16/08/2010

da monarquia, dante

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passeando pelo blog de james emanuel, reflexões, encontro uma citação do ensaio de dante, da monarquia., em tradução de antonio piccarolo e leonor de aguiar.
A arte apresenta-se em três formas: no espírito do artífice, no órgão, e, enfim, na matéria trabalhada; assim, também a natureza pode ser encarada em três estados. De fato, a natureza existe no espírito do primeiro motor que é Deus; depois, no céu que é como o órgão material, pelo qual uma imagem de bondade eterna é impressa na matéria fluida.
Quando o artífice é excelente e o órgão também, se a forma é realizada imperfeitamente, é tão somente à matéria que será necessário atribuir o defeito; ora, Deus realiza a soberana perfeição e seu aparelho, que é o céu, não é privado de nenhuma das perfeições convenientes, assim como estabelece a filosofia das esferas; assim sendo, tudo o que se acha defeituoso nas coisas inferiores deve seu caráter deficiente à matéria; se os defeitos existem, é fora de intenção de Deus criador e do céu; ao contrário, tudo quanto é de bom nas coisas inferiores não pode provir da matéria, que é um puro poder; é preciso atribuir esse bem, em primeiro lugar a Deus, e, em segundo lugar, ao céu, que é o órgão, a arte divina e que é comumente chamado Natureza.
De tudo quanto precede, resulta que o direito, pois que o direito é o bem, existe, antes de tudo, na inteligência de Deus; ora, tudo quanto existe na inteligência de Deus, é Deus (segundo a palavra: tudo o que foi feito, nele era vida), e Deus quer estar acima de tudo, por isso, o direito, desde que está em Deus, é porque Deus assim o quer. Como o que Deus quer e a coisa desejada são a mesma coisa, a vontade divina é o direito.

ALIGHIERI, Dante. “Da Monarquia”. In. Pensadores Italianos. Prefácio de Adolfo Rava. Traduções de Antônio Piccarolo e Leonor de Aguiar. Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre: W. M. Jackson Inc. Editores, 1950.
fui dar uma olhada no exemplar da martin claret que tenho em casa, da monarquia e vida nova, com tradução atribuída a "jean melville" e pimba! lá estava o mesmo trecho às pp. 34-35, com duas pífias alterações (uma delas, aliás, errada) e uns pares de vírgulas a menos.
A arte apresenta-se sob três formas: no espírito do artífice, no órgão, e enfim, na matéria trabalhada; assim, também a natureza pode ser encarada em três estados. De fato, a natureza existe no espírito do primeiro motor que é Deus; depois, no céu que é como o órgão material, pelo qual uma imagem de bondade eterna é impressa na matéria fluida. Quando o artífice é excelente e o órgão também, se a forma é realizada imperfeitamente, é tão-somente à matéria que será necessário atribuir o defeito; ora, Deus realiza a soberana perfeição e seu aparelho, que é o céu, não é privado de nenhuma das perfeições convenientes, assim como estabelece a filosofia das esferas; assim sendo, tudo o que se acha defeituoso nas coisas inferiores deve seu caráter deficiente à matéria; se os defeitos existem, é fora da intenção de Deus criador e do céu; ao contrário, tudo quanto é bom nas coisas inferiores não pode provir da matéria, que é um puro poder; é preciso atribuir esse bem, em primeiro lugar a Deus e em segundo lugar ao céu, que é o órgão, a arte divina e que é comumente chamado Natureza.
De tudo quanto precede, resulta que o direito, pois que o direito é o bem, existe, antes de tudo, na inteligência de Deus; ora, tudo quanto existe na inteligência de Deus, é Deus (segundo a palavra: tudo o que foi feito, nele era vida), e Deus quer estar acima de tudo; por isso, o direito, desde que está em Deus, é porque Deus assim o quer. Como o que Deus quer e a coisa desejada é [sic] a mesma coisa, a vontade divina é o direito. 

normalmente meus cotejos são extensos e costumo ter em casa os exemplares correspondentes. aqui, a comparação desse trecho bastou para me despertar sérias dúvidas sobre a idoneidade dessa edição da martin claret. sobre vida nova, no mesmo volume, veja aqui.

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