à diferença do que alguns parecem pensar, "gilberto miranda" não era um pseudônimo que veríssimo teria usado em algumas de suas traduções para a editora. como bem descreve ele, aqui citado a partir de em busca de um tempo perdido, estudo de sônia maria de amorim que já indiquei repetidas vezes:
trata-se duma "personalidade de conveniência" que inventei, uma espécie de factótum literário. Se uma equipe anônima organiza ou livro ou escreve um ensaio e precisamos de um nome para aparecer como autor dessas tarefas, convocamos gilberto miranda que, assim, tem sido, além de tradutor, especialista em crítica literária, modas femininas e masculinas, trabalhos manuais, política internacional, história natural, psicologia etc., etc. gilberto miranda não tem idade. nestes últimos quarenta anos, henrique e eu temos ficado mais velhos, mas o infernal miranda continua jovem: tem sempre trinta anos, a mesma cara, a mesma disposição para o trabalho e continua a ser suficientemente cínico (ou prático) para emprestar seu nome a qualquer empreendimento literário, por mais medíocre que seja. (p. 81)erico veríssimo nunca teve o esnobismo de usar pseudônimo em suas traduções de obras mais populares, de entretenimento ou de pulp fiction: de bom grado assinava-as de nome próprio, com a mesma naturalidade com que assinava suas traduções de obras de maior peso intelectual, digamos assim. ao lado dessa sua cristalina explicação de quem era "gilberto miranda" - e da qual não vejo qualquer razão em duvidar - , fica mais do que evidente que essas traduções publicadas pela globo (e reeditadas em várias outras editoras) são produções de coautoria apócrifa.
algumas traduções de "gilberto miranda":

1931

1934
1936
1937

também de 1937

1951, 2a. ed., em bizarra parceria
com homero de castro jobim

1951

1952, aqui capa de 1960
em bizarra parceria com stella altenbernd
por outro lado, note-se que as traduções anônimas coletivas com o nome dessa "personalidade de conveniência" se concentram em textos ditos ligeiros. "gilberto miranda" não comparece em obras de mais densidade, tirando uma bizarra parceria com juvenal jacinto num volume da coleção nobel, vinte e nove histórias, de somerset maugham, do qual não encontrei ilustrações de capa.

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