30 de set de 2008

naná


Emile Zola, Naná (trad. Eugênio Vieira, Círculo do Livro, por cortesia do Círculo de Leitores, s/d), p. 5:

cap. I
Às nove horas a platéia do Théâtre des Variétés estava ainda vazia. Alguns espectadores, no balcão e na orquestra, esperavam, como que tresmalhados por entre as poltronas de veludo vermelho, na branca claridade do lustre a meia-luz. Uma sombra inundava a grande mancha vermelha do pano; e nem um ruído chegava da cena, estando a ribalta às escuras e as estantes dos músicos esbandalhadas. Somente em cima, no galinheiro, em redor da rotunda do teto, onde mulheres e crianças nuas tomavam o seu vôo num céu enverdecido pelo gás, os chamamentos e os risos sobressaíam por entre um alarido contínuo, e cabeças entoucadas ou embarretadas se mostravam, como que dispostas em degraus, sob as largas clarabóias redondas, de molduras douradas. Por momentos aparecia uma funcionária, azafamada, de bilhetes na mão, conduzindo à sua frente um cavalheiro acompanhado de senhora, que se sentavam, o homem de casaca, a senhora elegante e esbelta, passeando o olhar pela sala.


Emile Zola, Naná (atrib. Roberto Valeriano, Nova Cultural, 2003) (p. 7):
cap. I:
Às nove horas a platéia do Théâtre des Variétés estava ainda vazia. Alguns espectadores, no balcão e na orquestra, esperavam, como que tresmalhados por entre as poltronas de veludo vermelho, na branca claridade do lustre a meia-luz. Uma sombra inundava a grande mancha vermelha do pano; e nem um ruído chegava da cena, estando a ribalta às escuras e as estantes dos músicos esbandalhadas. Somente em cima, no galinheiro, em redor da rotunda do teto, onde mulheres e crianças nuas tomavam o seu vôo num céu enverdecido pelo gás, os chamamentos e os risos sobressaíam por entre um alarido contínuo, e cabeças entoucadas ou embarretadas se mostravam, como que dispostas em degraus, sob as largas clarabóias redondas, de molduras douradas. Por momentos aparecia uma funcionária, azafamada, de bilhetes na mão, conduzindo à sua frente um cavalheiro acompanhado de senhora, que se sentavam, o homem de casaca, a senhora elegante e esbelta, passeando o olhar pela sala.


Emile Zola, Naná (trad. Eugênio Vieira, Círculo do Livro, por cortesia do Círculo de Leitores, s/d), p. 248:
cap. X
Então Naná tornou-se uma mulher elegante, usufrutuária da estupidez e da imundície dos homens, marquesa do asfalto das ruas. Aquilo foi uma subida brusca e definitiva, uma subida na celebridade da galantaria, ostentando às claras as loucuras do dinheiro e as audácias lamacentas da beleza. Imperou, imediatamente, entre as mais queridas. As suas fotografias eram expostas nas vitrinas, citavam-na nos jornais. Quando passava, de carruagem, nos bulevares, a multidão voltava-se e nomeava-a com a emoção de um povo que saúda a sua soberana, enquanto ela, familiar, reclinada nos seus trajes flutuantes, sorria com ar alegre, sob a chuva do frisado loiro de seus cabelos, que lhe afogavam o azul bistrado dos olhos e o vermelho pintado dos lábios. E o prodígio foi que aquela jovem gorda, tão desastrada em cena, tão engraçada quando queria fazer-se de mulher honesta, representava na cidade, sem esforço, o papel de mulher encantadora.


Emile Zola, Naná (atrib. Roberto Valeriano, Nova Cultural, 2003) (p. 270):
Cap. X
Então Naná tornou-se uma mulher elegante, usufrutuária da estupidez e da imundície dos homens, marquesa do asfalto das ruas. Aquilo foi uma subida brusca e definitiva, uma subida na celebridade da galantaria, ostentando às claras as loucuras do dinheiro e as audácias lamacentas da beleza. Imperou, imediatamente, entre as mais queridas. As suas fotografias eram expostas nas vitrinas, citavam-na nos jornais. Quando passava, de carruagem, nos bulevares, a multidão voltava-se e nomeava-a com a emoção de um povo que saúda a sua soberana, enquanto ela, familiar, reclinada nos seus trajes flutuantes, sorria com ar alegre, sob a chuva do frisado loiro de seus cabelos, que lhe afogavam o azul bistrado dos olhos e o vermelho pintado dos lábios. E o prodígio foi que aquela jovem gorda, tão desastrada em cena, tão engraçada quando queria fazer-se de mulher honesta, representava na cidade, sem esforço, o papel de mulher encantadora.

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

imagem: wormbook.addr.com

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