Eis aqui um trecho da primeira história, "Vila Glicínia", parte 1, "A estranha aventura do sr. John Scott Eccles":
O inspetor londrino acenou afirmativamente com a cabeça.É uma tolice os "revisores" da Martin Claret tentarem maquiar esse texto, a fim de batizá-lo como uma nova tradução, agora em nome de "Alex Marins".
— O bilhete está escrito em papel pautado comum, sem filigrana. É a quarta parte de uma folha, e foi cortado em dois sentidos com uma tesoura de lâmina curta. Foi dobrado três vezes e selado com lacre vermelho, colocado às pressas e comprimido com um objeto chato e oval. Está endereçado ao sr. Garcia, Vila Glicínia, e diz: "Nossas cores, verde e branco. Verde aberto, branco fechado. Escada principal, primeiro corredor, sétima à direita, estofo verde. Boa sorte. D." A letra é de mulher, e foi escrita com pena de ponta fina, mas o endereço foi feito com outra pena ou por outra pessoa. Como pode ver, trata-se de uma caligrafia mais grossa e firme.
— O bilhete é deveras extraordinário — comentou Holmes, examinando o papel. — Devo cumprimentá-lo, sr. Baynes, pela atenção que dispensou aos pormenores na análise feita. Poderíamos talvez acrescentar algumas minudências sem importância. O sinete oval é, sem dúvida, uma abotoadura de punho; que outro objeto pode ter tal formato? A tesoura usada deve ter sido uma tesourinha de unha, de ponta recurva, pois, apesar de os cortes serem curtos, nota-se distintamente em cada um deles a mesma ligeira curvatura.
O detetive deu uma risadinha.
— Julguei ter espremido todo o suco desse bilhete, mas vejo que ainda sobrou alguma coisa — disse. — Confesso que não compreendo nada dele, a não ser que nos encontramos diante de um caso grave, cuja figura central, como de costume, é uma mulher.
Durante essa conversa, Scott Eccles estivera em contínua agitação em sua cadeira.
— Alegra-me que tenha encontrado o bilhete, pois ele vem corroborar meu depoimento — disse. — Tomo, porém, a liberdade de observar que ainda não me contaram o que aconteceu ao sr. Garcia e a seus criados.
— Quanto a Garcia — disse Gregson —, é fácil responder. Foi encontrado morto esta manhã em Oxshott Common, a cerca de um quilômetro e meio de distância de sua casa. Reduziram-lhe a cabeça a um amontoado informe de carne sangrenta, mediante golpes violentíssimos desferidos com um saco de areia ou outro objeto semelhante, que, mais do que feri-lo, esmigalhou literalmente seu crânio.
O inspetor londrino balançou afirmativamente a cabeça.Digo que é uma tolice tentar maquiar, pois a quem se pretende enganar quando se troca, por exemplo:
— O bilhete está escrito em papel pautado comum, sem filigrana. É a quarta parte de uma folha e foi cortada em dois com uma tesoura de lâmina curta. Foi dobrada três vezes e selada com lacre vermelho, colocado às pressas e comprimido com um objeto chato e oval. Está endereçado ao sr. Garcia, Vila Glicínia, e diz: "Nossas cores, verde e branco. Verde aberto, branco fechado. Escada principal, primeiro corredor, sétima à direita, estofo verde. Boa sorte. D." A letra é de mulher, e foi escrita com pena de ponta fina, mas o endereço ou foi feito com outra pena ou foi escrito por outra pessoa. Como pode ver, trata-se de caligrafia mais grossa e firme.
— O bilhete é extraordinário, comentou Holmes, examinando o papel. Devo cumprimentá-lo, sr. Baynes, pela atenção que dispensou aos pormenores na análise feita. Poderíamos talvez acrescentar alguns detalhes sem importância. O sinete oval é, sem dúvida, uma abotoadura de punho; que outro objeto pode ter tal formato? A tesoura usada deve ter sido uma tesourinha de unhas, de ponta recurva, pois, apesar de os cortes serem bem curtos, nota-se distintamente em cada um deles a mesma ligeira curvatura.
O detetive deu uma risadinha.
— Julguei ter espremido todo o suco desse bilhete, mas vejo que ainda sobrou alguma coisa, disse. Confesso não compreender nada do seu conteúdo, a não ser que nos encontramos diante de um caso grave, cuja figura central, como de costume, é uma mulher.
Durante essa conversa, Scott Eccles estivera em contínua agitação em sua cadeira.
— Alegro-me de que tenha encontrado o bilhete, pois ele vem confirmar meu depoimento, disse. Tomo, porém, a liberdade de lhes fazer notar não me haverem ainda contado o que aconteceu ao sr. Garcia e aos seus criados.
— Quanto a Garcia, falou Gregson, é fácil responder. Foi encontrado morto esta manhã em Oxshott Common, a cerca de uma milha de distância de sua casa. Reduziram-lhe a cabeça a um amontoado informe de carne sangrenta, mediante golpes violentíssimos desferidos com um saco de areia ou outro objeto semelhante, que, mais do que feri-lo, esmigalhou-lhe o crânio.
- "O inspetor londrino acenou afirmativamente com a cabeça" por "O inspetor londrino balançou afirmativamente a cabeça", sendo que o original é um simples "The Londoner nodded"?
- "Como pode ver, trata-se de uma caligrafia mais grossa e firme" por "Como pode ver, trata-se de caligrafia mais grossa e firme", sendo o original "It is thicker and bolder, as you see"?
- Ou, fantasticamente, "Reduziram-lhe a cabeça a um amontoado informe de carne sangrenta, mediante golpes violentíssimos desferidos com um saco de areia ou outro objeto semelhante", absolutamente iguais, quando o original traz "His head had been smashed to pulp by heavy blows of a sandbag or some such instrument"?!! Em que, por um passe de mágica, "Alex Marins" reproduz letra por letra o "amontoado informe de carne sangrenta" que Álvaro Pinto de Aguiar usou para um sintético pulp?
- Por fim, um exemplo de incompreensão ou forte alteração do original: para "there was something on hand, and that a woman, as usual was at the bottom of it", a solução de Álvaro Pinto de Aguiar, "nos encontramos diante de um caso grave, cuja figura central, como de costume, é uma mulher", é fielmente replicada na edição claretiana.
Os exemplos da vã tentativa de ocultar o surripio se contam às centenas. A tradução de Álvaro Pinto de Aguiar se encontra disponível aqui e o original aqui. A capa dessa edição da Martin Claret (2006), com pretensa tradução em nome de Alex Marins, é:
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