27 de nov de 2011

zaratustra, editora escala III



vejam-se alguns exemplos entre a tradução feita ou revista por josé mendes de souza (JMS) e da tradução que saiu pela editora escala, atribuindo-a a ciro mioranza (CM):





DA REDENÇÃO:
 Desde que vivo entre os homens, porém, o que menos me importa é ver que a este falta um olho, àquele um ouvido, a um terceiro a perna, ou que haja outros que perderam a língua, o nariz ou a cabeça. (JMS
 Desde que vivo entre os homens, porém, o que menos me importa é ver que a este falta um olho, àquele um ouvido, a um terceiro a perna, ou que haja outros que perderam a língua, o nariz ou a cabeça. (CM
 Quando, ao sair da minha soledade, atravessava pela primeira vez esta ponte, não dei crédito aos meus olhos, não cessei de olhar e acabei por dizer: “Isto é uma orelha! Uma orelha do tamanho de um homem!” Acercava-me mais, e por trás da orelha movia-se algo tão pequeno, mesquinho e débil que fazia compaixão. (JMS
 Quando, ao sair de minha solidão, atravessava pela primeira vez esta ponte, não dei crédito a meus olhos, não parei de olhar e acabei por dizer: “Isto é uma orelha! Uma orelha do tamanho de um homem!” Acercava-me mais e, por trás da orelha, movia-se algo tão pequeno, mesquinho e débil que dava dó. (CM
 DA CONVALESCENÇA: 
           Uma manhã, pouco tempo depois do regresso à sua caverna, Zaratustra saltou do leito como um louco: começou a gritar com voz terrível, gesticulando como se alguma pessoa deitada ainda se não quisesse levantar. E a voz de Zaratustra troava em termos tais, que os seus animais se lhe aproximaram espantados e de todos os esconderijos próximos da caverna de Zaratustra todos os animais fugiram, voando, revoando, arrastando-se e saltando, consoante tinham patas ou asas. Zaratustra, porém, pronunciou estas palavras:
            “Sobe, pensamento vertiginoso, sai de minha profundidade! Eu sou o teu galo e o teu crepúsculo matutino, adormecido verme! Levanta-te! A minha voz acabará por te despertar!
            Varre dos teus olhos o sono e tudo o que é míope e cego! Escuta-me também com os teus olhos. Minha voz é um remédio até para os cegos de nascença.
            E quando chegares a acordar, acordado ficarás eternamente. Eu não costumo despertar dorminhocos para que tornem a adormecer.” (JMS
           Uma manhã, pouco tempo depois do regresso à sua caverna, Zaratustra saltou do leito como louco. Começou a gritar com voz terrível, gesticulando como se alguma pessoa deitada ainda não quisesse se levantar. E a voz de Zaratustra troava em termos tais, que seus animais acorreram espantados e de todos os esconderijos próximos da caverna de Zaratustra, todos os animais fugiram, voando, revoando, arrastando-se e saltando, consoante tinham patas ou asas. Zaratustra, porém, pronunciou estas palavras:
            “Sobe, pensamento abissal, sai de minha profundidade! Eu sou teu galo e teu crepúsculo matutino, adormecido verme! Levanta-te! Minha voz acabará por te despertar!
            Tira os tampões de teus ouvidos e escuta! Porque eu quero te ouvir! Levanta-te! De pé! Há aqui trovoadas suficientes para que os túmulos também ouçam!*
            Varre de teus olhos o sono e tudo o que é míope e cego! Escuta-me também com teus olhos. Minha voz é um remédio até para os cegos de nascença.
            E quando chegares a acordar, acordado ficarás eternamente. Eu não costumo despertar dorminhocos para que tornem a adormecer.” (CM
 * Curiosamente, na edição da Guimarães, com tradução de resto muito diferente, encontra-se “Tira os tampões dos ouvidos, escuta! Porque te quero ouvir. A pé, a pé! Há aqui trovoada bastante para que os próprios túmulos ouçam”. 
 CONVERSAÇÃO [DIÁLOGO] COM OS REIS 
             “...Quando as espadas se cruzavam como serpentes tintas de vermelho, os nossos pais amavam a vida. O sol da paz parecia-lhes brando e tíbio, mas a paz prolongada envergonhava-os.
            Como os nossos pais suspiravam quando viam na parede espadas lustrosas e enxutas! Tinham sede de guerra, à semelhança dessas espadas. Porque uma espada quer beber sangue e cintila com seu ardente desejo.”
            Quando os reis falaram tão calorosamente da felicidade de seus pais, Zaratustra sentiu grandes tentações de zombar daquele ardor: porque evidentemente eram reis muito pacíficos os que via diante de si, com seus velhos e finos semblantes. (JMS
             “...Quando as espadas se cruzavam como serpentes tintas de vermelho, nossos pais amavam a vida. O sol da paz parecia-lhes brando e morno, mas a paz prolongada os envergonhava.
            Como nossos pais suspiravam quando viam na parede espadas lustrosas e enxutas! Tinham sede de guerra, à semelhança dessas espadas. Porque uma espada quer beber sangue e cintila com seu ardente desejo.”
            Quando os reis falaram tão calorosamente da felicidade de seus pais, Zaratustra sentiu grande vontade de zombar daquele ardor, porque evidentemente eram reis muito pacíficos os que via diante de si, com seus velhos e finos semblantes. (CM
 O SINAL 
             Entrementes tinham os homens superiores acordado na caverna, e dispunham-se a ir em procissão ao encontro de Zaratustra, para o saudar, porque já haviam reparado na sua ausência.Quando chegaram, porém, à porta da caverna, o leão, ao ouvir-lhes os passos, afastou-se rapidamente de Zaratustra e precipitou-se para a caverna rugindo furiosamente. Ouvindo-o rugir, os homens superiores começaram a gritar como uma só boca e, retrocedendo, desapareceram num abrir e fechar de olhos. (JMS
... Entrementes tinham os homens superiores acordado na caverna e dispunham-se a ir em procissão ao encontro de Zaratustra, para o saudar, porque já haviam reparado em sua ausência.Quando chegaram, porém, à porta da caverna, o leão, ao ouvir-lhes os passos, afastou-se rapidamente de Zaratustra e precipitou-se para a caverna rugindo furiosamente. Ouvindo-o rugir, os homens superiores começaram a gritar como se fossem uma só boca e, retrocedendo, desapareceram num abrir e fechar de olhos. (CM)

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