12 de nov de 2011

revista aletria, ufmg

A revista Aletria, editada pelo Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos Literários da Faculdade de Letras da UFMG, tem o prazer de convidá-los para participar do seu volume 22, n. 1, com publicação programada para 2012, cujo tópico será "O cânone da literatura traduzida no Brasil".

A tradução, nos primórdios do século 21, integra-se a todos os níveis da sociedade e torna-se cada dia mais indispensável ao seu funcionamento. Nos últimos quarenta anos, os Estudos da Tradução como disciplina acadêmica vêm crescendo de forma extraordinária.

Um campo em que essa nova dimensão da tradução aparece de forma mais evidente é o da tradução de obras literárias, setor que sofreu um profundo impacto das novas tecnologias. O impacto da literatura traduzida tem sido estudado em outros países de forma sistemática, com uma variedade de instrumentos metodológicos.

No Brasil calcula-se que as traduções atualmente atinjam 60-80% da produção de livros. Embora a tradução tenha sempre existido no Brasil e em proporções elevadas, a natureza do problema é que ainda não temos de maneira sistematizada uma história da tradução nacional e tampouco uma teoria da tradução própria. Em Formação da Literatura Brasileira, Antonio Candido afirma que "cada literatura
requer tratamento peculiar, em virtude dos seus problemas específicos ou da relação que mantém com outras" e prossegue dizendo que a literatura brasileira "é recente, gerou no seio da portuguesa e dependeu da influência de mais duas ou três para se constituir". A afirmação anterior, somada aos dados da Unesco de que 40% das traduções realizadas no Brasil são de obras literárias de distintas línguas, sugere que estudar o papel da literatura traduzida no sistema literário brasileiro é tarefa de fundamental 
importância para compreender o complexo processo de formação da literatura brasileira.

A Comissão Organizadora solicita textos artigos que analisem modelos e estratégias que orientam ou orientaram as traduções de um corpus determinado de 1970 até hoje. Os artigos, portanto, mostrarão as relações de diferença, de identidade e relações interculturais que se encontram no sistema literário brasileiro, bem como os fatores externos (história, cultura, sociedade) e os internos (história literária, composição, procedimentos retóricos e estilísticos, etc.) à tradução.

Os trabalhos deverão ser inéditos, redigidos conforme as normas relacionadas abaixo, e enviados até 1º de março de 2012.

A Comissão
Julio Jeha (editor)
Tereza Virginia R. Barbosa
Marie Helene C. Torres (UFSC)
Graciela Ravetti

As normas para a publicação estão aqui:
http://www.letras.ufmg.br/poslit/01_ninicio_pgs/Chamada_Aletria_22.1.pdf
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6 comentários:

  1. Fabrizio Lyra12.11.11

    Oi,Denise, dando continuação a nossa última conversa no tópico "Uma breve tipologia dos créditos de tradução" e tendo em vista as últimas postagens que li aqui, especialmente a matéria do "Diário do Nordeste" em que há uma citação de Ivo Barroso em que ele diz "Enquanto não tivermos uma política cultural séria, que resguarde livros, autores e tradutores, nada vai acontecer, nem os processos judiciais darão resultado” somada ao assunto desse post que diz estarem "os Estudos da Tradução como disciplina acadêmica crescendo de forma extraordinária." e "Um campo em que essa nova dimensão da tradução aparece de forma mais evidente é o da tradução de obras literárias, setor que sofreu um profundo impacto das novas tecnologias. O impacto da literatura traduzida tem sido estudado em outros países de forma sistemática, com uma variedade de instrumentos metodológicos."
    Dessa forma, pergunto, existe, por lei, algum pré-requisito, alguma exigência para ser tradutor de obras literárias? Da mesma forma que existem para outras profissões? Não seria o caso de se discutir isso? Ao longo de décadas, creio, não havia disciplinas de tradução e não se estudava essa matéria em faculdades. Sei que para ser um bom e até mesmo um grande tradutor, como muitos do passado, não é necessário passar por uma universidade. Mas tendo em vista que a cultura e a sociedade evoluem e se modificam e, especialmente, para nos protegermos da fraude e da má tradução, não seria o caso de se discutir a possibilidade de, no futuro,o exercício de tradutor, especialmente o de tradutor literário que vejo sendo tão desprezado, ser possível apenas para aqueles que possuam determinados pré-requisitos autorizados por lei? E, também, que as editoras exibam essa autorização da lei ao lado do nome de seus tradutores? Sem, é claro, desprezar os grandes tradutores do passado e os que já provaram sua qualidade. Como já te disse, não estou afirmando que deva ser assim e nem tenho elementos suficientes para embasar um debate desses. Como já disse, é apenas como leitor que proponho esse debate. Pois, infelizmente, é como diz aquele antigo ditado: "vale o que está escrito". A tradução literária e tudo o que é relativo a cultura, e digo isso como alguém que trabalhou com cultura a vida inteira, são muito menosprezados pela lei, vêm em último lugar em termos de considerações do direito. Talvez por, na mente de muitas pessoas, cultura não ser gênero de primeira necessidade. Assim como em tradução, literatura, para muitos também não ser, como seria o caso de tradução de livros técnicos e cientificos. No entanto, como bem disse Ivo, enquanto não tivermos todos os problemas discutidos e considerados por LEI, creio que os problemas vão continuar. Penso ser hora de todos os amantes da literatura e cultura em geral colocarem no papel todos os problemas que as traduções enfrentam, pensarem nas soluções e levarem isso para a discussão dos políticos.

    Forte abraço!

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  2. olá, fabrizio: de fato, embora seja reconhecida por lei, a profissão de tradutor não é regulamentada - tal como, por exemplo, tampouco a de historiador (regulamentada apenas poucos meses atrás).
    com a multiplicação de cursos de graduação, extensão e pós-graduação, a tendência é que venha a ser regulamentada em futuro não sei quão breve ou distante. da mesma forma, com a multiplicação de recursos eletrônicos como memórias de tradução e outras ferramentas como tradução automática, muitos preveem a extinção do ofício tal como era praticado e alguns ainda hoje praticam, mais, digamos, "artesanal".
    certamente é um debate fecundo e incontornável, e a regulamentação da profissão é uma bandeira de muitos tradutores, em especial de áreas técnicas e comerciais.

    abraço
    denise

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  3. Fabrizio Lyra13.11.11

    Receio que minha pergunta talvez seja ingênua: mas,quando você fala em tradução automática e memória de tradução, estaria se referindo a essa tradução que se faz de textos na internet, do inglês para o português, em que a tradução sai em boa parte ao pé da letra e, às vezes, fica até incompreensível?

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  4. olá, fabrizio, não, quando falo em memória de tradução, falo no farto instrumental utilizado na chamada "tradução assistida por computador", os cats - veja http://naogostodeplagio.blogspot.com/2010/08/cats-e-ptas.html

    e mesmo as ferramentas de tradução automática são muito usadas, para além dos exemplos grotescos do google translator - que de qualquer forma também é muito usado: veja no mesmo link dado acima outras referências.

    embora pareça ser esta a tendência atualmente dominante e irreversível em tradução, mesmo literária, não é propriamente minha praia e não me envolvo muito nessas discussões.

    indico a vc apenas em função de seu interesse sobre a atividade tradutória. para pensar o universo da tradução nos termos que vc parece sugerir, isto é, a regulamentação com exigência de formação específica em tradução, sem dúvida o futuro (ou o presente) passa pelos cats, mts e outros instrumentais com programas digitais de tradução. existem vários fóruns, sites e blogs de tradutores dedicados a este e outros temas correlatos, que certamente poderão esclarecer várias questões que vc colocou. outras fontes muito instrutivas sobre o presente e o futuro da tradução você encontra nos programas de curso de tradução, seja em nível de graduação,de extensão ou de pós-graduação.

    sem levar em conta as modalidades de tradução "assistida" por computador, como dizem, é irrealista discutir qualquer modalidade de controle jurídico ou legal da atividade - mas, como disse e repito, não é um debate que me interesse pessoalmente, por fecundo e incontornável que seja.

    abraço
    denise

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  5. Não acredito nas vantagens do uso de Cat Tools para traduzir literatura. Não me convence. Mas, as utilizo há sete anos para trabalhos técnicos, conheço aproximadamente umas dez delas. Onde não há repetições, elas são muito mais um entrave do que uma ajuda. Digo isso porque existe uma ideia condescendente por parte de alguns defensores de Cat Tools para tudo de que "se você não usa é porque não conhece". Acho muito mais interessante se você está traduzindo um romance ter o máximo de texto na tela de uma vez do que uma segmentação por frase. Além disso, você precisaria do texto em formato eletrônico. Mais etapas para o seu trabalho se vc receber o livro em papel, fora a etapa de "clean up" e outras desvantagens como a necessidade de usar um computador específico e mais potente. Eu trabalho no livro prazerosamente num netbook, quando estou a fim de variar, levo para o café e trabalho lá, ou para a cama. Meu notebook com cat tools pesa um quilo e meio a mais.

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  6. olá, michel: muito legais seus comentários, obrigada.

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