19 de nov de 2011

documentando



Continuando a documentar o caso de The Last Bow na tradução de Álvaro Pinto de Aguiar (1955) e a cópia mal disfarçada publicada pela editora Martin Claret em nome de Alex Marins (2006), que iniciei aqui, veja-se agora um parágrafo de "O círculo vermelho".

O Círculo VermelhoAliás, a Ediouro relançou a coletânea em tradução de Álvaro Pinto de Aguiar, mas com um título que apenas confunde as pessoas: O círculo vermelho e outras histórias de Sherlock Holmes. Na verdade, trata-se do próprio The Last Bow, que saíra na mesma tradução pela Melhoramentos em 1955, com o título mais pertinente de O último adeus de Sherlock Holmes.


Aqui, a tradução de Álvaro Pinto de Aguiar:
— Sem dúvida, a linha de investigação a seguir apresenta-se bastante clara — disse meu amigo, retirando da estante um grosso álbum, no qual colava, diariamente, a seção dos principais jornais londrinos reservada a avisos de pessoas desaparecidas.
    "Deus meu!", exclamou, folheando-lhe as páginas. "Que coro de gemidos, choros e lamentações! Que amontoado de acontecimentos estranhos! Todavia, este é sem dúvida o campo mais precioso que jamais houve para quem se dedica ao estudo dos fatos extraordinários! A pessoa que nos interessa encontra-se só, e não pode receber cartas sem quebra do absoluto sigilo que as circunstâncias lhe impõem. Como pode chegar até ela uma notícia ou qualquer recado do mundo exterior? Ao certo, por meio de anúncios publicados num jornal. Não parece haver outra solução, e felizmente já sabemos qual é esse jornal. Aqui estão os recortes do Daily Gazette dos últimos quinze dias: 'Senhora com uma estola preta no Prince's Skating Club...', podemos passar adiante. 'Certamente Jimmy não quererá despedaçar o coração de sua mãe. . .', isso parece não ter importância. 'Se a dama que desfaleceu no ônibus de Brixton. . .', não me interessa. 'Todo dia meu coração anseia. . .' Lamentações, Watson, lamentações infindáveis. Ah!, eis algo mais provável. Ouça isto: 'Tenha paciência. Encontrarei qualquer meio seguro de comunicação. Por enquanto, esta coluna. — G.' Este anúncio foi publicado dois dias depois da chegada do inquilino da sra. Warren. Não parece plausível? O nosso ente misterioso podia entender inglês, apesar de só saber escrever em letra de forma. Vamos ver se encontramos mais alguma coisa. Sim, aqui está... três dias mais tarde: 'Estou tomando providências. Paciência e cautela. As nuvens passarão. — G.' Uma semana em branco depois desse aviso. Vem em seguida algo mais definido: 'O caminho está se tornando mais claro. Se me for possível escrever em código, lembre-se do combinado: um, a; dois, B; e assim por diante. Terá notícias em breve. — G.' Isso veio no jornal de ontem; o de hoje não traz nada. Parece-me muito apropriado ao pensionista da sra. Warren. Se esperarmos um pouco, Watson, creio que o caso se tornará mais inteligível."
Aqui a pretensa tradução em nome de Alex Marins:
— Sem dúvida, a linha de investigação a seguir apresenta-se-nos bastante clara — disse meu amigo, apanhando da estante um grosso álbum, no qual colava, diariamente, a seção dos principais jornais londrinos reservada a avisos de pessoas desaparecidas. Deus meu!, exclamou, folheando-lhe as páginas. Que coro de gemidos, choros e lamentações! Que amontoado de acontecimentos estranhos! Todavia, é sem dúvida o campo mais precioso que jamais houve para quem se dedica ao estudo dos fatos extraordinários! A pessoa que nos interessa encontra-se só, e não pode receber cartas sem quebra do absoluto sigilo que as circunstâncias lhe impõem. Como pode chegar até ela uma notícia ou qualquer recado do mundo exterior? Ao certo, por meio de um aviso publicado em jornal. Não parece haver outra solução e, felizmente, já sabemos qual é esse jornal. Aqui estão os recortes do Daily Gazette dos últimos quinze dias: "Senhora com um boá preto no Prince's Skating Club..." — podemos passar adiante. "Certamente Jimmy não quererá despedaçar o coração de sua mãe. . ." — isso parece não ter importância. "Se a dama que desfaleceu no ônibus de Brixton. . ." — não me interessa. "Todo dia meu coração anseia,. . ." Lamentações, Watson, lamentações infindáveis. Ah! Eis algo mais provável. Ouça isto: "Tenha paciência. Encontrarei algum meio seguro de comunicação. Por enquanto, esta coluna. — G." Este anúncio foi publicado dois dias após a chegada do inquilino da sra. Warren. Não parece plausível? O nosso ente misterioso poderia entender inglês, apesar de não sabê-lo escrever senão em letra de forma. Vamos ver se encontramos mais alguma coisa. Sim, aqui está... três dias mais tarde: "Estou tomando providências. Paciência e cautela. As nuvens passarão. — G." Uma semana em branco depois deste aviso. Vem em seguida algo mais definido: "O caminho está se tornando mais claro. Se me for possível escrever em código, lembre-se do combinado: um, A; dois, B; e assim por diante. Terá notícias em breve. — G." Isto veio no jornal de ontem; o de hoje não traz nada. Tudo isso me parece muito apropriado ao pensionista da sra. Warren. Se esperarmos um pouco, Watson, creio que o caso se tornará mais claro.
Apenas a rápida ilustração de algumas coincidências desde as primeiras linhas, as quais seriam impossíveis se se tratasse de duas traduções independentes:
  • Well, Mrs. Warren: Com franqueza, sra.Warren (A.P.A); Com franqueza, sra. Warren ("A.M.").
  • But the landlady had the pertinacity and also the cunning of her sex. She held her ground firmly: Mas a senhoria tinha a pertinácia e também a astúcia característica de seu sexo e não se deu por vencida (A.P.A); Mas a hospedeira tinha a pertinácia e também a astúcia característica de seu sexo e não se deu por vencida ("A.M.").
  • The scared look faded from her eyes, and her agitated features smoothed into their usual commonplace: Toda a expressão de temor desapareceu dos olhos dela, e as feições agitadas tranquilizaram-se e readquiriram a aparência normal (A.P.A.); Toda a expressão de temor desapareceu dos olhos dela e as feições agitadas tranquilizaram-se e readquiriram a aparência normal ("A.M.").
  • There seems no other way, and fortunately we need concern ourselves with the one paper onlyNão parece haver outra solução, e felizmente já sabemos qual é esse jornal (A.P.A); Não parece haver outra solução e, felizmente, já sabemos qual é esse jornal ("A.M.").
Tradução de Álvaro Pinto de Aguiar aqui; original aqui.


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.




.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

comentários anônimos, apócrifos e ofensivos não serão liberados.