atena (1935, em inúmeras reedições), ressurge pela editora rideel (2004, com reedições), com sua pretensa tradução atribuída ao nome de heloísa da graça burati. a cópia vai do começo ao fim, com algumas trocas de palavras por sinônimos.

1. paulo m. oliveira

Grão-mestre — Vamos, peço-lhe, conte finalmente o que lhe aconteceu durante essa viagem.
Almirante — Já lhe disse como fiz a volta da terra e, por fim, perto da Taprobana, como fui constrangido a desembarcar e, com receio dos habitantes, a embrenhar-me numa floresta, de onde só sai, depois de muito tempo, para alcançar uma extensa planície sob a linha do equador.
G. M. — E que lhe sucedeu, então?
ALM. — Subitamente, encontramos um numeroso grupo de homens e mulheres, todos armados, alguns conhecendo nossa língua, que logo nos fizeram companhia e nos levaram à Cidade do Sol.
G. M. — Pode dizer-me como é construída essa cidade e qual a sua forma de governo?
ALM. — A maior parte da cidade está situada sobre uma alta colina que se eleva no meio de vastíssima planície. Mas, as suas múltiplas circunferências se estendem num longo trecho, além das faldas do morro, de forma que o diâmetro da cidade ocupa mais de duas milhas, por sete do recinto total. Mas, achando-se sobre uma elevação, apresenta ela uma capacidade bem maior do que se estivesse situada numa planície ininterrompida. Divide-se em sete círculos e recintos particularmente designados com os nomes dos sete planetas. Cada círculo se comunica com o outro por quatro diferentes caminhos, que terminam por quatro portas, voltadas todas para os quatro pontos cardeais da terra. A cidade foi construída de tal forma que, se alguém, em combate, ganhasse o primeiro recinto, precisaria do dobro das forças para superar o segundo, do triplo para o terceiro, e, assim, num contínuo multiplicar de esforços e de trabalhos, para transpor os seguintes. Por essa razão, quem se propusesse expugná-la precisaria recomeçar sete vezes a empresa. Considero, porém, humanamente impossível conquistar apenas o primeiro recinto, de tal maneira é ele extenso, munido de terraplenos e guarnecido de defesas de toda sorte, torres, fossas e máquinas guerreiras. Assim é que, tendo eu entrado pela porta que dá para o setentrião (toda coberta de ferro e fabricada de modo que pode ser levantada e abaixada, fechando-se com toda a facilidade e com plena segurança, graças à arte maravilhosa com que as suas engrenagens se adaptam às aberturas dos possantes umbrais), o que primeiro me despertou a atenção foi o intervalo formado por uma planície de setenta passos de extensão e situada entre a primeira e a segunda muralhas. Distinguem-se, daí, os grandiosos palácios que, de tão unidos uns aos outros, ao longo da muralha do segundo círculo, parecem mais um só edifício. A meia altura desses palácios, vêem-se surgir, de fora para dentro do círculo, várias arcadas com galerias superiores, sustentadas por elegantes colunas e circundando quase toda a parte inferior do pórtico, à maneira dos peristilos ou dos claustros religiosos. Em baixo, além disso, só estão encravados na parte côncava das muralhas, e é caminhando no plano que se penetra nos compartimentos inferiores, ao passo que, para alcançar os superiores, devem subir-se umas escadas de mármore que conduzem às galerias internas, chegando-se então às partes mais altas e mais belas dos edifícios, as quais recebem luz pelas janelas existentes tanto na parte côncava como na convexa das muralhas, estupendas por sua sutileza. Cada muralha convexa, isto é, a sua parte externa, tem uma espessura de cerca de oito palmos, por três somente da parte côncava, ou seja a sua parte interna, enquanto os tabiques têm apenas um, ou pouco mais. Atravessada a primeira planície, chega-se à segunda, mais estreita uns três passos, e aí se descobre a primeira muralha do segundo círculo, igualmente guarnecido de palácios que, como os do primeiro círculo, possuem galerias em baixo e em cima, havendo na parte interior outra muralha interna que circunda os palácios e tem em baixo sacadas e peristilos sustentados por colunas, sendo que em cima, onde se acham as portas das casas superiores, apresenta preciosas pinturas. E assim, por esses círculos e duplas muralhas que cercam os palácios, ornados de galerias sustentadas por colunas, chega-se à última parte da cidade, sempre caminhando no plano. Só quando se entra pelas portas duplas dos vários circuitos, uma na muralha interna e a outra na externa, é que se sobem uns degraus de tal forma construídos que mal se sente a subida, pois estão colocados obliquamente e muito pouco mais elevados uns do que os outros. No cimo do monte, encontra-se, então, uma espaçosa planície, em cujo centro se ergue um templo de maravilhosa construção.

2. "heloísa da graça burati"

GRÃO-MESTRE— Vamos, peço-lhe, conte finalmente o que lhe aconteceu durante essa viagem.
ALMIRANTE — Já lhe disse como fiz a volta da terra e, por fim, perto da Taprobana, como fui obrigado a desembarcar e, com receio dos habitantes, a embrenhar-me numa floresta, de onde só sai, depois de muito tempo, para alcançar uma extensa planície sob a linha do Equador.
G. M. — E que lhe sucedeu, então?
ALM. — Subitamente, encontramos um numeroso grupo de homens e mulheres, todos armados, alguns eram conhecedores da nossa língua, que logo nos fizeram companhia e nos levaram à Cidade do Sol.
G. M. — Pode dizer-me como é [] essa cidade e qual a sua forma de governo?
ALM. — A maior parte da cidade está localizada sobre uma alta colina que se ergue no meio de uma ampla planície. Mas as suas múltiplas circunferências se estendem num longo trecho, além das encostas do morro, de forma que o diâmetro da cidade ocupa mais de duas milhas por sete do recinto total. Mas, achando-se sobre uma elevação, ela apresenta uma capacidade bem maior do que se estivesse situada numa planície interrompida [sic]. Divide-se em sete círculos e recintos particularmente designados com os nomes dos sete planetas. Cada círculo se comunica com o outro por quatro diferentes caminhos, que terminam por quatro portas, voltadas todas para os quatro pontos cardeais da terra. A cidade foi construída de tal forma que, se alguém ganhasse em combate o primeiro recinto, precisaria do dobro das forças para superar o segundo, do triplo para o terceiro, e, assim, num contínuo multiplicar de esforços e de trabalhos, para transpor os seguintes. Por essa razão, quem se propusesse subjugá-la precisaria recomeçar sete vezes o empreendimento. Porém considero humanamente impossível conquistar sequer o primeiro recinto, já que ele é extenso, munido de terraplenos e guarnecido de defesas de todo tipo, torres, fossas e máquinas guerreiras. Assim é que, tendo eu entrado pela porta que dá para o norte (toda coberta de ferro e fabricada de modo que pode ser levantada e abaixada, fechando-se com toda facilidade e com plena segurança, graças à arte maravilhosa com que as suas engrenagens se adaptam às aberturas dos robustos umbrais), o que primeiro me chamou a atenção foi o intervalo formado por uma planície de setenta passos de extensão e situada entre a primeira e a segunda muralhas. Distinguem-se, daí, os grandiosos palácios que, de tão unidos uns aos outros, ao longo da muralha do segundo círculo, parecem mais um edifício só. A meia altura desses palácios vêem-se surgir, de fora para dentro do círculo, várias arcadas com galerias superiores, sustentadas por elegantes colunas e circundando quase toda a parte inferior do pórtico, à maneira dos peristilos ou dos claustros religiosos. Embaixo, além disso, só estão encravados na parte côncava das muralhas, e é caminhando no plano que se penetra nos compartimentos inferiores, ao passo que, para alcançar os superiores, é necessário subir umas escadas de mármore que conduzem às galerias internas, chegando-se então às partes mais altas e belas dos edifícios, as quais recebem luz pelas janelas existentes tanto na parte côncava como na convexa das muralhas, estupendas por sua sutileza. Cada muralha convexa, isto é, a sua parte externa, tem uma espessura de cerca de oito palmos, por três somente da parte côncava, ou seja a sua parte interna, enquanto os tabiques têm apenas um, ou pouco mais. Atravessada a primeira planície, chega-se à segunda, mais estreita uns três passos, e aí se descobre a primeira muralha do segundo círculo, igualmente guarnecido de palácios que, como os do primeiro círculo, possuem galerias embaixo e em cima, havendo na parte interior outra muralha interna que circunda os palácios e tem na parte inferior sacadas e peristilos sustentados por colunas, sendo que em cima, onde se acham as portas das casas superiores, apresenta preciosas pinturas. E assim, por esses círculos e duplas muralhas que cercam os palácios, ornados de galerias sustentadas por colunas, chega-se à última parte da cidade, sempre caminhando no plano. Só quando se entra pelas portas duplas dos vários circuitos, uma na muralha interna e a outra na externa, é que [] sobem uns degraus de tal forma construídos que mal se sente a subida, pois estão colocados obliquamente e muito pouco mais elevados uns do que os outros. No alto do monte, encontra-se, então, uma espaçosa planície, em cujo centro se ergue um templo de maravilhosa construção.



atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.



imagem: realfake

Nenhum comentário:

Postar um comentário

comentários anônimos, apócrifos e ofensivos não serão liberados.