6 de nov de 2011

as traduções especiais do clube do livro II

o autor mais assíduo das chamadas "traduções especiais" do clube do livro parece ter sido josé maria machado. já comentei algumas vezes, por exemplo aqui e aqui, que essas traduções especiais muitas vezes não passam de meras adaptações de traduções portuguesas ao português brasileiro.

apenas para registro, segue uma rápida lista de "traduções especiais" de josé maria machado, que talvez fosse interessante analisar dentro de um painel geral da história da tradução no brasil.

1944 (1987), gustave flaubert, madame bovary
1945 (1988), edgar allan poe, histórias extraordinárias
1946, oscar wilde, o retrato de dorian gray (“j. machado”)
1947 (1988), honoré de balzac, mulher de trinta anos
1948, emily brontë, o morro dos ventos uivantes
1951, robert louis stevenson, o médico e o monstro
1952, octave feuillet, romance de um jovem pobre*
1952, alexandre dumas, um ano em florença***
1953, walter scott, ivanhoé
1954, mark twain, as aventuras de tom sawyer
1955, cyrano de bergerac, viagem aos impérios do sol e da lua
1955, flavia steno, apaixonadamente
1956, alexandre dumas, o colar de veludo
1956, charles dickens, uma aventura de natal (com tito marcondes)
1956, jacques futrelle, a máquina pensante
1956, jonathan swift, as viagens de gulliver
1956, théophile de gautier, a paixão de militona
1956, edgar allan poe, thingum bob
1957, george sand, a pequena fadette**
1957, herman melville, moby dick
1958, charlotte brontë, o professor
1958, victor hugo, os miseráveis (condensada, 516 pp.)
1960, o quarto vermelho***
1961, alexandre dumas, a loura huberta
1961, françois rabelais, o gigante gargântua
1961, mark twain, as aventuras de huckleberry finn
1962, fenimore cooper, o último dos moicanos
1963, e. p. oppenheim, a torre
1963, ivã turgueniev, o passaporte
1963, oscar wilde, o jovem rei
1964, kassima, a tártara***
1965, prosper mérimée, a serpente
1968, summer lincoln, a cicatriz
1969, charles dickens, tempos difíceis
1969, leon tolstoi, o diabo branco
1972, walter scott, a última torre
1974, alexandre dumas, homem de guadalupe
1976, honoré de balzac, uma paixão no deserto (com augusto dantas)
1977, anne brontë, a preceptora
1983, honoré de balzac, o renegado

* agradeço a informação de antônio brito, nos comentários.
** agradeço a informação de elaphar, nos comentários.
*** agradeço a francisco costa, por e-mail (4/5/15)

obs.: os dois primeiros e o quarto títulos saíram como tradução anônima - apenas em data posterior, assinalada entre parênteses, surge o nome de josé maria machado. já o retrato de dorian gray foi a primeira obra trazendo a menção "traduzido especialmente para o clube do livro", que depois se tornaria habitual. interessante notar que, nesta primeira aparição, consta apenas "j. machado".




por outro lado, e mais na linha do pulp fiction, os livrinhos de futrelle e oppenheimer que o clube do livro publicou em 1956 e em 1963 já tinham saído na "coleção vampiro" da editora coluna, respectivamente em 1951 e 1952, na tradução do próprio josé maria machado. isso parece indicar que ele existia, fosse este seu nome ou pseudônimo, não sendo apenas um fantasma criado pelo clube do livro para acobertar suas contrafações.*

Clique para ampliar a capa

.o
outras traduções de josé maria machado para a coleção vampiro, mas que não foram reeditadas pelo clube do livro, são o inimigo na sombra, de j. s. fletcher, que saiu em 1951, e o homem que comprou londres, de edgar wallace, de 1953:

Clique para ampliar a capa

outra
sem imagem de capa, na mesma coleção há também, em tradução sua, atrás da máscara, de summer lincoln, 1951.

* atualização em 08/10/2012: sobre a identidade de josé maria machado, integralista de carteirinha, ver aqui.
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6 comentários:

  1. Fabrizio Lyra7.11.11

    Gostei da sua inclusão da colecão vampiro no debate. Tinhamos conversado sobre ela em outro post no qual você esclareceu várias dúvidas minhas. Como você já disse, esse blog se ocupa dos problemas mais recentes de plágio de tradução e seria algo muito trabalhoso analisar todos os casos antigos. Mas, mesmo assim, não sei se seria o caso de alguém que tenha perfil pra isso, algum dia, assumir essa tarefa como você muito bem faz aqui nos casos recentes e, às vezes, em caso antigos. E, depois da tarefa cumprida divulgar MUITO pela net como você faz com o caso da Martin Claret. Nesse último caso, nós, leitores, sempre te agradeceremos por isso e em todos os casos atuais que você denunciou. Mas, volto a repetir, a questão das traduções antigas persiste, pois ouço muitas pessoas dizerem que compram livros em sebos pois são mais baratos. No caso da literatura policial então, como também já comentei, em que grandes autores do passado não são retraduzidos, é algo escandoloso. Além do caso do circulo do livro e de José Maria Machado que você nos esclareceu, proponho mais uma vez o caso da editora Tecnoprint com dezenas de livros de Edgar Wallace traduzidos sempre pela mesma pessoa: Ayres Carlos de Souza. Como já disse, não consigo encontrar nenhuma informação sobre ele.

    Abraços!

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  2. é, fabrizio, é complicado.
    acho que vc vai gostar de um próximo post que ainda estou montando, pois demanda razoável pesquisa: algumas traduções de érico veríssimo e do "nome de conveniência" da globo em sua coleção amarela (aliás, localizei vários deles licenciados para a livros do brasil, que a gente comentava outro dia).

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  3. Mais um titulo como contribuição:
    1957 - A Pequena Fadette - George Sand
    Tradução Especial Para o "Clube do Livro" de José Maria Machado

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  4. mais um da lista : Romance de um Jovem Pobre - Octave Feuillet (provavelmente uma revisão da Tradução de Camilo Castelo Branco)

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