30 de set de 2008

voltaire, contos

Voltaire, Contos (trad. Mário Quintana, Abril Cultural, com licença da Edit. Globo, 1972) (p. 302):


"O Ingênuo", cap. 1:
- Acreditas - dizia a Srta. de Kerkabon - que a nossa cunhada tenha sido devorada pelos iroqueses, como nos disseram? É certo que, se não a tivessem comido, teria voltado à sua terra. Hei de chorá-la toda a vida: era uma mulher encantadora; e nosso irmão, que era bastante inteligente, teria feito uma bela fortuna.
Enquanto assim se comoviam a tais lembranças, viram entrar na baía de Rance uma pequena embarcação que chegava com a maré: eram ingleses que vinham vender alguns gêneros de seu país. Saltaram em terra, sem se preocupar com o senhor prior nem com a senhorita sua irmã, que ficou muito chocada com a desatenção.
Não sucedeu o mesmo com um jovem de excelente compleição, que, saltando por cima da cabeça de seus companheiros, veio cair de pé em frente à senhorita. Cumprimentou-a com a cabeça, pois, pelos modos, não aprendera a fazer reverência. Seu aspecto e sua indumentária atraíram os olhares do irmão e da irmã. Tinha a cabeça descoberta, as pernas nuas, longas tranças, pequenas sandálias, e um gibão que lhe modelava o talhe esbelto; e um ar ao mesmo tempo viril e bondoso. Trazia numa das mãos uma pequena garrafa de água de Barbados, e na outra uma espécie de bolsa na qual havia uma caneca e bolachas.

Voltaire, Contos (atrib. Roberto Domênico Proença, Nova Cultural, 2002) (p. 272):


"O Ingênuo", cap. 1:
- Acreditas - dizia a srta. de Kerkabon - que a nossa cunhada tenha sido devorada pelos iroqueses, como nos contaram? É certo que, se não a tivessem comido, teria voltado à sua terra. Hei de chorá-la toda a vida: era mulher encantadora; e nosso irmão, que era bastante inteligente, teria feito uma bela fortuna.
Enquanto assim se comoviam as tais lembranças, viram entrar na baía de Rance uma pequena embarcação que chegava com a maré: eram ingleses que vinham vender alguns gêneros de seu país. Saltaram em terra, sem se preocupar com o senhor prior nem com a senhorita sua irmã, que ficou muito chocada com a desatenção.
Não aconteceu o mesmo com um jovem de ótima compleição, que, saltando por cima da cabeça de seus companheiros, veio cair de pé em frente à senhorita. Cumprimentou-a com a cabeça, pois não aprendera a fazer reverência. Seu aspecto e seus trajes atraíram os olhares do irmão e da irmã. Tinha a cabeça descoberta, as pernas nuas, longas tranças, pequenas sandálias e um gibão que lhe modelava o corpo esbelto; e um ar ao mesmo tempo viril e bondoso. Trazia numa das mãos uma pequena garrafa de água de Barbados, e na outra uma espécie de bolsa na qual havia uma caneca e bolachas.

Voltaire, Contos (trad. Mário Quintana, Abril Cultural, com licença da Edit. Globo, 1972) (p. 400):


"O homem dos quarenta escudos", cap. 10:
"Que magistrado, um pouco sensível a seus deveres, à simples humanidade, poderia sustentar tais idéias? Poderá ele, na solidão do gabinete, sem fremir de horror e de piedade, lançar os olhos sobre esses papéis, infelizes monumentos do crime ou da inocência? Não lhe parecerá brotarem gementes vozes desses fatais escritos, a instá-lo para decidir da sorte de um cidadão, de um esposo, de um pai, de uma família? Que impiedoso juiz (se for encarregado de um único processo) poderá passar de sangue-frio por diante de uma prisão? - Sou eu então - dirá ele - que mantenho, nessa detestável morada, meu semelhante, talvez meu igual, meu concidadão, um homem enfim!? Sou eu que todos os dias o agrilhôo, que fecho sobre ele essas odiosas portas!? Talvez o desespero se haja apoderado da sua alma; lança aos céus o meu nome, de envolta com maldições; e sem dúvida atesta contra mim o grande Juiz que nos observa e que nos deve julgar a ambos."

Voltaire, Contos (atrib. Roberto Domênico Proença, Nova Cultural, 2002) (pp. 381-82):

"O homem dos quarenta escudos", cap. 10:

"Que magistrado, um pouco sensível a seus deveres, à simples humanidade, poderia sustentar tais idéias? Poderá ele, na solidão do gabinete, sem estremecer de horror e de piedade, lançar os olhos sobre esses papéis, infelizes monumentos do crime ou da inocência? Não lhe parecerá brotarem gementes vozes desses fatais escritos, a instá-lo para decidir da sorte de um cidadão, de um esposo, de um pai, de uma família? Que impiedoso juiz (se for encarregado de um único processo) poderá passar de sangue-frio em frente a uma prisão? - Sou eu então - dirá ele - que mantenho, nessa detestável morada, meu semelhante, talvez meu igual, meu concidadão, um homem enfim?! Sou eu que todos os dias o agrilhôo, que fecho sobre ele essas odiosas portas?! Talvez o desespero se haja apoderado da sua alma; lança aos céus o meu nome, de envolta com maldições; e sem dúvidas atesta contra mim o grande Juiz que nos observa e que nos deve julgar a ambos."

mais notícias sobre este plágio na folha de s.paulo.

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

imagens: www.site-magister.com; www.ilab.org

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