22 de jun de 2009

suchodolski, centauro

lamentabilíssimo que a editora centauro pareça ter enveredado pelas sendas tortuosas do plagiato.


trata-se de sua edição d'a pedagogia e as grandes correntes filosóficas, de bogdan suchodolski, 2002 (meu exemplar é da 2a. ed., 2004).

o problema começa na página de créditos, que dá como "título original: la pedagogie [sic] et les grands courants philosophiques" e, logo abaixo, na ficha catalográfica apresenta o "título original: pädagogik am scheideweg". mas o grave mesmo diz respeito ao texto.

a editora centauro afirma a nós leitores que a obra foi traduzida por rubens eduardo frias. na fundação biblioteca nacional consta o nome completo de "rubens eduardo ferreira frias".

acontece, porém, que essa suposta tradução se revela fidelíssima cópia da tradução de liliana rombert soeiro, publicada em portugal pela livros horizonte.



a contrafação brasileira não se peja: a literalidade vai do prefácio à última linha da obra.

1. liliana rombert soeiro
primeira parte - aspecto histórico do problema essência e existência, conflito fundamental do pensamento pedagógico

tentou-se variadíssimas vezes, como é sabido, efetuar uma classificação do rico patrimônio constituído pelo pensamento pedagógico moderno. utilizaram-se vários princípios de classificação, o que tornou possível agrupar de vários modos autores, pontos de vista, correntes e posições. delinearam-se assim quadros muito diversos da pedagogia moderna. esses quadros têm, sem dúvida, valor didático, pois ao classificá-los de modos distintos evidenciaram-se múltiplos aspectos das diferentes posições pedagógicas; isto pode contribuir para a compreensão de um fato histórico, a saber: que as posições pedagógicas defendidas nunca foram homogêneas; no entanto, quer pela genealogia, quer pelas suas repercussões, revelaram sempre numerosos elementos de contacto. assim, se percorrermos o extenso conjunto de pontos de vista e de posições pedagógicas tomando como referência princípios de classificação diferentes, dá-se uma boa lição de antiesquematismo e de pensamento analítico que mostra em que medida a realidade, aparentemente homogênea, é de fato variada.

2. em nome de "rubens eduardo frias":
primeira parte - aspecto histórico do problema essência e existência, conflito fundamental do pensamento pedagógico

tentou-se variadíssimas vezes, como é sabido, efetuar uma classificação do rico patrimônio constituído pelo pensamento pedagógico moderno. utilizaram-se vários princípios de classificação, o que tornou possível agrupar de vários modos autores, pontos de vista, correntes e posições. delinearam-se assim quadros muito diversos da pedagogia moderna. esses quadros têm, sem dúvida, valor didático, pois ao classificá-los de modos distintos evidenciaram-se múltiplos aspectos das diferentes posições pedagógicas; isto pode contribuir para a compreensão de um fato histórico, a saber: que as posições pedagógicas defendidas nunca foram homogêneas; no entanto, quer pela genealogia, quer pelas suas repercussões, revelaram sempre numerosos elementos de contato. assim, se percorrermos o extenso conjunto de pontos de vista e de posições pedagógicas tomando como referência princípios de classificação diferentes, dá-se uma boa lição de antiesquematismo e de pensamento analítico que mostra em que medida a realidade, aparentemente homogênea, é de fato variada.

1. liliana rombert soeiro:
como é sabido, o próprio platão no seu sistema pedagógico pôs em relevo o papel da educação como factor que conduz o homem à descoberta da pátria verdadeira e ideal. a educação do pensamento, de acordo com platão, pode recorrer à observação sensível das
coisas e ao estudo dialético das opiniões; o que, todavia, não dá o conhecimento verdadeiro; o conhecimento do mundo imutável da Ideia só é possível como reminiscência da vida que o pensamento observou nesse mundo, antes de animar o corpo e de surgir entre os reflexos das coisas. de modo idêntico, a educação moral atinge os desejos, os hábitos, a vontade; mas as decisões definitivas, relativas ao bem e ao mal, provêm do mundo ideal, a que pertence o pensamento. e, tal como na educação do espírito não existe uma via que possa conduzir da observação sensível aos cumes do conhecimento, na educação moral não existe uma via que conduza das experiências da vida quotidiana ao pleno desenvolvimento da personalidade moral.

2. em nome de "rubens eduardo frias":
como é sabido, o próprio platão no seu sistema pedagógico pôs em relevo o papel da educação como fator que conduz o homem à descoberta da pátria verdadeira e ideal. a educação do pensamento, de acordo com platão, pode recorrer à observação sensível das coisas e ao estudo dialético das opiniões; o que, todavia, não dá o conhecimento verdadeiro; o conhecimento do mundo imutável da Idéia só é possível como reminiscência da vida que o pensamento observou nesse mundo, antes de animar o corpo e de surgir entre os reflexos das coisas. de modo idêntico, a educação moral atinge os desejos, os hábitos, a vontade; mas as decisões definitivas, relativas ao bem e ao mal, provêm do mundo ideal, a que pertence o pensamento. e, tal como na educação do espírito não existe uma via que possa conduzir da observação sensível aos cumes do conhecimento, na educação moral não existe uma via que conduza das experiências da vida cotidiana ao pleno desenvolvimento da personalidade moral.

1. liliana rombert soeiro:
vii
educação virada para o futuro e perspectiva de um sistema social à escala humana

esta posição filosófica não se enquadra numa pedagogia que aceite o estado de coisas existente; não será respeitada senão por uma tendência que assinale o caminho do futuro, por uma pedagogia associada a uma atividade social que transforme o estado de coisas que tenda a criar ao homem condições tais que a sua existência se possa tornar fonte e matéria prima da sua essência. a educação virada para o futuro é justamente uma via que permite ultrapassar o horizonte das más opções e dos compromissos da pedagogia burguesa. defende que a realidade presente não é a única realidade e que, por conseguinte, não é o único critério de educação. o verdadeiro critério é a realidade futura. a necessidade histórica e a realização do nosso ideal coincidem na determinação desta realidade futura. esta necessidade permite-nos evitar a utopia, esta atividade protege-nos do fatalismo.
o feiticismo do presente, que não tolera a crítica da realidade existente e que, por esse motivo, reduz a atividade pedagógica ao conformismo, é destruído pela educação virada para o futuro.

2. em nome de "rubens eduardo frias":
vii
educação virada para o futuro e perspectiva de um sistema social à escala humana

esta posição filosófica não se enquadra numa pedagogia que aceite o estado de coisas existente; não será respeitada senão por uma tendência que assinale o caminho do futuro, por uma pedagogia associada a uma atividade social que transforme o estado de coisas que tenda a criar ao homem condições tais que a sua existência se possa tornar fonte e matéria-prima da sua essência. a educação virada para o futuro é justamente uma via que permite ultrapassar o horizonte das más opções e dos compromissos da pedagogia burguesa. defende que a realidade presente não é a única realidade e que, por conseguinte, não é o único critério de educação. o verdadeiro critério é a realidade futura. a necessidade histórica e a realização do nosso ideal coincidem na determinação desta realidade futura. esta necessidade permite-nos evitar a utopia, esta atividade protege-nos do fatalismo.
o feiticismo do presente, que não tolera a crítica da realidade existente e que, por esse motivo, reduz a atividade pedagógica ao conformismo, é destruído pela educação virada para o futuro.


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.


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