Após esse lançamento da Laemmert em 1969, A Questão Judaica foi publicada por outras editoras no Brasil, a saber:
- Moraes, sem indicação do tradutor, c. 1981 e reedições.
- Achiamé, trad. Wladimir Gomide, s/d.
- Centauro, trad. Silvio Donizete Chagas, 2000 e diversas reedições.
- Expressão Popular, trad. José Barata-Moura (sob licença da Avante de Portugal), 2009.
- A indicação do título original: Zur Judenfrage.
- Uma apresentação anônima.
- A divisão do volume em duas partes: A Questão Judaica propriamente dita, com suas duas resenhas; e os mesmos quatro textos em apêndice que constam na edição da Laemmert.
Salta à vista que a escolha dos textos da Laemmert e da Centauro é a mesma. Os textos das traduções são idênticos. A cópia é literal, do início ao fim, incluindo apresentação e notas de rodapé. As únicas diferenças entre as duas edições são o texto da orelha e a referência ao original. Se Gomide não indica a fonte de sua tradução para a Laemmert, a edição da Centauro indica o original Zur Judenfrage.
1. Wladimir Gomide (Laemmert, 1969, p. 13)
I – Bruno Bauer, A Questão Judaica (Die Judenfrage). Braunschweig, 1843.
Os judeus alemães aspiram emancipar-se. A que emancipação aspiram? À emancipação civil, à emancipação política.
Bruno Bauer os contesta: Na Alemanha, ninguém está politicamente emancipado. Nós mesmos carecemos de liberdade. Como vamos, então, libertar-vos? Vós, judeus, sois egoístas quando exigis uma emancipação especial para vós, como judeus. Como alemães, devíeis trabalhar pela emancipação política da Alemanha; como homens, pela emancipação humana. Ao invés de sentir o tipo especial de vossa opressão e de vossa ignomínia como uma exceção à regra, devíeis, pelo contrário, senti-lo como a confirmação desta.
2. Silvio Donizete Chagas (Centauro, 2005, p. 13)
I – Bruno Bauer, A Questão Judaica (Die Judenfrage). Braunschweig, 1843.
Os judeus alemães aspiram emancipar-se. A que emancipação aspiram? A emancipação civil, a emancipação política.
Bruno Bauer os contesta: Na Alemanha, ninguém está politicamente emancipado. Nós mesmos carecemos de liberdade. Como vamos, então, libertar-vos? Vós, judeus, sois egoístas quando exigis uma emancipação especial para vós, como judeus. Como alemães, devíeis trabalhar pela emancipação política da Alemanha; como homens, pela emancipação humana. Ao invés de sentir o tipo especial de vossa opressão e de vossa ignomínia como uma exceção à regra, devíeis, pelo contrário, senti-lo como a confirmação desta.
1. Wladimir Gomide (Laemmert, 1969, p. 24)
A ascensão política do homem acima da religião partilha de todos os inconvenientes e de todas as vantagens da ascensão política em geral. O Estado como tal, anula, por exemplo, a propriedade privada. O homem declara abolida a propriedade privada de modo político quando suprime o aspecto riqueza (4) para o direito de sufrágio ativo e passivo, como já se fez em muitos Estados norte-americanos. Hamilton interpreta com toda exatidão este fato, do ponto de vista político, ao dizer: “A grande massa triunfou sobre os proprietários e o poder do dinheiro”. Acaso não se suprime idealmente a propriedade privada quando o despossuído se converte em legislador dos que possuem? O aspecto riqueza é a última forma política de reconhecimento da propriedade privada.
(4) Nota da tradução brasileira: O direito de voto estava condicionado a determinado teto. O indivíduo que não possuísse o mínimo estipulado não podia ser eleitor.
2. Silvio Donizete Chagas (Centauro, 2005, p. 22)
A ascensão política do homem acima da religião partilha de todos os inconvenientes e de todas as vantagens da ascensão política em geral. O Estado como tal, anula, por exemplo, a propriedade privada. O homem declara abolida a propriedade privada de modo político quando suprime o aspecto riqueza (4) para o direito de sufrágio ativo e passivo, como já se fez em muitos Estados norte-americanos. Hamilton interpreta com toda exatidão este fato, do ponto de vista político, ao dizer: “A grande massa triunfou sobre os proprietários e o poder do dinheiro”. Acaso não se suprime idealmente a propriedade privada quando o despossuído se converte em legislador dos que possuem? O aspecto riqueza é a última forma política de reconhecimento da propriedade privada.
(4) Nota da tradução brasileira: O direito de voto estava condicionado a determinado teto. O indivíduo que não possuísse o mínimo estipulado não podia ser eleitor.
1. Wladimir Gomide (Laemmert, 1969, p. 62)
A venda é a prática da alienação. Assim como o homem – enquanto permanece sujeito às cadeias religiosas – só sabe expressar sua essência convertendo-a num ser fantástico, num ser estranho a ele, assim também só poderá conduzir-se praticamente sob o império da necessidade egoísta, só poderá produzir praticamente objetos, colocando seus produtos e sua atividade sob o império de um ser estranho e conferindo-lhes o significado de uma essência estranha, do dinheiro.
2. Silvio Donizete Chagas (Centauro, 2005, p. 50)
A venda é a prática da alienação. Assim como o homem – enquanto permanece sujeito as cadeias religiosas – só sabe expressar sua essência convertendo-a num ser fantástico, num ser estranho a ele, assim também só poderá conduzir-se praticamente sob o império da necessidade egoísta, só poderá produzir praticamente objetos, colocando seus produtos e sua atividade sob o império de um ser estranho e conferindo-lhes o significado de uma essência estranha, do dinheiro.
1. Wladimir Gomide (Laemmert, 1969, p. 65)
Apêndices
a) Colocação dos problemas
Em antítese à massa, o “espírito” passa a se conduzir criticamente ao considerar sua própria obra tão limitada – “A Questão Judaica”, de Bruno Bauer – como absoluta, somente classificando de equivocados os adversários dela. Na réplica número 1 aos ataques dirigidos contra esta obra, seu autor não demonstra sequer a menor disposição de compreender seus vários defeitos. Ao contrário, continua afirmando ter desenvolvido nela o “verdadeiro” significado, o significado “geral” da questão judaica.
2. Silvio Donizete Chagas (Centauro, 2005, p. 53)
Apêndices
a) Colocação dos problemas
Em antítese à massa, o “espírito” passa a se conduzir criticamente ao considerar sua própria obra tão limitada – “A Questão Judaica”, de Bruno Bauer – como absoluta, somente classificando de equivocados os adversários dela. Na réplica número 1 aos ataques dirigidos contra esta obra, seu autor não demonstra sequer a menor disposição de compreender seus vários defeitos. Ao contrário, continua afirmando ter desenvolvido nela o “verdadeiro” significado, o significado “geral” da questão judaica.
1. Wladimir Gomide (Laemmert, 1969, p. 71)
b) Descobertas Críticas sobre Socialismo, Jurisprudência e Política (nacionalidade)
Aos judeus da massa, materiais, se aconselha a doutrina cristã da liberdade espiritual, da liberdade teórica, esta liberdade espiritualista que aparenta ser livre inclusive sob o signo da sujeição, que se sente em estado de graça “na ideia” e que só entorpece tudo aquilo que seja existência de massa.
2. Silvio Donizete Chagas (Centauro, 2005, p. 58)
b) Descobertas Críticas sobre Socialismo, Jurisprudência e Política (nacionalidade)
Aos judeus da massa, materiais, se aconselha a doutrina cristã da liberdade espiritual, da liberdade teórica, esta liberdade espiritualista que aparenta ser livre inclusive sob o signo da sujeição, que se sente em estado de graça “na ideia” e que só entorpece tudo aquilo que seja existência de massa.
1. Wladimir Gomide (Laemmert, 1969, pp. 101-102)
Introdução à crítica da filosofia do direito de Hegel
Na Alemanha, a crítica da religião chegou, no essencial, ao fim. A crítica da religião é a premissa de toda crítica.
A existência profana do erro ficou comprometida, uma vez refutada sua celestial oratio pro aris et focis (1). O homem que só encontrou o reflexo de si mesmo na realidade fantástica do céu, onde buscava um super-homem, já não se sentirá inclinado a encontrar somente a aparência de si próprio, o não-homem, já que aquilo que busca e deve necessariamente buscar é a sua verdadeira realidade.
(1) Oração pelo lar e pelo ócio.
2. Silvio Donizete Chagas (Centauro, 2005, pp. 83-85)
Introdução à crítica da filosofia do direito de Hegel
Na Alemanha, a crítica da religião chegou, no essencial, ao fim. A crítica da religião é a premissa de toda crítica.
A existência profana do erro ficou comprometida, uma vez refutada sua celestial oratio pro aris et focis (30). O homem que só encontrou o reflexo de si mesmo na realidade fantástica do céu, onde buscava um super-homem, já não se sentirá inclinado a encontrar somente a aparência de si próprio, o não-homem, já que aquilo que busca e deve necessariamente buscar é a sua verdadeira realidade.
(30) Oração pelo lar e pelo ócio.
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atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.
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Parece ser um outro caso de "Pierre Menard, autor do Quixote".
ResponderExcluirOs casos de plágios descarados - e desmascarados - em vez de reprimir a prática parecem estar incentivando outros "empreendedores" do ramo editorial...
ResponderExcluiro que incentiva os outros "empreendedores", moscos, é a impunidade e a certeza do lucro fácil. de 1999 até 2008 o plágio foi num galope só, alastrou-se feito praga, cada ishperto tentando ser mais ishperto do que o outro.
ResponderExcluirvamos torcer para que a década 2010-20 seja um pouco menos escabrosa...