30 de set de 2008

o retrato de dorian gray


Oscar Wilde, O retrato de Dorian Gray (trad. Oscar Mendes, cedida para o Círculo do Livro por cortesia da José Aguilar), pp. 142-43:

No estranho romance de Lodge, Uma Margarida da América, conta-se que nos aposentos da rainha podiam ser vistas "todas as mulheres castas do mundo, olhando-se através de espelhos polidos de crisólitos, carbúnculos, safiras e esmeraldas, engastados na prata". Marco Polo observou que os habitantes de Cipango (1) colocavam pérolas cor-de-rosa na boca dos mortos. Um monstro marinho enamorou-se da pérola que um mergulhador tinha vendido ao Rei Peroz, matou o ladrão e chorou durante sete luas a sua perda. Procópio nos conta que, quando os hunos levaram o rei à beira do grande precipício, atirou ele a pérola lá dentro e nunca mais ela foi encontrada, embora o Imperador Anastácio tivesse oferecido quinhentas toneladas de peças de ouro* a quem a encontrasse. [...]

(1) Nome que os escritores da Idade Média, entre os quais Marco Polo, davam ao Japão. (N. do E.)
Eduardo II deu a Piers Gaveston uma coleção** de armaduras de ouro vermelho, marchetadas de jacintos, um colar de rosas de ouro cravejado de turquesas e um elmo semeado de pérolas. [...] Que estranha*** existência a de outrora! Quanta magnificência na pompa e no adorno! A simples leitura e descrição daquele luxo desaparecido ainda eram maravilhosas.

Oscar Wilde, O retrato de Dorian Gray ("trad." Enrico Corvisieri, Nova Cultural), pp. 144-45:

No estranho romance de Lodge, Uma Margarida da América, conta-se que nos aposentos da rainha podiam ser vistas "todas as mulheres castas do mundo, olhando-se através de espelhos polidos de crisólitos, carbúnculos, safiras e esmeraldas, engastados na prata". Marco Polo observou que os habitantes de Cipango (Japão) colocavam pérolas cor-de-rosa na boca dos mortos. Um monstro marinho apaixonou-se pela pérola que um mergulhador vendera ao Rei Peroz, matou o ladrão e chorou durante sete luas a sua perda. Procópio nos relata que, quando os hunos levaram o rei à beira do grande precipício, atirou ele a pérola lá embaixo e ela nunca mais foi encontrada, embora o Imperador Anastácio tivesse oferecido quinhentas toneladas de peças de ouro* a quem a encontrasse. [...]

Eduardo II deu a Piers Gaveston uma coleção** de armaduras de ouro vermelho, marchetadas de jacintos, um colar de rosas de ouro cravejado de turquesas e um elmo semeado de pérolas. [...] Que estranha*** existência a de antigamente! Quanta magnificência na pompa e no adorno! A simples leitura e descrição daquele luxo desaparecido ainda eram maravilhosas.

curiosa reprodução dos equívocos de tradução:

* "Emperor Anastasius offered five hundred-weight of gold pieces for it."

** "a suit of red-gold armour"
*** "How exquisite life had once been!"

imagem: dorian gray, penguin.ca


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

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