23/11/2011

nietzsche traduzido no brasil II

continuo a apresentar o levantamento cronológico das traduções de nietzsche publicadas no brasil, que iniciei aqui, agora de 1960 a 1979. traduções das décadas anteriores continuam a ser variadamente reeditadas.

I. a década de 1960

  • em 1961, saem novas reedições de assim falava zaratustra (brasil) e o pensamento vivo de nietzsche (martins).
  • em 1962, a tradução de mário ferreira santos de zaratustra, com várias edições pela logos, sai pela católica formar.
  • em 1965, idem, mais uma reedição de zaratustra pela brasil, o qual, a partir de 1966, transita para a ediouro, onde permanece em incontáveis edições até a data de hoje, passando de "tradução revista e atualizada por josé mendes de souza" para "tradução de josé mendes de souza".
  • também em 1966, vontade de potência na tradução de mário ferreira santos (1945) passa a ser publicada pela ediouro.
  • em 1967, a ediouro publica a genealogia da moral, em tradução de a. a. rocha (?), aqui em capa dos anos 80:.


II. a década de 1970

em 1972, a globo lança uma antologia humanística alemã, com um excerto da primeira das considerações anacrônicas. embora a edição traga os nomes de todos os tradutores, não se especifica quem fez o quê.


em 1973, em coedição com a presença, a martins fontes lança a tradução portuguesa de humano, demasiado humano, de carlos grifo babo:


em 1974, surge a coletânea de excertos de nietzsche, selecionados por gérard lebrun, traduzidos e anotados por rubens rodrigues torres filho, na coleção "os pensadores" da abril cultural, com o título de obras incompletas. a antologia traz trechos de O nascimento da tragédia no espírito da música / A filosofia na época trágica dos gregos / Sobre verdade e mentira no sentido extra moral / Considerações extemporâneas / Humano. Demasiado humano (1º) / Humano. Demasiado humano (2º) / Aurora / A Gaia Ciência / Assim falou Zaratustra / Para além o bem e do mal / Para a genealogia da moral / Crepúsculo dos ídolos / O Anticristo / Ecce Homo / Sobre o nilismo e o eterno retorno / Quatro poemas / Apêndice - O portador:


em 1976, aparece pela editora hemus a gaia ciência, em tradução de márcio pugliesi, edson bini e norberto de paula lima:


no mesmo ano, a hemus lança também crepúsculo dos ídolos, ou a filosofia a golpes de martelo, em tradução de edson bini e márcio pugliesi:


em 1977, ainda pela hemus, sai além do bem e do mal, ou prelúdio de uma filosofia do futuro, em tradução de márcio pugliesi:


também em 1977, a mesma hemus lança assim falava zaratustra, com tradução em nome de eduardo nunes fonseca:


em 1978, a martins fontes lança uma seleção variada, fontes de serenidade, incluindo um texto de nietzsche, difícil saber qual, e difícil também saber a autoria da tradução:



nesses vinte anos, nota-se que praticamente desaparece o lançamento brasileiro de traduções portuguesas: há apenas o caso de humano, demasiado humano em 1973. afora este elemento em comum, as duas décadas me parecem bem distintas entre si, e comentarei separadamente.

nos anos 1960, não há nenhuma nova tradução de nietzsche, seja de títulos já publicados ou de obras ainda inéditas entre nós, com a única exceção de uma retradução d'a genealogia da moral. há como que uma consolidação de alguns títulos, em particular de assim falava zaratustra, numa acirrada rivalidade entre as duas traduções, e uma espécie de assentamento de instabilidades no setor, com o fechamento de uma ou outra editora e a absorção de alguns títulos pela ediouro, onde permanecem até hoje.

já os anos 1970 constituem um marco: de um lado e principalmente, o grande salto qualitativo com as ditas obras incompletas e seu amplo painel das ideias de nietzsche, em seleção e tradução regidas por critérios de um bom scholarship; de outro lado, de escopo modesto e mais popularizador na hemus, uma oferta de vários títulos em simultâneo e trazendo uma obra até então inédita entre nós, a saber, a gaia ciência. embora tais lançamentos pudessem alcançar um público mais amplo, por outro lado deve-se levar em conta que a editora hemus tem um lamentável histórico de fraudes editoriais, envolvendo precisamente eduardo nunes fonseca, desta feita apresentado como autor da tradução de assim falava zaratustra.

de minha parte, considero o ano de 1974, pela consistência acadêmico-filosófica moldando a antologia de lebrun e rubens rodrigues, como a data em que nietzsche pensador finalmente ganhou seu visto de permanência no brasil.

ressalvo uma vez mais que se trata de uma cronologia tal como consegui reconstituir a partir de acervos de bibliotecas, livrarias e sebos. estando a pesquisa em andamento, os posts estão sujeitos a alterações para complementar ou eventualmente corrigir dados.
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