12 de dez de 2008

e tira diploma


que ninguém entenda isso como troça ou escárnio - pelo contrário, é muito sério. quero apenas mostrar a infiltração insidiosa e descontrolada da delinquência intelectual que está ocorrendo em nossas melhores instituições de ensino, vítimas da irresponsabilidade venal e criminosa de algumas editoras.

vou dar um último exemplo da presença da claret, agora na mais famosa universidade pública do país.

trata-se de um paciente estudo comparativo das várias traduções da poética de aristóteles em inglês, francês, italiano e português, tendo o original grego como base.

pietro nassetti se faz presente na referida tese com sua "recente tradução para o português" (2003), porque, segundo o autor, embora não goze do crédito de outras traduções mais reputadas, por vezes oferece "soluções bastante interessantes".

bom, essa suposta tradução de nassetti da poética de aristóteles, até onde sei, é uma apropriação da tradução feita por antonio pinto de carvalho a partir da versão francesa art rhétorique et art poétique, de jean voilquin e jean capelle, pela garnier, 1944. a tradução de antonio pinto de carvalho foi publicada pela difel em 1958, teve várias edições até 1964, e desde então tem sido constantemente reeditada pela tecnoprint e ediouro.

de mais a mais, não é que antonio pinto de carvalho fosse propriamente um lépido e saltitante tradutor trafegando entre pinóquio, frankenstein, werther, quincas borba, as flores do mal etc., pois era um filólogo e docente universitário que preferia trabalhar especificamente com obras de filosofia e literatura clássica. admira-me que tenha sido ignorado ou preterido em favor de uma abominável ficção.

repito a pergunta feita na vulpina alma: não se pesquisam os materiais de trabalho neste país? provavelmente a resposta será a mesma, e acho que os gregos tinham razão - é pelo letes que se chega ao hades.

imagem: www.virtualformaturas.com.br

4 comentários:

  1. Felipe12.12.08

    A editora Centauro também tem publicações complicadíssimas. Veja a edição de "A Questão judaica", foi plagiado até o prefácio! A edição original é da Laemmert, de 1969. Não me recordo o nome do tradutor, mas a verificação do plágio é simples, a Centauro plagiou a edição inteira, o breve prefácio, escrito e assinado pelo tradutor, o texto que dá nome ao livro, uma seleção de outros textos de Marx, tirada de "A sagrada família" e da "Introdução à crítica da filosofia do direito". A cópia é integral.

    Felipe

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  2. Depois do Aristóteles, agora vem o Kant? Estou com medo. Estou começando a perceber que parte da minha formação intelectual, proveniente dos professores que tive, foi toda baseada em plágio. Vergonha :-/

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  3. aiaiai, felipe...
    na internet consta que o tradutor da laemmert era wladimir gomide; da centauro consta sílvio donizete chagas. só pegando na mão mesmo para ver e cotejar...
    a centauro é a sucessora da moraes, acho que desde 2.000, a qua por sua vez tinha se originado da divisão (em 1979) da antiga cortez & moraes.
    vou ver com calma, obg pelo toque.

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  4. Anônimo18.12.08

    André Carone (amcarone@uol.com.br):
    Sim, os gregos tinham razão. Mas se estamos falando de universidade, o mais correto seria dizer que e pelo LATTES que se chega ao Hades.
    abraço,
    Andre.

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